Até que a Sorte nos Separe 3

Até que a Sorte nos Separe 3

Por: Gabriel Araújo (@gabriel_araujo1)

ate-que-a-sorte-nos-separe-3_t96105_jpg_290x478_upscale_q90Sessão de Matinê: “Até que a Sorte nos Separe 3”

Tino retorna falido, ganha dinheiro novamente e volta a perdê-lo. Sim, a essência de ‘Até que a Sorte nos Separe’ é mantida no terceiro filme da série, com retoques e uma inserção nas atualidades, apresentando personagens relacionados ao momento do país, o que mostra, apesar de cenas desnecessárias, uma evolução no roteiro.

Nesta sequência, Tino (Leandro Hassum) é vendedor de biscoitos na praia e vive na pobreza mais uma vez, até que é atropelado por Tom (Bruno Gissoni), filho do homem mais rico do país. O protagonista passa sete meses em coma e, quando acorda, encontra seu “quase-assassino” namorando sua filha Teté (Julia Dalávia).

O bilionário pai de Tom é Rique Barelli (Leonardo Franco), dono da KHX. Clara inspiração em um certo Eike, da OGX. Casado com Malu (Emanuelle Araújo), a Luma de Oliveira das telonas, ele dá um emprego em sua corretora a Tino quando este decide arcar com os custos do casamento de Teté e Tom (ou melhor, Thor…). E então fica bem óbvio o que acontece: Tino atende uma ligação, vende fundos energéticos ligados ao governo federal e, assim, fale o Brasil.

No propósito de ser engraçada, a produção vai bem. O carisma de Leandro Hassum, inegavelmente divertido, é gigante, mas é complicado segurar quase sozinho todo o humor do longa. A diversão é garantida, além do protagonista, por Ailton Graça, revivendo Adelson; sem eles, a proposta de comédia do filme seria tão débil quanto a participação desconexa de Amaury (Kiko Mascarenhas), que aparece apenas para mostrar que ainda está por ali.

No caminho contrário, quem surge com força neste terceiro filme é Julia Dalávia, ganhando todo o destaque que não teve nos dois anteriores. Teté passa a ser figura importante no enredo. Henry Fiuka, intérprete de seu irmão Juninho, também faz algumas pontas engraçadas, mas sem tanto destaque quanto Dalávia.

A intenção de relacionar a nova quebra de Tino aos fatos atuais é interessante e gera boas piadas, como com a perda de peso de André Marques e com o olho torto de Nestor Cerveró, numa participação de Daniel Filho, mas são encontrados alguns exageros e mesmo falta de respeito com a figura da presidente Dilma Rousseff (bem imitada por Mila Ribeiro, aliás), chamada constantemente de “presidanta”. Antes de qualquer opção política, é importante que se respeite uma mulher e a figura máxima da República, e não que se jogue para a torcida que não a aprova, num filme que, apesar disso, faz algumas boas piadas com a própria Dilma (não era possível ter parado apenas nelas?) e retrata a histérica e compulsiva elite brasileira, via família Barelli.

Tecnicamente, o longa é um desastre. Novidades? Muito pelo contrário: é feito sem qualquer capricho. A operação de chroma-key é vergonhosa (uma criança faria melhor) no momento em que Tino e Amaury chegam a Brasília e quando o personagem de Hassum dirige a caminho do Rio de Janeiro – na situação, inclusive, em que surge uma cena ridícula de luta entre Tino e um boneco. Constrangedor.

A moral ‘família’ é a mesma dos outros filmes e, não fosse pela simpatia, pelo humor de Leandro Hassum, a produção fracassaria. O ex-gordinho garante gargalhadas fáceis na primeira metade, mas não segura o ritmo até o fim, e a segunda parte do longa satura.

Para rir, motivo pelo qual, ora pois, se consagrou, o último filme da trilogia (é o que diz o subtítulo – “A falência final”) cumpre, sim, seu papel – ao menos a primeira parte. Mas nos setores técnicos, e isso irrita, não passa de um naufrágio cinematográfico, demostrando um impasse entre o divertido e o mal feito.

Nota: 2,5/5

Sinopse:
Após os acontecimetos do último filme, onde perdeu a herança da família em Las Vegas, Tino procura um emprego fixo, sem sucesso. Um dia, é atropelado pelo filho do homem mais rico do país. Ao acordar depois de sete meses em coma, se surpreenderá com a notícia de que sua filha e o rapaz estão apaixonados. Convidado para gerir as finanças da empresa do pai do genro, para gerar dinheiro que usará para bancar o casamento, Tino consegue o inimaginável: falir a empresa, a maior do Brasil – o que gera um colapso na economia nacional.

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