Maratona do Oscar: O Regresso/Gabriel Araújo

Maratona do Oscar: O Regresso/Gabriel Araújo

Por: Gabriel Araújo (@gabriel_araujo1)

Sessão de Matinê: “O Regresso”TheRevenant-Poster

Desponta como um dos favoritos ao Oscar do próximo domingo (28) o mais recente filme de Alejandro G. Iñárritu, “O Regresso”. Premiado como melhor diretor pela Academia no ano passado, por “Birdman” (que ainda levou roteiro original e melhor filme), o mexicano aposta em uma história real estrelada por Leonardo DiCaprio para abocanhar novas estatuetas – está na disputa por 12 delas.

É muito provável, aliás, que o próprio DiCaprio, em sua quinta indicação, enfim leve o Oscar. Não que tenha feito a atuação de sua vida. Vivendo no oeste americano o caçador de peles dos anos 1820 Hugh Glass, Leonardo não aparece tão bem quanto em filmes como “O Lobo de Wall Street”, mas, diante de uma concorrência não tão desleal quanto nos outros anos e de um papel difícil, onde pouco fala e precisa transmitir o sentimento ao público com caretas e ações tensas, se arrastando e grunhindo, tem tudo para voltar para casa com um troféu.

“O Regresso” é altamente concentrado em cenas de impacto. Logo na abertura, uma luta sanguinária entre os caçadores de pele comandados por Glass e índios trabalhando para os franceses. Não para por aí. Ao longo do filme, a personagem de DiCaprio pulará em águas congelantes, será abandonado por seus parceiros e praticamente enterrado vivo, terá delírios com a ex-mulher morta e com o filho, será soterrado por neve, comerá tripas de um bisão, se abrigará dentro de um cavalo, se arrastará pela floresta, enfrentará índios loucos, pulará de um penhasco num cavalo e (especialmente) lutará numa cena incrível com um urso gigantesco. Tudo em nome de sobrevivência e vingança contra o vilão que desonra o grupo ao qual pertence, mente para chefe e parceiro e trai Glass, John Fitzgerald (Tom Hardy). E aqui mal há spoilers – na dúvida, cheque o trailer.

É até mesmo complicado apresentar o enredo de um filme cansativo de três horas com tantos sacrifícios do protagonista, o que nos leva a cair na vala de comentar apenas a atuação de DiCaprio. Não só dele é feito “O Regresso”. Tom Hardy, por exemplo, é outro com excelente trabalho, mas a ele restou o segundo plano – não que seja algo ruim, já que o leva a também brigar por um Oscar, como melhor ator coadjuvante, ainda que não seja favorito, pois esbarra num filme um tanto quanto raso.

A maior beleza do longa de Iñárritu está nas tomadas e cortes de imagens, apesar de todas as dificuldades de filmagem, sempre em locais verdadeiramente gelados e com luz natural. Há pouco de artificial na produção. Dirigido minimalista e competentemente por Iñárritu, Emmanuel Lubezki deve voltar a brilhar – premiado por melhor fotografia no Oscar em 2014 (“Gravidade”) e 2015 (“Birdman”), tem tudo para sentir o gosto do triunfo pela terceira vez consecutiva.

Mesmo com tamanha beleza fotográfica, o roteiro desequilibra o filme e peca. É arrastado e cansativo. O tempo passa e você segue na apreensão do que acontecerá a seguir com Hugh Glass. O sofrimento nunca acaba e, assim, o espectador se esgota – na sequência final, se decepciona com a melancolia total.

Tudo bem que a produção pode novamente coroar Iñárritu e enfim levar o excelente Leonardo DiCaprio ao Olimpo, mas quem assiste a “O Regresso” deixa a sala de cinema com sensações mistas – uma, de ter visto um filme bom tecnicamente e recheado de belezas incríveis, com boas cenas de ação e um ‘quê’ poético; outra, de cansaço. Só não pinga suor por ter passado as três longas horas no ar condicionado. Era melhor, realmente, que o fôlego tivesse sido tirado pelas mesmas três horas do mesmo DiCaprio num “O Lobo de Wall Street”. Antes de “O Regresso”, tenha uma boa noite de sono e tome um longo suspiro. Você logo se verá maravilhado, mas cansado. Cuidado com os cochilos.

Nota: 3/5

Sinopse:
1822. Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) parte para o oeste americano disposto a ganhar dinheiro caçando. Atacado por um urso, fica seriamente ferido e é abandonado à própria sorte pelo parceiro John Fitzgerald (Tom Hardy), que ainda rouba seus pertences. Entretanto, mesmo com toda adversidade, Glass consegue sobreviver e inicia uma árdua jornada em busca de vingança.

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