Maratona do Oscar: Trumbo/Pablo Bazarello

Maratona do Oscar: Trumbo/Pablo Bazarello

trumboBiografias sobre personalidades do mundo do cinema são sempre encantadoras para quem trabalha na área ou, simplesmente, aprecia tal universo. É interessante notar que quase sempre tal subgênero vem associado aos bastidores desta indústria específica, o que se torna um item ainda mais especial para quem gosta de estudar o assunto. Os amantes de história igualmente regozijam, já que aprender sobre determinada época nunca é demais.

Trumbo – Lista Negra”, baseado no livro de Bruce Cook, se encaixa em tais quesitos e vai além. Serve igualmente como aula de história política, inteiramente atual e relevante com a realidade que vivemos no Brasil hoje. Dalton Trumbo foi um dos roteiristas mais importantes da história de Hollywood. Sua vida pessoal é o tema do livro que acaba de virar filme. Grande apoiador do partido comunista, Trumbo se viu em meio a uma guerra quando os EUA caçavam e puniam tal tipo de pensamento, provido da União Soviética (atual Rússia), inimigo declarado do país norte-americano.

A chamada época da Caça às Bruxas visava encontrar e expor simpatizantes da causa, vistos como inimigos e traidores de sua nação. Em Hollywood, não foi diferente, e artistas eram perseguidos por suas crenças políticas. Na maioria dos casos, eram postos numa lista negra, na qual uma vez figurando, não conseguiam mais emprego e enfrentavam tempo de cadeia. Alguns eram obrigados a delatar, se não quisessem passar por tal punição eles mesmos.

No meio de tal furacão, um dos mais talentosos roteiristas que a indústria americana já viu. Trumbo, como retratado no filme (com a ajuda do excelente intérprete Bryan Cranston, da série “Breaking Bad”), era um sujeito decente, pai de família amoroso e marido preocupado em prover o lar. Ao ser liberado da prisão, após onze meses encarcerado, o escritor não encontrou trabalho – muito comum em casos assim. A solução foi utilizar um pseudônimo e escrever porcarias para um produtor de filmes B (como “O Alien e a Fazendeira”), ao mesmo tempo em que ajudava os amigos no mesmo barco que ele e aos poucos recuperava seu prestígio.

Usando tal estratégia, Trumbo ganhou dois Oscar (por “A Princesa e o Plebeu” – o qual creditou o amigo Ian McLellan Hunter – e “Arenas Sangrentas” – para o qual criou a alcunha Robert Rich). “Trumbo”, o filme, não chega a ser especial no sentido inovador. Dirigido por Jay Roach, especialista em comédias, vide “Entrando Numa Fria” (2000) e “Austin Powers” (1997, 1999, 2002), a obra segue a estrutura básica de biografias, sendo de fácil acesso ao grande público. Ao mesmo tempo, merece elogios por abordar um tema difícil de ser traduzido, transformando-o em um filme dinâmico, engraçado e, por vezes, emocionante.

Na parte técnica, é curioso notar a direção de arte e figurinos, sempre recheada de tons azuis (os ternos dos personagens principais, todos simpatizantes do comunismo). Quando a cor vermelha de fato aparece, ela aparece impressa nos implacáveis conservadores que caçavam a ameaça “antiamericana”, encabeçados por Hedda Hopper (a exuberante Helen Mirren). Levado parcialmente no tom de chacota (uma das vertentes do humor) e parcialmente em teor sério (afinal este é um assunto extremamente digno e dramático), “Trumbo – Lista Negra” é bem teatral. Podemos ver tal estilo inclusive nas performances dos citados Cranston e Mirren, sempre em um tom abaixo do exagerado ou da caricatura.

É impossível, no entanto, os olhos cinéfilos não grudarem na tela ao vermos abordadas figuras importantes como John Wayne (David James Elliott), Kirk Douglas (Dean O´Gorman), Edward G. Robinson (Michael Stuhlbarg), Louis B. Mayer (Richard Portnow) e Otto Preminger (Christian Berkel), entre outros, e perceber de que lado do conflito se posicionaram. Todos, é claro, defendidos de forma honesta pelo roteiro, que não aponta dedos ou sentencia vilões e mocinhos no conturbado período. Bem, ou quase.

 

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