Poltrona Resenha: Julieta/Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Julieta/Cesar Augusto Mota

Julieta: sensibilidade e melodrama de Pedro Almodóvar

 

novo-filme-de-almodovar-julieta-estreia-no-brasil-no-primeiro-semestreConsagrado com as tramas “Tudo sobre Minha Mãe” (2000) e “Fale com Ela” (2003), produções que renderam as estatuetas do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e Roteiro, respectivamente, o diretor espanhol Pedro Almodóvar nos brinda com uma narrativa que traz drama, mistério e provocará algumas dúvidas na mente de quem a acompanha.

Em “Julieta”, a protagonista de mesmo nome é professora de Literatura Clássica e pensa em deixar a cidade de Madrid para viver uma nova fase em sua vida após viver um período traumático decorrente do sumiço de sua filha Antía. Quando está prestes a se mudar, Julieta reencontra Bea, amiga de infância da filha, e seu drama pessoal recomeça.

Julieta escreve uma carta para a filha Antía, que se separou dela aos 18 anos e sem dar explicações. Em fase depressiva e mais velha, Julieta tenta encontrar respostas para o paradeiro de Antía, revela sentimentos que antes não tinha coragem de dizer para a filha e demonstra insegurança em relação ao futuro, tendo em vista não saber o atual paradeiro da herdeira.

O início da carta proporciona uma viagem no tempo e uma passagem pelo ano de 1985, época em que Julieta conhece Xoan, um afeiçoado pescador, numa viagem de trem e ambos iniciam um profundo romance, apesar de Julieta saber que Xoan é casado e a esposa está em coma. Mas esse encontro e junção dos personagens só foi possível após o acidente e morte de um homem com o qual Julieta se recusara a conversar momentos antes, e isso proporciona um sentimento de culpa que a persegue desde o ocorrido até o fim da história.

Da união de Julieta e Xoan nasce Antía, filha que ganha grande importância na narrativa em decorrência de seu comportamento um tanto reservado em alguns momentos, além de ter se afastado de sua melhor amiga, Beatriz, e de sua mãe. Esse sumiço repentino de Antía e sem deixar pistas acaba por provocar uma maior carga dramática na história, pois abala ainda mais o emocional de Julieta, que já estava arrasada por conta da morte do marido e por se sentir responsabilizada por um acidente que ocorrera com este. O sentimento de culpa, portanto, cresce.

Com sentimentos de culpa, abandono, fracasso e munida de muitas lembranças, Julieta tenta retormar sua vida e se dispõe até mesmo a esquecer que sua filha existiu, mas o desejo de reencontrá-la se mostrou mais forte na trama, mesmo após várias buscas terem sido em vão.

Esse misto de emoções transmitidas por Julieta, bem como alguns mistérios presentes na história, como quais teriam sido os motivos de Antía ter parado de se relacionar com Bea e abandonado a mãe, tornaram essa nova obra de Pedro Almodóvar sensacional. “Julieta” consegue cativar a todos, mesmo sem apresentar doses de humor, bem como ilustra momentos de vulnerabilidade e dramaticidade enfrentados por muitas pessoas nos dias de hoje. Sem dúvida, é um filme que vai conquistar você.

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