Poltrona Cabine: O Roubo da Taça/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: O Roubo da Taça/ Cesar Augusto Mota

366617A polêmica acerca do sumiço da Taça Jules Rimet foi o pano de fundo para a realização de “O Roubo da Taça”, do cineasta Caíto Ortiz, filme bastante premiado no Festival de Gramado e que trouxe uma boa dose de humor em relação ao acontecimento.

Peralta (Paulo Tiefenthaler) é um vendedor de seguros que se sente bastante pressionado, pois possui uma enorme dívida de jogo e está com dificuldades para pagar, bem como recebeu um ultimato da namorada Dolores (Taís Araújo), que quer casamento ou, caso contrário, o fim da relação. Com a ajuda do amigo Borracha (Danilo Grangheia), ambos têm a ideia de entrar de madrugada na sede da CBF e roubar a Taça Jules Rimet para depois vendê-la, mas quase tudo vai por água abaixo devido à inexperiência e às trapalhadas dos dois.

Encurralado pelas dívidas e com toda a polícia em busca dos ladrões, inclusive com o auxílio do Exército, Peralta não consegue mais esconder seu terrível segredo até ter uma ideia para se ver livre da Jules Rimet. Com dificuldades para comercializar a relíquia, Peralta e Borracha resolvem vendê-la para um argentino (Armando, interpretado por Fabio Marcoff), mas o que parecia ser o fim dos problemas para ambos só fez tornar mais grave a burrada cometida anteriormente, e agora os dois terão que usar de toda a agilidade e malandragem para escaparem ilesos.

A história sobre um dos episódios mais controversos do futebol brasileiro foi bem produzida, todos os atores interagiram com sintonia e souberam fazer boas construções cômicas. Paulo Tiefenthaler e Danilo Grangheia exemplificaram bem os típicos malandros, boêmios e viciados em jogos, Tais Araújo ilustrou a típica “mulher gostosa” e que não dá broncas no marido por sair à noite, mas somente por contrair dívidas de jogo. Já Milhem Cortaz, o investigador Cortez, teve uma atuação determinante e seu personagem acabou se tornando peça-chave para a solução do caso, e demonstra isso nas cenas que exigiram mais esperteza e agilidade, quando consulta as fichas de todas as pessoas que trabalham na CBF e ao estudar os comportamentos de todos os jogadores em uma das várias jogatinas que Peralta participa.

Não só na questão do humor o filme acerta, a narrativa feita por Dolores retratou bem como era o Brasil e o momento que os brasileiros viviam nos anos 1980, com generais no poder, hiperinflação e milhões de desempregados, e uma das poucas alegrias era o futebol, com a seleção canarinho, que alimentou o sonho do tetracampeonato mundial em 1982, frustrado com a derrota para a Itália com três gols de Paolo Rossi. Até com decepções sofridas no esporte, o filme soube brincar e arrancar risos, com a frase do tipo “O Brasil perdeu por causa desse maldito (Paolo Rossi) e voltou para casa”.

Mesmo com pouca ênfase à investigação policial, “O Roubo da Taça” não perde seu brilho, o diretor Caíto Ortiz veio com uma proposta de trazer um longa-metragem sem heróis ou vilões e sem fazer alarde a algum personagem, todos são igualmente cômicos e importantes no desenrolar dos fatos, além de saber explorar bem as cenas de perseguição e de fuga. Um filme que tem tudo para ser bem recebido pelo público.

“O Roubo da Taça” foi premiado em março pelo público no Festival South by Southwest, em Austin, no Texas e levou quarto kikitos no Festival de Gramado, de Melhor Roteiro, de  Lusa Silvestre e Caíto Ortiz;   Melhor Direção de Arte, de Fabio Goldfarb; Melhor Fotografia, de Ralph Strelow e Melhor Ator,  Paulo Tiefenthaler. O filme estreia em 08 de setembro nos cinemas.

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