Festival do Rio-Poltrona Cabine: Holocausto Brasileiro

Festival do Rio-Poltrona Cabine: Holocausto Brasileiro

holocausto_brasileiro_-_luis_alfredoUma das maiores tragédias da história recente do país e que ficou por muito tempo esquecida e abafada. O documentário “Holocausto Brasileiro”, baseado no livro-reportagem homônimo de Daniela Arbex, é mais uma atração do Festival do Rio, com estreia nesta quinta-feira (13), às 18h, no Cine Roxy. A produção promete não só expor, como também fazer refletir sobre um episódio que deixou profundas marcas e com poucos sobreviventes.

No início do século XX, mais precisamente em 1903, foi fundado em Barbacena, Minas Gerais, o hospital Colônia, que visava o tratamento de doentes mentais e tuberculosos, mas o que se passou lá dentro foi bastante assustador, um caminho sem volta para muitos pacientes.

Por cerca de oito décadas, homens, mulheres e crianças foram amontoados em vagões superlotados, apelidados de “trem de doido”, em viagem para o hospital Colônia, mas sem volta. Lá, homossexuais, gestantes, prostitutas, pobres, alcoólatras, pessoas sem documento ou expulsas de suas casas por familiares eram enviadas para o local e todos eram submetidos a tratamentos desumanos, sendo alvo de maus-tratos, torturas, exposição à fome, frio e total abandono.

O trabalho da jornalista Daniela Arbex começou em 2011, quando a professional foi atrás de depoimentos de ex-funcionários do hospital Colônia, de psiquiatras, ex-internos, dos fotógrafos Napoleão Xavier e Luiz Alfredo (Revista O Cruzeiro) e do cineasta Helvécio Ratton, que produziu em 1979 o documentário “Em Nome da Razão”, ambientado justamente no local que carecia de estrutura básica para tratar de seus pacientes e responsável pela morte de mais de 60 mil pessoas.

Além das palavras bastante comoventes dos personagens acima, o documentário faz uma rica apresentação de fotos dos pacientes e apresenta uma importante análise da postura corporal e dos olhares deles, reforçando assim o clima hostil e as crueldades pelas quais passavam. Tudo isso é revelado de forma sistemática, com uma ótima linha de tempo projetada até os dias atuais, com o local sendo mantido pela FHEMIG (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais) e com três sobreviventes à série de barbáries vivendo até hoje no Colônia.

Não é só estarrecedor o que aconteceu no local considerado o maior sanatório do Brasil, como também é inacreditável que essa série de episódios degradantes e humilhantes tenham passado despercebidos por milhares de pessoas. Essa foi uma das razões para que Daniela Arbex desse o pontapé inicial e conseguisse esse importante e impressionante trabalho, que serve não só para ilustrar o que aconteceu, como também para discutir acerca dos direitos humanos e da responsabilidade do Estado com seus cidadãos.

A jornalista Daniela Arbex faz um importante questionamento durante o documentário e que merece ser frisado: quem pode ser responsabilizado por essa série de barbáries? Pode-se dizer que todos os envolvidos, tendo em vista que as famílias deixavam os parentes no hospital Colônia e sequer apareciam para fazer visitas, os funcionários do sanatório praticavam as atrocidades e muitos sequer se davam conta do que faziam, e o Estado foi conivente e nada fez. Uma triste herança que carregamos e que foi lembrada oportunamente, ainda mais num momento difícil em que vivemos, da corrupção e da propagação do ódio e intolerância.

“Holocausto Brasileiro” terá ainda mais três exibições. Confira abaixo:

Sexta-feira, 14 de outubro – Cine Encontro da Première Brasil – Mostra Retratos Falados

Exibição às 13h30 / Debate às 15h

Local: Centro Cultural Banco do Brasil – Rua Primeiro de Março, 66 – Centro

Lotação: 98 lugares

Ingresso: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada)

Sábado, 15 de outubro, às 16h

Local: Cine Joia – Av. Nossa Senhora de Copacabana, 680 – Copacabana

Lotação: 87 lugares

Ingresso: R$ 22 (inteira) e R$ 11 (meia-entrada)

Quarta-feira, dia 19 de outubro, às 14h

Local: Ponto Cine – Estrada de Camboatá, 2300 – Guadalupe. Guadalupe Shopping – 1º piso.

Lotação: 73 lugares

Ingresso: R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia-entrada)

Por: Cesar Augusto Mota

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