Poltrona Cabine: Sangue do meu Sangue/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Sangue do meu Sangue/ Cesar Augusto Mota

sanguedomeusangue-15Aclamado no Festival de Veneza e exibido durante a 40ª Mostra de Cinema de São Paulo, o filme “Sangue do meu Sangue”, do cineasta italiano Marco Bellocchio, consegue unir o passo ao presente de uma maneira sólida e realiza críticas a temas cruciais e ao mesmo tempo atuais.

A história começa no século XVII, quando o jovem padre Federico Mai é chamado para ir a um monastério, situado na cidade de Bobbio, e lá recebe uma missão que não é nada fácil. Seu irmão Fabrizio, irmão gêmeo e também sacerdote, cometeu suicídio e, conforme as leis cristãs da época, não poderia ser enterrado em solo sagrado por ter tirado a própria vida. Antes de se suicidar, Fabrizio se envolveu com a freira Benedetta, e a alma do sacerdote só poderia ser salva se sua amante confessasse todos os pecados.

Encarcerada, Benedetta é submetida a todo tipo de tortura, mas mantém postura firme, até ser abalada com a presença do padre Federico. O pároco não mede esforços para arrancar alguma confissão dela, libertar a alma do irmão e poder proporcionar um enterro digno a ele, mas o que se vê é um verdadeiro exemplo de resistência da freira e uma postura autoritária da Igreja Católica. Os religiosos acreditavam que Benedetta possui um pacto com o demônio por ter seduzido um sacerdote e empregaram meios violentos e com tortura na tentativa de eliminar a influência demoníaca de seus instintos.

Nota-se que Bellocchio quis mostrar de início que os conflitos entre Estado e Igreja Católica já ganhavam contornos fortes na Idade Média e que até hoje os problemas relacionados à família ainda provocam polêmica e barulho na comunidade cristã. Se antes a religião influenciava nas relações sociais e sentenciava o que era certo ou errado, hoje ainda vemos isso ocorrer, mas com níveis de intolerância em graus ainda maiores.

Agora em um segundo momento da história, desta vez no presente, dois homens se mostram dispostos a comprar o convento onde Benedetta fora torturada, e já em fase de ruínas. No local mora atualmente um homem muito misterioso, o “Conde”, que só aparece na cidade durante a noite e se queixa da vida moderna. O vampiro enxerga a a nova geração com muita tristeza e acha que os novos vampiros estão mais preocupados em serem cada vez mais populares e ganharem mais notoriedade na nova era digital.

A família, a política e a religião são temas muito presentes na filmografia de Marco Bellocchio, e o resultado obtido em “Sangue do meu Sangue” é da mais alta qualidade, tendo em vista que o cineasta consegue abordar as ideologias, as questões sociais, morais e religiosas sem chocar o público, aliando o drama à comédia e proporcionando um estímulo à reflexão. Uma produção com grande elenco e excelente fotografia de Daniele Cipri, vale a pena conferir.

A distribuição do filme será da Fênix Filmes e estreia no circuito nacional em 1 de dezembro de 2016.

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