Poltrona Resenha: Elis/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Elis/ Cesar Augusto Mota

maxresdefaultRetratar a trajetória de uma das melhores cantoras do Brasil, do início da carreira até a morte, tudo isso é complicado, exige um roteiro sólido, esquematizado e cenas reforçadas pela dramaticidade e, sobretudo, autenticidade. O cineasta estreante Hugo Prata realiza um trabalho com o intuito de homenagear Elis Regina, dona de uma voz vibrante, contagiante e de forte presença, mas peca em alguns pontos.

A narrativa começa com a chegada de Elis ao Rio de Janeiro em 1964, início da ditadura militar, para alçar voos maiores em sua carreira musical, que é de dificuldades no início. Reprovada num primeiro teste, Elis não desiste e encontra pessoas que mudam sua vida para sempre, e justamente essas personalidades que ela conhece na trama são grandes destaques. Ronaldo Bôscoli (Gustavo Machado), com quem foi casada por cinco anos, Cesar Camargo Mariano (Caco Ciocler), seu segundo marido, Miele (Lúcio Mauro Filho), quem dá uma primeira oportunidade para Elis se apresentar, e Lennie Dale (Julio Andrade), coreógrafo e bailarino estadunidense que ensina a protagonista a se movimentar no palco.

As interações de Elis e dos demais personagens contribuem para uma história bem contada, com grandes apresentações da Pimentinha no Brasil e no exterior, o programa de Elis com Jair Rodrigues (Ícaro Silva), o Fino da Bossa e as cenas em que Elis sofre forte repressão pelos militares e forçada a cantar nas Olimpíadas do Exército. Porém, notamos grandes saltos entre alguns acontecimentos que acabam por prejudicar o ritmo e por deixar o espectador confuso.  Além disso, algumas perguntas surgem por conta dos problemas de conexão de alguns acontecimentos na história: foi mesmo Elis a principal responsável pelo fim da Bossa Nova? Como o programa “O Fino da Bossa” iria logo ser extinto se estava de vento em popa com Elis e Jair Rodrigues? E a relação de Elis com seus pais, como era?

Notou-se que o diretor Hugo Prata priorizou destacar o talento e caráter de Elis nessa cinebiografia, reforçando sua luta, carisma e forte personalidade, sobretudo no que tange à censura sofrida por ela e outros artistas durante o regime militar e as críticas da artista ao mercado fonográfico, que prioriza o lucro em detrimento da qualidade dos artistas, e que persiste nos dias de hoje.

Mas faltou uma carga maior de dramaticidade, a carreira de Elis Regina foi recheada de altos e baixos, principalmente em sua vida particular e na reta final de sua carreira, quando veio a falecer muito cedo, aos 36 anos. Outros momentos marcantes, como a gravação do álbum “Elis & Tom”, em 1974, interpretações magistrais de músicas de Adoniran Barbosa, Gilberto Gil e Milton Nascimento, nada disso aparece na história, lamentavelmente.

E o que dizer da atuação de Andréia Horta como Elis? Simplesmente magistral, a atriz mostrou personalidade e imprimiu autenticidade ao representar uma das maiores cantoras que o Brasil já teve. Sua interpretação foi tão memorável que fez o espectador acreditar que ela mesma estava cantando os grandes sucessos de Elis, mas realmente dublava. Uma intérprete que merece todo o destaque.

Se “Elis” não é um filme tão dramático e tampouco possui um roteiro sólido, acerta ao homenagear um dos grandes ícones da nossa música, com ótima fotografia e repertório, além de um elenco de primeira. Vale mesmo matar a saudade da guerreira,  sensacional e única, simplesmente Elis.


 

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