Poltrona Resenha: Manchester à Beira-Mar

Poltrona Resenha: Manchester à Beira-Mar

391735A maneira de lidar com a perda e formas de superá-la, não é fácil abordar o sofrimento das pessoas de uma forma sólida, ainda mais com uma narrativa concisa e um cenário que ajude a transmitir melancolia para o espectador. Pois bem, o diretor e roteirista Ken Lonergan já havia tratado do assunto em filmes como “Conte Comigo” e “Margaret” e volta a fazê-lo em “Manchester à Beira-Mar”. Essa produção tem tudo para receber indicações e também levar estatuetas do Oscar.

O zelador Lee Chandler (Casey Affleck), uma espécie de “faz-tudo”, como denominado na história, trabalha em um condomínio residencial e enfrenta problemas com os moradores do prédio por conta de seu comportamento truculento e agressivo. De repente, Lee recebe um telefonema com uma terrível notícia, o que o obriga a retornar para sua terra natal, que havia deixado para trás anos antes por causa de uma grande tragédia.

Após a morte do irmão que sofrera de ataque cardíaco, Lee terá a incumbência de resolver os trâmites burocráticos para o funeral, além de cuidar de Patrick (Lucas Hedges), seu sobrinho adolescente. Mas não será fácil para Lee Chandler cumprir as duas tarefas, pois um grande fantasma do passado ainda assombra sua vida e ele precisa se libertar do trauma. Para lidar com a dor, Lee adota um comportamento introspectivo e opta pelo isolamento.

Além de lidar com a dor, Lee Chandler enfrenta dificuldades de se relacionar com Patrick, muito por conta de sua personalidade introvertida e também pela dor que carrega após sofrer dois baques na vida. Lee se vê incapaz de se tornar tutor do sobrinho, como queria o irmão Joe (Kyle Chandler) em testamento. Além disso, há divergências com a mãe de Patrick, que enfrentou problemas com o álcool e abandonou o filho muito cedo.

A forma como Ken Lonergan utiliza para contar a história, com duas linhas do tempo, uma com flashbacks para explicar os motivos da fuga e isolamento de Lee Chandler, e a outra, com o momento presente, mas com um trauma já enraizado e difícil de ser controlado pelo protagonista. O diretor consegue ilustrar tudo de uma forma sutil, sem confundir o espectador, aliado a um ambiente cinza e sombrio, com uma conotação sensível e capaz de tocar o público.

O clima de tristeza, desolação e angústia é bem transmitido pelo elenco da trama. Casey Affleck consegue convencer como Lee Chandler, mas seu personagem não permite que ele vá além do homem amargurado e de humor contido. Lucas Hedges é uma surpresa, mostra um bom entrosamento com Affleck e tem atuação segura, e Michelle Willians, que interpreta Randi, a ex-esposa de Lee, demonstra toda a sua habilidade em representar papéis dramáticos.

“Manchester à Beira-Mar” possui também algumas doses de humor, mas o drama e a prostração falam mais alto, e não há apelação para o choro fácil. É uma história que traz uma experiência única e reflexiva para o espectador, além de mostrar que existem várias formas de se lidar com a perda, mas que a vida precisa continuar e é necessário ser forte. Uma excelente produção e cotadíssima para o Oscar!

Por: Cesar Augusto Mota

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