Poltrona Cabine: A Morte de Luis XIV

Poltrona Cabine: A Morte de Luis XIV

cannes3-2Grande nome do Absolutismo da França e figura imponente da monarquia no século XVIII, o rei Luis XIV tem seus últimos momentos de vida retratados em um filme dirigido pelo cineasta catalão Albert Serra, uma produção que promete ser impactante e causar melancolia no espectador.

A história se passa em agosto de 1715, quando o “Rei Sol” começa a sentir dores na perna. Duas semanas mais tarde, seu estado de saúde piora e fica de cama em Versalhes, com febre, dificuldades para dormir e se alimentar, além de sofrer de gangrena. De tudo é feito para que o rei se cure, padres, curandeiros, todos os métodos são utilizados, mas de nada adianta.

Além da saúde debilitada do rei, a família de Luis XIV se preocupa com a ausência do monarca a diversas reuniões programadas, além de esconder a doença de toda a comunidade para preservar o futuro do país. Esse cenário traduz a angústia da corte e a agonia de um homem que representava Deus na Terra, era defensor da Igreja e da pátria, além de representante do Estado com interesses acima dos particulares. Uma imagem tida como sagrada e que parecia inabalável.

Durante as duas horas do filme, ficamos restritos a um ambiente tenso e sombrio, graças a um belo trabalho com pouca luminosidade e a fotografia de Jonathan Ricquebourg, com sombras nos súditos em volta de Luis XIV. O rei, com olhos de tonalidade negra e única, e o vermelho da cama nos trazem uma imagem rasgada e cheia de mistério na trama, o que motiva ainda mais quem acompanha, além de permitir a inserção do espectador no cenário e o sentimento de aflição com o semblante moribundo do “Rei Sol” em seu leito de morte.

Protagonista de “Os Incompreendidos”, seu primeiro sucesso no Brasil, Jean-Pierre Léaud cumpre com maestria sua missão de interpretar uma das figuras mais poderosas da história da França, e representa muito bem a dor de envelhecer e a fragilidade do chefe supremo em contraste com a exuberância e pompa da corte francesa. E o trabalho de Albert Serra também merece ser exaltado, apesar do ritmo lento e da fotografia opaca. “A morte de Luiz XIV” é um excelente convite aos fãs dos filmes de época, vale a pena.

Por: Cesar Augusto Mota

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