Maratona Oscar: Toni Erdmann/ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Toni Erdmann/ Cesar Augusto Mota

toni-erdmann-bannerO Poltrona de Cinema segue com a Maratona Oscar 2017 e hoje vai falar de mais um concorrente ao prêmio de melhor filme estrangeiro. Sucesso de crítica na Europa e vencedor em premiações como New York Film Critics Circle Awards, Festival de Cannes 2016 entre outras, “Toni Erdmann” é um longa alemão sob a direção de Maren Ade e que chega com pompa de favorito.

A produção aborda a tentativa de um pai ter um relacionamento mais próximo com a filha, afetado pela distância e rotina intensa e estressante do trabalho desta. A solução do patriarca é aplicar boas doses de humor com uso de um disfarce espalhafatoso e piadas sutis, tudo para quebrar o gelo, a angústia e a saudade que existem entre ambos. Sem dúvida tudo isso vai render boas risadas e também reflexões, como iremos explicar mais adiante.

Wilfried (Peter Simonischek) é um professor de música sexagenário e solitário que vive com seu cachorro em uma cidade do interior da Alemanha. Ele decide ir a Bucareste fazer uma visita surpresa à filha Ines (Sandra Hüller), que é executiva e está a serviço de uma indústria que prioriza corte de despesas e terceirizações. Sempre atarefada, com o celular na mão e dezenas de compromissos a cumprir, quase não sobra tempo para Inês, nem para dar atenção ao pai.

Dentro desse contexto que Wilfried, ou melhor, Toni, entra em ação.
Com uma peruca preta, terno gasto e uma dentadura bizarra, Wilfried dá vida a Toni Erdmann, que se apresenta para Ines e seus colegas como um coach a serviço do chefe da empresa e também embaixador da Alemanha. As aparições de Toni em cada ocasião são extremamente embaraçosas, mas importantes para fazer Ines se questionar acerca da vida que leva e se realmente é feliz, além de revelar as faces e fazer cair aos poucos as máscaras das pessoas que vivem o mundo corporativo, embora este segundo não seja seu principal objetivo.

O trabalho da jovem cineasta Maren Ade é excepcional, com diálogos que fluem bem entre os personagens, além da montagem bem articulada e um roteiro que consegue exigir o melhor de cada intérprete. E a preocupação com as relações humanas e a melhor forma de abordar o relacionamento problemático e frio entre Wilfried e Ines sem dúvida foram as chaves para o sucesso do filme, além das atuações dos protagonistas. Questionamentos como “O que é a vida?” e “Você é feliz?”, feitos pelo alter ego de Wilfried para Ines serviram para nos mostrar que muitas vezes nos esquecemos de certas coisas por estarmos preocupados e focados em outras e que o significado da vida é aquela que costumamos levar.

Tudo isso parece ser trivial, mas válido para mostrar que hoje vivemos um novo conflito de gerações, dos mais velhos alertando os jovens acerca da vida que levam e como enxergam o futuro, além da diretora mostrar que é possível alcançar sentimentos de libertação num cotidiano tão tenso e boa parte violento. Maren Ade consegue entregar ao espectador um trabalho reflexivo e também hilário, com a presença marcante, intrigante e hilariante de Toni Erdmann numa trama de 162 minutos. O cinema alemão acertou em cheio, e vem forte para o Oscar.

E vale registrar que o filme ganhará uma versão hollywoodiana, com Jack Nickolson na pele de Toni Erdmann ao lado de Kristen Wiig. Se a versão norte-americana vai ter o mesmo brilho do original, isso não sabemos, mas sem dúvida “Toni Erdmann” será lembrado por muito tempo e continuará a refletir o que acontece nessa e nas futuras gerações.

Por: Cesar Augusto Mota

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