Maratona Oscar: Loving

Maratona Oscar: Loving

19c7ce_1a6db303bd46462e87a59d185b376b50Um retrato perfeito sobre luta pelos direitos civis nas décadas de 1950 e 1960 nos Estados Unidos, bem como a abordagem delicada da história de uma família americana que busca a felicidade, apesar das adversidades. Assim é “Loving”, longa dirigido por Jeff Nichols e que possibilitou a indicação de Ruth Negga ao Oscar 2017 na categoria de melhor atriz.

A história se passa precisamente no ano de 1958, época de muitas injustiças e desigualdades sociais na terra do Tio Sam. O casal Richard Loving (Joel Edgerton) e Mildred Jeter (Negga) mora no estado da Virginia e sonha em se casar e criar os filhos no campo. Eles se deslocam para Washington para oficializar a união, mas enfrentam um problema: as leis estaduais não permitem casamentos entre brancos e negros. Quando a polícia descobre, ambos são presos, julgados e expulsos da região.

Anos depois, começa uma batalha jurídica que chega até a Suprema Corte, graças ao apoio da American Civil Liberties Union (ACLU). Vemos nesta obra questões jurídicas e também humanas. Não só a luta pelo direito à propriedade, de contrair matrimônio e de poder ir e vir, mas também de ser feliz onde quiser, com quem quiser e da forma que desejar. Tudo isso não deveria ser complicado, mas é colocado à prova durante a narrativa.

As atuações dos protagonistas impulsionam a trama e conquistam o público, e a diferença de comportamento de cada um reforçam as ideias da passividade, bem como da solidariedade. Richard sempre reforçou ser um absurdo não poder viver com dignidade e ao lado da esposa na Virginia, mas se demonstrou apático, de mãos atadas e quase sem nenhum poder de reação. Já Mildred era mais forte, determinada e quem ditava as regras, a força motriz da família. Graças à sua coragem e confiança, um caso que parecia ser impossível entrou para a história e alterou os rumos das relações em sociedade nos Estados Unidos.

É inegável que Joel Edgerton faz um ótimo trabalho como Richard, mas é Ruth Negga quem rouba a cena, por tudo isso dito anteriormente, além de ter desempenhado tão bem um papel com alto grau de complexidade. Boa parte da trama foi centrada em sua personagem, sempre disposta a colocar a cara a tapa e sem se importar com as consequências. Sem dúvida valeu a indicação de Ruth para melhor atriz no Oscar, com uma interpretação justa e sólida.

Vale também destacar o trabalho do diretor Jeff Nichols, que fez uma abordagem contundente de uma história real e diretamente relacionada com o cotidiano de milhões de americanos nos anos 1950 e 1960, além de fazer uma ótima referência, a carta enviada por Mildred ao Procurador-Geral Robert Kennedy, que posteriormente repassou para a ACLU. Um trabalho magistral e digno de todos os aplausos.

Quem é fã de filmes históricos e com ótimas ilustrações de época sem dúvida vai curtir “Loving”, obra que retratou um caso verídico e que mudou para sempre os rumos de uma nação. Vale o convite.

Por: Cesar Augusto Mota

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