Poltrona Resenha: Sonata de Outono/Tom Machado

Poltrona Resenha: Sonata de Outono/Tom Machado

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Se existe um tema que sempre gera grandes filmes, é ele: relações complexas entre seres humanos. Qualquer um já teve a oportunidade de assistir à um bom drama sobre um casal, amigos ou mesmo um romance entre desconhecidos. Mas quem assiste “Sonata de Outono”, dirigido por ninguém menos que Ingmar Bergman, com certeza nunca viu nada parecido.

A história do filme é a seguinte: a pianista Charlotte (Ingrid Bergman) vai visitar a filha Eva (Liv Ulmann), no interior da Noruega. Enquanto a mãe é um artista de renome internacional, a filha é tímida e deprimida. Esse encontro tenso, marcado por lembranças do passado, revela uma relação repleta de rancor, ressentimentos e cobranças.

Eu posso dizer: o filme me deixou de queixo caído. Conforme foi se desenrolando, consegui experimentar de uma maneira bem crua como é o desgaste emocional de Eva, parecendo viver eternamente com um vazio no seu peito, consequências de sua infância com a mãe narcisista. A direção de Ingmar Bergman parece sempre nos deixar anestesiados.

Como se para Charlotte já não fosse fácil lidar com seu acerto de contas com Eva, na história ainda está presente Helena (Lena Nyman), uma outra filha sua que ela abandonara numa instituição para doentes mentais. Helena vive com Eva e seu marido Viktor (Halvar Björk), e a mãe só toma conhecimento disso na visita. Imaginem o choque para a personagem.

Se por um lado, compreendemos como é ser rejeitado, entendemos também como é duro rejeitar. Com seus próprios abismos
interiores, vemos o lado da mãe, que por um descuido da natureza, parece não ter vindo preparada para ser boa o suficiente. Ingrid Bergman dá um verdadeiro show e na minha opinião, essa é uma de suas melhores performances no cinema. Liv Ulmann não deixa a desejar no papel da filha incompreendida e que quer ser amada. Uma verdadeira obra de arte essa sonata.

Confesso que quando o filme acabou, senti um certo conforto por nunca ter vivido isso e ter tido uma mãe completamente oposta à pianista. Com certeza não deve ser fácil assistir para quem já passou por isso, mas acho que esse grande trabalho de ambos os Bergman merece a atenção de todos. Lindo filme que ficará para sempre em minha memória.

Por Tom Machado

 

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