Poltrona Resenha: A Guerra dos Sexos/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: A Guerra dos Sexos/ Cesar Augusto Mota

Sabe aquelas frases, como “Lugar de mulher é na cozinha” e “O homem consegue suportar pressão, mulher não”? Pois bem, a cultura machista ainda está, lamentavelmente, presente em nosso cotidiano, mas a mulher tem conquistado cada vez mais espaço e provado seu valor. E você tem ideia de como era o preconceito e a discriminação em relação à mulher na década de 70? Baseado em um famoso episódio da história recente dos Estados Unidos, “A Batalha dos Sexos”, que dá título ao filme, foi um acontecimento emblemático, que significou a luta pela igualdade de gênero e a implementação dos ideais feministas.

Billie J. King (Emma Stone), número um do ranking mundial no tênis feminino, está em constantes duelos, não só dentro de quadra contra suas adversárias, mas também fora dela. Billie J. é a líder na luta pela igualdade de direitos entre as mulheres, e vive em pé de guerra com Jack Kramer (Bill Pullman), principal organizador do Torneio de Tênis do Pacífico Sudoeste. Para ele, os homens merecem ganhar prêmios maiores por jogarem mais, apresentarem maior competitividade e por saberem lidar melhor com a pressão. Já a tenista não enxerga por esse ângulo, ela exige equiparação na premiação e mais apoio para a modalidade, o que é imediatamente negado. Aí é só o começo do que vai ser o filme, a protagonista precisará de todas as suas habilidades e energias não só para vencer em quadra, mas também para conquistar coisas ainda mais grandiosas e por um mundo mais justo.

Do outro lado da trama temos Bobby Riggs (Steve Carell), um tenista aposentado de 55 anos que está distante dos holofotes e que se mostra disposto a voltar à mídia. Com toda sua fanfarronice e seu jeito bufão, Bobby resolve aproveitar o momento de sucesso de Billy J. King e da popularidade do movimento feminista e propõe a realização de uma partida de exibição, com direito a prêmio de US$ 100 mil para o vencedor e cobertura do evento em horário nobre. Bobby Riggs também chama a atenção por saber explorar bem seu lado marqueteiro e debochado, se intitulando como “porco chauvinista”, além  do uso de adereços espalhafatosos. Bobby quer mostrar que tem condições de vencer qualquer adversário, apesar de sua idade avançada e forma física.

Antes que o embate entre os dois ocorra, as vidas privadas dos competidores são devidamente exploradas, para uma melhor contextualização da história e para o envolvimento do espectador com a narrativa. Tudo é feito com precisão, a estética é primorosa, com muito embelezamento e romantismo, e os momentos dramáticos em que Billy J. e Bobby Riggs vivem, a primeira com o peso e responsabilidade de lutar por uma causa que envolve grandes esforços e muita coragem, e o segundo, com problemas conjugais e vício em jogos de azar, trazem mais tensão e preparam o espectador para o que vem mais adiante, um duelo de titãs, com muitas provocações, hostilidades e temor pelo risco de insucesso. Há um equilíbrio na retratação do cotidiano dos dois personagens centrais, e as interações dos personagens secundários, com o apoio de Sarah Silverman, Alan Cumming e Elisabeth Shue, valorizam ainda mais a história.

No que tange às atuações, Emma Stone consegue imprimir força e versatilidade com sua personagem, de inicialmente perdida e afrontada, para depois se tornar forte e empoderada. Também são latentes o carisma e graciosidade de Stone, bem como as expressões corporais, com muita firmeza na forma como reage às adversidades. O comportamento demonstrado em quadra, seja pela força física e psicológica, nos mostram uma Billie J. King mais fortalecida quando atingida, e o conjunto da obra faz todos se identificarem e torcerem por Billie J. Steve Carell também se destaca como Bobby Riggs, um homem de jeito peculiar e caricato, que não está preocupado com os ideais femininos, mas em armar um circo midiático e ganhar bastante dinheiro. A veia cômica, característica inerente a Carell, ajuda bastante na composição do personagem, e sem dúvida vamos do céu ao inferno com Riggs, seja por conta de seu machismo e jeito fanfarrão ou em momentos engraçados numa mesa de jogo e nos momentos de preparação para o grande jogo, com as mais engraçadas fantasias e adereços.

O trabalho dos diretores Jonathan Dayton e Valerie Faris (Pequena Miss Sunshine) merece ser reverenciado, pois consegue trazer para o público uma comédia regada por alguns momentos dramáticos, além de levantar um assunto que ainda gera polêmica, a igualdade de gêneros, e importantes mensagens, de que as mulheres merecem todo respeito e admiração e que a força demonstrada por elas diante de todas as agruras e adversidades jamais deve ser desprezada. E apresentar a história sob o pinto de vista de Billie J. também é outro ponto forte, você se identifica com ela e torce não só para que a tenista vença o jogo contra Riggs, mas que seja feliz fora das quadras e que as mulheres conquistem mais espaço na sociedade e nas competições esportivas.

‘A Guerra dos Sexos’ é um filme poético, poderoso, desafiador, que fará você sentir uma enorme carga emocional não só com o elenco, mas também com a temática proposta, que é muito atual. As mulheres já estão acostumadas a enfrentar grandes batalhas e alcançar grandes feitos, e estão prontas para os próximos desafios. Vale o ingresso!

Avaliação: 5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

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