#269 Café Society

#269 Café Society

Café Society é o melhor filme de Woody  Allen. Ali você encontra todas as suas referências: a família judaica, a presença de celebridades e estrelas num café, criticando a própria indústria do cinema com suas futilidades e superficialidades. Tem também um escritor frustrado que parece ser o próprio Allen, mais um alter ego do cineasta.

Só que dessa vez há um contraponto: uma mulher simples, mas incrivelmente bonita, Vonnie, que ama dosi homens: o escritor Bobby e o agente de cinema Phil, que ainda por cima, é tio de Bobby. Phil é casado e a mantém como amante. Bobby a conhece, se apaixona e mesmo sabendo que ela tem um namorado secreto, se envolve. Phil tenta se separar da esposa, sem sucesso. Até que , ao perceber que está perdendo Vonnie,tenta recoqistá-la.

Bobby é de Nova Yortk, reduto máximo de Allen e conhece Vonnie em Hollywood, a meca do cinema.

Apesar de todos os clichês allenianos, o que mais chama a atenção, mesmo ele falando de ma´fia e gangsters ao abordar o irmão de Bobby, e a dúvida no amor. Podemos amar  dois homens ao mesmo tempo, no caso das mulheres, e ao contrário no dos homens, mas pela convenção social, necessitamos escolher um. Eu já tive essa dúvida cruel em 1992 e fiquei sem nenhum deles. Os dois apaixonados, eu também, e fiquei sozinha.

Quando Woody Allen aborda isso de forma sensível e sutil é simplesmente sensacional porque ele não fala de algo carnal entre o triângulo amoroso, mas sim, algo maior que isso.

Vonnie encontra em Phil o homem bem-sucedido num meio cheio de estrelas de cinema. Meio que antigamente ela refuta e depois ao se ver na rede de pertencimento, ama e ostenta. E em Bobby, apesar do sucesso como empresário do café, longe da escrita, o idealismo, algo puro de determinação que ela tinha e ficou lá atrás.

Bobby reencontra Vonnie com Phil em seu café. E após ela o procurar na mesma noite, voltam a se encontrar e acabam tendo um caso. O reencontro dos três é um dos pontos-chave do filme. Bobby não reconhece a Vonnie que se apaixonou no passado e que ainda guarda em seu coração. Tanto que se casou com uma Verônica e a chamou de Vonnie quando ela disse que ele seria pai, lá atrás.

O final dessa linda história de amor, só assistindo Café Society.

Não é à toa que Allen é meu cineasta favorito.

Woody fala de uma sociedade americana nos anos 30/40 mas ele consegue transportar toda a situação inserida na película para os dias atuais. É essa a marca de alguém espetacular. É a marca que um gênio imprime no mundo. No caso de Allen, no mundo do cinema.

Steve Carrell, ator que amo desde O Virgem de 40 anos, está mais uma vez maravilhoso. Kirsten Stewart, conseguiu se livrar de Crepúsculo e brilha, mostrando todo o seu talento. Parece veterana nas histórias de Allen. E Jesse Eisenberg com sua frieza e sutileza em interpretar agrega aos dois, formndo um trinuvirato do mais puro talento.

E ainda tem as paisagens maravilhosas e inesquecíveis de Nova York com shots e tomadas simplesmete de tirar o fôlego.

O filme lembra muito Casablanca, um dos meus filmes preferidos de todos os tempos. É uma referência metalinguística muito especial e decisiva.

Daí cravo Café Society como o creme de la creme> o melhor de Woody Allen ever. Deleite-se!

Por Anna Barros

 

 

 

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#268 A Garota No Trem

#268 A Garota No Trem

O filme é um suspense sensacional onde você duvida da palavra de uma ex-mulher, Rachel, traída, alcoólatra, que parece querer fazer de tudo para se vingar de seu ex-marido, Tom Wilson, que ainda por cima a acusou de tê-lo feito perder o emprego.

Ela acaba por morar de favor com uma amiga e omite o fato de ter perdido o emprego há um ano. A amiga só descobre quando uma detetive a procura em virtude do assassinato de uma ex-babá, Megan, que ainda por cima estava grávida.

Para passar o tempo, Rachel viajava de trem todos os dias até Londres e acaba presenciando uma cena incomum: a mulher assassinada com um outro homem, que não o seu próprio marido. E daí há uma série de tramas paralelas que te fazem ficar mais curioso e louco para saber o fim da trama que é pra lá de um suspense total.

EmilyBlunt está simplesmente sensacional. Há um livro relacionado ao filme que pretendo ler em breve. O enredo te envolve e te cativa e você fica em dúvida, várias vezes, se Tom é ou não culpado.

Super recomendo! Veja assim que for possível! Não perca! É simplesmente envolvente e eletrizante.

 

Sinopse:Rachel (Emily Blunt), uma alcoólatra desempregada e deprimida, sofre pelo seu divórcio recente. Todas as manhãs ela viaja de trem de Ashbury a Londres, fantasiando sobre a vida de um jovem casal que vigia pela janela. Certo dia ela testemunha uma cena chocante e mais tarde descobre que a mulher está desaparecida. Inquieta, Rachel recorre a polícia e se vê completamente envolvida no mistério.

 

Poltrona Cabine: Liga da Justiça/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Liga da Justiça/ Cesar Augusto Mota

Os fãs de quadrinhos e apreciadores dos filmes da DC estão prestes a matar a ansiedade para ver uma das produções mais aguardadas do ano: ‘Liga da Justiça’, em live action, sob a direção de Zack Snyder e com um timaço de super-heróis que se reúne para combater uma nova ameaça. Promessa de uma história eletrizante, com muitas cenas de ação empolgantes e possantes efeitos especiais.

A narrativa nos traz Bruce Wayne (Ben Affleck), que reavalia seus métodos e espírito altruísta após a morte de Clark Kent (Henry Cavill) e se mostra disposto a formar uma equipe de combatentes do crime para defender a Terra de novos perigos. Ao lado de Diana Prince (Gal Gadot), Batman e Mulher-Maravilha encontram Victor Stone (Ray Fisher), o Ciborgue; o guerreiro de Atlantis Arthur Curry (Jason Momoa), o Aquaman; além do velocista Barry Allen (Ezra Miller), o The Flash. Juntos, eles precisam deter o terrível Lobo da Estepe (Ciaran Hinds), comandante de um exército de insetos humanóides, os parademônios, e disposto a recuperar as 3 caixas maternas, espécies de computadores vivos e dotado s de consciência própria que vivem em função de seus donos. As caixas concedem poderes como manipulação de energia e teletransporte, mas se autodestroem com a morte de seu possuidor.

Diferente de Esquadrão Suicida, a apresentação de todos os personagens se dá de maneira direta, sem rodeios e dispensando caracteres como animações e letreiros. A maneira como as histórias se entrelaçam e o encontro entre os heróis ocorrem de maneira impactante e com momentos hilários, principalmente de The Flash, o alívio cômico do grupo, com piadas infames e de duplo sentido, além dos diálogos engraçados entre Batman e Aquaman e o jeito destoante do Ciborgue, sempre sério, mas bastante solícito. A Mulher Maravilha não fica atrás e com seu jeito elétrico, carismático e de personalidade, vai conseguir motivar toda a equipe, além de se mostrar uma forte líder.

Foi possível perceber durante os 120 minutos de projeção que ‘Liga da Justiça’ deixou um pouco de lado o tom sombrio e sério presente em Batman vs Superman e incorporou uma veia mais cômica, presente nas produções da Marvel. Mas as doses de humor são aplicadas na medida certa, sem comprometer a essência do filme, e o recurso faz o espectador se importar ainda mais com cada um dos heróis. Reunidos, todos conseguem formar uma equipe coesa, empática e capaz de prender a atenção do início ao fim, além de entregarem cenas com muito dinamismo e emoção. A história foca mais na aventura e não há muita preocupação com as consequências das interações do enredo, um foco mais descompromissado e focado nas lutas.

Assim como acontecem em boas produções, também existem falhas em ‘Liga da Justiça’. Um dos pontos fracos está no vilão, o Lobo da Estepe, não por ter sido feito com efeitos CGI, mas pela pouca expressão e o pouco impacto transmitidos, o espectador não se convence e tampouco é atingido pelo grande vilão do Universo estendido da DC, tamanha era a expectativa. Além dele, o Ciborgue se mostra um tanto destoante dos demais heróis e o que menos se destaca, ao contrário de Mulher Maravilha, The Flash e o Aquaman, os três muito bem em cena e protagonistas das melhores sequências. Batman não compromete, mas não há grandes novidades do Homem-Morcego na tela, e o Superman é uma grata surpresa.

Além dos efeitos especiais e das empolgantes cenas de ação, o roteiro oferece uma grande reviravolta e surpreende o espectador no segundo terço do filme, grandes surpresas surgem e a narrativa ganha ainda mais emoção. As imperfeições demonstradas pelos heróis fazem que uns complementem os outros e juntos se tornem mais fortes contra o Lobo da Estepe, vilão tido como praticamente imbatível, mas no momento certo vamos descobrir seus pontos fracos. O desfecho é um pouco decepcionante, mas as ações e as piadas conseguem encobrir as imperfeições e empolgar o espectador, além de importantes mensagens sobre luz e esperança simbolizadas pelo grande time de heróis de ‘Liga da Justiça’.

O resultado de ‘Liga da Justiça’, roteirizado por Joss Whedon e dirigido por Zack Snyder, é muito positivo, você terá dificuldade em escolher seu super-herói favorito e vai torcer por todos eles na história, além de testemunhar uma aventura pulsante e cheia de surpresas. E fique até o fim, hein!? Há duas cenas pós-créditos, você vai se divertir muito!

Avaliação: 4/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Colo/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Colo/ Cesar Augusto Mota

A família é vista como sinônimo de amor, fortaleza, apoio e de refúgio nas situações mais adversas da vida. Mas não é o que acontece com o núcleo familiar de ‘Colo’, filme da cineasta portuguesa Teresa Villaverde, que promete incomodar e mexer com os brios dos espectadores, além de mostrar o atual cenário de crise econômica de Portugal, fator capaz de afetar financeira e psicologicamente milhões de pessoas.

Nos deparamos durante os 136 minutos de projeção com um pai (João Pedro Vaz) desempregado e que se mostra envergonhado por ficar boa parte do tempo no ócio, uma mãe (Beatriz Batarda) sobrecarregada por jornadas em dois empregos e a jovem Marta (Alice Albergaria Borges), a filha negligenciada por ambos e que não pretende permanecer por muito tempo no mesmo teto. O que se pode perceber no filme é que raramente os três dividem a mesma cena, um sempre pergunta pelo outro, que sai de casa sem avisar e sem hora para voltar. E quando o retorno acontece, foi devido a uma frustração e por cada um não ter encontrado alívio ou uma melhor opção na rua para o preenchimento do vazio que os preenchia e atormentava. Um ambiente triste, melancólico e desolador.

O cenário de melancolia, vergonha e abandono é muito bem retratado, com metáforas sugestivas e com boas tomadas dos espaços vazios dos cômodos do apartamento. As expressões faciais dos intérpretes são paralisantes, sem desespero, mas a ponto de instigar quem acompanha a história e causar desconforto, tamanha é a falta de cumplicidade e união. A moradia, que depois vai ser esvaziada durante a história, é palco da maior parte das interações, e torna-se um personagem da trama, senão o principal, um retrato da crise econômica e familiar, e que se torna local preenchido por resignação e culpa.

A fotografia, a cargo de Acácio de Almeida, apresenta um céu nublado e coloração cinzenta em boa parte das cenas, reforçando o clima embaraçoso predominante desde o início da história, além de provocar consternação e tristeza nos espectadores. A falta de dinheiro não só devasta a dignidade dos personagens, como também provoca situações vexatórias e afeta diretamente o seio familiar, o amor não é suficiente para que a relação sobreviva.

Um filme que aborda sistematicamente e com delicadeza os sintomas provocados não só por uma instabilidade econômica, como também por uma crise de identidade familiar. Não há espaço para exageros ou constrangimentos, é uma obra lírica regada de momentos instáveis e depressivos, mas compensados por uma bela construção estética e atuações pulsantes. Um convite para a reflexão.

Avaliação: 4,5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Dona Flor e Seus Dois Maridos/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Dona Flor e Seus Dois Maridos/ Cesar Augusto Mota

Um dos grandes clássicos da literatura e sucesso de bilheteria no cinema nacional está de volta. ‘Dona Flor e seus Dois Maridos’, escrito por Jorge Amado (1966) e lançado na tela grande (1976) sob a direção de Bruno Barreto, ‘Dona Flor’ contou inicialmente com o protagonismo de Sônia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça. Quarenta anos depois, somos agraciados com uma nova versão, agora sob a batuta de Pedro Vasconcelos (O Concurso), mas inevitavelmente o cineasta não conseguirá escapar de comparações com o filme original e terá uma enorme responsabilidade de entregar uma produção decente e condizente com a qualidade da obra do escritor baiano. Será que o resultado foi satisfatório?

A história gira em torno de Flor (Juliana Paes), uma sedutora professora de culinária e casada com Vadinho (Marcelo Faria), um marido malandro, sedento por noitadas e jogatinas, mas um excelente amante. Ele morre de maneira precoce em um domingo de carnaval, e pouco tempo depois, Flor se casa novamente com o correto, polido e gentil farmacêutico Teodoro (Leandro Hassum). Apesar da estabilidade na nova união, Flor não está plenamente feliz, sente falta do jeito elétrico e fogoso de Vadinho, e consegue trazê-lo de volta como um fantasma que só ela pode ver, formando-se assim o triângulo amoroso que consta no título da obra.

A ambientação nos anos 1940, a retratação das paisagens e dos prédios de Salvador, bem como o cotidiano e costumes do povo baiano são apresentados com fidelidade ao que consta na obra de Jorge Amado, além de diálogos com roupagem lírica e em ritmo de prosa. Palavras mais fortes e chulas e o sotaque soteropolitano reforçam a dramaturgia, e tudo é feito de forma sistemática e para inserir o espectador nos contexto e realidade da época, o que acaba acontecendo de maneira eficiente. A narração em off se dá de forma complementar e a apresentação dos capítulos em flashback não comprometem a qualidade da produção. O ritmo em que se dão as histórias ocorrem de forma fluida e correspondente à origem literária, outro ponto positivo do filme.

As atuações de dois dos três intérpretes são acima da média, Juliana Paes mostrou ter percebido todos os cernes que envolvem Dona Flor, como suas paixões e seus ideais, além de esbanjar muita sensualidade e vitalidade, lembrando Sônia Braga na primeira versão. Marcelo Faria se mostra leve e seguro no papel de Vadinho, tendo em vista que o ator já encena o personagem há anos no teatro. Sua desenvoltura chama a atenção até mesmo nas cenas mais quentes e completamente despido desde que retorna do além até o fim da projeção. Já Leandro Hassum mais conhecido por seus trabalhos na comédia, em especial em ‘Os Caras de Pau’ e ‘Até que a Sorte nos Separe’, é o ponto fora da curva. Estava sob sua responsabilidade representar um papel mais sério, mas em momentos cruciais ele deixa escapar o riso, comprometendo o desenrolar de algumas cenas, e isso fez com que seu personagem fosse transformado em caricatura. As risadas que acontecem, não sabemos se foram por diversão ou constrangimento, algo embaraçoso, mas louvável o esforço do ator em representar um papel mais sério.

Outros pontos fracos do filme foram as apresentações de muitas ações repetitivas, como a resistência de Flor às investidas de Vadinho, e o uso constante de um mesmo recurso, como a diminuição do ritmo da música de fundo nas cenas de amor entre Flor e Teodoro, em alguns momentos eram cômicas, mas feitas repetidamente passaram a cansar o público.

O saldo da nova versão de ‘Dona Flor e seus Dois Maridos’ é positivo, você se depara com uma obra retratada com beleza, elegância e recheada de recursos ousados e cults, uma homenagem ao filme original e ao saudoso Jorge Amado. Juliana Paes carrega a trama com todos os méritos, e o núcleo de atores corresponde em boa parte da história.

Avaliação: 4/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Titanic/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Titanic/ Cesar Augusto Mota

Romântico, trágico, atraente e pulsante. Assim é ‘Titanic’, escrito e dirigido por James Cameron (Avatar), baseado em uma história real e munido de ótimos recursos técnicos e visuais, além de um roteiro primoroso e de atuações memoráveis. Não foi à toa que recebeu as melhores avaliações da crítica especializada e alcançou um lugar de destaque na história do cinema.

Cameron traz como pano de fundo uma bela história de amor entre Jack Dawson (Leonardo Di Caprio), rapaz nômade que embarca na primeira e única viagem do Titanic após conseguir sua passagem na terceira classe em uma mesa de pôquer, e Rose DeWitt Bucater (Kate Winslet), uma jovem aristocrata que tem a chance de salvar o status da família, à beira da falência, casando-se com o milionário Caledon Hockley (Billy Zane). Após o primeiro encontro entre Rose e Jack, nasce uma paixão proibida, que passa a ganhar contornos trágicos após a colisão do navio, moderno para os padrões da época e tido como inafundável, com um iceberg.

A preocupação do cineasta foi a de construir uma narrativa envolvente, fluida e que permitisse ao espectador percorrer por um filme de pouco mais de três horas sem sentir a passagem do tempo. Para isso contou com um ótimo trabalho de montagem, com uma transição do presente para o passado de forma elegante, do que sobrou do navio para o luxuoso transatlântico, destaque para a ótima transição feita por meio do olho de Kate Winslet para o de Gloria Stuart, que interpreta a Rose mais idosa. Esse efeito torna a narrativa cativante, capaz de despertar curiosidade nos espectadores e ansiedade para a sequência de relatos de uma das sobreviventes do naufrágio que vitimou pouco mais da metade das 2200 pessoas que estavam a bordo na noite de 14 de abril de 1912.

Os efeitos especiais, aliados à edição de som deram o tom da produção, possibilitando a imersão do espectador ao ambiente. O estrondoso ruído da colisão do navio com o iceberg, a água subindo rapidamente pelos corredores, as luzes se apagando subitamente, bem como o momento em que o Titanic se parte ao meio e vai aos poucos afundando criam uma atmosfera sufocante e atordoante em quem acompanha e nos personagens. Tudo devidamente planejado e perfeitamente executado, uma autêntica viagem no tempo, relembrando uma das grandes tragédias que ainda mexe com o imaginário das pessoas.

Não só pelos efeitos especiais ‘Titanic’ se destaca, como também por sua direção de arte e figurino. As roupas usadas no início do século XX foram reconstituídas de maneira precisa, com uma perfeita diferenciação entre as classes sociais dos passageiros que embarcaram, além dos objetos de decoração do navio, das louças utilizadas nos jantares e dos adereços usados pelos personagens. Tudo isso combinado com uma bela fotografia, em tons claros e fortes para retratar o brilho e o luxo da embarcação, e tons mais azulados para a melancolia e momentos mais tensos, da colisão até o total naufrágio do navio. Trata-se de um verdadeiro deleite visual, com excelentes contornos, principalmente nos momentos em que o navio transita em dias ensolarados e quando iluminado durante a noite pelo brilho das estrelas. O tom romântico também dá o ar de sua graça durante a história e em momentos precisos, o espectador também se apaixona pelas paisagens e se envolve com a trama de maneira afetiva e lírica, antes dos instantes de terror e apreensão que a narrativa via apresentar mais adiante.

E não poderia deixar de abordar as atuações de Kate Winslet e Leonardo Di Caprio. Não apenas o Titanic é o personagem central, ambos demonstraram ter uma ótima química, importante para que o romance entre seus personagens convencesse o espectador e funcionasse na história, além da transmissão de empatia e carisma de Winslet e de sagacidade e vitalidade de Di Caprio. A inserção do romance entre Jack e Rose na história foi devidamente encaixado, e isso foi determinante para que o espectador não só se prendesse à questão histórica, da tragédia com o Titanic e que envolveu milhares de pessoas, como também se importasse com o casal e torcesse para que ambos saíssem sobreviventes no desfecho, uma ótima sacada de James Cameron. E menção honrosa para duas cenas entre Di Caprio e Winslet, que serão para sempre lembradas, como o primeiro beijo dado pelo casal e a cena em que Jack segura Rose na proa do navio e pede a ela para abrir os braços para ter a sensação de liberdade. Dois momentos épicos!

Não é à toa que Titanic é sinônimo de sucesso, com uma viagem histórica ao famoso transatlântico, aliado a uma perfeita reconstrução e uma história dramática e poderosa, sem dúvida, um dos grandes sucessos e melhores filmes dos últimos tempos.

Avaliação: 5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Stranger Things-2ª temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Stranger Things-2ª temporada/ Cesar Augusto Mota

Uma série sobre o universo sobrenatural, com teorias mirabolantes e uma ode aos anos 80. ‘Stranger Things’, sucesso de audiência na Netflix, está de volta com 9 novos episódios e promete não só divertir como também mexer com a cabeça dos espectadores. Portanto, vá se reparando.

Criada pelos irmãos Matt e Ross Duffer, ‘Stranger Things’ trouxe uma primeira temporada eletrizante e com um desfecho surpreendente, como o resgate do garoto Will (Noah Schnapp) do Mundo Invertido, mas com um comportamento um tanto perturbado, vomitando uma estranha criatura e tendo uma breve visão do universo em que esteve enquanto sumido. Além dele, a garota Eleven (Millie Bobby Brown), alvo constante de diversos experimentos do governo, some repentinamente após uma forte explosão. Sua aparência, trejeitos e o dom demonstrado, de mostrar força com sua mente, nos deixaram muitas dúvidas, ela é ou não humana? Essas duas conclusões deram gancho para que uma nova temporada se desenvolvesse e deixasse os espectadores ainda mais desconfiados e ansiosos, e é o que realmente acontece.

A nova sequência começa no dia 28 de outubro de 1984, 352 após o desaparecimento de Eleven. As crianças estão crescendo e aprontando bastante na cidade de Hawkins, mas uma série de coisas estranhas começam a acontecer, como o apodrecimento misterioso de diversas plantações, além das constantes ameaças do Monstro das Sombras, que exerce forte controle sobre Will e criaturas ligadas ao Mundo Invertido. Para se livrarem desses seres pertencentes a uma realidade alternativa e conseguirem salvar Will, o grupo formado por Dustin (Gaten Matarazzo), Lucas (Caleb McLaughlin), Mike (Finn Wolfhard) vai precisar não só de agilidade e estratégia, como também de muita ousadia, não será fácil aniquilar criaturas com velocidade e força colossais, além de terem que encontrar as melhores técnicas de sobrevivência.

A série traz uma boa divisão de episódios, não só as crianças se destacam, como também os novos atores escalados. David Harbour, o xerife Hopper, constrói uma importante ligação entre as histórias paralelas, além de mostrar uma forte afeição por Eleven. Sadie Sink, a Max, é inicialmente rejeitada pelos garotos, mas sua personalidade forte e seu jeito descolado chamam a atenção, principalmente de Lucas, e aos poucos vai ganhando confiança de todos, bem como do público. Dacre Montgomery, o irmão bad boy de Max, traz um pouco mais de conflito à história, mas de maneira superficial e o personagem não é tão explorado. Sean Astin, famoso pelo filme ‘Os Goonies’, de Steven Spielberg, apesar de fazer um papel abobalhado de namorado de Joyce Byers (Winona Ryder), é um dos cérebros da história, com importantes intervenções e a peça-chave para a resolução do mistério que gira em torno de como encontrar e derrotar as criaturas do Mundo Invertido.

Os cenários apresentados são uma construção fiel dos anos 80. As músicas executadas, os objetos que estavam na moda, como vitrolas, fones de ouvido gigantes, além das roupas e penteados, tudo isso faz você viajar no tempo e se sentir nostálgico, fora as referências a filmes famosos, como ‘Caça-Fantasmas’, ‘Os Goonies’ e ‘Halloween’. Além da direção de arte, o roteiro também é um ponto forte, por apresentar histórias paralelas e saber depois amarrá-las, sem deixar buracos e apresentar coisas soltas. As cenas são desenvolvidas com um perfeito timing, e as personalidades dos personagens são devidamente trabalhadas, todos esses ingredientes funcionam e contribuem para o perfeito funcionamento da história e da série num todo. Até quem não é fã de histórias que envolvam mistérios, mundos sombrios e assombrações vai se impressionar e se interessar por Stranger Things.

No quesito atuação, Millie Bobby Brown é o maior destaque, ela retorna com uma personagem ainda mais forte e madura, além de ter uma importância abissal para a trama. Não só há um episódio solo que ajuda a desvendar os mistérios de seu passado, como nos deparamos também com um desfecho expressivo e impactante para Eleven, quem é fã da personagem não vai querer perder um minuto e não vai sair da cadeira para saber o que acontece com ela e com a cidade de Hawkins, praticamente entregue aos Demogorgons.

Uma produção que oferece sustos, diversão e muitos segredos a serem desvendados. ‘Stranger Things’ oferece muitas possibilidades e com chance de mais uma temporada, é cruzar os dedos e ver o que vem por aí.

Avaliação: 4,5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota