Poltrona Cabine: Mãe!/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Mãe!/ Cesar Augusto Mota

Um filme pautado por muitas metáforas, alegorias e muito terror psicológico. Assim defino ‘Mãe!’, novo trabalho do diretor Darren Aronofsky, que promete não só mexer com a cabeça do espectador, mas mostrar a ele o real significado das coisas, mesmo que não façam sentido numa primeira vista.

A narrativa conta a história de um homem (Javier Bardem) e uma mulher (Jennifer Lawrence), que vivem em uma casa de campo isolada. O marido é poeta e sofre de bloqueio criativo, já a esposa é uma dona de casa dedicada e disposta a restaurar toda a estrutura da moradia. A rotina deles parece tranquila, até ser interrompida de forma repentina por um casal que chega no meio da noite e acaba com a tranquilidade que ali reinava. Os comportamentos desses visitantes indesejados pela esposa, interpretados por Ed Harris e Michelle Pfeiffer, são um tanto enigmáticos e beiram à insanidade, e a partir de tudo isso somos inseridos em um cenário repleto de sustos, loucuras e diversos percalços, deixando não só os personagens, como os espectadores confusos e perdidos.

Na medida em que as ações se desenvolvem, um quebra-cabeças vai se configurando e aos poucos você vai juntando as peças representadas pelas situações surreais ilustradas e tudo começa a fazer sentido. Como dito anteriormente, há um significado por trás do que é apresentado, o que você vê inicialmente não representa o real significado, há uma carga de simbolismo, representada por metáforas e alegorias. O roteiro prima por não mostrar o óbvio, mas dá margens para o espectador ter várias interpretações, e esse é o ponto alto do roteiro, também assinado por Arronofsky. Ele tenta não só envolver o espectador na trama, como também provocá-lo com uma história insana, alucinante e com atos não aceitos em contexto social, na maioria das vezes.

A fotografia é bem chamativa, com alternância de cores quentes no início e tons mais sombrios quando a realidade é quebrada, seja por ações inesperadas dos personagens entre si ou fenômenos estranhos que aconteciam na casa. A câmera atrás da personagem de Jennifer Lawrence, no alto de seu ombro e sempre a acompanhando, ou em tomada frontal e bem enquadrada, nos faz lembrar de outros sucessos de Arronofsky, como Cisne Negro e O Lutador. Em ‘Mãe!”, a sensação que temos ao acompanhar a esposa tão atormentada com o que está acontecendo ao seu redor nos faz sentir claustrofóbicos, desesperados, perturbados, e as sombras ao fundo dos demais personagens nos faz pensar que não há como sair daquele clima de prisão que assolava o local.

As atuações do elenco são fantásticas, Jennifer Lawrence praticamente carrega todo o filme, é nela que a câmera fica concentrada, e é possível se deparar com uma impressionante transformação, de mulher comedida no início para depois encarnar um tom bem mais dramático após tudo começar a sair dos eixos. Javier Bardem, apesar de mostrar um personagem um tanto benevolente no início, impressiona posteriormente por sua imponência e presença. Michele Pfeiffer, apesar das poucas cenas, traz para o filme uma atmosfera mais tensa e cheia de mistério, e sua personagem a deixar a esposa, representada por Lawrence, um tanto deslocada e estranha dentro de sua própria casa. Já Ed Harris, o médico estranho que tem seus problemas aos poucos desvendados, não fica atrás, deixa seu impacto na trama, e seu drama pessoal vai impactar a todos e influenciar nos desdobramentos a partir do segundo ato.

Apesar da proposta ao apresentar uma narrativa confusa e complexa, Darren Arronofsky nos brinda com um conjunto de ações que vão se desencadeando e guardando ligações umas com as outras e farão o espectador entender tudo o que está sendo retratado, e esse é o grande trunfo de ‘Mãe!’, de oferecer uma história bem diferente do que vem sendo contado e proporcionar um desafio a mais a quem está assistindo, de juntar as pistas, virar a chave e matar a charada. Quem gosta de filmes que tragam mais que cenas de susto, ranger de portas e gritos, esse certamente é uma ótima sugestão!

Avaliação: 4/5 poltronas.

 

Por: Cesar Augusto Mota

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Poltrona Cabine: Duas de Mim/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Duas de Mim/ Cesar Augusto Mota

Estreante em direção de longas-metragens, Cininha de Paula traz um filme cômico, com humor bem raso e trama bastante acelerada.  Assim é o filme ‘Duas de Mim’, protagonizado por Thalita Carauta e com grande elenco.

A história acompanha a rotina de Suryellen (Carauta), uma mulher guerreira, que acorda todos os dias às 4:45h para trabalhar, entregando quentinhas para os clientes e depois partindo para um restaurante para lavar pratos. A protagonista não mede esforços para conseguir sobreviver e dar uma vida digna para sua família, mas chega a um momento em que se sente esgotada e sem forças para aguentar o duro dia-a-dia. Sua sorte começa a mudar quando encontra uma boleira misteriosa (Stella Miranda), que oferece a ela um bolo dos desejos, com direito a um pedido, e Suryellen não tem dúvidas do que vai pedir, uma cópia de si, ou melhor, mais uma dela.

De início tudo parece estar às mil maravilhas, com Suryellen num ritmo mais cadenciado, participando mais da vida escolar do filho e integrante de um reality show de gastronomia no estilo Masterchef, mas tudo se transforma em pesadelo.  A cópia, além de ter uma personalidade bem diferente, toda atirada e espevitada, começa a mexer com todos os familiares e amigos de trabalho de Suryellen, deixando o emprego da protagonista em risco. De quebra, a participação de Suryellen no reality show fica por um fio, e o relacionamento com o filho Max se torna mais estremecido, pois o garoto requer maior aproximação com o pai, há tanto tempo sumido, e interpretado por Márcio Garcia.

A história parece ser bem simples, sem muitas novidades e com um elenco recheado de bons nomes, como Carauta, Stella Miranda, Márcio Gárcia, Alessandra Maestrini e também o cantor Latino, que dá o ar da graça na história e interpreta um colega de trabalho de Suryellen, além de cantor cover de si mesmo. O roteiro esbarra na sequência de acontecimentos, tudo é muito apressado, não dá tempo do espectador respirar e se envolver de forma mais emocional com os personagens. A solução encontrada foi trazer piadas prontas e resolução fácil dos conflitos, sem aprofundamento nas dificuldades enfrentadas por Suryellen.

O elenco não deixa a desejar, mas nem todos são devidamente aproveitados. Alessandra Maestrini, no papel de proprietária do restaurante onde Suriellen trabalha e participante do reality show, tem reações bastante forçadas, com muitas caras e bocas, sem espontaneidade. Letícia Lima, como irmã caçula da protagonista, aparece em poucas cenas, mas cumpre o que é exigido dela, de representar uma irmã invejosa, sem responsabilidade e fazendo bicos para tentar se tornar uma celebridade, como participar de videoclipes. Latino está bem nas cenas em que divide com Thalita Carauta, além de relembrar um antigo sucesso, consegue imprimir boas doses de humor na história, principalmente nas cenas do reality show, em seus momentos decisivos. E Thalita Carauta convence como protagonista, ela não só traz momentos cômicos, como outros mais dramáticos, em seu ambiente familiar e o desespero quando se desentende com sua cópia.

Trata-se de um filme médio sob a direção de uma artista consagrada no teatro e na televisão e que estreia na direção de longas, com algumas cenas que abusam da histeria e um roteiro com algumas inconsistências. Dá para assistir, mas poderia ter um resultado melhor.

Avaliação: 3,5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Uma Mulher Fantástica/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Uma Mulher Fantástica/ Cesar Augusto Mota

Como tratar de uma maneira terna uma questão que ainda é um tabu na sociedade e bastante carregada de preconceito, a transexualidade? O diretor Sebastián Lelio, nesta grande produção chilena, utiliza recursos precisos e essenciais para ilustrar o que o ser humano tem de melhor e pior.

A história acompanha Marina Vidal (Daniela Vega), uma garçonete e cantora lírica que perde o namorado Orlando (Francisco Reyes) devido a um mal súbito. Após a tragédia, uma série de situações tristes e desagradáveis se desembocam. Recai sobre Marina uma suspeita de envolvimento na morte de Orlando, além de ser negado a ela o direito de se despedir do amado. Já dá para sentir as agruras pelas quais a protagonista irá passar, sem esquecer da discriminação por conta da orientação sexual dela e de como ela lida com tudo isso.

A abordagem das agressões físicas e psicológicas sofridas por Marina são muito bem contornadas, há situações que trazem um certo alívio e impedem que a trama seja sinônimo de calvário para ela: o apoio dado pelos amigos no ambiente de trabalho e fora dele, além das aulas de canto e a relação de amizade e afeto com o professor, que a enxerga como um grande talento e uma mulher forte e de personalidade.

Na medida em que as situações vão se apresentando e as mudanças na vida de Marina vão se configurando, você enxerga tudo sob a perspectiva da protagonista, além de conseguir ter uma empatia por ela e sentir na pele todas as agressões sofridas.  O roteiro consegue apresentar situações que vão ficando mais complexas por conta da falta de aceitação social à identidade de gênero de Marina, e tudo isso interfere negativamente na vida dela, sendo complicado para ela levar sua vida adiante, seja do lado profissional, como pessoal.

A atuação de Daniela Veja é, sem dúvida, o ponto alto do filme. A atriz passa autenticidade com sua personagem, além da sensibilidade evidenciada na luta por respeito e para fazer valer seus direitos como cidadã demonstrada durante a história. Uma importante mensagem fica implícita, além de um teor de denúncia presente, de comportamentos retrógrados e abomináveis que devem sem combatidos.

O uso de recursos como a câmera fechada no rosto da protagonista em boa parte do filme e do uso de efeitos especiais para construir uma metáfora e simbolizar que Marina é forte e inabalável não só enriquecem como também valorizam ainda mais a temática da produção, algo que não é tão explorado no cinema e que aos poucos vai ganhando mais espaço nas telas e mais debatido entre os amantes da sétima arte. Tudo ocorre de forma espontânea e sem forçar a barra, o que valoriza ainda mais o trabalho do diretor Sebastián Lelio.

Apesar do preconceito ainda enraizado numa sociedade intolerante e opressora, os transgêneros estão a cada dia ganhando mais espaço e enfrentando as adversidades de forma mais forte e digna. Um filme que merece todo o respeito e atenção de todos, vale a pena.

Avaliação: 4,5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Bingo: O Rei das Manhãs/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Bingo: O Rei das Manhãs/ Cesar Augusto Mota

Que tal um filme que procura valorizar a cultura pop, com carga nostálgica e que dose momentos de humor com outros dramáticos? ‘Bingo: O Rei das Manhãs’, além de ser uma cinebiografia, é um verdadeiro tributo aos anos 1980.

Baseado na história real de Arlindo Barreto, um dos primeiros intérpretes do palhaço Bozo e que passou por momentos conturbados até abandonar de vez a carreira e encontrar redenção na religião, o filme mostrará Vladimir Brichta em dois papéis na história: Bingo, um palhaço irreverente e aposta da emissora TVP na guerra contra a audiência matutina, e  Augusto Mendes, um ator de filmes adultos que tenta se reinventar e engrenar de vez na carreira artística e que dará vida ao palhaço.

A montagem é feita de forma eficiente, com um bom equilíbrio de cenas dos bastidores do show do Bingo, os preparativos de Augusto para incorporar o personagem e sua vida particular, mostrando-se um pai amoroso, porém com uma vida boêmia. A direção de arte é primorosa, os cenários do show do Bingo remontam ao original do SBT, além das roupas e também os objetos que eram famosos na época e se fizeram presentes nas casas das pessoas. Quem não se lembra das fitas K7 BASF, que muitos usaram para gravar diversos sucessos, e muitos no lado B? Quem está vendo o filme acredita que se trata realmente dos anos 80, sem falar na popularidade dos programas infantis e das músicas internacionais e as boates lotadas.

Falei em lado A e B da fita K7, o filme possui dois lados. O primeiro, de luta e sucesso de Augusto Mendes como Bingo, e o segundo, da frustração. O ator, mesmo consagrado pela crítica e adorado pelas crianças, não pode ter sua identidade revelada, e não se sente completo. De quebra, começa a se distanciar da família e a ter uma vida desregrada, prejudicando seu relacionamento com o filho. O garoto já não se sentia bem com o sucesso de Bingo, e experimenta momentos tristes e tortuosos na vida. A alegria dá lugar à apreensão e melancolia na vida de Augusto Mendes, que parece ter chegado ao fundo do poço. Os recursos utilizados nas cenas mais dramáticas, com sombras e os holofotes se apagando ao notarmos Bingo sair dos estúdios são de encher os olhos, sem esquecer do trabalho do estreante diretor Daniel Rezende, que soube mesclar os momentos de humor e de drama, sabendo bem como contar uma história e que ela merecia ser contada.

O roteiro mostra que foi feito um estudo completo e cuidadoso da trajetória de Arlindo Barreto e houve preocupação em abordá-la com delicadeza e também com veia cômica, mas nota-se alguns clichês e outras coisas já vistas em outros filmes, não há originalidade propriamente na história. Mas há virtudes não só no trabalho de direção, como também de toda a parte técnica e dos atores.

Vladimir Brichta encarna os dois personagens com maestria, são duas histórias paralelas e que se entrelaçam, o ator consegue transmitir emoção com Augusto, inclusive em cenas mais difíceis, como nas quais o personagem vive na boêmia e sozinho apela para métodos nada satisfatórios para fugir de seus problemas. Não só no drama, ele demonstra que sabe fazer o público rir e ao interpretar Bingo mostra que é possível com talento e improviso,  não ser refém do script. Além dele, os personagens de Leandra Leal, a diretora do programa Bingo, Lúcia, uma mulher linha-dura na televisão e religiosa fora, e de Cauã Martins, o filho Gabriel, possuem participações importantes e são fios condutores na trama, essenciais na transformação de Augusto Mendes.

Você ri e se emociona com ‘Bingo: O Rei das Manhãs’, e mesmo que não apresente um roteiro original, se sente nostálgico com uma época que deixou saudade e que infelizmente não volta mais, além de recordar um personagem que fez a alegria e mexeu com o imaginário da garotada. Mas quem não viveu nos anos 80, após ver esse filme vai perceber que foi uma época boa e era saudável e mágico ser criança.

Avaliação: 4/5 Poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Malasartes e o Duelo com a Morte

Poltrona Resenha: Malasartes e o Duelo com a Morte

A morte vai enganar o homem mais esperto ou o homem esperto vai ter que usar todas as artimanhas para enganar a morte? Essas perguntas curiosas se farão presentes durante ‘Malasartes e o duelo com a Morte’, nova produção da O2 Filmes, que traz de volta um personagem da nossa literatura para encantar as futuras gerações.

Pedro Malasartes (Jesuíta Barbosa) é um malandro que sobrevive praticando um golpe aqui e outro ali e que vive se engraçando com muitas mulheres lindas. O coração do protagonista bate muito forte por Áurea (Ísis Valverde), que possui um irmão ciumento, Próspero (Milhem Cortaz), que não quer vê-lo passar nem na porta de casa. E no encalço de Malasartes está também a Morte (Júlio Andrade), cansada de tirar vidas por toda a eternidade e disposta a encontrar um substituto para então poder se aposentar.

Já deu para imaginar o clima de guerra e sombrio que Malasartes vai enfrentar, tanto para driblar Próspero e ficar com sua amada Áurea, como também para tentar fugir da Morte, que promete não perdê-lo de vista.

O uso da computação gráfica para a divisão da trama em realidade e fantasia proporciona um belíssimo espetáculo visual, com efeitos precisos e muita diversão e o envolvimentos dos personagens entre eles e com o público. O roteiro, porém, é um pouco prejudicado pelo uso excessivo dos efeitos especiais, a história em dados momentos é um pouco esquecida, mas o espectador se encanta e se convence daqueles dois mundos ali representados na tela, até risadas da Morte acontecem em dados momentos.

E o elenco? As atuações, juntamente dos efeitos visuais, são o ponto alto do filme, e notamos interpretações convincentes, além do carisma dos protagonistas, vividos por Ísis e Jesuíta, além de um vilão no estilo caricato e com interações sólidas. Acostumado com produções mais dramáticas, Júlio Andrade surpreende e consegue transmitir uma veia cômica a um personagem que normalmente inspiraria medo, Jesuíta e Ísis conseguem mostrar um casal com brilho e sem pieguismo, além de uma forte ligação com o público. Os personagens secundários, como Candinho (Augusto Madeira), amigo de Malasartes, bem como Leandro Hassum, como Esculápio, e Vera Holtz, como Cortadeira, enriquecem o enredo.

O trabalho do diretor Paulo Morelli em resgatar um personagem do folclore brasileiro e português e eternizado no cinema por Mazaroppi não só valorizam nossa cultura como também fortalecem o cinema nacional, há sim boas produções e engana-se quem diz que não somos dignos de filmes com qualidade.

Precisamos também dar valor ao que é nosso, e ‘Malasartes e o Duelo com a Morte’ é mais uma produção de destaque que merece o incentivo e nossa audiência. Vale muito a pena.

Avaliação: 4/5 Poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Annabelle 2-A Criação do Mal

Poltrona Cabine: Annabelle 2-A Criação do Mal

É inegável que a franquia ‘Invocação do Mal’ se tornou um grande sucesso do gênero terror. Foram duas produções que arrancaram muitos gritos e fizeram as pessoas pularem da cadeira várias vezes, fora o êxito com a bilheteria. Com o intuito de levar mais pessoas às salas de cinema, a Warner Bros. resolveu investir em um filme derivado da saga e explorar uma figura já vista antes: Annabelle.

Com um longa morno e decepcionante em 2014, Annabelle tem agora uma nova sequência, e com uma equipe de primeira, a começar pelo diretor. David F. Sandberg, após o sucesso de ‘Quando as Luzes se Apagam’, é o responsável por ‘Annabelle 2: A Criação do Mal’, e com as atuações de Talitha Bateman, Lulu Wilson (‘Ouija: A Origem do Mal’), além de Anthony LaPaglia, (‘Without a Trace’), Miranda Otto, Samara Lee (O último Caçador de Bruxas) e Stephanie Sigman.

A narrativa trata da história do casal Mullins (Otto e Lapaglia), que perdeu a filha Annabelle num trágico acidente e após 12 anos resolve fazer da casa um lar para meninas órfãs, abrigando algumas garotas e a irmã Charlotte (Sigman). A história focaliza duas crianças em especial, Janice (Bateman), com dificuldade de locomoção causada por uma poliomielite, e Linda (Wilson). As duas começam a notar coisas estranhas e experimentam momentos sombrios e tensos, envolvendo as demais colegas.

Na medida em que a trama vai passando, todos os segredos acerca da estranha e amaldiçoada boneca vão sendo revelados e uma enorme bola de neve vai se formando. Quem está assistindo tem a impressão que se trata de ‘Invocação do Mal’, pois o plano-sequência utilizado é o mesmo, com foco e preocupação com a casa de uma família e filmagens com pouca luminosidade e efeitos com sombras bem produzidos. Cores amareladas e cinzentas, presentes nos filmes de James Wan, são percebidas em ‘Annabelle 2’, além dos efeitos utilizados, com aparições visuais repentinas e ruídos estrondosos após um longo silêncio, tudo isso funciona muito bem.

Além de utilizar ferramentas que lembrem os filmes anteriores, o diretor David F. Sandberg consegue fazer uma conexão eficiente entre eles, sem prejudicar o enredo, além de um preciso controle entre as cenas e a trilha sonora, algumas tomadas mais fortes por conta do som e outras mais divertidas e sem necessidade de sonorização.

O roteiro, assinado por Gary Daubermann, apresenta alguns problemas. Alguns personagens não são tão aprofundados, como as demais garotas órfãs, além da irmã Charlotte. Algumas situações acerca do passado das irmãs Janice e Linda não são explicados, além do ritmo acelerado no ato final da história, mas nada que comprometa o resultado final, que é satisfatório e infinitamente superior ao primeiro ‘Annabelle’.

As atuações são primordiais, a direção de arte é impecável, além da montagem. Quem gosta do gênero terror vai se surpreender positivamente com o filme, além de torcer por uma sequência. Se Sandberg for mantido para uma produção futura, as chances de bom resultado são enormes, nem preciso dizer nada se James Wan voltar, não é mesmo?

Recomendo ‘Annabelle 2: A Criação do Mal’, um filme assustador em boa parte dos 110 minutos de duração, e algumas cenas cômicas nos momentos que são necessários. E não saia correndo, você verá duas cenas pós-créditos. Não perca!

Avaliação: 4/5 Poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Friends from College/ 1ª temporada

Poltrona Séries: Friends from College/ 1ª temporada

Sem dúvida você conhece o ditado popular ‘A vida começa aos 40’, não é? Pois bem, a nova série da Netflix, ‘Friends from College’ vai abordar o cotidiano de 6 amigos que se reencontram em Nova York após 20 anos e depois de terem se graduado em Harvard, mas com questões do passado mal resolvidas e alguns dilemas atordoantes do presente.

A série foi criada por Francesca Delbanco e Nicholas Stoller, o segundo famoso por dirigir Vizinhos e Vizinhos 2, com pouco sucesso de público e crítica. Ambos lançam um trabalho apostando em temas como traição, frustração com a carreira, crise de identidade e claro, reencontros, e todos os personagens estão na casa dos 40 anos.

Por falar nos protagonistas, temos Ethan; interpretado por Keegan-Michael Key, um escritor que passa por crise criativa e não consegue ter retorno com a vendagem de seus livros. Ethan teve um relacionamento no passado com Sam (Annie Parisse); casada com um milionário e que também não consegue se esquecer desse momento marcante e vive uma crise de identidade, sem saber quem é e o que quer.

Temos também Lisa (Cobie Smulders; a Robin de How I Met Your Mother), advogada e casada com Ethan, mas que enfrenta dificuldades de engravidar e não está motivada com seu atual trabalho, de diretora jurídica de uma firma.

Para completar o sexteto, Max (Fred Savage, o Kevin de Anos Incríveis); amigo de Ethan e que vai ter uma importância enorme no próximo sucesso de trabalho do escritor, Marianne(Jae Suh Park ); dramaturga e amiga que segura as pontas de Lisa e Ethan, e Nick(Nat Faxon ); ex-namorado de Lisa e que leva uma vida boêmia e sem regras.

As atuações são brilhantes, muitas beiram ao verossímil, como Keegan-Michael Key e Cobie Smulders, e sobre temas cada vez mais recorrentes no cotidiano, como a frustração da formação em uma grande faculdade e não corresponder às expectativas de Ethan, e a decepção com o trabalho e a falta de expectativas para o futuro, com a personagem de Smulders. E os demais atores não ficam atrás, Annie Parisse mostra com sua atuação que Sam tem dificuldades de se libertar do passado e tem medo de envelhecer, mas ao mesmo tempo acredita que nunca é tarde para reparar os erros e recomeçar.

O roteiro apresenta situações surreais, que favorecem a liberdade de atuação dos atores, mas algumas situações são exageradas e podem causar repulsa no espectador, como o processo utilizado por Ethan e Max para o novo roteiro do escritor, um novo conto de lobisomens, sem falar no que Nick e Lisa aprontam, e as tramoias de Ethan e Sam para não serem descobertos, seja por Lisa ou outro amigo. Mas o núcleo da série atende as principais propostas, de despertas o sentimento de nostalgia nas pessoas, de como era a vida nos tempos de faculdade, sem se esquecer do presente e no planejamento futuro de curto a médio prazo, como a luta pelo sucesso e felicidade. Algumas situações retratadas podem fazer quem assiste se identifique com alguma, bem como com o perfil de algum dos personagens. Uma produção bem construída e que realmente chama a atenção.

A Netflix segue apostando em séries com dosagem de drama e comédia, mas com algumas situações tragicômicas e sem controle, mas vem obtendo resultados, e ‘Friends from College’ pode ser um deles. Não se sabe se vai haver uma segunda temporada, mas há gancho para que novos conflitos aconteçam e novas emoções serem transmitidas, vamos aguardar.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota