Poltrona Cabine: Inseparáveis/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Inseparáveis/ Cesar Augusto Mota

Imagine uma história com um pouco de drama, comédia, sensibilidade e amor. O filme argentino “Inseparáveis”, um remake do sucesso francês “Intocáveis”, possui potencial para cativar e emocionar o público, além de proporcionar muitas gargalhadas durante a sessão.

A trama acompanha a vida de Felipe (Oscar Martinez), um rico empresário que sofre um terrível acidente após cair de um cavalo e fica tetraplégico. Ele está na busca por um assistente terapêutico e realiza entrevistas com candidatos bem qualificados, mas resolve contratar Tito (Rodrigo De la Serna), assistente de seu jardineiro e sem habilidades para a função.

Muita gente vai imaginar um filme com roteiro simples, diálogos melosos e desfecho previsível. Mas “Inseparáveis” não possui nenhum desses elementos, trata-se de uma obra que reúne vários ingredientes, como alegria, tristeza, reflexão e ansiedade. Logo nas primeiras cenas você se depara com uma corrida frenética de carro envolvendo Tito e Felipe e daí nasce a curiosidade de saber como nasceu aquela situação, se é meramente uma diversão ou se ambos estavam perseguindo ou fugindo de alguém. E outros questionamentos vão surgir durante a trama, uma surpresa a cada cena e resultados imprevisíveis.

A narrativa é incrível, capaz de arrancar risos por conta dos trejeitos e vocabulário recheado de piadas e palavrões de Tito, além de sua personalidade destemida e serelepe. Ele demonstra sempre ter uma resposta para tudo, não tem medo de enfrentar as mais difíceis situações e disposto a dar a cara à tapa. Sua evolução durante o filme é impressionante, lógico que demonstra dificuldades para cuidar de uma pessoa portadora de deficiência no início, mas com seu jeito peculiar e muita persistência vai derrubando barreiras, inclusive de motivar seu chefe e fazê-lo despertar para uma nova fase da vida, tendo em vista o abalo não só por conta do acidente, mas pela perda recente da esposa.

O roteiro é muito bem construído, a história não fica restrita a Tito e Felipe, os demais personagens que residem na mansão do empresário possuem participações importantes e que vão transformar a vida dos protagonistas, além de personagens secundários de Monica Raiola e Javier Niklison, mãe e irmão de Tito, respectivamente. Cada ato é bem dividido e a passagem para o próximo deixa a história ainda mais curiosa, provocando ansiedade pelos próximos acontecimentos.

Falei anteriormente que o filme também possui momentos tristes, realmente sim, é bastante complicado para Tito em dados momentos conseguir arrancar sorrisos de Felipe, mas para isso ele usa todas as suas armas, e resolve inclusive participar de maneira mais efetiva da vida pessoal de seu chefe, ajudando-o também a conseguir um encontro com uma mulher com quem se corresponde há seis meses, mas não faz ideia sequer de como seja seu rosto. Na medida em que o tempo vai passando, Tito vai se envolvendo cada vez mais na vida de todos e acaba por se tornar um membro da família, digamos assim. A parte final surpreende, e você vai torcer muito por Tite, além de desejar que Felipe reencontre o amor e a alegria de viver.

“Inseparáveis” é um filme emotivo, vai mostrar que a vida deve ser vivida intensamente e sem perda de tempo, além de ilustrar que as melhores coisas podem estar debaixo de nossos olhos. Vale a pena, o longa terá a distribuição da Paris Filmes e estreia no circuito nacional em 1 de junho de 2017.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Piratas do Caribe-A Vingança de Salazar/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Piratas do Caribe-A Vingança de Salazar/ Cesar Augusto Mota

Jack Sparrow, personagem clássico da franquia ‘Piratas do Caribe’ e vivido por Johnny Depp, está de volta em uma nova aventura que promete deixar o espectador ainda mais frenético e ansioso por novas trapalhadas do excêntrico pirata capitão do navio Pérola Negra. Trata-se de ‘Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar’, a nova produção da Disney Studios que chega aos cinemas brasileiros em 25 de maio.

Se os ventos já sopravam contra Sparrow, agora ele terá que encarar um desafio ainda maior: o Capitão Salazar (Javier Bardem), um poderoso capitão da marinha espanhola, morto em batalha contra Sparrow, consegue escapar do Triângulo do Diabo junto de um grupo mortal de marinheiros fantasmas dispostos a se vingar e matar todos os piratas do mar, incluindo Jack Sparrow. O protagonista da história, se quiser sair vivo dessa batalha que promete ser sangrenta e fatal, terá que encontrar o Tridente de Poseidon, objeto importante que dá ao possuidor o controle sobre todos os sete mares, mas lógico, a busca pelo artefato não será fácil.

A narrativa apresenta inicialmente duas histórias que se entrelaçam e que serão importantes e decisivas para as pretensões de Jack Sparrow, como a de Henry Turner (Brenton Thwaites) e de Carina Smyth (Kaya Scodelario). O primeiro é um jovem pirata que tenta se reconectar com seu pai, mas o perde e precisa quebrar uma maldição para que possa se unir novamente a ele, já a segunda é uma astrônoma, mas é acusada injustamente de ser uma feiticeira e é perseguida para que seja aprisionada e morta. Os dois parecem no início ser água e óleo, não se misturam de jeito nenhum, mas com a evolução da história e o aumento de tensão na medida e que o exército do Capitão Salazar se aproxima faz com que ambos fiquem mais unidos e juntem suas forças para salvarem suas peles e de Jack Sparrow, principal alvo de Salazar.

A história traz um roteiro bem estruturado, com uma evolução harmônica e que contribui para a sequência de ações que desencadeiam as batalhas entre o grupo de Jack Sparrow e os marinheiros fantasmas. O clímax, momento que mostra o confronto épico entre o personagem principal e o vilão na luta pelo Tridente, é de tirar o fôlego. O trabalho dos diretores Joachim Rønning, Espen Sandberg é excepcional, ambos souberam aliar ação e adrenalina , além dos dois terem conseguido extrair o melhor de cada ator.

Não poderia deixar de destacar também o uso de efeitos especiais, trata-se de um CGI de grande resolução e que trouxe mais dinamismo às cenas, além do grau de excelência de atuação do elenco. Impressionante o entrosamento entre todos e como a atuação de cada um funciona na trama. Johnny Depp continua ótimo como Sparrow, Javier Bardem impressiona como vilão e transmite veracidade em todas as cenas, um personagem que não foi fácil de interpretar, e Bardem aliou competência e experiência para interpretá-lo. O casal da história, composto por Brenton Thwaites e Kaya Scodelario, também brilha, ambos interpretam personagens que são peças-chave não só para ajudar Sparrow na busca pelo Tridente, como também ajudam a desvendar segredos que surgem no início da narrativa. Não falarei mais para não entregar e estragar as surpresas, certo?

Ansioso para a estreia? Não perca “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”, e não saia da sala ao fim, há uma cena pós-créditos, não vá perder, ok? Nota 10 para essa superprodução da Disney, e que sejam lançadas futuramente mais produções com grandes e emocionantes aventuras quanto esta.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Rei Arthur e a Lenda da Espada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Rei Arthur e a Lenda da Espada/ Cesar Augusto Mota

Apreciadores de histórias medievais, preparem-se. Está chegando ao circuito nacional mais uma adaptação da épica história do rei Arthur, um lendário líder britânico que, segundo os romances de cavalaria, comandou a Inglaterra contra as invasões dos saxões no fim do século V e início do século VI. Já tivemos filmes como “Os Cavaleiros da Távola Redonda (1953),“O Príncipe Valente” (1954), “Excalibur” (1981), “Rei Arthur” (2004) e “Arthur e Merlin” (2015), agora vamos ter a chance de apreciar mais um longa inspirado nas histórias folclóricas do corajoso, sábio e bondoso cavaleiro que viria a se tornar rei: “Rei Arthur e a Lenda da Espada”.

A nova produção, com direção de Guy Ritchie, apresenta inicialmente um jovem Arthur (Charlie Hunnam) criado em meio às ruas da cidade de Londonium e líder de sua gangue. Nem passa por sua cabeça quem realmente seja e o que o espera, até que encontre a simbólica espada Excalibur, a agarre com suas duas mãos e mude completamente o rumo de sua vida. Mas antes, é apresentado um enredo diretamente ligado a Arthur, como a relação conturbada entre seu pai, Uther Pendragon (Eric Bana), e o irmão, Vortigern (Jude Law), o confronto entre ambos que resulta na usurpação do trono por Vortigern e a morte de Uther, e os desdobramentos que levam ao estágio atual, com Arthur confuso e se redescobrindo.

O que se vê é uma história cuidadosamente construída e sem deixar escapar os momentos épicos retratados nas lendas arthurianas, como as perseguições e lutas entre a Resistência, liderada por Arthur, e o Exército comandado pelo rei Vortigern; o aprendizado de Arthur com a Excalibur; as escolhas difíceis que o bravo cavaleiro terá que fazer para ajudar seu povo a se libertar e derrotar o rei tirano; além da importância da Excalibur para cada um que a detém e as consequências acarretadas para quem possivelmente rejeitá-la.

A montagem é primordial, bem como os efeitos especiais utilizados, com CGI, e o uso de slow motion em algumas cenas para destacar explosões e grandes impactos nas lutas, além da precisa sincronia entre cenas do passado e do presente, contribuindo para a coerência e evolução da história, até seu momento mais agudo. Muitas cenas contaram com técnicas atuais nas filmagens, como a câmera na mão para retratar bem de perto e conferir mais realismo às perseguições, tornando a trama mais emocionante com cenas de ação e aumentando a carga de dramaticidade.

O grupo escolhido de atores para o filme conta com grandes nomes, como Charlie Hunnam, da série Sons of Anarchy, o consagrado Jude Law, além de Djimon Hounsou, de “Constantine” e “Desejo de Vingança” e Astrid Bergès-Frisbey, famosa por “Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas”, entre outros. Uma boa história não funcionaria sem boas atuações, e todos se destacam, Jude Law convence como o rei Vortingern, passa confiança, firmeza e autenticidade, Charlie Hunnam ilustra bem tudo o que viveu o rei Arthur, além de mostrar resistência e superação nos momentos mais difíceis, sem falar de Astrid. A jovem atriz espanhola faz um papel importante para a trama, uma maga, que inicialmente parecia ser meramente figurativa, ela é decisiva para a trajetória do personagem Arthur e ensina-o muito sobre a Excalibur e como lidar com seus demônios internos, é uma peça importante no quebra cabeça que leva Arthur ao confronto com o rei Vortingern.

O diretor Guy Ritchie teve a intenção de ressuscitar uma lendária e importante história, e acrescentou a ela elementos contemporâneos, com mais dinamismo em suas cenas, novas técnicas de efeitos especiais, além das filmagens mais próximas aos personagens, dando a impressão ao espectador de que ele está em meio a luta entre Resistência e Exército do rei Vortingern. Pode um filme épico aliado a técnicas modernas desagradar a alguns, há espectadores mais saudosistas e adeptos das representações mais tradicionais e antigas, mas existe também a questão da modernidade e da valorização do legado, o que pode atrair outras pessoas. Uma produção que chega e pode ganhar sequências, já pensou?

Não percam, “Rei Arthur e a Lenda da Espada” terá a distribuição da Warner Bros. Pictures e estreia nos cinemas brasileiros em 18 de maio de 2017. Divirtam-se!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: O Dia do Atentado/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: O Dia do Atentado/ Cesar Augusto Mota

Bombas, sangue, desespero e muita dor. Quem for assistir a “O Dia do Atentado”, do diretor Peter Berg, vai perceber que se trata de uma produção que quer muito mais que ilustrar o segundo maior atentado terrorista que abalou os Estados Unidos pós 11 de setembro de 2001. A tragédia que ocorreu na Maratona de Boston, em 15 de abril de 2013, deixou 3 mortos e 264 feridos, muitas famílias dilaceradas e profundas marcas em Massachussets. Um acontecimento triste e fielmente retratado nesta produção, que analisaremos a seguir.

Tudo parecia que seria mais um dia alegre e de celebração do Dia do Patriota nos Estados Unidos, com muitas famílias próximas ao percurso, outras em bares e restaurantes para conferir tudo pela televisão, e muitas crianças curtindo com seus pais um grande acontecimento do esporte e da cidade. Mas, em questões de segundos, um bonito cenário se transformou em tragédia, provocada pelos irmãos Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev, dois terroristas e devotos da causa islâmica que fabricaram bombas caseiras com o auxílio de panelas de pressão. Os bastidores da busca pelo paradeiro dos dois, bem como o atendimento aos feridos são apresentados de uma forma impactante e também sensível, além do ambiente familiar do policial Tommy Saunders (Mark Wahlberg), responsável por patrulhar a área VIP da maratona.

A forma como Peter Berg escolheu para retratar a história é precisa e acertada, não apenas o atentado ocorrido em Boston é o foco da narrativa, são também apresentados os bastidores de preparação do evento, as famílias antes da maratona acontecer, bem como a rotina dos terroristas, a preparação das bombas, e a comunicação com outros parceiros e familiares antes do dia D. Após a tragédia, o drama de cada vítima e família são ilustrados com o posicionamento da câmera em modo vertical e bem próximos aos rostos, trazendo mais dramaticidade e comoção.

Nota-se um roteiro bem estruturado e uma história harmônica, com o uso de tomadas aéreas e caracteres na tela com data e número de horas após o atentado, tudo para situar o espectador e prepará-lo para as próximas cenas. A fotografia é excepcional, capaz de apresentar momentos eletrizantes, tristes, agoniantes e de muita tensão. O drama se arrasta por vários dias até que os autores do atentado, Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev, sejam capturados, e os recursos utilizados contribuem para que o filme não se torne monótono e arrastado.

A atuação do elenco é outro ponto alto de “O Dia do Atentado”, as ações do policial Tommy Saunders, que conhece todos os pontos de Boston com a palma da mão, são decisivas para o rumo da história e para a chegada até os criminosos, bem como o trabalho cirúrgico, preciso e frio do agente do FBI Richard Deslauries (Kevin Bacon), além da coragem e destreza do Sargento Jeffrey Pugliese (J.K. Simmons).

O longa, que estreia no circuito nacional em 11 de maio, vem não só para relembrar um triste acontecimento que abalou os Estados Unidos e o mundo, como também para destacar o sentimento nacionalista do povo americano, o título em inglês já mostra isso (Patriots Day), além da tragédia ter ocorrido em meio a uma celebração, o Dia do Patriota. O sentimento de compaixão, paciência e solidariedade que tomou conta das pessoas em meio a destroços, centenas de feridos e três mortos também são destacados, o filme valoriza o amor ao próximo, além da luta do amor contra o ódio. Em meio a tantas tragédias, ainda existem pessoas que se esforçam para amenizar e melhorar o cotidiano de outras, e isso é muito bem ilustrado. Vale a pena conferir.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Alien Covenant/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Alien Covenant/ Cesar Augusto Mota

Os fãs da franquia Alien e dos trabalhos do diretor Ridley Scott estão bastante ansiosos pela estreia do mais novo filme, “Alien Covenant”, uma sequência de “Prometheus”, de 2012, que trouxe um grupo de cientistas que embarcou em uma missão para descobrir a verdade acerca da origem da raça humana. Mas será que essa nova produção fica próxima da anterior ou foi uma decepção? Vamos analisá-la.

A história começa com a nave Covenant partindo em uma nova missão, a busca de um planeta em condições de abrigar a espécie humana. Quase toda a tripulação está em sono profundo e repousando em câmaras criogênicas, exceto o andróide Walter (Michael Fassbender), responsável pela segurança de todos. O radar da nave detecta um sinal humano oriundo de um novo planeta que está em sua rota, mas um grande acidente acontece, o que obriga Walter a despertar os tripulantes. Boa parte do grupo liderado pelo capitão Oram (Billy Crudup) resolve explorar o local, descoberto dez anos antes, mas diversos alienígenas, os xenomorfos, atacam os exploradores, que farão de tudo para saírem vivos.

Se no filme anterior foi lançada a pergunta “De onde surgimos?” e houve uma abordagem bem abstrata, no novo longa passamos a ter o questionamento “E quem criou os criadores?”, nos levando a um debate sobre a origem do universo, bem como questões como fé e crenças religiosas, discutidas sobre os membros da tripulação da Covenant.

Ridley Scott tenta trabalhar alguns temas, como origem, brigas interpessoais e futuro da espécie humana, regados com frenéticas cenas de ação, muito sangue, som estridente e apresentação de conflitos. Tudo foi bem estruturado e realizado num bom ritmo, mas essa grande quantidade de assuntos abordados pode deixar o espectador confuso e sem saber qual a real intenção do diretor, um ponto negativo.

A computação gráfica também contribui para boa parte das cenas que exigiram uma maior intensidade dos personagens, o Alien se mostra ainda mais veloz e assustador, causando um grande frenesi durante a trama. A montagem é bem feita, com junção de dois eventos distintos num mesmo quadro, algo interessante e pouco antes da parte final do filme. A fotografia também é positiva, com cores bem avermelhadas no interior da nave contrastadas com a coloração fria sombreada no planeta escolhido pelos tripulantes da Covenant. A estética e a montagem de “Alien Covenant” são pontos positivos, ao contrário do roteiro, com algumas imprecisões e erros, que obviamente não serão revelado aqui para não estragar a surpresa.

Quanto aos atores, Michael Fassbender carrega o filme nas costas, ele tem excelentes interpretações como Walter e David, o andróide presente no filme anterior, mas volta com características mais humanas. O ator tem mérito na construção tão exuberante e precisa de dois personagens tão diferentes, o que não é fácil. Há também as participações de James Franco e Guy Pearce, mas são figuras de luxo. Dentre as personagens femininas, Katherine Waterston convence como Daniels e pode-se elevá-la ao status de heroína, e uma das poucas, além de Fassbender, que consegue despertar empatia no espectador.

Apesar dos altos e baixos, “Alien Covenant” possui alguns elementos que podem agradar ao público, e teremos mais filmes em sequência, segundo Ridley Scott. E vamos torcer para os próximos estarem à altura do primeiro, isso se não for pedir demais. O filme chega ao circuito nacional em 11 de maio de 2017.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: O Rastro/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: O Rastro/ Cesar Augusto Mota

Um filme com cenário sombrio, gritos e sussurros ao fundo, além de uma enorme tensão a cada cena. Muita gente aprecia o gênero terror e não tira os olhos da tela por nada. Mas o que você acharia de um filme sobre caos na saúde pública contado sob a ótica do terror psicológico? Assim é “O Rastro”, uma produção da Imagem Filmes do Brasil em parceria com a Orion Pictures, da MGM, que promete dar calafrios e arrepiar os cabelos de quem for assistir.

A história inicialmente mostra uma mudança na carreira de João (Rafael Cardoso), um médico de sucesso convocado para acompanhar a transferência de vários pacientes de um hospital público do Rio de Janeiro que vai fechar por falta de recursos. Diante do quadro caótico, o desespero passa a tomar conta dos profissionais que trabalharam por tantos anos no local, além dos pacientes, sem saber do futuro que os espera. Mas dias antes do fechamento, chega uma nova paciente, Júlia de Souza, uma menina de 10 anos que não tem família, mas some sem deixar pistas.

Responsável pela paciente desde o primeiro atendimento, João se sente culpado pelo sumiço de Júlia e não mede esforços para encontrá-la, mas acaba se deparando com situações que jamais imaginou e tampouco queria e passa a ter sua saúde e vida pessoal completamente afetadas. Nem mesmo o apoio de sua esposa Leila (Leandra Leal), grávida de seu primeiro filho, é suficiente. O que se percebe é um verdadeiro caos na mente de João, que tem obsessão por saber o que aconteceu com Júlia, como também fica aterrorizado com o ambiente que encontra no hospital, sujo, de abandono, caindo aos pedaços.

O diretor João Caetano Feyer acerta a mão ao escolher o terror psicológico para contar a história, com filmagens em um antigo hospital desativado e todos os ingredientes de um bom terror: cenário obscuro, câmera acompanhando os passos dos personagens, gritos ensurdecedores e que tomam conta de mentes perturbadas, além de muito sangue. Não só o contexto no qual se inseriu João, que se depara com um ambiente perigoso e cheio de segredos obscuros, mas o retrato dos hospitais públicos é um autêntico filme de terror. O tamanho desleixo e a falta de investimento em uma área que requer prioridade, a saúde, é para deixar qualquer um assustado, e as filmagens realizadas em “O Rastro” retratam fielmente como estão os hospitais públicos hoje em dia.

Não poderia deixar de destacar o trabalho de direção de arte, bem como as atuações do elenco. Os efeitos utilizados no filme, com a aparição e o sumiço repentino da personagem Júlia, seus gritos estridentes, bem como a respiração ofegante dos personagens aliada ao desespero contribuem para criar um clima tenso ao espectador, lembrando filmes como “A Bruxa de Blair” e “O Chamado”. Quanto aos atores, todos estão ótimos, Rafael Cardoso consegue convencer com seu personagem e mobiliza a plateia em boa parte da trama, Leandra Leal, que também tem importante participação na história. Felipe Camargo, Jonas Bloch e Cláudia Abreu. outros atores que também estão no filme, são decisivos e vão esclarecer vários segredos da trama.

Ansioso para o filme? “O Rastro” chega ao circuito nacional em 18 de maio, vá se preparando, sem dúvida a tensão vai tomar conta de você.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

#266 Uma Longa Jornada

#266 Uma Longa Jornada

Mais um filme inspirado no livro de Nicholas Sparks, homônimo. Há pouquíssimas diferenças do livro para o filme. Dessa vez, os atores protagonistas não são muito conhecidos, mas Alan Aida como Ira é.

Scott Eastwood, filho de Clint, como o peão Luke segurou bem o filme, mais que Britt Robertson. O casal Luke e Sofia resgata o ancião Ira que começa a lembrar da sua história de amor com Ruth. Como a conheceu, o pedido de casamento, o fato de não poderem ter filhos e a imensa coleção de Arte dela.

Além das reflexões de Ira, o filme, assim como o livro, mostra como as duas histórias de amor se entrelaçam. Não gosto de rodeios, mas mesmo tendo como pano de fundo, acabei assistindo.

A história é bem construída, mas achei esse filme o mais fraco da franquia Sparks. Prestei atenção mais pela linda história de Ira e por querer saber como seria o desfecho do problema de saúde de Luke e da resolução das suas finanças na fazenda que o colocava sempre sob risco, mesmo tendo sofrido um grave acidente com um touro que ele acabou por domar no final.

Achei Britt Robertson inexpressiva. O casal Ira e Ruth jovens também.

A trama do amor que Ruth acaba tendo por seu aluno a ponto de querer adotá-lo sem poder e como ela serve de inspiração para ele, é tocante.

Mesmo com todos os rodeios e percalços, o amor sempre triunfa. E essas histórias água com açúcar e com pitadas de tragédia de Sparks me comovem, sempre.

Cotação: Duas poltronas/5

Sinopse: Aos 91 anos, com a saúde debilitada e sozinho no mundo, Ira Levinson (Alan Alda) sofre um acidente de carro e se vê abandonado em um lugar isolado. Ele luta para manter a consciência e passa a ver sua amada esposa Ruth (Oona Chaplin), que faleceu há nove anos. A poucos quilômetros de distância, a bela Sophia Danko (Britt Robertson) conhece o jovem cowboy Luke (Scott Eastwood), que a apresenta a um mundo de aventuras e riscos. De forma inesperada, os dois casais vão ter suas vidas cruzadas.

 

 

Por Anna Barros