#270 Muito Bem Acompanhada

#270 Muito Bem Acompanhada

Kat recebe o convite de casamento de sua irmã e além da frustração de não ter conhecido o cara certo, sabe que irá encontrar seu ex-noivo pois ele é padrinho de casamento. Então ela decide contratar um acompanhante bonito e sensual para fazer inveja em todos e se sentir por cima da carne seca.

Eles acabam se envolvendo sem se darem conta até que no almoço pré-casamento, ela descobre que seu ex-noivo dormiu com a irmã. Isso a abalou porque todos sabiam e ninguém lhe contou da traição de Jeffrey. Até Nick, o escort-boy acabou por descobrir. Ela se enfureceu com ele e acaba descontando suas mágoas e chateações.

No final das contas, Kat descobre que o ama de verdade e luta por ele a qualquer preço após ele deixar a casa. Ela ainda acerta as contas com a sua irmã que se arrepende amargamente de tê-la traído e a agradece de não ter contado a Ed a traição com Jeffrey.

Delmot Mulroney é lindo de morrer. E além disso, seu personagem é gentil e sedutor. Debra Messy, de Will e Grace, é bastante convincente no papel.

O filme é muito romântico e nos faz acreditar que o amor pode estar onde menos se espera, ele pode estar ao nosso lado, da forma mais improvável possível. É só deixar acontecer, se deixar levar pelos sentimentos verdadeiros de confiança e cumplicidade.

É uma comédia romântica agradável e inspiradora. Principalmente quando o pai de Kat a faz ir de encontro ao seu grande amor e lutar por ele custe o que custar.

Uma das cenas mais engraçadas é a despedida de solteira da noiva e suas amigas em plena Londres e onde Nick demonstra todo seu afeto e gentileza causando inveja nas amigas, irmã e prima.

Na sacristia, a irmã de Kat acaba revelando ao noivo, Ed, da traição e ele a perdoa.

Super recomendo!

 

Sinopse:A irmã mais nova de Kat Ellis está prestes a se casar, e ela não quer comparecer sozinha à cerimônia, que será realizada em Londres. Para completar, seu ex-noivo é o padrinho do casamento. Determinada a mostrar para todo mundo, principalmente ao antigo namorado, que sua vida romântica vai muito bem, Kat contrata um charmoso garoto de programa para acompanhá-la.

 

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Poltrona Cabine: Assassinato no Expresso do Oriente/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Assassinato no Expresso do Oriente/ Cesar Augusto Mota

Está chegando ao circuito nacional mais um filme baseado em livro, cujo foco é a resolução de um crime, com diversas pistas, vários suspeitos e um detetive com muita astúcia, excentricidade e perfeccionismo. De quebra, uma representação elegante dos anos 1930 e um elenco de peso, estou falando de Assassinato no Expresso do Oriente, inspirado na obra homônima de Agatha Christie e dirigida por um cineasta cometente e responsável pelo sucesso de franquias como Thor e Cinderela.

Logo de cara já somos apresentados ao personagem principal da história, que começa a resolver um caso de roubo de um importante artefato em Jerusalém, com três suspeitos postos lado a lado em frente ao Muro das Lamentações. Com seu jeito peculiar, Hercule Poirot, interpretado por Kenneth Branagh, que também dirige o longa, nos surpreende por seus procedimentos precisos e nada convencionais e convence o público com seu jeito sério, sedento por perfeição e com boas doses de humor. Quem acompanha já compra seus métodos e vê tudo isso posto à prova após o detetive viajar no Expresso do Oriente na esperança de ter três dias de folga e chegar ao seu destino, mas se deparar com o assassinato a facadas do mafioso Edward Ratchett (Johnny Deep), que já possuía um passado para lá de tenebroso.

O elenco é composto de grandes nomes, como Josh Gad (A Bela e a Fera), Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona), Michelle Pfeiffer (Mãe!), Willem Dafoe (A Culpa é das Estrelas) e Daisy Ridley (Star Wars: O Despertar da Força), mas os arcos dramáticos dos personagens interpretados por eles não são tão explorados como o do detetive Poirot, que até demonstra uma mudança drástica de postura, sem justificativa aparente. E eles ficam tanto tempo sumidos da tela que em dados momentos nos esquecemos que os atores estão na trama, tão complexa e de complicada resolução.

O enredo apresenta uma história envolvente, com ótimos ingredientes, atuações excepcionais e uma profundidade inimaginável, não dá para perder nenhum detalhe e tampouco descartar qualquer suspeito pelo assassinato de Ratchett. Na medida em que o detetive Poirot vai encontrando mais pistas e interrogando os acusados, mais difícil fica a resolução do caso, cada personagem carrega um segredo que pode fazer o jogo mudar, mas sempre que achamos que a solução vai aparecer, algo novo surge e ficamos ainda mais tensos. A aposta numa história complexa e cheia de percalços foi quase certeira, o ritmo cai muito do meio para o fim e o desfecho deixa a desejar, com a sensação de que o filme não está completo, além de uma sensação de leve desconforto.

Como pontos positivos, além da atuação de Branagh, temos uma excelente fotografia, bem como uma eficiente direção de arte, que remonta muito bem a década de 1930, com um Expresso do Oriente suntuoso e ambientes bens construídos, como as cabines dos passageiros, além de corredores estrondosos e uma vibrante trilha sonora. Um filme que apresenta elegância, vibração e o mistério como bom fio condutor, mas que perde na reta final da trama. Uma viagem boa que o espectador faz, com uma conclusão decepcionante e com algumas lacunas.

Fãs de literatura e de um bom filme de mistério, não vá com tanta sede ao pote, ‘Assassinato no Expresso do Oriente’ é um bom filme, mas não entrega tudo o que poderia ao seu espectador. Vamos aguardar pela sequência, ‘Morte no Nilo’, que deverá explorar muito mais as características e as virtudes do detetive Hercule Poirot e trazer um enredo ainda mais dramático e situações cômicas e com maior profundidade. Aguardar e conferir.

Avaliação: 3/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

#269 Café Society

#269 Café Society

Café Society é o melhor filme de Woody  Allen. Ali você encontra todas as suas referências: a família judaica, a presença de celebridades e estrelas num café, criticando a própria indústria do cinema com suas futilidades e superficialidades. Tem também um escritor frustrado que parece ser o próprio Allen, mais um alter ego do cineasta.

Só que dessa vez há um contraponto: uma mulher simples, mas incrivelmente bonita, Vonnie, que ama dosi homens: o escritor Bobby e o agente de cinema Phil, que ainda por cima, é tio de Bobby. Phil é casado e a mantém como amante. Bobby a conhece, se apaixona e mesmo sabendo que ela tem um namorado secreto, se envolve. Phil tenta se separar da esposa, sem sucesso. Até que , ao perceber que está perdendo Vonnie,tenta recoqistá-la.

Bobby é de Nova Yortk, reduto máximo de Allen e conhece Vonnie em Hollywood, a meca do cinema.

Apesar de todos os clichês allenianos, o que mais chama a atenção, mesmo ele falando de ma´fia e gangsters ao abordar o irmão de Bobby, e a dúvida no amor. Podemos amar  dois homens ao mesmo tempo, no caso das mulheres, e ao contrário no dos homens, mas pela convenção social, necessitamos escolher um. Eu já tive essa dúvida cruel em 1992 e fiquei sem nenhum deles. Os dois apaixonados, eu também, e fiquei sozinha.

Quando Woody Allen aborda isso de forma sensível e sutil é simplesmente sensacional porque ele não fala de algo carnal entre o triângulo amoroso, mas sim, algo maior que isso.

Vonnie encontra em Phil o homem bem-sucedido num meio cheio de estrelas de cinema. Meio que antigamente ela refuta e depois ao se ver na rede de pertencimento, ama e ostenta. E em Bobby, apesar do sucesso como empresário do café, longe da escrita, o idealismo, algo puro de determinação que ela tinha e ficou lá atrás.

Bobby reencontra Vonnie com Phil em seu café. E após ela o procurar na mesma noite, voltam a se encontrar e acabam tendo um caso. O reencontro dos três é um dos pontos-chave do filme. Bobby não reconhece a Vonnie que se apaixonou no passado e que ainda guarda em seu coração. Tanto que se casou com uma Verônica e a chamou de Vonnie quando ela disse que ele seria pai, lá atrás.

O final dessa linda história de amor, só assistindo Café Society.

Não é à toa que Allen é meu cineasta favorito.

Woody fala de uma sociedade americana nos anos 30/40 mas ele consegue transportar toda a situação inserida na película para os dias atuais. É essa a marca de alguém espetacular. É a marca que um gênio imprime no mundo. No caso de Allen, no mundo do cinema.

Steve Carrell, ator que amo desde O Virgem de 40 anos, está mais uma vez maravilhoso. Kirsten Stewart, conseguiu se livrar de Crepúsculo e brilha, mostrando todo o seu talento. Parece veterana nas histórias de Allen. E Jesse Eisenberg com sua frieza e sutileza em interpretar agrega aos dois, formndo um trinuvirato do mais puro talento.

E ainda tem as paisagens maravilhosas e inesquecíveis de Nova York com shots e tomadas simplesmete de tirar o fôlego.

O filme lembra muito Casablanca, um dos meus filmes preferidos de todos os tempos. É uma referência metalinguística muito especial e decisiva.

Daí cravo Café Society como o creme de la creme> o melhor de Woody Allen ever. Deleite-se!

Por Anna Barros

 

 

 

#268 A Garota No Trem

#268 A Garota No Trem

O filme é um suspense sensacional onde você duvida da palavra de uma ex-mulher, Rachel, traída, alcoólatra, que parece querer fazer de tudo para se vingar de seu ex-marido, Tom Wilson, que ainda por cima a acusou de tê-lo feito perder o emprego.

Ela acaba por morar de favor com uma amiga e omite o fato de ter perdido o emprego há um ano. A amiga só descobre quando uma detetive a procura em virtude do assassinato de uma ex-babá, Megan, que ainda por cima estava grávida.

Para passar o tempo, Rachel viajava de trem todos os dias até Londres e acaba presenciando uma cena incomum: a mulher assassinada com um outro homem, que não o seu próprio marido. E daí há uma série de tramas paralelas que te fazem ficar mais curioso e louco para saber o fim da trama que é pra lá de um suspense total.

EmilyBlunt está simplesmente sensacional. Há um livro relacionado ao filme que pretendo ler em breve. O enredo te envolve e te cativa e você fica em dúvida, várias vezes, se Tom é ou não culpado.

Super recomendo! Veja assim que for possível! Não perca! É simplesmente envolvente e eletrizante.

 

Sinopse:Rachel (Emily Blunt), uma alcoólatra desempregada e deprimida, sofre pelo seu divórcio recente. Todas as manhãs ela viaja de trem de Ashbury a Londres, fantasiando sobre a vida de um jovem casal que vigia pela janela. Certo dia ela testemunha uma cena chocante e mais tarde descobre que a mulher está desaparecida. Inquieta, Rachel recorre a polícia e se vê completamente envolvida no mistério.

 

Poltrona Cabine: Liga da Justiça/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Liga da Justiça/ Cesar Augusto Mota

Os fãs de quadrinhos e apreciadores dos filmes da DC estão prestes a matar a ansiedade para ver uma das produções mais aguardadas do ano: ‘Liga da Justiça’, em live action, sob a direção de Zack Snyder e com um timaço de super-heróis que se reúne para combater uma nova ameaça. Promessa de uma história eletrizante, com muitas cenas de ação empolgantes e possantes efeitos especiais.

A narrativa nos traz Bruce Wayne (Ben Affleck), que reavalia seus métodos e espírito altruísta após a morte de Clark Kent (Henry Cavill) e se mostra disposto a formar uma equipe de combatentes do crime para defender a Terra de novos perigos. Ao lado de Diana Prince (Gal Gadot), Batman e Mulher-Maravilha encontram Victor Stone (Ray Fisher), o Ciborgue; o guerreiro de Atlantis Arthur Curry (Jason Momoa), o Aquaman; além do velocista Barry Allen (Ezra Miller), o The Flash. Juntos, eles precisam deter o terrível Lobo da Estepe (Ciaran Hinds), comandante de um exército de insetos humanóides, os parademônios, e disposto a recuperar as 3 caixas maternas, espécies de computadores vivos e dotado s de consciência própria que vivem em função de seus donos. As caixas concedem poderes como manipulação de energia e teletransporte, mas se autodestroem com a morte de seu possuidor.

Diferente de Esquadrão Suicida, a apresentação de todos os personagens se dá de maneira direta, sem rodeios e dispensando caracteres como animações e letreiros. A maneira como as histórias se entrelaçam e o encontro entre os heróis ocorrem de maneira impactante e com momentos hilários, principalmente de The Flash, o alívio cômico do grupo, com piadas infames e de duplo sentido, além dos diálogos engraçados entre Batman e Aquaman e o jeito destoante do Ciborgue, sempre sério, mas bastante solícito. A Mulher Maravilha não fica atrás e com seu jeito elétrico, carismático e de personalidade, vai conseguir motivar toda a equipe, além de se mostrar uma forte líder.

Foi possível perceber durante os 120 minutos de projeção que ‘Liga da Justiça’ deixou um pouco de lado o tom sombrio e sério presente em Batman vs Superman e incorporou uma veia mais cômica, presente nas produções da Marvel. Mas as doses de humor são aplicadas na medida certa, sem comprometer a essência do filme, e o recurso faz o espectador se importar ainda mais com cada um dos heróis. Reunidos, todos conseguem formar uma equipe coesa, empática e capaz de prender a atenção do início ao fim, além de entregarem cenas com muito dinamismo e emoção. A história foca mais na aventura e não há muita preocupação com as consequências das interações do enredo, um foco mais descompromissado e focado nas lutas.

Assim como acontecem em boas produções, também existem falhas em ‘Liga da Justiça’. Um dos pontos fracos está no vilão, o Lobo da Estepe, não por ter sido feito com efeitos CGI, mas pela pouca expressão e o pouco impacto transmitidos, o espectador não se convence e tampouco é atingido pelo grande vilão do Universo estendido da DC, tamanha era a expectativa. Além dele, o Ciborgue se mostra um tanto destoante dos demais heróis e o que menos se destaca, ao contrário de Mulher Maravilha, The Flash e o Aquaman, os três muito bem em cena e protagonistas das melhores sequências. Batman não compromete, mas não há grandes novidades do Homem-Morcego na tela, e o Superman é uma grata surpresa.

Além dos efeitos especiais e das empolgantes cenas de ação, o roteiro oferece uma grande reviravolta e surpreende o espectador no segundo terço do filme, grandes surpresas surgem e a narrativa ganha ainda mais emoção. As imperfeições demonstradas pelos heróis fazem que uns complementem os outros e juntos se tornem mais fortes contra o Lobo da Estepe, vilão tido como praticamente imbatível, mas no momento certo vamos descobrir seus pontos fracos. O desfecho é um pouco decepcionante, mas as ações e as piadas conseguem encobrir as imperfeições e empolgar o espectador, além de importantes mensagens sobre luz e esperança simbolizadas pelo grande time de heróis de ‘Liga da Justiça’.

O resultado de ‘Liga da Justiça’, roteirizado por Joss Whedon e dirigido por Zack Snyder, é muito positivo, você terá dificuldade em escolher seu super-herói favorito e vai torcer por todos eles na história, além de testemunhar uma aventura pulsante e cheia de surpresas. E fique até o fim, hein!? Há duas cenas pós-créditos, você vai se divertir muito!

Avaliação: 4/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Colo/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Colo/ Cesar Augusto Mota

A família é vista como sinônimo de amor, fortaleza, apoio e de refúgio nas situações mais adversas da vida. Mas não é o que acontece com o núcleo familiar de ‘Colo’, filme da cineasta portuguesa Teresa Villaverde, que promete incomodar e mexer com os brios dos espectadores, além de mostrar o atual cenário de crise econômica de Portugal, fator capaz de afetar financeira e psicologicamente milhões de pessoas.

Nos deparamos durante os 136 minutos de projeção com um pai (João Pedro Vaz) desempregado e que se mostra envergonhado por ficar boa parte do tempo no ócio, uma mãe (Beatriz Batarda) sobrecarregada por jornadas em dois empregos e a jovem Marta (Alice Albergaria Borges), a filha negligenciada por ambos e que não pretende permanecer por muito tempo no mesmo teto. O que se pode perceber no filme é que raramente os três dividem a mesma cena, um sempre pergunta pelo outro, que sai de casa sem avisar e sem hora para voltar. E quando o retorno acontece, foi devido a uma frustração e por cada um não ter encontrado alívio ou uma melhor opção na rua para o preenchimento do vazio que os preenchia e atormentava. Um ambiente triste, melancólico e desolador.

O cenário de melancolia, vergonha e abandono é muito bem retratado, com metáforas sugestivas e com boas tomadas dos espaços vazios dos cômodos do apartamento. As expressões faciais dos intérpretes são paralisantes, sem desespero, mas a ponto de instigar quem acompanha a história e causar desconforto, tamanha é a falta de cumplicidade e união. A moradia, que depois vai ser esvaziada durante a história, é palco da maior parte das interações, e torna-se um personagem da trama, senão o principal, um retrato da crise econômica e familiar, e que se torna local preenchido por resignação e culpa.

A fotografia, a cargo de Acácio de Almeida, apresenta um céu nublado e coloração cinzenta em boa parte das cenas, reforçando o clima embaraçoso predominante desde o início da história, além de provocar consternação e tristeza nos espectadores. A falta de dinheiro não só devasta a dignidade dos personagens, como também provoca situações vexatórias e afeta diretamente o seio familiar, o amor não é suficiente para que a relação sobreviva.

Um filme que aborda sistematicamente e com delicadeza os sintomas provocados não só por uma instabilidade econômica, como também por uma crise de identidade familiar. Não há espaço para exageros ou constrangimentos, é uma obra lírica regada de momentos instáveis e depressivos, mas compensados por uma bela construção estética e atuações pulsantes. Um convite para a reflexão.

Avaliação: 4,5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Dona Flor e Seus Dois Maridos/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Dona Flor e Seus Dois Maridos/ Cesar Augusto Mota

Um dos grandes clássicos da literatura e sucesso de bilheteria no cinema nacional está de volta. ‘Dona Flor e seus Dois Maridos’, escrito por Jorge Amado (1966) e lançado na tela grande (1976) sob a direção de Bruno Barreto, ‘Dona Flor’ contou inicialmente com o protagonismo de Sônia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça. Quarenta anos depois, somos agraciados com uma nova versão, agora sob a batuta de Pedro Vasconcelos (O Concurso), mas inevitavelmente o cineasta não conseguirá escapar de comparações com o filme original e terá uma enorme responsabilidade de entregar uma produção decente e condizente com a qualidade da obra do escritor baiano. Será que o resultado foi satisfatório?

A história gira em torno de Flor (Juliana Paes), uma sedutora professora de culinária e casada com Vadinho (Marcelo Faria), um marido malandro, sedento por noitadas e jogatinas, mas um excelente amante. Ele morre de maneira precoce em um domingo de carnaval, e pouco tempo depois, Flor se casa novamente com o correto, polido e gentil farmacêutico Teodoro (Leandro Hassum). Apesar da estabilidade na nova união, Flor não está plenamente feliz, sente falta do jeito elétrico e fogoso de Vadinho, e consegue trazê-lo de volta como um fantasma que só ela pode ver, formando-se assim o triângulo amoroso que consta no título da obra.

A ambientação nos anos 1940, a retratação das paisagens e dos prédios de Salvador, bem como o cotidiano e costumes do povo baiano são apresentados com fidelidade ao que consta na obra de Jorge Amado, além de diálogos com roupagem lírica e em ritmo de prosa. Palavras mais fortes e chulas e o sotaque soteropolitano reforçam a dramaturgia, e tudo é feito de forma sistemática e para inserir o espectador nos contexto e realidade da época, o que acaba acontecendo de maneira eficiente. A narração em off se dá de forma complementar e a apresentação dos capítulos em flashback não comprometem a qualidade da produção. O ritmo em que se dão as histórias ocorrem de forma fluida e correspondente à origem literária, outro ponto positivo do filme.

As atuações de dois dos três intérpretes são acima da média, Juliana Paes mostrou ter percebido todos os cernes que envolvem Dona Flor, como suas paixões e seus ideais, além de esbanjar muita sensualidade e vitalidade, lembrando Sônia Braga na primeira versão. Marcelo Faria se mostra leve e seguro no papel de Vadinho, tendo em vista que o ator já encena o personagem há anos no teatro. Sua desenvoltura chama a atenção até mesmo nas cenas mais quentes e completamente despido desde que retorna do além até o fim da projeção. Já Leandro Hassum mais conhecido por seus trabalhos na comédia, em especial em ‘Os Caras de Pau’ e ‘Até que a Sorte nos Separe’, é o ponto fora da curva. Estava sob sua responsabilidade representar um papel mais sério, mas em momentos cruciais ele deixa escapar o riso, comprometendo o desenrolar de algumas cenas, e isso fez com que seu personagem fosse transformado em caricatura. As risadas que acontecem, não sabemos se foram por diversão ou constrangimento, algo embaraçoso, mas louvável o esforço do ator em representar um papel mais sério.

Outros pontos fracos do filme foram as apresentações de muitas ações repetitivas, como a resistência de Flor às investidas de Vadinho, e o uso constante de um mesmo recurso, como a diminuição do ritmo da música de fundo nas cenas de amor entre Flor e Teodoro, em alguns momentos eram cômicas, mas feitas repetidamente passaram a cansar o público.

O saldo da nova versão de ‘Dona Flor e seus Dois Maridos’ é positivo, você se depara com uma obra retratada com beleza, elegância e recheada de recursos ousados e cults, uma homenagem ao filme original e ao saudoso Jorge Amado. Juliana Paes carrega a trama com todos os méritos, e o núcleo de atores corresponde em boa parte da história.

Avaliação: 4/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota