Poltrona Cabine: O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Maki

Poltrona Cabine: O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Maki

Quando se fala de filmes que trazem lutas de boxe com certeza você se lembra de filmes como ‘Rocky: O Lutador’ e ‘Touro Indomável’, não é verdade? ‘O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Maki’, produzido pela Zeta Filmes, tem um foco bem diferente e sem dúvida vai impressionar você.

A história acompanha o pugilista finlandês Olli Maki (Jarkko Lahti), recém-saído do boxe amador, que recebe uma chance única em sua vida: decidir o título mundial dos Peso-Penas em casa e contra o atual campeão, o norte-americano Davey Moore.O filme de Juho Kuosmanen nos mostra os acontecimentos antes da luta, com Olli sendo orientado por seu técnico, Elis Ask (Eero Milonoff), não só durante os treinos pesados e intensos, como também em relação ao comportamento que o atleta deve ter para com a imprensa e o público. Além da preparação, vemos também o relacionamento raso que Olli tem com Raija (Oona Airola), uma jovem completamente diferente dele, mais cativante e receptiva, mas que está sempre ao lado do lutador, para o que der e vier.

Percebe-se um Olli com postura completamente oposta a de um candidato a ídolo e um homem disposto a nadar contra a maré e ditar as regras do seu jeito. Olli ama o boxe e adora treinar, mas demonstra não se mostra preparado para lidar com a pressão de se tornar um herói nacional. Ele é constantemente cobrado para vencer, mas odeia dar entrevistas, tirar fotos e participar de eventos com patrocinadores, e sempre com um discurso modesto, do tipo ‘Vamos lutar e ver o que acontece’. Não há uma ambição pelo triunfo e, consequentemente, o título mundial dos Penas.

A narrativa apresentada é com a intenção de abordar a pressão que o ser humano sofre pela conquista da vitória, bem como o jogo de cintura para lidar com regras impostas pela sociedade e o mercado capitalista. A pessoa deve sempre estar na moda, andar com carrões, estar rodeado de mulheres bonitas e ostentar roupas caras. E Olli não se impressiona com nada dessas coisas.

A fotografia e as cenas feitas em plano fechado são formidáveis, bem como as filmagens em preto e branco, lembrando um documentário, mostrando a rotina de Olli e os bastidores de preparação para a luta do ano. Tomadas isoladas, como cenas em que Olli anda por corredores vazios e quando ele corre com uma pipa pela floresta refletem bem o sentimento de solidão do protagonista.

A relação de conflito com o técnico Elis e o romance com Raija, dois fatos que não combinam com a rotina de um postulante a título mundial, são bem articuladas durante a história, um lado delicado e humano nunca antes visto em Olli é apresentado ao espectador. O foco inicial era o da expectativa de criação de um herói nacional, mas o isolamento e prostração de Olli acabam por ser primordiais para mostrar que a felicidade pode estar onde você quiser, não necessariamente em um projeto.

‘O Dia Mais Feliz da Vida de Oli Maki’ é uma obra-prima, que trata de esporte, mas com foco maior nos sentimentos e também com uma análise social impactante, sobre uma sociedade cada vez mais consumista e obcecada pelo desejo do ser e parecer, o culto à imagem, presente ainda mais nos dias de hoje. Estar em evidência já era uma obsessão, ainda mais na atualidade, numa sociedade cada vez mais moderna e globalizada. Uma autobiografia e um filme épico, não perca!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Como se Tornar um Conquistador/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Como se Tornar um Conquistador/ Cesar Augusto Mota

Ninguém conseguirá viver feliz se se sentir com medo e o que ganhamos é pelo que trabalhamos e não o que desejamos. Esses dois pensamentos estão presentes em ‘Como se Tornar um Conquistador’, filme do diretor Ken Marino, com o protagonismo de Eugenio Derbez e um elenco de peso, composto por Salma Hayek, Rob Lowe, Michael Cera, Kristen Bell e Raquel Welch. Uma história cômica e didática que sem dúvida vai envolver você.

Máximo (Derbez) é um homem que sonha em viver uma vida de luxo, com muitos carros, empregados, mas sem levantar uma palha para isso. O mulherengo utiliza de suas táticas de sedução para atrair mulheres mais velhas e ricas e atingir seu objetivo, viver com sombra e água fresca. Mas tudo começa a mudar para ele quando após 25 anos de casamento é trocado por um rapaz mais jovem (Michael Cera) e perde todos os bens. A situação obriga Máximo a viver com Sara (Hayek), uma irmã distante e com quem não possui uma boa relação, e o sobrinho Hugo (Raphael Alejandro), um garoto meigo, intelectual e um tanto problemático. O que parece ser tranquilo torna-se algo complexo, pois Máximo nunca soube o que é realmente uma família e terá que aprender a conviver com Sara e Hugo, além de buscar trabalho, que nunca exerceu.

Durante a convivência com o sobrinho, Máximo descobre que Hugo nutre uma paixão secreta por Arden (Mckenna Grace), colega de escola, mas ele não tem coragem de chegar e falar com ela. E Sara tem uma leve queda por seu vizinho, mas ela não se sente pronta para um novo relacionamento após a morte do marido. Entra na história a avó de Arden, Celeste (Welch), uma senhora idosa e milionária, e Máximo vê nela a oportunidade de retomar à sua vida de ostentação, e para conseguir conquistá-la ele vai ajudar irmã e sobrinho para conseguir se aproximar de Celeste. Uma grande bola neve é formada durante a trama e que pode causar muitos estragos.

O roteiro, assinado por Chris Spain e Jon Zack, nos apresenta uma história com importantes mensagens, como a importância de se ter um trabalho, a busca pela felicidade e a importância da família, e aos poucos o protagonista vai descobrir o valor de cada um desses itens, além de se revelar um homem de bom coração, apesar de se mostrar um tanto egoísta e vaidoso em boa parte das ocasiões.

Além disso, os recursos utilizados para se transmitir as mensagens, como o uso de situações tragicômicas em alguns momentos e atitudes mais sérias em outros funciona bem, não torna a história vazia e sem propósito. Tudo é feito na medida certa, e os atores foram capazes de transmitir o que o filme propôs, uma divertida comédia, dosada de momentos reflexivos.

Os atores mostraram uma química incrível, a parceria entre Salma Hayek e Eugenio Derbez deu muito certo, e o desempenho de seus personagens, dois irmãos tão diferentes, mostra que nem sempre é tarde para recomeçar e que tudo pode ser reparado. O núcleo de conflito da história também funciona, as situações mais arriscadas e complicadas conseguiram arrancar o melhor de Máximo, além de proporcionar boas risadas com alguns momentos cômicos, como na festa de Arden, onde Máximo tenta conquistar Celeste.

Fique ligado, ‘Como se Tornar um Conquistador’ vai fazer você rolar de rir e dar mais valor à vida, não perca sua estreia por nada. Com distribuição da Paris filmes, o longa chega ao circuito nacional em 27 de julho de 2017, confira!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Em Ritmo de Fuga/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Em Ritmo de Fuga/ Cesar Augusto Mota

A música e o cinema representam uma combinação perfeita, não é mesmo? E o que você acharia de um filme que trouxesse uma trilha sonora para cada cena e de acordo com as situações e estado de espírito dos personagens? Assim é ‘Em Ritmo de Fuga’, o novo filme do diretor Edgard Wright (Scott Pilgrim Contra o Mundo) com um contexto composto por perseguições policiais, intrigas, romance e muitas reviravoltas.

Baby (Ansel Elgort) é um jovem que perdeu os pais muito cedo num acidente e que sofre de problemas auditivos. Muito por conta dessa deficiência, ele passou a se conectar ainda mais com a música e seu passatempo predileto é ainda mais acentuado quando está ao volante. A partir do momento em que se envolve com uma organização criminosa chefiada por Doc (Kevin Spacey), Baby se torna o piloto de fuga e participa de assaltos intensos e loucas perseguições.

Apontado pelo chefe como talismã, Baby vê sua responsabilidade aumentar ainda mais diante das missões, assim como cresce a confiança entre ele e Doc. Além dele, se destacam no grupo o casal Buddy (Jon Hamm) e Darling (Elza Gonzalez), Griff (Jon Bernthal) e Bats (Jammie Foxx), que desconfia bastante das habilidades de Baby e das atitudes do garoto durante a história.

Com o passar do tempo, nota-se que Baby não está tão eufórico com sua nova rotina e pensa em largar o trabalho, e quando se envolve com Débora (Lily James), uma jovem que trabalha como garçonete e também apaixonada por música, a vida de Baby dá um giro de 180º e sua vontade de deixar o mundo do crime parece que vai se consumar, mas o envolvimento com a organização de Doc e uma nova missão, a de roubar uma agência dos Correios, torna tudo ainda mais difícil. Baby se vê numa enorme cilada, e um grande dilema surge para ele: como largar tudo e ficar com Debbie?

Do meio para o fim da narrativa, muitas surpresas surgem, várias reviravoltas acontecem e as músicas que são executadas trazem mais emoção, até o desfecho. A sinergia entre cada canção e a cena que está se desenrolando é de impressionar, isso promove uma capacidade maior de envolvimento do espectador com a narrativa, além das emoções que os personagens transmitem. Como dito antes, a trilha sonora é o ponto alto, mas também o roteiro e a direção de arte, ambas de impressionar. O que parece ser mais um filme de perseguição e tiroteio traz muito além de tudo isso, e tem de tudo um pouco, humor, ação, amor e um final para deixar todos de queixo caído. E as batidas e explosões que acontecem foram cirúrgicas e muito bem produzidas, tudo muito alucinante e eletrizante.

As atuações de todo o elenco também são ingredientes para o sucesso do filme, principalmente de Lily James e Ansel Elgort, a sincronia e parceria que os dois demonstraram durante a trama é para se aplaudir de pé, e mesmo sendo um personagem criminoso, você torce para que Baby e Debbie fiquem juntos, você não olha para os dois com reprovação, apesar de ser um relacionamento que teoricamente não daria certo. E o desdobramento das ações de Buddy e Bats também foram primordiais para que a produção tivesse esse rumo, um filme de ação envolvente e com muitas peripécias. Parabéns também para Jon Hamm e Jammie Foxx.

O diretor Edgard Wright fez um excelente trabalho, que muito mais aventuras como essa surjam no futuro e que sejamos agraciados com mais filmes criativos, emocionantes e cenas alucinantes. ‘Em Ritmo de Fuga’ chegará aos cinemas brasileiros em 27 de julho, com distribuição da Sony Pictures. Imperdível!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Carros 3/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Carros 3/ Cesar Augusto Mota

Mais um filme da franquia ‘Carros’, da Disney Pixar, acaba de chegar ao circuito nacional. O CEO do estúdio de animação, John Lasseter, aposta em uma produção que explora um lado mais saudosista e humano, tendo em vista o fracasso de bilheteria dos filmes anteriores. Será que ‘Carros 3’ vale a pena?

O corredor Relâmpago McQueen, carro vermelho de número 95 e com carreira vitoriosa na Copa Pistão, acaba sofrendo um grave acidente e se deparando com carros mais avançados e ágeis, o que o faz pensar seriamente em se aposentar. Mas o competidor reluta contra a ideia e pensando em prolongar um pouco mais sua carreira, acaba contratando uma nova treinadora, Cruz Ramirez, que vai ajudá-lo com atividades que envolvem simuladores ultramodernos e corridas de destruição em espaços rurais.

O lado nostálgico também pesa na trama, com cenas do mentor Doc Hudson, maior inspirador e incentivador de McQueen, um dos principais personagens que evita que o carro 95 desista de vez da carreira no automobilismo e o mobiliza a correr nas 500 milhas da Califórnia, que pode dar uma sobrevida a ele ou significar o fim de uma brilhante carreira em caso de fracasso. Foi uma grande jogada incluir Doc Hudson, suas inserções são precisas e corretas na história.

Seu maior rival, Jackson Storm, com sua arrogância e autoconfiança que lhe são peculiares, dá sua vitória nas 500 milhas como certa, mas não contava com um preparo especial de McQueen e o apoio incondicional da equipe dele. A batalha entre ambos promete ser um duelo de titãs, com muita estratégia, habilidade e altas doses de adrenalina, além de algumas surpresas e uma grande reviravolta que ocorre durante a prova.

Somos também brindados com uma excelente qualidade gráfica e um perfeito jogo de cores, pensamos em alguns momentos se tratar de um filme em live action, além do design da pista onde a corrida ocorre, lembra muito a que recebe provas da Fórmula Indy e até mesmo da Nascar, um show de qualidade e grafismo.

‘Carros 3’ traz mensagens importantes, sobre lembranças, superação e humildade. Devemos reconhecer nossas qualidades, defeitos, novos limites, saber o que corrigir, encontrar motivação e o principal, o momento certo de parar. O filme proporciona momentos divertidos, tensos, emocionantes e importantes reflexões. Se está longe de ser inesquecível, promove boas experiências, vale o ingresso.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: D.P.A-O Filme/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: D.P.A-O Filme/ Cesar Augusto Mota

Uma série muito divertida, há cinco anos no ar pelo canal Gloob, agora virou filme. ‘Detetives do Prédio Azul (D.P.A)- O Filme’ mostrará os inteligentes e adoráveis Pippo (Pedro Henriques Motta), Sol (Letícia Braga) e Bento (Anderson Lima) em uma nova aventura que vai além dos corredores e da portaria do famoso edifício.

A história começa quando a síndica Leocádia (Tamara Taxman) resolve promover uma festa para reunir ex-alunos de sua escola de magia. Sem serem convidados, os três detetives decidem entrar escondidos para ver se notam algo de estranho, mas o evento é interrompido misteriosamente e o Prédio Azul amanhece com rachaduras, fruto de um feitiço. As suspeitas pairam sobre Bibi Capa Preta (Mariana Ximenes), Temporão (Ailton Graça), Mari P. (Maria Clara Gueiros), e Jaime Quadros (Otávio Müller). Uma nova jornada começa e promete muitas surpresas e reviravoltas.

A apresentação dos protagonistas com um prólogo e um pequeno enigma antes da festa de Leocádia dão a senha do que o filme pode apresentar. A junção de três crianças com diferentes personalidades, mas com uma boa química, formaram um importante núcleo da trama: Sol, a líder do grupo e de capa vermelha, Pippo, o aficionado por comida e um detetive agitado de capa verde, e Bento, de capa amarela e mais racional. Essa turma mostra que não está para brincadeira e fará de tudo para evitar a perda da sede de seu clube, o DPA.

Além dos personagens centrais, os bruxos também se sobressaem e suas interações são essenciais para a resolução do mistério em torno do Prédio Azul e o paradeiro dos quatro bens de proteção de cada um deles, bem como o quadro falante da avó Berta (Suely Franco). Na festa temos pequenas pinceladas, mas no segundo ato, quando são transformados, conhecemos as personalidades e virtudes de Bibi Capa Preta, Temporão, Mari P. e Jaime Quadros. Além deles, o terrível Homem Bagre (George Sauma) é a cereja no bolo de uma história bem divertida, com surpresas a cada cena e que fará você se interessar, tendo ou não visto antes a série. O perverso vilão não fica atrás e promete infernizar a vida de todos nessa eletrizante empreitada.

O roteiro escrito por Flávia Lins e Silva apresenta uma divisão satisfatória em quatro atos, com a apresentação da nova turma do DPA, o incidente na festa de Leocádia, a busca por pistas e seu desfecho surpreendente, além de ideias originais que suplantam a série de sucesso no Gloob. A interação das crianças fora do Prédio Azul com passeio na Kombi azul do porteiro Severino (Ronaldo Reis) e o resgate da antiga geração de detetives, Tom (Caio Manhente), Mila (Letícia Pedro) e Capim (Cauê Campos) foram a grande jogada dos produtores, pois mostra que a magia continua em alta, mesmo entre adolescentes, bem como apresenta uma história frenética e dinâmica, ao agrado do público infantojuvenil.

A direção de arte é outro destaque, com o uso de efeitos especiais como grandes raios e transformação de pessoas em animais, recursos próprios do universo infantil e capazes de causar empatia e atenção do público, não subestimando a inteligência dele. O trabalho do diretor André Pellenz consegue aliar a antiga e a nova geração de DPA, sem tirar a essência do núcleo da história, bem como a preocupação de atrair novos públicos com uma história fora do cenário que é comum na série, além de fazer claras referências a  Harry Potter e sucessos musicais dos anos 1980. Um filme de qualidade e para todos os públicos, não só para crianças e adolescentes.

Gostou? Não perca Detetives do Prédio Azul (D.P.A)- O Filme’, distribuído pela Paris Filmes, estreia nos cinemas brasileiros em 13 de julho de 2017.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Homem-Aranha: De Volta ao Lar/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Homem-Aranha: De Volta ao Lar/ Cesar Augusto Mota

Quando você se deparou com a participação do Homem-Aranha no filme “Capitão América: Guerra Civil”, já teve uma ideia do que estaria por vir. E após o anúncio da Marvel de que o Cabeça de Teia teria um filme solo, a expectativa e a ansiedade tomaram conta. Enfim, chegou o dia da estreia das novas aventuras do famoso super-herói aracnídeo, mas será que realmente é um filme bom? Vale a pena pagar ingresso?

Você logo de cara já é surpreendido com aquela possante abertura da Marvel, e com a música-tema do Homem-Aranha, para já te colocar no clima da história, antes de sermos remetidos à rotina de Peter Parker durante a adolescência. Sim, trata-se de um filme diferente, que mais se concentra na figura de Peter Parker, sem tirar a essência do super-herói, mas focando em dramas pessoais e no lado humano do protagonista.

Muita gente pedia e foi atendido: Peter Parker jovem, na escola, alvo de gozações de seus colegas, nutrindo uma paixão por Liz (Laura Harrier), mas sem coragem de se declarar e um aluno bastante aplicado. Sem esquecer os erros de adolescente que ele comete e a fase de descobertas pela qual ele passa, ele vai aos poucos lidando com responsabilidades e com o desafio de ser o Homem-Aranha e de como controlar seus poderes.

Trata-se de um personagem que consegue refletir o comportamento de muitos jovens de hoje, boa parte dos adolescentes vai se identificar com o Peter Parker desse filme, afinal, quem nunca enfrentou esses problemas relatados e a fase de descobertas, sem muitas vezes saber o que fazer ou não ter a certeza de que esteja fazendo o certo? Esse Homem-Aranha funciona, e cria uma empatia enorme com o espectador, e o ator Tom Holland tira isso de letra, caia como uma luva no personagem e entrega um Homem-Aranha bem redondinho.

Os personagens secundários, principalmente Ned (Jacob Batalon), trazem muito bom humor e alívio para Peter em momentos tensos e chaves da trama, além das inserções estratégicas de Tony Stark e Abutre, interpretados por Robert Downey Jr e Michael Keaton. Enquanto o primeiro serve como grande patrono e possível suporte para novas missões com s Vingadores, o segundo é um vilão que não é assassino, mas que tem uma  curta e grossa visão de mundo e age contra a lei, como se vingar da empresa Star Industries, que tirou sua empresa de linha e passa a usar peças alienígenas para produzir armas e vender para criminosos. Mas para isso, contará com a ajuda de Shocker, Escorpião e o Construtor, com personalidades e propostas bem definidas. Um vilão que sem dúvida chama a atenção e traz uma carga maior de dramaticidade à história.

O trabalho do diretor Jon Watts é consistente, com uma história sólida e que se sustenta, com boas doses de drama, humor e ação, bem como boa evolução. O uso da tecnologia e o jogo de luzes são eficientes em boa parte das cenas, há a impressão de que desvaloriza um pouco o Homem-Aranha e que ele perdeu uma parte de sua essência, mas em nada compromete, o Cabeça de Teia diverte, é cativante, mas o foco é mesmo em Peter Parker, para que o espectador entenda um pouco sua personalidade e faça conexão com o Homem-Aranha, para entender seus pontos fortes e fracos, não é só um super-herói, mas um ser humano como nós. E o trabalho da direção de arte também merece ser exaltada, com a modernização da escola dos anos 1960 com os dias atuais, além de boas referências do diretor John Hughes de longas dos anos 1980 e a excelente trilha sonora, arrasadora.

“Homem-Aranha: De Volta ao Lar” é um filme para todas as idades, uma mescla de diversão, maturidade, vivência de Peter Parker e as agruras pelas quais passa o Homem-Aranha. Vale a pena conferir, parabéns ao Universo Marvel e Sony Pictures, sem dúvida um dos melhores filmes de super-herói do ano, ao lado de Mulher Maravilha, e só temos a ganhar com isso.

Já ia esquecendo: não saia da sala, há duas cenas pós-créditos imperdíveis, você vai rolar de rir. Aproveite!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Perdidos em Paris/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Perdidos em Paris/ Cesar Augusto Mota

Uma história sensível, poética e recheada de momentos cômicos. Assim é ‘Perdidos em Paris’, longa dirigido por Dominique Abel e Fiona Gordon, que chega ao circuito nacional esta semana e marca a despedida de Emmanuelle Riva das telas, falecida em janeiro, aos 89 anos. A trama se passa em Paris e conta com o protagonismo de Abel e Gordon em meio a trapalhadas na Cidade Luz.

Tudo começa quando Fiona (Gordon), uma bibliotecária canadense, recebe uma carta de sua tia Martha (Riva), uma senhora idosa de 88 anos, que vive sozinha em seu apartamento e está com medo de ser levada para um asilo, pois é vista por seus vizinhos como incapaz de cuidar de si mesma. Ao saber da história, Fiona embarca no primeiro avião para a capital francesa, mas ao chegar à cidade descobre que sua tia desapareceu e se mete em situações inusitadas e tragicômicas, perdendo seu dinheiro e pertences.

A situação fica ainda mais hilária quando Dom (Abel), um sedutor e sem-teto muito egoísta, entra na trama e não vai largar do pé de Fiona na incessante busca pelo paradeiro de sua tia. Começa desde então uma relação de cumplicidade e companheirismo improvável entre os dois, além de cenas divertidas, sensíveis e regadas de muitas técnicas de ‘clown’, presentes em filmes de Charles Chaplin e que fazem o espectador rir sem a necessidade de palavras, as ditas piadas visuais, com alguns passos de dança. As cenas ficaram ainda mais graciosas com essas técnicas, e percebemos que, na medida em que a história vai evoluindo, a confiança e o respeito entre Fiona e Dom, inexistentes no começo da trama, aumentam, e as condutas que ambos tomam vão ser decisivas para o desfecho, algo surpreendente.

O roteiro é muito bem construído, com 3 histórias que se entrelaçam e ajudam a explicar várias sequências, principalmente os encontros isolados entre os protagonistas e como pode se dar a possível descoberta do paradeiro de Martha, que tenta encontrar a sobrinha ao mesmo tempo em que foge para não ser mandada para um asilo. A montagem também é eficaz, com sincronia entre as músicas e a sensação de se estar dentro de uma poesia, uma autêntica obra-prima.

E a fotografia? Falei muito em 3 personagens, mas pode-se dizer também que existe um quarto personagem no enredo, a cidade de Paris. O espectador passa a ter um outro olhar ao se deparar com o Rio Sena, a Torre Eiffel, o Cemitério Père Lachaise e a Estátua da Liberdade (sim, há uma na França, numa pequena ilha no Sena). Além disso, esses cenários são importantes na construção da história e trazem uma atmosfera engraçada e uma sensibilidade ainda maior, principalmente nas cenas de Martha, que recorre à suas técnicas de dança, muito utilizadas na juventude, sem se entregar à ideia de que o tempo passou e sem se sentir descartável.

Das atuações, não preciso falar muito, foram excepcionais, com a arte do improviso de Dominique e Fiona muito bem apuradas, bem como a habilidade para o humor nos momentos certos, assim como para o drama em cenas mais fortes. E Emmanuelle Riva entrega uma personagem capaz de sensibilizar a todos, seja por sua esperteza, agilidade, inteligência e experiência, e Martha podemos dizer, se confunde com a vida e personalidade da atriz, que nos deixa um grande legado e ótimos trabalhos. É uma ótima oportunidade para vê-la pela última vez e uma despedida em alto nível.

O que está esperando? Não perca ‘Perdidos em Paris’, que estreia em 06 de julho em todo o Brasil, com a distribuição da Pandora Filmes. Não perca!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota