Três filmes esportivos conquistam o Oscar/ Poltrona Esportes

Três filmes esportivos conquistam o Oscar/ Poltrona Esportes

kobe-bryant.pngDear Basketball: Conquistou o prêmio de Melhor Curta de Animação.

O curta foi exibido pela primeira vez na cerimônia de aposentadoria das camisas 8 e 24 de Kobe Bryant pelo Los Angeles Lakers em dezembro de 2017, O curta transforma em animação a carta de despedida que Kobe escreveu ao The Player’s Tribune, em novembro de 2015, anunciando que se aposentaria do basquete ao final daquela temporada.

 

icarus-netflix-760x428.pngÍcaro: Venceu o prêmio de Melhor Documentário.

O documentário mostra o experimento de um ciclista amador que decidiu servir como cobaia para provar que é possível se dopar, competir e não ser pego. Primeiro Oscar da Netflix.

 

i-tonyaEu, Tonya: Ganhou o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante com Allison Janney.

Desde muito pequena exibindo talento para patinação artística no gelo, Tonya Harding cresce se destacando no esporte e aguentando maus-tratos e humilhações por parte da agressiva mãe. Entre altos e baixos na carreira e idas e vindas num relacionamento abusivo com Jeff Gillooly, a atleta acaba envolvida num plano bizarro durante a preparação para os Jogos Olímpicos de Inverno de 1994. Baseado em fatos reais.

 

Por: Vitor Arouca

Maratona Oscar: Visages, Villages/ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Visages, Villages/ Cesar Augusto Mota

Que tal um documentário que traga uma linguagem diferente, imagética, capaz de cativar todos os públicos e com muitas histórias boas a serem contadas? Está chegando ao circuito o documentário francês “Visages, Villages”, protagonizada por dois grandes ícones da França, a cineasta Agnès Varda e o artista plástico JR. Juntos, eles vão trazer uma série de depoimentos, além de belos painéis em diversos vilarejos rurais do país.

A produção tem o estilo de um diário de viagem, no qual a dupla parte em um caminhão personalizado, estilo estúdio fotográfico, e na medida em que o veículo vai chegando a locais campestres dotados de antigas construções, depoimentos de pessoas acerca do local e de suas vidas são colhidos e todos são convidados a tirarem fotos no estúdio, com as imagens sendo ampliadas e feitas as devidas colagens nas fachadas das casas. Belíssimas obras de arte e ilustrações são apresentadas ao público e as paisagens ganham um novo significado.

Além de nos depararmos com uma grande parceria entre Agnès e JR, vemos muitas brincadeiras entre os dois e também muitas emoções transmitidas e belas histórias transmitidas pelos moradores dos diversos vilarejos visitados. A narrativa também nos brinda com excelentes narrações em off dos protagonistas, com suas impressões acerca das paisagens, da arte e da vida, além de belíssimas declamações poéticas feitas por ambos. Esse estilo de enredo não só impressiona pela novidade, como também pela beleza, tanto na paisagem, como nas palavras, autênticas obras-primas são compartilhadas com os espectadores.

Mas nem sempre predomina a harmonia durante a projeção, em dados momentos as paisagens são priorizadas e alguns depoimentos ficaram de lado, faltou um pouco de equilíbrio e uniformidade ao documentário, mas o saldo é positivo, não só o plano estético alegórico e belo pauta o documentário, como o conjunto de palavras e as atitudes dos moradores e agricultores fazem uma perfeita conexão, de que a felicidade é perfeitamente alcançável, e isso dependerá da forma como se enxerga a vida. E as colagens apresentadas durante a produção deram uma nova vida às fachadas e um novo significado para os vilarejos visitados, reforçando o espírito de persistência, de revitalização, importante na arte de contar histórias e nas lutas diárias.

Poético, alegórico, chamativo, tudo isso representa o documentário ‘Visages, Villages’. Um prato cheio aos amantes do campo, das paisagens, da poesia e fãs de histórias pessoais recheadas de aprendizado e lições de vida. Um tributo à vida e ao cinema, vale muito a pena.

Avaliação: 5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

O meu favorito ao Oscar é…/Anna Barros

O meu favorito ao Oscar é…/Anna Barros

Três Anúncios para um Crime está crescendo na bolsa de apostas nessa reta final do Oscar mas o meu favorito é A Forma da Água. O filme é delicado, sensível e mais que uma fábula. Amei tudo, mesmo com a possibilidade de a história ter sido plagiada e aí nem rola o politicamente correto fair play. Ele me lembrou muitas vezes A Fabulosa História de Amelie Poulain, mas quem não tem as suas próprias referências? O amor impossível, imporvável e silencioso me arrebatou. Sim, apesar das frustrações na vida amorosa, ainda sou uma romântica incorrigível. Mas não é só isso, não.

A Forma da Água fala da tolerância às diferenças: a menina muda e faxineira, cujos melhores amigos são uma negra e um gay, o amor pelo diferente, nesse caso alguém de uma espécie totalmente híbrida. Além disso a vitória sobre o preconceito, misoginia e assédio, tudo isso representando no grande vilão, cujo ator, também concorre a coadjuvante.

O filme desperta nas pessoas as mais variadas sensações, mas a mim tocou muito. Outro ponto importante é quando fala da solidão. Também acho ser favorito no quesito fotografia e até figurino(apesar do meu palpite ter sido mais sentimental: A Bela e a Fera). O filme é belíssimo e nos provoca muitas reflexões. Não creio que levará as 13  estatuetas que concorre e bater recorde, mas aposto em Filme, Atriz e Diretor. Mesmo sabendo que há pesos pesados concorrendo. O de Diretor para Guillermo Del Toro parece ser a grande barbada da noite do dia 4 de março.

E Donald Trump terá que engolir o terceiro diretor mexicano levando o prêmio máximo do cinema e indústria americanos. Mas não se assuste se houver injustiças. O Oscar nem sempre premia o melhor, mas sim o merchandising e o apelo da época. Por isso que volto a insistir que A Forma Da Água leva vantagem até nesses quesitos porque levanta muitas bandeiras: tolerância, diferenças, sexualidade, solidão provocada por ser diferente.

É um filme audacioso mas sublime. Que me fez chorar bastante no final e tocou muito a minha alma. Eu prevejo a criatura aquática e a princesa silenciosa abraçando o Oscar na cena debaixo d”água. Para bater palmas de pé e torcer muito no próximo domingo.

Maratona Oscar/ Mudbound – Lágrimas Sobre o Mississipi/ Por: Vitor Arouca

Maratona Oscar/ Mudbound – Lágrimas Sobre o Mississipi/ Por: Vitor Arouca

 

0537557.jpg-c_215_290_x-f_jpg-q_x-xxyxxHenry McAllan é um homem bruto e conhece a virgem, Laura, de 31 anos em um jantar familiar e os dois acabam se interessando um pelo outro. Começam a namorar e depois do casamento se mudam para Missisipi, cidade rural que é sonho de Henry. Uma mudança e tanto para Laura que nem saia de casa enquanto morava com os seus pais.

Além das crianças,  o pai de Henry, o senhor Papa McAllan, também foi morar com o filho. Para ajudar na colheita e no plantio, os McAllan tem a disposição os trabalhos da família negra, os Jackson, que recebem ordens dos brancos na fazenda.

Laura enfrenta dificuldades para se adaptar na vida rural e precisa de ajuda para cuidar das filhas e acaba contratando Florence Jackson, a matriarca da família negra. Papa toda vez que encontrava com Florence acabava xingando a mulher por ser negra. Papa é aquele americano e branco que não suporta ver uma pessoa de cor diferente que parte para o ataque verbal e as vezes até físico.

Jamie McAllan, irmão de Henry, e Ronsell Jackson, filho de Florence e Hap Jackson, são convocados para a Guerra e na volta os dois começam uma forte amizade devido aos traumas que viveram. Papa não fica nada satisfeito com a amizade do seu filho com um homem negro e começa a bater de frente com as atitudes de Henry causando grandes danos para Jamie e para a família Jakcson.

Um filme que mostra o racismo, a luta de classes e a amizade de brancos e negros. Filme forte e que emociona.

O filme concorre em quatro categorias do Oscar.

1 – Melhor Atriz Coadjuvante: Mary J. Blige.

2 – Melhor Roteiro Adaptado.

3 – Melhor Fotografia – Rachel Morrison.

4 –  Melhor Canção Original: “Mighty River”  Mary J. Blige, Raphael Saadiq e Taura Stinson.

Mary J.Blige é uma renomada cantora americana de  Hip-Hop e Soul e a sua atuação no filme é impecável, as suas expressões corporais comovem quem assiste o filme. Blige tem chances de ganhar, mas acho que não vence.

A canção do filme se encaixa perfeitamente com a história, mas dificilmente irá superar “This Is Me” da película “O Rei do Show” . A música (This Is Me) foi a vencedora do Globo de Ouro na mesma categoria.

A fotografia ganha destaque pelas cores cinzas dos dias em Mississipi e também pelas câmeras fechadas nas expressões dos atores.

Potronas: 4/5

 

 

Maratona Oscar: Roman J. Israel, Esq./ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Roman J. Israel, Esq./ Cesar Augusto Mota

Sabe aquele filme cujo ator em seu papel principal enfrenta diversos dilemas, sejam morais ou éticos, e divide opiniões? Famoso por interpretar personagens de personalidades fortes e que muitas vezes faz o público se mobilizar e comprar a ideia que ele está transmitindo, Denzel Washington (Um Limite entre Nós) em seu novo filme vai por um lado e acaba se perdendo pelo caminho. “Roman J. Israel, Esq”, longa dirigido por Dan Gilroy (O Abutre), apresenta um enredo interessante dentro do mundo jurídico e em face dos diversos conflitos sociais existentes, mas este acaba por deixar o espectador confuso e sem entender a real proposta de seu diretor.

A trama conta a história do advogado cujo nome dá título à obra, um profissional que vincula seu trabalho aos seus ideais de ativista do movimento negro e que vive em meio às grandes corporações que lucram com seus processos criminais e as ONGs que se se sustentam com ou sem ajuda financeira. Porém, Roman vê sua vida mudar radicalmente quando perde seu sócio de quase quatro décadas após este sofrer um ataque cardíaco e não poder mais advogar. Com muito esforço e relutância, ele é aceito pelo escritório de George Pierce (Colin Farrell), um advogado mais preocupado com cifras e lucros do que propriamente com o bem-estar de seus clientes. Com ideologias e princípios bem estabelecidos, até mesmo utópicos, Roman encara um mundo cujas escolhas podem acarretar sérias consequências e vai ter de lutar contra os mais poderosos, sejam promotores, ou até mesmo colegas de trabalho sem escrúpulos, para sobreviver em um universo complexo e dominado pelo poder.

A primeira parte da história tem o cuidado de construir e detalhar minuciosamente a personalidade de Roman, suas virtudes, vulnerabilidades, além de seu passado e presente dentro do movimento negro. O personagem central é muito bem construído e perfeitamente incorporado por Denzel Washington, que demonstra ser um advogado disposto a usar a vestimenta da esperança e da força, sem abrir mão do que considera certo e justo. O elenco secundário, composto por Colin Farrel (O Estranho que Nós Amamos) e Carmen Ejojo (Selma: Uma Luta Pela Igualdade) também possibilita que o protagonista brilhe, mas eles também possuem importância para os rumos da trama e são outros atrativos para o filme, apesar do ritmo quebrado na segunda metade até seu desfecho.

O trabalho de Dan Giroy é louvável, com temáticas importantes e sempre debatidas em sociedade, como o racismo, os movimentos pelos direitos civis e o complexo sistema judiciário, seja ele composto por leis falhas ou por profissionais corruptos e que maculam o trabalho dos representantes da Justiça, mas os imbróglios inseridos do meio para o fim fazem o filme perder sua essência e acabam por prejudicar sua coerência. Tamanhas falhas fizeram os espectadores questionarem qual o foco pretendido e se as reviravoltas teriam sido propositais. O excesso de mudanças nos personagens também é outro fator negativo, o longa perde sua identidade e força, e o público já clama pelo encerramento da história.

Um filme que tinha tudo para mobilizar a plateia e trazer grandes emoções, mas com um roteiro falho e com atuações que quase desvanecem. Roman J. Israel, Esq. Merecia mais, e poderia ter sido muito mais.

Avaliação: 3/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar/ Logan/ Por: Vitor Arouca

Maratona Oscar/ Logan/ Por: Vitor Arouca

519-film-page-thumbnailHistórico:  Logan é o primeiro filme de super-herói indicado ao prêmio de Melhor Roteiro Adaptado. O roteiro e direção do filme são de James Mangold.

Logan é o último filme da série Wolwerine e o mais violento.

Em 2024, Logan vira chofer de limousine para cuidar do professor, Charles Xavier e esquecer o seu passado.

Enquanto Logan liga o carro para sair, Donald Pierce, um mercenário entra e confronta o ex X- Men para descobrir o paradeiro da menina Laura Kinney que até então Logan não conhecia.

Logan encontra- se fraco fisicamente e emocionalmente e deixa de lado as suas forças de mutante, mas isso muda quando ele é procurado pela mexicana Gabriela que precisa de sua ajuda. Logan negou ajudou diversas vezes, mas se rendeu a grande quantidade de dinheiro que lhe foi oferecido e começou a ajudar a mexicana Gabriela e a menina Laura Kinney.

Maratona Oscar: The Square: A Arte da Discórdia/ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: The Square: A Arte da Discórdia/ Cesar Augusto Mota

A arte proporciona ao observador diversas possibilidades. A imagem ou o objeto retratado pode ter mais de um significado, bem como a capacidade de traçar um panorama positivo ou negativo ou até mesmo uma visão crítica da sociedade contemporânea, muitas vezes reticente e intolerante às manifestações artísticas. ‘The Square-A Arte da Discórdia’, do cineasta sueco Ruben Östlund e agraciado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes, traz importantes valores ao público como reporta a ele até onde vão ou deveriam ir os limites da liberdade de expressão, cada vez mais questionados e censurados.

O personagem central da trama é Christian (Claes Bang), curador de um imponente museu de arte moderna e que prepara uma nova exposição, The Square, cujo tema central é a confiabilidade no próximo, premissa importante para a conversão do local em um ambiente sagrado e sinônimo de estabilidade e igualdade de direitos. Além disso, Christian quer trazer ao público um evento que tenha ousadia, provoque desafios e venha a ter bastante popularidade, e contará para isso com especialistas em criar vídeos que se tornem ‘virais’ na internet e artistas com performances ‘ousadas’, para não dizer insanas. Mas o curador se verá em meio a uma série de conflitos após ter seus pertences furtados e se envolver co m a polêmica divulgação de um vídeo promocional do museu, ‘um viral’ que se torna um escândalo e que vem a por em risco a credibilidade do local e de seus organizadores.

O roteiro apresenta uma série de fragmentos e traz diversos panoramas, como a capacidade do público em interpretar os valores transmitidos pelas obras, a definição de arte contemporânea, seus limites, bem como a fragilidade e falência das relações humanas. Na medida em que o filme vai se desenrolando o espectador passa a ter uma série de questionamentos em mente e reflete sobre a importância de se existir um diálogo entre a arte e o público, o museu e o frequentador, além de procurar saber o que é ético e moral em uma manifestação que preza ou deveria prezar pela cultura e busca do conhecimento. São ótimos exercícios que o público faz durante os 139 minutos de duração do longa, mas que poderiam ocorrer em um ritmo e tempo menores e sem tanta exaustão, além de algumas cenas que poderiam ser excluídas, tendo em vista o ridículo que é retratado em algumas ocasiões e o constrangimento causado com certas sequências bizarras. Algumas sequências são prejudicadas e divagações presentes no enredo poderiam ter sido evitadas.

A fotografia é substancial, não só se preocupa em retratar a beleza dos objetos expostos e o significado deles, mas em despertar a curiosidade e aflorar os sentimentos do público, que ficam cada vez mais exaltados e evidentes em uma cena que ilustra um jantar entre ricos doadores do museu que são surpreendidos como uma exposição de um artista corporal que vai até a últimas consequências. A proposta de mostrar a intolerância e de criticar o posicionamento da sociedade europeia para com as manifestações artísticas é atingida de forma satisfatória, além de mostrar que o desequilíbrio pode existir dos dois lados, do público que pode não ser aberto ao que é exposto, como os expositores, com performances extravagantes e que firam a moral e a dignidade humanas.

Pulsante, didático e ousado, ‘The Square’ nos mostra que não basta apenas ilustrar o que é importante ser visto, como também deve existir uma estabilidade entre artistas e público. A arte não é só aquela que seduz e provoca repulsa, mas capaz de tocar no consciente e frisar o papel que cada um tem no seio social, e isso o longa de Ruben Östlund alcança com louvor e leva todos os méritos. A obra vem forte para a temporada de premiações e séria candidata a várias estatuetas, não é apenas um filme que reflete os ideais europeus, ele também se encaixa na atual realidade brasileira, envolta a escândalos, corrupção e intolerância. Um filme que se encaixa como uma luva no momento atual em que vivemos e que será por muito tempo posto em discussão.

Avaliação: 4,5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota