Maratona Oscar: Green Book/Flávia Barbieri

Maratona Oscar: Green Book/Flávia Barbieri

“Green Book” é um daqueles filmes que, dificilmente, receberia críticas negativas. É aquela história cheia de sutilezas e ensinamentos. Apaixonantes para todos os gostos.

 

Histórias fictícias – se bem escritas – podem gerar um excelente filme. No entanto histórias reais, geralmente, rendem um filme de Oscar. É o caso de “Green Book”.

 

Estreado pelo intenso e sagaz Mahershala Ali, impecável no papel de Dr. Don Shirley e por Viggo Mortesen (Tony Lip) – eterno Aragorn – o filme discorre sobre uma amizade improvável entre um segurança de um bairro ítalo-americano no Bronx, e um pianista negro conhecido mundialmente. Nem a mente mais criativa de um produtor conceituado poderia imaginar uma história tão vigorosa. A amizade inicia-se quando Tony Lip é contratado como motorista de Dr. Don Shirley, que precisa de alguém para guiá-lo em sua turnê de shows de Manhattan até o Deep South. Ao longo do filme, a intolerância inicial de dois homens muito diferentes encontra terreno comum em uma viagem musical e elegante. No momento inicial de sua aventura, entendemos o nome do filme. Green Book, na tradução Livro Verde, é o guia sobre os poucos estabelecimentos que eram seguros para afro-americanos, na década de 60. Numa história que envolve realidades diferentes de pessoas com vivências quase antagônicas, confrotando situações de racismo, e seus perigos e injustiças – eles são forçados a deixar de lado suas diferenças para conseguirem completar a turnê. A amizade, então, intensifica-se nesse ambiente hostil que os aproxima. Uma amizade incerta transforma-se em uma relação inacreditável de afeto, apoio e companheirismo. Tal amizade se torna tão peculiar que Dr. Shirley ajuda Tony a escrever românticas cartas para a esposa, a doce Dolores, vivida pela ainda mais doce Linda Cardellini. O racismo passa a ser apenas pano de fundo para essa história de amizade. Green Book não é um filme sobre lugares que podiam ser ou não frequentados por negros, não é sobre racismo ou preconceito. É sobre amizade, sobre a mais profunda amizade entre duas pessoas completamente diferentes e, ainda assim, iguais. O que mais comove é que são pessoas reais, e o filme é apenas uma pequena parte dessa história estraordinária. Green Book é um filme sobre respeito, sobre nobreza e sobre ter um olhar divertido sobre as piores situações.

Dirigido por Peter Farrelly , o filme leve, elegante e divertido. O roteiro inspirador é permeado de humor e drama, na dose perfeita. O filme é, merecidamente, um dos favoritos para o Oscar; e poderá facilmente desbancar todos os outros concorrentes e levar a estatueta para a casa.

 

 

Maratona Oscar: Assunto de Família/ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Assunto de Família/ Cesar Augusto Mota

Acostumado a retratar em sua filmografia histórias que envolvam laços familiares nas mais variadas vertentes,  o cineasta japonês Hirokazu Kore-eda (Pais e Filhos) mostra que um ambiente familiar vai muito além de questões biológicas. ‘Assunto de Família’ (Shoplifters), vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, vai por esse caminho, além de abordar temas muito atuais, como a ruptura do conceito tradicional de família e o abuso infantil.

Ambientada na cidade de Tóquio, a família Shibata vive em condições de pobreza, dependendo   da pensão da matriarca da família e de pequenos furtos em mercados para a própria sobrevivência. Durante um retorno para casa, Osamu (Lily Franky) e o filho Shota (Kairi Jo) se deparam com uma menina abandonada na rua. Mesmo em dificuldades financeiras, a família acolhe a menina, que percebe claros sinais de que ela sofreu maus tratos.

Porém, não existe nenhuma relação de parentesco entre os membros da família em questão, todos se juntaram em decorrência de diversas circunstâncias. A avó foi abandonada por seus parentes, o casal não pode ter filhos e os dois adolescentes, o garoto desconhece as origens de sua família biológica, e a garota é deixada com a idosa em troca de pagamentos das despesas mensais. Após a chegada de Yuri, a garotinha abandonada, todos passam a se unir e se importar uns com os outros.

As cenas em ambiente doméstico são realizadas com muita simplicidade, em um espaço extremamente reduzido, com o uso de planos bem fechados que permitem ao espectador se sentir mais íntimo dos personagens. Os diálogos são leves e divertidos e os semblantes dos seis membros da família são de pessoas altruístas e muito afetuosas, cativando a todos, apesar de viverem em meio a condutas ilícitas e questionáveis. A graça da trama é que o público consegue se importar e ter empatia com um núcleo familiar diferente, que vai contra muitas questões morais.

Durante a história, questões pertinentes surgem, como os valores da família e a questão da moralidade. O que é necessário para um ambiente ser considerado familiar? Dinheiro? Uma casa bem estruturada? Educação? Será que além de tudo isso, é necessário mais alguma coisa para uma família ser considerada feliz? E sobre as condutas que vão contra a moral e os bons costumes, como a prostituição e os roubos praticados para obtenção recursos para o sustento, isso gera desconforto, mas compreensão ao mesmo tempo, a família Shibata vive em condições desesperadoras e está disposta a tudo para se manter em pé.

As reviravoltas que acontecem se dão de uma forma um pouco acelerada do segundo para o último ato, e o drama dá lugar ao suspense a partir do momento que as autoridades locais se envolvem, dando a impressão de que a narrativa vai se encerrar a qualquer instante. Mas o que ocorre são resoluções complexas, mas necessárias dos diversos conflitos, com uma conclusão decepcionante, porém previsível.

Com uma história didática, envolvente e realista, ‘Assunto de Família’ toca em pontos cruciais e necessários para uma vida harmoniosa e digna do ser humano. Mensagens de otimismo e esperança também se fazem presentes diante de um mundo cada vez mais caótico e de relacionamentos frágeis.

Cotação: 4,5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Melhor Canção Original/Anna Barros

Maratona Oscar: Melhor Canção Original/Anna Barros

All The Stars” – Pantera Negra

Kendrick Lamar é um dos produtores da trilha sonora de Pantera Negra (também indicada ao Oscar), porém foi sua parceria com a cantora SZA que conseguiu uma vaga nessa categoria. O rapper foi escolhido a dedo pelo diretor Ryan Coogler. A música é envolvente e corre por fora nessa categoria.

“I’ll Fight” – RBG

Essa é a décima indicação de Diane Warren ao Oscar! Curiosamente, ela trabalhou com Lady Gaga na canção “Til Il Happens to You”, que concorreu ao prêmio da Academia por The Hunting Ground. Dessa vez, a moça disputa contra a diva pop com a canção de outro documentário… Diane Warren escreveu Because you loved me, de Íntimo e Pessoal. A canção foi indicada para um Academy Award como melhor canção original em 1996 (Celine Dion apresentou-se durante a cerimônia), e também foi indicada para quatro Grammy Awards. Ela ganhou um Grammy Award na categoria “melhor canção escrita para filme ou televisão” (o prêmio foi para Diane Warren), e foi indicada para o categorias de “Álbum do Ano“, “Canção do Ano” e “melhor performance vocal Pop feminina“.

 

Na voz potente de Jennifer Hudson, “I’ll Fight” é inspirada na jornada de Ruth Bader Ginsburg, primeira juíza da Suprema Corte norte-americana e foco do longa RBG.

“The Place Where Lost Things Go” – O Retorno de Mary Poppins

O diretor Rob Marshall fez questão de trabalhar apenas com canções inéditas na continuação de Mary Poppins. Para tal difícil tarefa, foi escalada a dupla Marc Shaimane Scott Wittman (Hairspray). Por sua vez, a Disney selecionou duas músicas para essa categoria, mas a emocionante canção de ninar chamou a atenção. Nela, a protagonista interpretada por Emily Blunt tenta ajudar os filhos de Michael Banks (Ben Whishaw) a lidarem com a perda da mãe falecida, de uma forma doce e inocente. É a grande concorrente de Shallow, de Nasce uma Estrela.

“When A Cowboy Trades His Spurs for Wings” – The Ballad of Buster Scruggs

Cantada por Tim Blake Nelson e Willie Watson, essa inusitada melodia country encerra a primeira das seis histórias contadas pelos irmãos Coen, acompanhando as reviravoltas de uma briga entre cowboys. Trata-se de uma parceria entre (os amigos de longa data) Gillian Welch e David Rawlings… Curiosamente, eles também escreveram uma música para Ave, César!, mas foi rejeitada pelos Coen por ser muito hilária.A música é boa de se ouvir e bem estilo faroeste, característica da música country.

“Shallow” – Nasce uma Estrela

A canção que descreve o relacionamento entre Ally (Lady Gaga) e Jackson (Bradley Cooper) se tornou um dos maiores símbolos de Nasce uma Estrela, mesmo diante do sucesso de outras faixas, como “I’ll Never Love Again”. Composta pela protagonista ao lado de Mark Ronson, Anthony Rossomando e Andrew Wyatt, tal música ia encerrar o filme, numa das versões originais do roteiro spoiler. É a grande barbada dessa categoria, podendo ser o único Oscar de Nasce uma Estrela.

Maratona Oscar: Ilha dos Cachorros/ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Ilha dos Cachorros/ Cesar Augusto Mota

Uma fábula, seja contada por meio de uma animação ou de um stop-motion, sempre chama a atenção dos espectadores e provoca diversas reações, não é mesmo? Conhecido por já ter apresentado uma obra com essa segunda opção e outras com debates sobre temas polêmicos, como ocorreu em O Fantástico Senhor Raposo (2009) e O Grande Hotel Budapeste (2014), o diretor Wes Anderson chega com uma nova produção e rica em assuntos leves, como o amor, a compreensão e a amizade, e outros mais controversos, como corrupção, lavagem cerebral e o uso da ciência para o bem ou para o mal. ‘Ilha dos Cachorros’ (Isle of Dogs) vem com uma premissa interessante e uma história que vai instigar o público.

A narrativa é ambientada em Megasaki, no Japão, 20 anos no futuro, uma cidade cuja população canina cresceu de forma desenfreada e com enormes proporções endêmicas, com surto de febre do focinho e gripe canina. O prefeito Kobayashi, em uma decisão precipitada e autoritária, assina um decreto que ordena a expulsão de todos os cachorros e a contenção de todas as raças, sejam cães de rua ou domesticados. A partir daí, todos os cachorros são capturados e enviados para a Ilha do Lixo, local que acaba se tornando uma colônia de bichinhos exilados. Passados seis meses, o garoto Atari Kobayashi, sobrinho e tutelado do prefeito, resolve sequestrar um pequeno avião para resgatar seu cão de guarda Spot s, e ao chegar à Ilha do Lixo, contará com a ajuda de uma matilha de Cães Alfa, composta por Chief (Bryan Cranston), Rex (Edward Norton), Boss (Bill Murray), King (Bob Balaban) e Duke (Jeff Goldblum). Uma aventura épica em busca do resgate de Spots e que vai mexer com os brios do prefeito Kobayashi e de toda a Megasaki, dominada por seu autoritarismo.

Temos um excelente prólogo e uma precisa divisão da história em quatro partes, com o uso de enquadramentos bem decupados, com grande apelo visual, além da exploração de grandes cenários e um jogo de luzes que trazem bons contrastes e belas texturas nas imagens em 2D. A inserção de elementos da cultura japonesa, como o teatro kabuki, os haicais e o sumô não são meramente para ilustrar, como também para instigar o público, e o uso do flashback serve como elemento explicativo para algumas situações, como a atitude do prefeito de mandar exilar todos os cães da cidade, e o exílio já fazia parte de uma tradição milenar, devidamente colocada na trama e para situar o espectador.

Se a parte gráfica e a fotografia são atraentes, os protagonistas da história, em sua maioria representados por cães, funcionam como autênticas metáforas ao comportamento humano, sendo vítimas de uma verdadeira barbárie, e, para piorar, divididos em castas. Todos eles ganham desenvolvimentos bem aprofundados, principalmente Chief, líder da matilha, inicialmente fechado ao diálogo e discordante de seus companheiros, que passa por uma importante transformação e com um lado inimaginável revelado durante a narrativa.  Os personagens humanos também ganham  grande importância, como Tracy Walker, uma jovem estudante anticorrupção e a favor do uso da ciência para o desenvolvimento de anticorpos e soros que combatem a gripe que infestou centenas de cães de Megasaki, com participação em momentos cruciais da história. O prefeito Kobayashi, como dito anteriormente, comanda a cidade com mãos de ferro e em dados momentos há uma tentativa de humanizá-lo quando coisas mais sérias acontecem com seu sobrinho Atari, sem contar a campanha de marketing que ele mesmo comanda que todos os cães da cidade são perigosos e precisam ser isolados ou até mesmo eliminados, a depender da enfermidade que possuam e dos danos causados aos humanos. O professor Watanabe, do Partido Ciência e rival na nova eleição para a prefeitura, funciona como um perfeito oponente, mas quem ganha mais holofotes é Tracy, por sua postura firme e destemida, sem se importar com as consequências ao bater de frente com a autoridade máxima de Megasaki.

Uma animação que faz um balanço equilibrado do humor com o drama, traz um leque de temas bem explorados por uma abordagem visual onírica e composta por um conjunto de grandes atores que fazem um trabalho de dublagem eficiente e que realizam uma boa promoção da obra, assim é ‘Ilha dos Cachorros’. Uma opção não só para o público infantil, adequado para todas as idades, vale a pena!

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Cafarnaum/ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Cafarnaum/ Cesar Augusto Mota

Uma ficção com roupagem de filme documental que retrata uma triste realidade coletiva. A alternância de um drama pessoal com o vivido por milhões pelo mundo, assim pode ser definido ‘Cafarnaum’ (Capernaum), novo filme de Nadine Labaki (Caramelo), vencedor do prêmio do Júri do Festival de Cannes 2018 e indicado ao
Oscar de melhor filme estrangeiro. Uma produção cuja história e efeitos visuais e sonoros impressionam.

A narrativa traz a história de Zain (Zain Al Rafeea), um garoto de 12 anos que vive em Beirute, capital do Líbano, e cuida dos irmãos no cortiço em que mora com os pais, donos de uma mercearia. Quando a irmã dele, um ano mais nova, é forçada a casar com um homem mais velho, o menino reage e, em forma de protesto, resolve abandonar a casa dos pais e viver nas ruas, onde convive com refugiados da guerra síria. De quebra, ele ainda é preso e fica sob custódia do Estado por ter esfaqueado um homem e chega a processar os pais por ter nascido, recomendando no tribunal um controle de natalidade à família e ao país como uma forma de amenizar o caos que assola a nação libanesa.

Cafarnaum, cidade que dá nome ao filme, fica a noroeste do Mar da Galileia, a 100 quilômetros de Jerusalém. Segundo a bíblia, ela foi palco de alguns milagres de Jesus, como a cura do servo do centurião, da sogra de Pedro e de um paralítico que fora carregado por quatro homens, além de ter sido o local onde Cristo fez um famoso discurso, no qual afirmou ser o Pão da Vida (João 6:24-65). Porém, o nome Cafarnaum é traduzido no filme como caos ou desordem. O espectador se depara com um bairro de Beirute assolado pela miséria em seus becos e cortiços, com a violência correndo solta e crianças brincando felizes, apesar do cenário ca&oacut e;tico e devastador. O protagonista vive em uma família numerosa, com pais abusivos e em condições precárias, sem apoio financeiro e moral. Revoltado após a família trair sua confiança e entregar a irmã para se casar, ele vive uma realidade ainda mais dura, dividindo a rua com refugiados sírios e africanos, o que o faz atingir uma maturidade precoce e buscar alternativas para ganhar dinheiro, e para isso usa a criatividade, ainda mais quando passa a cuidar do pequeno Yonas, filho de Rahil (Yordanos Shiferaw), uma mulher etíope, imigrante ilegal.

Os planos utilizados, além do som captado com o auxílio da câmera na mão, são recursos para proporcionar imersão do espectador ao ambiente e ao drama retratados, não só do pequeno Zain, como os milhares de pessoas em condições de refugiados que vivem em território libanês. O roteiro, apesar de trazer uma realidade já conhecida e que lamentavelmente ocorre ao redor do mundo, como a crise dos refugiados na Ásia, proporciona reflexão sobre a visão e a posição de cada um no mundo, e quem se reconhece como cidadão passa a combater todas as atrocidades e injustiças das quais são vítimas, caso de Za in, que não só buscou a tutela do Estado, como foi capa de provocar no tribunal um debate muito importante acerca da justiça, da violência sofrida por Zain em ambiente familiar, tanto física como verbal, pois era sempre xingado e empurrado pelos pais, e, principalmente a empatia entre pais e filhos.

As atuações são vibrantes e emocionantes, principalmente do protagonista, com Zain Al Rafeea mostrando o dia a dia de milhares de crianças em meio a pobreza e a falta de tutela do Estado, que não lhe proporciona direitos, nem mesmo o registro de nascimento, algo que Zain busca incessantemente durante o filme. O elenco de apoio é bastante coeso, que conta também com a participação de Nadine Labaki, no papel de advogada de Zain. Sua intervenção foi didática e importante na discussão acerca dos direitos do protagonista, que fora preso por esfaquear um homem, bem como a condição de cidadão, algo que não era reconhecido, com Zain sendo praticamente invisível para o Estado.

A mescla de realidade e ficção não só emocionou o público, como serviu para motivar discussões acerca de temas atuais, além de colocar o espectador no lugar daqueles que sofrem com injustiças, mas encontram forças para lutar contra elas, apesar de tudo. Um ótimo trabalho de Nadine Labaki e merecida a indicação do filme para representar o Líbano no Oscar. Um forte candidato, sem sombra de dúvida.

Cotação: 4/5 poltronas.

Maratona Oscar: Homem-Aranha no Aranhaverso/ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Homem-Aranha no Aranhaverso/ Cesar Augusto Mota

Adaptar um clássico das HQs para as grandes telas requer ousadia e tato do idealizador. E o que dizer da realização de uma animação que traz um super-herói icônico e que utiliza recursos das histórias em quadrinhos na tela, como onomatopeias e balões e com um perfeito equilíbrio entre humor e emoção? Após o sucesso da revitalizada franquia Homem-Aranha com o protagonismo de Tom Holland, a Sony faz mais uma vez parceria com a Marvel Studios e traz a animação ‘Homem-Aranha no Aranhaverso’ com uma nova proposta que utilizará o Cabeça de Teia como escada e apresentará ao público um novo herói. Ser á que funciona?

Logo nos primeiros minutos, temos a apresentação do nosso grande e melhor amigo da vizinhança com a história que todos conhecem, da dificuldade de se socializar na escola e de lidar com seus poderes. Em seguida, é introduzido um novo personagem e de características similares, mas que não possui noção da importância de ser herói. Ele é Miles Morales, um jovem negro do Brooklyn, filho de uma imigrante latino-americana e de um americano negro e que estuda em uma escola de elite, porém se sente deslocado.  E no momento de descobertas e de controle de seus poderes, o público se depara com situações cômicas e até mesmo c om um universo de novos aranhas, como Mulher-Aranha, Homem-Aranha Noir, Peni Parker, uma versão anime do herói, e Porco-Aranha, que lembra um pouco um dos personagens do Looney Tunes. Porém, Miles dá de cara com Peter Parker, antes tido como morto, em um confronto perigoso com Wilson Fisk e terá a dura missão de evitar que o multiverso composto por esses Aranhas seja exterminado.

O roteiro, escrito por Phil Lord e Rodney Rothman, se preocupa em trazer ao espectador uma história com arco dramático interessante, com muita ação, grandes vilões, além de não perder o foco no Cabeça de Teia. Ele possui um papel diferente, mas não menos importante, de preparar o jovem Miles para evitar que o Multiverso dos Aranhas seja eliminado, como ser um grande herói. Em momentos mais tensos, questões como amadurecimento e responsabilidade se sobressaem e o protagonista percebe que existem pessoas como ele, com a intenção de fazer o bem e combater o mal. Essa nova abordagem evita um filme ‘mais do mesmo’ e que se perca logo de início, existem novos problemas, mas um universo coeso, com personagens de habilidades e personalidades diferentes, mas que se somam.

Os recursos visuais empregados mesclam traços 2D e 3D, trazendo mais dinamismo e fluidez  à narrativa, sem contar nas referências feitas aos elementos presentes nas HQs e uma bela homenagem ao mestre Stan Lee, como ocorre nas live actions. E não poderia ficar de fora a quebra da quarta parede, um recurso presente nos filmes de heróis e anti-heróis e feito em momentos pontuais. É uma animação com novidades, se perder a essência do Homem-Aranha, consagrado no Universo Marvel.

Com nova proposta e personagens carismáticos, vilões com otivações críveis e de uma estrondosa beleza estética, ‘Homem-Aranha no Aranhaverso’ é envolvente, engraçado, reflexivo e com chance de ganhar uma sequência. Os fãs de HQs, de heróis da Marvel e de filmes dinâmicos só tem a ganhar com isso. É torcer para que se concretize.

Cotação: 5/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Os Incríveis 2/ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Os Incríveis 2/ Cesar Augusto Mota

A espera foi longa, mas enfim chegou o dia. A família de heróis mais simpática, corajosa e emblemática da Pixar está de volta. Em 2004, nos divertimos muito com ‘Os Incríveis’, sob a direção de Brad Bird, e fomos apresentados a Beto, o senhor Incrível; Helena, a Mulher-Elástica; Violeta; Flecha e o bebê Zezé, os três filhos. Agora, 14 anos depois, ‘Os Incríveis 2’ chegam para divertir as crianças e também para balançar um pouco os adultos, tendo em vista os temas que serão mencionados aqui posteriormente. Uma nova aventura está chegando aí e ainda mais emocionante.

A família Pêra está proibida de ser quem é, tendo em vista que todos os super-heróis foram considerados ilegais na cidade em que vivem. Para que todos voltem à ativa, uma empresa de telecomunicações resolve elaborar uma estratégia e escolhe a Mulher-Elástica para combater o crime, e isso faz o senhor Incrível se tornar o responsável pela família enquanto a mãe está fora. Grandes desafios surgem para os principais líderes de ‘Os Incríveis’, uma terá que provar que consegue proteger a cidade e sair da sombra do marido e o outro terá de demonstrar uma força psicológica muito maior que a física para dar conta das tarefas domésticas e dar atenção às crianças.

O roteiro nos apresenta uma animação sob duas perspectivas, a primeira com sequências dinâmicas, realistas e de ótimas texturas dos personagens, dotados de grandes habilidades e com os trajes tradicionais. O primeiro ato é um pouco longo, mas o filme consegue fluir muito bem e o público se sente hipnotizado com super-heróis tão carismáticos e vibrantes. A segunda via da animação nos mostra o retrato do poder familiar, com lições a serem transmitidas ao público, como companheirismo, responsabilidade e fraternidade. Há também uma leve crítica à postura machista de muitos homens, incluindo o Senhor Incrível, que não consegue admitir que mulher pode sair para trabalhar e mostrar que dá conta do recado.

As subtramas são bem interessantes e também divertem o público, com os dilemas de Violeta durante a adolescência, inclusive sobre um possível encontro com Toninho Rodriguez, um garoto popular da escola; as dificuldades de Flecha no aprendizado da Matemática na escola, além dos superpoderes de Zezé que começam a aparecer e criar sérios problemas em casa. Não apenas um, mas dezessete surgem, para o desespero de Beto, o senhor Incrível, que terá de fazer de tudo para provar para si mesmo que ele consegue criar seus filhos e é um bom pai. E não poderia esquecer do vilão, o Hipnotizador, que insere óculos nas pessoas e com um simples olhar para uma televisão ou monitor de computador a pessoa já ficaria totalmente imobilizada e controlada.

Apesar desses atrativos, tudo é previsível, a história vai na direção que você imagina e fica um pouco atrás do primeiro por conta do vilão, o Hipnotizador, cuja motivação não faz o menor sentido e a personalidade não está muito bem definida na trama, é um tanto obscura. Porém, a história é divertida, com muitos efeitos visuais hilários e que prende o público até seu desfecho. Vale pela nostalgia e também pela revelação dos poderes de Zezé, que vão fazer você rolar de rir e cair da cadeira.

Se você ainda não viu, corra para ver ‘Os Incríveis 2’, você e sua família vão curtir esses cinco incríveis heróis, e quem ainda não conhece ou não se recorda do primeiro filme, vai se apaixonar por eles. Diversão garantida para todos!

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota