Cinemas farão maratona de ‘Vingadores’ no dia 25 de abril

Cinemas farão maratona de ‘Vingadores’ no dia 25 de abril

São Paulo, abril de 2018 – Os fãs dos Vingadores terão uma quarta-feira (25) muito especial. Mais de cem salas de cinema em todo o Brasil – incluindo cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Recife, Porto Alegre, Brasília-DF, entre outras – irão exibir “Os Vingadores” e “Vingadores: Era de Ultron” poucas horas antes “Vingadores: Guerra Infinita” que estreia às 00h01 do dia 26 de abril.

Trata-se de uma chance de relembrar alguns dos acontecimentos que culminaram no filme mais esperado de 2018. Em uma jornada cinematográfica sem precedentes que está sendo elaborada há dez anos e abrange todo o Universo Cinematográfico Marvel, “Vingadores: Guerra Infinita”, da Marvel Studios, leva às telas o maior e mais mortal confronto de todos os tempos. Os Vingadores e seus aliados Super Heróis devem se dispor a sacrificar tudo em uma tentativa de derrotar o poderoso Thanos antes que seu ataque de devastação e ruína dê um fim ao universo.

Abaixo a lista de cinemas que farão a maratona:

 

Cinema Exibidor Cidade Estado
Cinesystem Parque Shop Maceio 9 CineSystem Maceió AL
Cinepolis Manaus Plaza 8 Cinépolis Manaus AM
Cinépolis Ponta Negra 10 Cinépolis Manaus AM
PlayArte Manauara 10 3D Playarte Manaus AM
UCI Manaus 8 UCI Brasil Manaus AM
785 Salvador 10 Cinemark Salvador BA
Cinépolis Bela Vista 9 Cinépolis Salvador BA
Uci Paralela 6 UCI Oriente Salvador BA
Uci Shop  Iguatemi 12 3d UCI Oriente Salvador BA
UCI Shopping Barra 8 UCI Oriente Salvador BA
Centerplex Via Sul Shop. 6 Centerplex Fortaleza CE
Cinépolis RioMar Fortaleza 10 Cinépolis Fortaleza CE
UCI Shopping Parangaba 6 UCI Brasil Fortaleza CE
Uci Shopping Iguatemi 12 UCI Kinoplex Fortaleza CE
Cariri Shopping 6 Orient Filmes Juazeiro do Norte CE
Cineflix Shopping JK Brasília 6 Cineflix Brasilia DF
718 Taguatinga 9 Cinemark Brasilia DF
720 Pier 21 13 Cinemark Brasilia DF
Terraco Shopping 5 Kinoplex Brasilia DF
Cinesystem Shopping Boulevard 6 CineSystem Vila Velha ES
Cinemagic Vitoria Norte Sul 4 Cinemagic (‘R) Vitoria ES
893 Flamboyant Goiania 8 Cinemark Goiânia GO
Kinoplex Goiânia 6 Kinoplex Goiânia GO
Cineflix Valparaíso 6 Cineflix Valparaíso de Goiás GO
Cinesystem Imperatriz 5 CineSystem Imperatriz MA
Centerplex Pátio Norte 6 Centerplex Sao Jose do Ribamar MA
Cinépolis São Luis Shopping 10 Cinépolis São Luis MA
Cinesystem Rio Anil 6 CineSystem São Luis MA
UCI Shopping Ilha 8 UCI Kinoplex São Luis MA
Cinepolis Uberlandia 10 Cinépolis Uberlândia MG
UCI Bosque dos Ipês 6 UCI Brasil Campo Grande MS
Cineflix Varzea Grande 6 Cineflix Varzea Grande MT
Cinesystem Ananindeua 10 CineSystem Ananindeua PA
Cinépolis Boulevard Belem 7 Cinépolis Belem PA
UCI Bosque Grão-Pará 6 UCI Brasil Belem PA
Cinépolis Manaira Shopping 11 Cinépolis João Pessoa PB
Planet Cinemas Caruaru 4 Planet Caruaru PE
Cinépolis Shopping Guararapes 12 Cinépolis Jaboatão dos Guararapes PE
2107 Cmk Riomar Recife 12 Cinemark Recife PE
Uci Kinoplex Casa Forte 5 UCI Kinoplex Recife PE
Uci Shop  Tacaruna 8 UCI Kinoplex Recife PE
Uci Shopping Recife 10 UCI Kinoplex Recife PE
Cinépolis Rio Poty 12 Cinépolis Teresina PI
Cineplus Jardim das Américas 6 Cineplus Curitiba PR
Cinesystem Curitiba 6 CineSystem Curitiba PR
Cinesystem Total Curitiba 5 CineSystem Curitiba PR
Uci Estacao Plaza Show 10 UCI Brasil Curitiba PR
Uci Palladium 8 3d UCI Brasil Curitiba PR
Cinesystem Londrina Norte Shopping 6 CineSystem Londrina PR
Cineflix Maringa Park 5 Cineflix Maringa PR
Cinesystem Hiper Condor 2 CineSystem Paranagua PR
Cinemagic Araruama 2 Cinemagic (‘R) Araruama RJ
Planet Cinemas Macae 5 Planet Macae RJ
691 Cmk Niteroi 8 Cinemark Niteroi RJ
Cine Show Nova Friburgo 3 Cine Show Nova Friburgo RJ
Cineritz Holiday 2 Cinemagic (‘R) Rio das Ostras RJ
719 Downtown Barra 12 Cinemark Rio de Janeiro RJ
Kinoplex Boulevard Rio 7 Kinoplex Rio de Janeiro RJ
Rio Sul 6 Kinoplex Rio de Janeiro RJ
Cinesystem Americas 7 CineSystem Rio de Janeiro RJ
Uci New York City 18 UCI Brasil Rio de Janeiro RJ
UCI Park Campo Grande 7 UCI Brasil Rio de Janeiro RJ
Uci Kinoplex Norte 10 3d UCI Kinoplex Rio de Janeiro RJ
Cinépolis São Gonçalo Shop. 8 Cinépolis São Gonçalo RJ
UCI Canoas 7 UCI Brasil Canoas RS
Cineflix Shopping Pelotas 5 Cineflix Pelotas RS
704 Barra Sul 8 Cinemark Porto Alegre RS
Cinesystem Rio Grande 4 CineSystem Rio Grande RS
Cinesystem Bourbon 5 CineSystem São Leopoldo RS
Cine Show Beiramar 5 Cine Show Florianopolis SC
Cinesystem Iguatemi 7 CineSystem Florianopolis SC
Cine Show Farol 4 Cine Show Tubarão SC
Cineflix Cinemas Araçatuba 5 Cineflix Araçatuba SP
Cinépolis Parque Barueri 9 Cinépolis Barueri SP
Cineflix Botucatu 5 Cineflix Botucatu SP
725 Iguatemi Campinas 11 Cinemark Campinas SP
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Maratona Oscar: Visages, Villages/ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Visages, Villages/ Cesar Augusto Mota

Que tal um documentário que traga uma linguagem diferente, imagética, capaz de cativar todos os públicos e com muitas histórias boas a serem contadas? Está chegando ao circuito o documentário francês “Visages, Villages”, protagonizada por dois grandes ícones da França, a cineasta Agnès Varda e o artista plástico JR. Juntos, eles vão trazer uma série de depoimentos, além de belos painéis em diversos vilarejos rurais do país.

A produção tem o estilo de um diário de viagem, no qual a dupla parte em um caminhão personalizado, estilo estúdio fotográfico, e na medida em que o veículo vai chegando a locais campestres dotados de antigas construções, depoimentos de pessoas acerca do local e de suas vidas são colhidos e todos são convidados a tirarem fotos no estúdio, com as imagens sendo ampliadas e feitas as devidas colagens nas fachadas das casas. Belíssimas obras de arte e ilustrações são apresentadas ao público e as paisagens ganham um novo significado.

Além de nos depararmos com uma grande parceria entre Agnès e JR, vemos muitas brincadeiras entre os dois e também muitas emoções transmitidas e belas histórias transmitidas pelos moradores dos diversos vilarejos visitados. A narrativa também nos brinda com excelentes narrações em off dos protagonistas, com suas impressões acerca das paisagens, da arte e da vida, além de belíssimas declamações poéticas feitas por ambos. Esse estilo de enredo não só impressiona pela novidade, como também pela beleza, tanto na paisagem, como nas palavras, autênticas obras-primas são compartilhadas com os espectadores.

Mas nem sempre predomina a harmonia durante a projeção, em dados momentos as paisagens são priorizadas e alguns depoimentos ficaram de lado, faltou um pouco de equilíbrio e uniformidade ao documentário, mas o saldo é positivo, não só o plano estético alegórico e belo pauta o documentário, como o conjunto de palavras e as atitudes dos moradores e agricultores fazem uma perfeita conexão, de que a felicidade é perfeitamente alcançável, e isso dependerá da forma como se enxerga a vida. E as colagens apresentadas durante a produção deram uma nova vida às fachadas e um novo significado para os vilarejos visitados, reforçando o espírito de persistência, de revitalização, importante na arte de contar histórias e nas lutas diárias.

Poético, alegórico, chamativo, tudo isso representa o documentário ‘Visages, Villages’. Um prato cheio aos amantes do campo, das paisagens, da poesia e fãs de histórias pessoais recheadas de aprendizado e lições de vida. Um tributo à vida e ao cinema, vale muito a pena.

Avaliação: 5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

O meu favorito ao Oscar é…/Anna Barros

O meu favorito ao Oscar é…/Anna Barros

Três Anúncios para um Crime está crescendo na bolsa de apostas nessa reta final do Oscar mas o meu favorito é A Forma da Água. O filme é delicado, sensível e mais que uma fábula. Amei tudo, mesmo com a possibilidade de a história ter sido plagiada e aí nem rola o politicamente correto fair play. Ele me lembrou muitas vezes A Fabulosa História de Amelie Poulain, mas quem não tem as suas próprias referências? O amor impossível, imporvável e silencioso me arrebatou. Sim, apesar das frustrações na vida amorosa, ainda sou uma romântica incorrigível. Mas não é só isso, não.

A Forma da Água fala da tolerância às diferenças: a menina muda e faxineira, cujos melhores amigos são uma negra e um gay, o amor pelo diferente, nesse caso alguém de uma espécie totalmente híbrida. Além disso a vitória sobre o preconceito, misoginia e assédio, tudo isso representando no grande vilão, cujo ator, também concorre a coadjuvante.

O filme desperta nas pessoas as mais variadas sensações, mas a mim tocou muito. Outro ponto importante é quando fala da solidão. Também acho ser favorito no quesito fotografia e até figurino(apesar do meu palpite ter sido mais sentimental: A Bela e a Fera). O filme é belíssimo e nos provoca muitas reflexões. Não creio que levará as 13  estatuetas que concorre e bater recorde, mas aposto em Filme, Atriz e Diretor. Mesmo sabendo que há pesos pesados concorrendo. O de Diretor para Guillermo Del Toro parece ser a grande barbada da noite do dia 4 de março.

E Donald Trump terá que engolir o terceiro diretor mexicano levando o prêmio máximo do cinema e indústria americanos. Mas não se assuste se houver injustiças. O Oscar nem sempre premia o melhor, mas sim o merchandising e o apelo da época. Por isso que volto a insistir que A Forma Da Água leva vantagem até nesses quesitos porque levanta muitas bandeiras: tolerância, diferenças, sexualidade, solidão provocada por ser diferente.

É um filme audacioso mas sublime. Que me fez chorar bastante no final e tocou muito a minha alma. Eu prevejo a criatura aquática e a princesa silenciosa abraçando o Oscar na cena debaixo d”água. Para bater palmas de pé e torcer muito no próximo domingo.

Maratona Oscar: Roman J. Israel, Esq./ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Roman J. Israel, Esq./ Cesar Augusto Mota

Sabe aquele filme cujo ator em seu papel principal enfrenta diversos dilemas, sejam morais ou éticos, e divide opiniões? Famoso por interpretar personagens de personalidades fortes e que muitas vezes faz o público se mobilizar e comprar a ideia que ele está transmitindo, Denzel Washington (Um Limite entre Nós) em seu novo filme vai por um lado e acaba se perdendo pelo caminho. “Roman J. Israel, Esq”, longa dirigido por Dan Gilroy (O Abutre), apresenta um enredo interessante dentro do mundo jurídico e em face dos diversos conflitos sociais existentes, mas este acaba por deixar o espectador confuso e sem entender a real proposta de seu diretor.

A trama conta a história do advogado cujo nome dá título à obra, um profissional que vincula seu trabalho aos seus ideais de ativista do movimento negro e que vive em meio às grandes corporações que lucram com seus processos criminais e as ONGs que se se sustentam com ou sem ajuda financeira. Porém, Roman vê sua vida mudar radicalmente quando perde seu sócio de quase quatro décadas após este sofrer um ataque cardíaco e não poder mais advogar. Com muito esforço e relutância, ele é aceito pelo escritório de George Pierce (Colin Farrell), um advogado mais preocupado com cifras e lucros do que propriamente com o bem-estar de seus clientes. Com ideologias e princípios bem estabelecidos, até mesmo utópicos, Roman encara um mundo cujas escolhas podem acarretar sérias consequências e vai ter de lutar contra os mais poderosos, sejam promotores, ou até mesmo colegas de trabalho sem escrúpulos, para sobreviver em um universo complexo e dominado pelo poder.

A primeira parte da história tem o cuidado de construir e detalhar minuciosamente a personalidade de Roman, suas virtudes, vulnerabilidades, além de seu passado e presente dentro do movimento negro. O personagem central é muito bem construído e perfeitamente incorporado por Denzel Washington, que demonstra ser um advogado disposto a usar a vestimenta da esperança e da força, sem abrir mão do que considera certo e justo. O elenco secundário, composto por Colin Farrel (O Estranho que Nós Amamos) e Carmen Ejojo (Selma: Uma Luta Pela Igualdade) também possibilita que o protagonista brilhe, mas eles também possuem importância para os rumos da trama e são outros atrativos para o filme, apesar do ritmo quebrado na segunda metade até seu desfecho.

O trabalho de Dan Giroy é louvável, com temáticas importantes e sempre debatidas em sociedade, como o racismo, os movimentos pelos direitos civis e o complexo sistema judiciário, seja ele composto por leis falhas ou por profissionais corruptos e que maculam o trabalho dos representantes da Justiça, mas os imbróglios inseridos do meio para o fim fazem o filme perder sua essência e acabam por prejudicar sua coerência. Tamanhas falhas fizeram os espectadores questionarem qual o foco pretendido e se as reviravoltas teriam sido propositais. O excesso de mudanças nos personagens também é outro fator negativo, o longa perde sua identidade e força, e o público já clama pelo encerramento da história.

Um filme que tinha tudo para mobilizar a plateia e trazer grandes emoções, mas com um roteiro falho e com atuações que quase desvanecem. Roman J. Israel, Esq. Merecia mais, e poderia ter sido muito mais.

Avaliação: 3/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: The Square: A Arte da Discórdia/ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: The Square: A Arte da Discórdia/ Cesar Augusto Mota

A arte proporciona ao observador diversas possibilidades. A imagem ou o objeto retratado pode ter mais de um significado, bem como a capacidade de traçar um panorama positivo ou negativo ou até mesmo uma visão crítica da sociedade contemporânea, muitas vezes reticente e intolerante às manifestações artísticas. ‘The Square-A Arte da Discórdia’, do cineasta sueco Ruben Östlund e agraciado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes, traz importantes valores ao público como reporta a ele até onde vão ou deveriam ir os limites da liberdade de expressão, cada vez mais questionados e censurados.

O personagem central da trama é Christian (Claes Bang), curador de um imponente museu de arte moderna e que prepara uma nova exposição, The Square, cujo tema central é a confiabilidade no próximo, premissa importante para a conversão do local em um ambiente sagrado e sinônimo de estabilidade e igualdade de direitos. Além disso, Christian quer trazer ao público um evento que tenha ousadia, provoque desafios e venha a ter bastante popularidade, e contará para isso com especialistas em criar vídeos que se tornem ‘virais’ na internet e artistas com performances ‘ousadas’, para não dizer insanas. Mas o curador se verá em meio a uma série de conflitos após ter seus pertences furtados e se envolver co m a polêmica divulgação de um vídeo promocional do museu, ‘um viral’ que se torna um escândalo e que vem a por em risco a credibilidade do local e de seus organizadores.

O roteiro apresenta uma série de fragmentos e traz diversos panoramas, como a capacidade do público em interpretar os valores transmitidos pelas obras, a definição de arte contemporânea, seus limites, bem como a fragilidade e falência das relações humanas. Na medida em que o filme vai se desenrolando o espectador passa a ter uma série de questionamentos em mente e reflete sobre a importância de se existir um diálogo entre a arte e o público, o museu e o frequentador, além de procurar saber o que é ético e moral em uma manifestação que preza ou deveria prezar pela cultura e busca do conhecimento. São ótimos exercícios que o público faz durante os 139 minutos de duração do longa, mas que poderiam ocorrer em um ritmo e tempo menores e sem tanta exaustão, além de algumas cenas que poderiam ser excluídas, tendo em vista o ridículo que é retratado em algumas ocasiões e o constrangimento causado com certas sequências bizarras. Algumas sequências são prejudicadas e divagações presentes no enredo poderiam ter sido evitadas.

A fotografia é substancial, não só se preocupa em retratar a beleza dos objetos expostos e o significado deles, mas em despertar a curiosidade e aflorar os sentimentos do público, que ficam cada vez mais exaltados e evidentes em uma cena que ilustra um jantar entre ricos doadores do museu que são surpreendidos como uma exposição de um artista corporal que vai até a últimas consequências. A proposta de mostrar a intolerância e de criticar o posicionamento da sociedade europeia para com as manifestações artísticas é atingida de forma satisfatória, além de mostrar que o desequilíbrio pode existir dos dois lados, do público que pode não ser aberto ao que é exposto, como os expositores, com performances extravagantes e que firam a moral e a dignidade humanas.

Pulsante, didático e ousado, ‘The Square’ nos mostra que não basta apenas ilustrar o que é importante ser visto, como também deve existir uma estabilidade entre artistas e público. A arte não é só aquela que seduz e provoca repulsa, mas capaz de tocar no consciente e frisar o papel que cada um tem no seio social, e isso o longa de Ruben Östlund alcança com louvor e leva todos os méritos. A obra vem forte para a temporada de premiações e séria candidata a várias estatuetas, não é apenas um filme que reflete os ideais europeus, ele também se encaixa na atual realidade brasileira, envolta a escândalos, corrupção e intolerância. Um filme que se encaixa como uma luva no momento atual em que vivemos e que será por muito tempo posto em discussão.

Avaliação: 4,5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Me chame pelo seu nome/Paula Hermógenes

Maratona Oscar: Me chame pelo seu nome/Paula Hermógenes

Call me by your name – uma receita que deu muito certo
Os ingredientes:  uma pitoresca cidade do interior no norte da Itália, um pai acadêmico que recebe estudantes para estágio de pesquisa no verão, uma mãe amorosa e tolerante, um filho de 17 anos (magistralmente interpretado por Timothée Chalamet) descobrindo sua sexualidade.  Todos. exceto o estudante americano poliglotas e, a alternância de idiomas em diálogos confere ao filme um charme especial.  O sol de verão italiano e maravilhosas paisagens compondo as cenas divinamente.  O que mais faltaria?   Parece que nada já que até a polêmica cena envolvendo um pêssego é divinamente dirigida.
Ao que consta. o projeto de realização deste filme remonta 2007 quando o diretor italiano Luca Guadagnino adquiriu os direitos sobre a publicação  original do escritor americano Andre Aciman.  Uns anos mais tarde a Sony Pictures resolveu apostar na película durante o Festival de Sundance.  Com sucesso, promoveu um lançamento discreto nos USA e capitais Europeias em Novembro de 2017 e…finalmente, após sucesso de crítica grande lançamento mundial em janeiro de 2018.
Call me by your name é tão delicado e ao mesmo tempo traz diálogos poderosos, principalmente nas falas do pai de Elio, o professor pesquisador. Sim, há quem prefira tratar Call me By Your Name como um filme gay. Sim, o encontro amoroso de maior destaque se dá entre dois homens. E, sim, a reação de Oliver ao perceber o pêssego no quarto de Elio é de uma carga sexual maior do que a que a antecede. Mas eu prefiro acreditar que o filme é sobre a descoberta do amor e da dor da primeira desilusão amorosa e recados sobre a sociedade moderna.
O primeiro é a hipocrisia, afinal Oliver – o objeto da paixão de Elio opta por ocultar sua bissexualidade e proteger-se na falsa imagem da clássica família americana dos comerciais de margarina. O segundo recado é preciso no diálogo final do filme de onde se pode tirar a citação: “Nature has cunning ways of finding our weakest spot.”.  Em Português: ” A natureza tem formas espirituosas de encontrar nosso ponto fraco.”
Se você não viu o filme, leia o livro e vá ao cinema!  Um excelente roteiro adaptado, um jovem ator esbanjando qualidade, uma paisagem deslumbrante e um filme da melhor qualidade!
Maratona Oscar: Projeto Flórida/ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Projeto Flórida/ Cesar Augusto Mota

Após se destacar com um longa-metragem inteiramente filmado com um Iphone, Sean Baker chega para mostrar que está ainda mais afiado.  Assim como fez em Tangerine, o cineasta mostra que é capaz de produzir com poucos recursos, mas com bastante competência e talento. ‘Projeto Flórida’ vai mostrar isso, bem como sensibilizar e inserir o público no universo que será retratado em seus 115 minutos de projeção.

A narrativa apresenta ao espectador a dura realidade de várias famílias que moram em motéis baratos à beira das rodovias de Orlando, na Flórida, e as dificuldades que enfrentam para se manterem ali, pagando US$ 35 por noite. No centro desse contexto, há um foco especial na jovem Halley (Bria Vinaite) e sua filha Moonee (Brooklynn Prince). A primeira, uma jovem mãe abatida pelas dificuldades que a vida impôs e por ter ingressado na vida adulta após gravidez precoce, e a segunda, uma criança espevitada e que curte para valer suas férias de verão ao lado das crianças da vizinhança e se divertindo das mais diversas formas, seja pedindo dinheiro aos transeuntes para comprar sorvete, transitando entre casas velhas e abandonadas ou até em travando competições de cuspe à distância.

O local é administrado por Bobby (Willem Dafoe), um homem simples, disciplinado e preocupado em seguir as regras que sua função de gerente impõe, bem como com o bem-estar dos moradores. Ele tem uma relação muito especial e de carinho com as crianças das redondezas, principalmente com Moonee, que sempre o inferniza com suas brincadeiras e seu jeito espontâneo e alegre de ser. Bobby é um personagem que cativa o público, não só pela maneira como administra os conflitos e os problemas das pessoas que moram no hotel, como também sua personalidade, flexível em algumas situações, mas rígido quando deve ser. Dafoe tem uma atuação de destaque, e mereceu a indicação para o Oscar como at or coadjuvante, por sua atuação e pela maneira que lidou ao trabalhar com um grupo de atores iniciantes, bem à vontade ao lado deles.

Não só Dafoe, mas os atores que compuseram os inquilinos se destacaram durante a trama, com atenção especial para Bria Vinaite e Brooklynn Prince. Bria ilustra uma mãe amorosa e dedicada, mas um tanto inconsequente, uma mulher que não mede esforços para criar a filha, mas não reflete sobre as consequências de seus atos para conseguir dinheiro, alguns golpes e roubos estão entre eles. Já a garotinha impressiona por sua desenvoltura em cena, em um nível elevado para uma personagem de apenas seis anos. As cenas entre as duas, além de convincentes, são muito comoventes, com uma amparando a outra, além de muitos sorrisos, apesar da difícil situação que vivem. E é melhor mesmo sorrir para os prob lemas do que chorar e se desesperar, não é mesmo?

Não se pode deixar de dar méritos também a Sean Baker, que conseguiu trazer uma narrativa complexa, envolvente, além de explorar a sensibilidade dos personagens e de mostrar o lado da esperança e da fantasia dos moradores, que curiosamente estão nas proximidades dos parques da Disney, muito cultuados pelos turistas, principalmente os brasileiros. O equilíbrio entre o sonho e a realidade é devidamente traçado, e de uma forma para lá de especial, com a razão dos adultos e a magia das crianças.

Um filme maravilhoso, fantasioso e emocionante, ‘Projeto Flórida’ é uma produção ousada, rica em detalhes e recheada de muito talento, seja de quem está diante das câmeras ou por trás delas. Assista e se emocione bastante!

Avaliação: 5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota