Apostas do Festival de Toronto para o Oscar

Apostas do Festival de Toronto para o Oscar

Com o Festival de Toronto chegando ao seu final, prevemos uma temporada preciosa na corrida pelo Oscar, de Nasce uma Estrela, passando por Roma e O Primeiro Homem.

Vamos às apostas do Festival de Toronto para o Oscar:

  1. Melhor Diretor

Se formos falar dos diretores, Felix Van Groningen está entre eles. Seu filme é Beautiful Boy. Outros cotados são Damian Chazelle por O Primeiro Homem, Alfonso Cuarón por Roma, que pode ser um filme da Netflix com maior número de Oscars,  e Bradley Cooper, estreante nessa função,  por Nasce uma Estrela.

 

2, Melhor Ator

Bradley Cooper desponta como favorito ao atuar como um rockstar em Nasce Uma Estrela, filme que também dirige. Hugh Jackman se destaca em The Front Runner e é o tipo de atuação que a Academia adora. Beautiful Boy, da Amazon, aposta em Steve Carrell e a sensação Timotee Chamalet, mas só um deles ganhará a campanha. O outro deve ficar na categoria de Melhor Ator Coadjuvante. E, por fim, Ryan Gosling, com o retrato de Neil Armstrong, pode levá-lo à grande noite do Oscar.

 

3- Melhor Atriz

Em sua performance em Can you forgive me? Melissa McCarthy pode beliscar uma indicação. Viola Davis, que já ganhou o Oscar em 2016 por Fences, deve concorrer por Widows. Lady Gaga por Nasce uma Estrela também está no páreo. Assim como Yalitza Aparicio cuja performance esplendorosa em Roma desponta na grande noite do Oscar.

 

4- Melhor Filme

A última versão de Nasce uma Estrela pode emplacar no Oscar. São oscarizáveis também Roma e O Primeiro Homem. Correndo por fora, apesar de não ter estado no Festival de Toronto, Pantera Negra, filme que a Disney não deixará que saia dos holofotes na corrida do Oscar.

Por Anna Barros

 

 

O meu favorito ao Oscar é…/Anna Barros

O meu favorito ao Oscar é…/Anna Barros

Três Anúncios para um Crime está crescendo na bolsa de apostas nessa reta final do Oscar mas o meu favorito é A Forma da Água. O filme é delicado, sensível e mais que uma fábula. Amei tudo, mesmo com a possibilidade de a história ter sido plagiada e aí nem rola o politicamente correto fair play. Ele me lembrou muitas vezes A Fabulosa História de Amelie Poulain, mas quem não tem as suas próprias referências? O amor impossível, imporvável e silencioso me arrebatou. Sim, apesar das frustrações na vida amorosa, ainda sou uma romântica incorrigível. Mas não é só isso, não.

A Forma da Água fala da tolerância às diferenças: a menina muda e faxineira, cujos melhores amigos são uma negra e um gay, o amor pelo diferente, nesse caso alguém de uma espécie totalmente híbrida. Além disso a vitória sobre o preconceito, misoginia e assédio, tudo isso representando no grande vilão, cujo ator, também concorre a coadjuvante.

O filme desperta nas pessoas as mais variadas sensações, mas a mim tocou muito. Outro ponto importante é quando fala da solidão. Também acho ser favorito no quesito fotografia e até figurino(apesar do meu palpite ter sido mais sentimental: A Bela e a Fera). O filme é belíssimo e nos provoca muitas reflexões. Não creio que levará as 13  estatuetas que concorre e bater recorde, mas aposto em Filme, Atriz e Diretor. Mesmo sabendo que há pesos pesados concorrendo. O de Diretor para Guillermo Del Toro parece ser a grande barbada da noite do dia 4 de março.

E Donald Trump terá que engolir o terceiro diretor mexicano levando o prêmio máximo do cinema e indústria americanos. Mas não se assuste se houver injustiças. O Oscar nem sempre premia o melhor, mas sim o merchandising e o apelo da época. Por isso que volto a insistir que A Forma Da Água leva vantagem até nesses quesitos porque levanta muitas bandeiras: tolerância, diferenças, sexualidade, solidão provocada por ser diferente.

É um filme audacioso mas sublime. Que me fez chorar bastante no final e tocou muito a minha alma. Eu prevejo a criatura aquática e a princesa silenciosa abraçando o Oscar na cena debaixo d”água. Para bater palmas de pé e torcer muito no próximo domingo.

Maratona Oscar: Roman J. Israel, Esq./ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Roman J. Israel, Esq./ Cesar Augusto Mota

Sabe aquele filme cujo ator em seu papel principal enfrenta diversos dilemas, sejam morais ou éticos, e divide opiniões? Famoso por interpretar personagens de personalidades fortes e que muitas vezes faz o público se mobilizar e comprar a ideia que ele está transmitindo, Denzel Washington (Um Limite entre Nós) em seu novo filme vai por um lado e acaba se perdendo pelo caminho. “Roman J. Israel, Esq”, longa dirigido por Dan Gilroy (O Abutre), apresenta um enredo interessante dentro do mundo jurídico e em face dos diversos conflitos sociais existentes, mas este acaba por deixar o espectador confuso e sem entender a real proposta de seu diretor.

A trama conta a história do advogado cujo nome dá título à obra, um profissional que vincula seu trabalho aos seus ideais de ativista do movimento negro e que vive em meio às grandes corporações que lucram com seus processos criminais e as ONGs que se se sustentam com ou sem ajuda financeira. Porém, Roman vê sua vida mudar radicalmente quando perde seu sócio de quase quatro décadas após este sofrer um ataque cardíaco e não poder mais advogar. Com muito esforço e relutância, ele é aceito pelo escritório de George Pierce (Colin Farrell), um advogado mais preocupado com cifras e lucros do que propriamente com o bem-estar de seus clientes. Com ideologias e princípios bem estabelecidos, até mesmo utópicos, Roman encara um mundo cujas escolhas podem acarretar sérias consequências e vai ter de lutar contra os mais poderosos, sejam promotores, ou até mesmo colegas de trabalho sem escrúpulos, para sobreviver em um universo complexo e dominado pelo poder.

A primeira parte da história tem o cuidado de construir e detalhar minuciosamente a personalidade de Roman, suas virtudes, vulnerabilidades, além de seu passado e presente dentro do movimento negro. O personagem central é muito bem construído e perfeitamente incorporado por Denzel Washington, que demonstra ser um advogado disposto a usar a vestimenta da esperança e da força, sem abrir mão do que considera certo e justo. O elenco secundário, composto por Colin Farrel (O Estranho que Nós Amamos) e Carmen Ejojo (Selma: Uma Luta Pela Igualdade) também possibilita que o protagonista brilhe, mas eles também possuem importância para os rumos da trama e são outros atrativos para o filme, apesar do ritmo quebrado na segunda metade até seu desfecho.

O trabalho de Dan Giroy é louvável, com temáticas importantes e sempre debatidas em sociedade, como o racismo, os movimentos pelos direitos civis e o complexo sistema judiciário, seja ele composto por leis falhas ou por profissionais corruptos e que maculam o trabalho dos representantes da Justiça, mas os imbróglios inseridos do meio para o fim fazem o filme perder sua essência e acabam por prejudicar sua coerência. Tamanhas falhas fizeram os espectadores questionarem qual o foco pretendido e se as reviravoltas teriam sido propositais. O excesso de mudanças nos personagens também é outro fator negativo, o longa perde sua identidade e força, e o público já clama pelo encerramento da história.

Um filme que tinha tudo para mobilizar a plateia e trazer grandes emoções, mas com um roteiro falho e com atuações que quase desvanecem. Roman J. Israel, Esq. Merecia mais, e poderia ter sido muito mais.

Avaliação: 3/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar/ Logan/ Por: Vitor Arouca

Maratona Oscar/ Logan/ Por: Vitor Arouca

519-film-page-thumbnailHistórico:  Logan é o primeiro filme de super-herói indicado ao prêmio de Melhor Roteiro Adaptado. O roteiro e direção do filme são de James Mangold.

Logan é o último filme da série Wolwerine e o mais violento.

Em 2024, Logan vira chofer de limousine para cuidar do professor, Charles Xavier e esquecer o seu passado.

Enquanto Logan liga o carro para sair, Donald Pierce, um mercenário entra e confronta o ex X- Men para descobrir o paradeiro da menina Laura Kinney que até então Logan não conhecia.

Logan encontra- se fraco fisicamente e emocionalmente e deixa de lado as suas forças de mutante, mas isso muda quando ele é procurado pela mexicana Gabriela que precisa de sua ajuda. Logan negou ajudou diversas vezes, mas se rendeu a grande quantidade de dinheiro que lhe foi oferecido e começou a ajudar a mexicana Gabriela e a menina Laura Kinney.

Minhas Apostas para o Oscar 2018/Anna Barros

Minhas Apostas para o Oscar 2018/Anna Barros

Melhor Filme: A Forma da Água
Melhor Diretor: Guillermo Del Toro
Melhor Atriz: Sally Hawkins
Melhor Ator: Gary Oldman
Melhor Ator Coadjuvnate: Sam Rockwell
Melhor Atriz Coadjuvante: Allison Janney – I, Tonya
Melhor Roteiro Original: Três Anúncios para Um Crime
Melhor Roteiro Adaptado: Me Chame pelo seu nome
Melhor Animação: Viva, a Vida é uma festa
Melhor Filme Estrangeiro: O Insulto, Líbano
Melhor Canção Oirginal: Remember Me
Melhor Fotografia: A Forma Da Água
Melhor Figurino: A Bela e a Fera
Melhor Trilha Sonora Original: Star Wars John Williams

Maratona Oscar: The Square: A Arte da Discórdia/ Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: The Square: A Arte da Discórdia/ Cesar Augusto Mota

A arte proporciona ao observador diversas possibilidades. A imagem ou o objeto retratado pode ter mais de um significado, bem como a capacidade de traçar um panorama positivo ou negativo ou até mesmo uma visão crítica da sociedade contemporânea, muitas vezes reticente e intolerante às manifestações artísticas. ‘The Square-A Arte da Discórdia’, do cineasta sueco Ruben Östlund e agraciado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes, traz importantes valores ao público como reporta a ele até onde vão ou deveriam ir os limites da liberdade de expressão, cada vez mais questionados e censurados.

O personagem central da trama é Christian (Claes Bang), curador de um imponente museu de arte moderna e que prepara uma nova exposição, The Square, cujo tema central é a confiabilidade no próximo, premissa importante para a conversão do local em um ambiente sagrado e sinônimo de estabilidade e igualdade de direitos. Além disso, Christian quer trazer ao público um evento que tenha ousadia, provoque desafios e venha a ter bastante popularidade, e contará para isso com especialistas em criar vídeos que se tornem ‘virais’ na internet e artistas com performances ‘ousadas’, para não dizer insanas. Mas o curador se verá em meio a uma série de conflitos após ter seus pertences furtados e se envolver co m a polêmica divulgação de um vídeo promocional do museu, ‘um viral’ que se torna um escândalo e que vem a por em risco a credibilidade do local e de seus organizadores.

O roteiro apresenta uma série de fragmentos e traz diversos panoramas, como a capacidade do público em interpretar os valores transmitidos pelas obras, a definição de arte contemporânea, seus limites, bem como a fragilidade e falência das relações humanas. Na medida em que o filme vai se desenrolando o espectador passa a ter uma série de questionamentos em mente e reflete sobre a importância de se existir um diálogo entre a arte e o público, o museu e o frequentador, além de procurar saber o que é ético e moral em uma manifestação que preza ou deveria prezar pela cultura e busca do conhecimento. São ótimos exercícios que o público faz durante os 139 minutos de duração do longa, mas que poderiam ocorrer em um ritmo e tempo menores e sem tanta exaustão, além de algumas cenas que poderiam ser excluídas, tendo em vista o ridículo que é retratado em algumas ocasiões e o constrangimento causado com certas sequências bizarras. Algumas sequências são prejudicadas e divagações presentes no enredo poderiam ter sido evitadas.

A fotografia é substancial, não só se preocupa em retratar a beleza dos objetos expostos e o significado deles, mas em despertar a curiosidade e aflorar os sentimentos do público, que ficam cada vez mais exaltados e evidentes em uma cena que ilustra um jantar entre ricos doadores do museu que são surpreendidos como uma exposição de um artista corporal que vai até a últimas consequências. A proposta de mostrar a intolerância e de criticar o posicionamento da sociedade europeia para com as manifestações artísticas é atingida de forma satisfatória, além de mostrar que o desequilíbrio pode existir dos dois lados, do público que pode não ser aberto ao que é exposto, como os expositores, com performances extravagantes e que firam a moral e a dignidade humanas.

Pulsante, didático e ousado, ‘The Square’ nos mostra que não basta apenas ilustrar o que é importante ser visto, como também deve existir uma estabilidade entre artistas e público. A arte não é só aquela que seduz e provoca repulsa, mas capaz de tocar no consciente e frisar o papel que cada um tem no seio social, e isso o longa de Ruben Östlund alcança com louvor e leva todos os méritos. A obra vem forte para a temporada de premiações e séria candidata a várias estatuetas, não é apenas um filme que reflete os ideais europeus, ele também se encaixa na atual realidade brasileira, envolta a escândalos, corrupção e intolerância. Um filme que se encaixa como uma luva no momento atual em que vivemos e que será por muito tempo posto em discussão.

Avaliação: 4,5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Maratona Oscar: Me chame pelo seu nome/Paula Hermógenes

Maratona Oscar: Me chame pelo seu nome/Paula Hermógenes

Call me by your name – uma receita que deu muito certo
Os ingredientes:  uma pitoresca cidade do interior no norte da Itália, um pai acadêmico que recebe estudantes para estágio de pesquisa no verão, uma mãe amorosa e tolerante, um filho de 17 anos (magistralmente interpretado por Timothée Chalamet) descobrindo sua sexualidade.  Todos. exceto o estudante americano poliglotas e, a alternância de idiomas em diálogos confere ao filme um charme especial.  O sol de verão italiano e maravilhosas paisagens compondo as cenas divinamente.  O que mais faltaria?   Parece que nada já que até a polêmica cena envolvendo um pêssego é divinamente dirigida.
Ao que consta. o projeto de realização deste filme remonta 2007 quando o diretor italiano Luca Guadagnino adquiriu os direitos sobre a publicação  original do escritor americano Andre Aciman.  Uns anos mais tarde a Sony Pictures resolveu apostar na película durante o Festival de Sundance.  Com sucesso, promoveu um lançamento discreto nos USA e capitais Europeias em Novembro de 2017 e…finalmente, após sucesso de crítica grande lançamento mundial em janeiro de 2018.
Call me by your name é tão delicado e ao mesmo tempo traz diálogos poderosos, principalmente nas falas do pai de Elio, o professor pesquisador. Sim, há quem prefira tratar Call me By Your Name como um filme gay. Sim, o encontro amoroso de maior destaque se dá entre dois homens. E, sim, a reação de Oliver ao perceber o pêssego no quarto de Elio é de uma carga sexual maior do que a que a antecede. Mas eu prefiro acreditar que o filme é sobre a descoberta do amor e da dor da primeira desilusão amorosa e recados sobre a sociedade moderna.
O primeiro é a hipocrisia, afinal Oliver – o objeto da paixão de Elio opta por ocultar sua bissexualidade e proteger-se na falsa imagem da clássica família americana dos comerciais de margarina. O segundo recado é preciso no diálogo final do filme de onde se pode tirar a citação: “Nature has cunning ways of finding our weakest spot.”.  Em Português: ” A natureza tem formas espirituosas de encontrar nosso ponto fraco.”
Se você não viu o filme, leia o livro e vá ao cinema!  Um excelente roteiro adaptado, um jovem ator esbanjando qualidade, uma paisagem deslumbrante e um filme da melhor qualidade!