Maratona Oscar: Jackie/ Pablo Bazarello

Maratona Oscar: Jackie/ Pablo Bazarello

2420_capaQuando teve sua estreia no prestigiado Festival de Veneza, no início de setembro passado, Jackie, o novo filme do chileno Pablo Larraín, arrancou elogios da imprensa especializada. Os jornalistas enalteciam o longa e, em especial, a atuação de Natalie Portman como a personagem título, chegando ao êxtase cinematográfico de garantir uma indicação na categoria de melhor atriz para ela. De fato, a nomeação (e possível vitória) era cantada desde o lançamento do filme ao longo dessa jornada pré-Oscar. Dito e feito, Portman se posiciona novamente na história da Academia e está entre as três possíveis ganhadoras no próximo domingo, elencada com Emma Stone (La La Land) e Isabelle Huppert (Elle).

Com Jackie, Natalie Portman conquista sua terceira indicação ao maior prêmio da sétima arte após Closer (2004) e a vitória por Cisne Negro (2010) – o que pode prejudicar sua vitória – já que tem uma estatueta recente. O roteiro escrito por Noah Oppenheim narra os eventos pós-assassinato do presidente norte-americano John F. Kennedy, em 1963. Funcionando em algumas linhas narrativas diferentes e simultâneas, o filme de Larraín aborda uma entrevista de Jackie com um jornalista interpretado pelo ótimo Billy Crudup (creditado apenas como “o jornalista”), na qual a figura intocável e imaculada da Primeira Dama, pode finalmente se mostrar como ser humano pensante e cheia de fúria.

Além deste contexto, somos levados aos minutos que sucederam o fatídico dia, com a Primeira Dama ainda em estado de choque, e mais atrás ao passado, quando em um vídeo para uma matéria, revela-se bela, recatada e do lar, apresentando as mudanças que fez em sua nova moradia, a Casa Branca. Como disse um amigo, Jackie é o filme que dá voz a uma figura que nunca a teve. O objetivo realmente é explorar os bastidores desta figura tão querida para os EUA, e humanizá-la.

Outro fato curioso no longa, é que Larraín opta por incluir sua protagonista em todas as cenas do filme. Não existe um segmento em Jackie no qual Portman não esteja presente. Isso faz com que sua atuação seja ainda mais importante para a obra, se comportando como a espinha dorsal desta representação quase documental, tamanha é a inspiração. É como se o espírito de Jacqueline Kennedy Onassis realmente tivesse pairado sobre a atriz e acompanhado as gravações.

Somado a isso, temos coadjuvantes de luxo, encorpando bastante o produto final, como as participações de Peter Sarsgaard como Bobby Kennedy, o cunhado de Jackie, Greta Gerwig como Nancy Tuckerman, John Carroll Lynch como o sucessor de Kennedy na presidência Lyndon Johnson, Max Casella como Jack Valenti e a despedida do saudoso John Hurt, falecido no dia 25 de janeiro, em seu último trabalho lançado ainda em vida (o ator ainda possui quatro trabalhos a serem lançados, de forma póstuma), na pele de um padre. Neste momento, Jackie ganha, através da interação com o personagem de Hurt, significados existencialistas e religiosos mais profundos, onde sentimos a presença do grande texto de Oppenheim.

Junto com Jackie, o cineasta chileno lançou outra biografia, esta mais artística e com maiores liberdades narrativas: a do conterrâneo poeta Pablo Neruda, no filme Neruda. O longa esteve indicado ao Globo de Ouro, mas infelizmente não teve força de chegar até o Oscar, embora Larraín não seja estranho a indicações da Academia. Com Jackie, o diretor igualmente se apoia em grandes profissionais para entregar um exímio produto cinematográfico, chamando atenção a fotografia de Stéphane Fontaine (que este ano fotografou outros dois indicados: Capitão Fantástico e Elle) e a trilha insana e hipnotizante de Mica Levi (Sob a Pele). Jackie é emocionante, contundente, desesperador e humano. Um grande filme que, com 3 indicações ao Oscar 2017 (melhor atriz, figurino e trilha sonora), podemos argumentar ser merecedor de mais nomeações.

Maratona Oscar: Loving

Maratona Oscar: Loving

19c7ce_1a6db303bd46462e87a59d185b376b50Um retrato perfeito sobre luta pelos direitos civis nas décadas de 1950 e 1960 nos Estados Unidos, bem como a abordagem delicada da história de uma família americana que busca a felicidade, apesar das adversidades. Assim é “Loving”, longa dirigido por Jeff Nichols e que possibilitou a indicação de Ruth Negga ao Oscar 2017 na categoria de melhor atriz.

A história se passa precisamente no ano de 1958, época de muitas injustiças e desigualdades sociais na terra do Tio Sam. O casal Richard Loving (Joel Edgerton) e Mildred Jeter (Negga) mora no estado da Virginia e sonha em se casar e criar os filhos no campo. Eles se deslocam para Washington para oficializar a união, mas enfrentam um problema: as leis estaduais não permitem casamentos entre brancos e negros. Quando a polícia descobre, ambos são presos, julgados e expulsos da região.

Anos depois, começa uma batalha jurídica que chega até a Suprema Corte, graças ao apoio da American Civil Liberties Union (ACLU). Vemos nesta obra questões jurídicas e também humanas. Não só a luta pelo direito à propriedade, de contrair matrimônio e de poder ir e vir, mas também de ser feliz onde quiser, com quem quiser e da forma que desejar. Tudo isso não deveria ser complicado, mas é colocado à prova durante a narrativa.

As atuações dos protagonistas impulsionam a trama e conquistam o público, e a diferença de comportamento de cada um reforçam as ideias da passividade, bem como da solidariedade. Richard sempre reforçou ser um absurdo não poder viver com dignidade e ao lado da esposa na Virginia, mas se demonstrou apático, de mãos atadas e quase sem nenhum poder de reação. Já Mildred era mais forte, determinada e quem ditava as regras, a força motriz da família. Graças à sua coragem e confiança, um caso que parecia ser impossível entrou para a história e alterou os rumos das relações em sociedade nos Estados Unidos.

É inegável que Joel Edgerton faz um ótimo trabalho como Richard, mas é Ruth Negga quem rouba a cena, por tudo isso dito anteriormente, além de ter desempenhado tão bem um papel com alto grau de complexidade. Boa parte da trama foi centrada em sua personagem, sempre disposta a colocar a cara a tapa e sem se importar com as consequências. Sem dúvida valeu a indicação de Ruth para melhor atriz no Oscar, com uma interpretação justa e sólida.

Vale também destacar o trabalho do diretor Jeff Nichols, que fez uma abordagem contundente de uma história real e diretamente relacionada com o cotidiano de milhões de americanos nos anos 1950 e 1960, além de fazer uma ótima referência, a carta enviada por Mildred ao Procurador-Geral Robert Kennedy, que posteriormente repassou para a ACLU. Um trabalho magistral e digno de todos os aplausos.

Quem é fã de filmes históricos e com ótimas ilustrações de época sem dúvida vai curtir “Loving”, obra que retratou um caso verídico e que mudou para sempre os rumos de uma nação. Vale o convite.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Estreia/ Estreias da Semana/ Parte 1

Poltrona Estreia/ Estreias da Semana/ Parte 1

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Moonlight – Sob a Luz do Luar: Drama de Barry Jenkins. Indicado ao Oscar na categoria de Melhor Filme.

Sinopse: Black trilha uma jornada de autoconhecimento enquanto tenta escapar do caminho fácil da criminalidade e do mundo das drogas de Miami. Encontrando amor em locais surpreendentes, ele sonha com um futuro maravilhoso.

Resenha: https://poltronadecinema.wordpress.com/2017/02/15/maratona-oscar-moonlightlivia-lima/

 

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A Grande Muralha: Aventura de Zhang Yimou.

Sinopse: No século XV, um grupo de soldados britânicos está combatendo na China e se depara com o início das construções da Grande Muralha. Aos poucos eles percebem que o intuito não é apenas proteger a população do inimigo mongol e que a construção esconde na verdade um grande segredo.

 

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A Lei da Noite: Ação de Ben Affleck.

Sinopse: Boston, década de 1920. Joe Coughlin, filho mais novo de um capitão de polícia, se envolve com o crime organizado. Ele aproveita seus dias rodeado de dinheiro e poder, mas suas escolhas podem levá-lo à prisão, ou até mesmo à morte.

Por: Vitor Arouca

Maratona Oscar: Moana/Thiago Simão

Maratona Oscar: Moana/Thiago Simão

moanaPoltroneiros,

Hoje vocês serão escolhidos pelo oceano para adentrarem a essa magnifica animação, que conta muito mais que uma história de uma adolescente que vence as barreiras.

E não podemos deixar de destacar que que ela está concorrendo ao Oscar 2017 em  melhor animação e Melhor canção original com “How Fa I’ll Go”.

 

Sinopse

Moana Waialiki é uma corajosa jovem, filha do chefe de uma tribo na Oceania. Querendo descobrir mais sobre seu passado e ajudar a família, ela resolve partir em busca de seus ancestrais, habitantes de uma ilha mítica que ninguém sabe onde é. Acompanhada pelo lendário semideus Maui, Moana começa sua jornada em mar aberto, onde enfrenta terríveis criaturas marinhas e descobre histórias do submundo.

Análise

Não poderia deixar de iniciar a nossa conversa falando desse sucesso vertiginoso da Moana, que em sua estreia alcançou os 80 milhões de doláres só nos EUA.

Poderíamos apontar vários fatores que fazem desse filme um sucesso e entre eles está o cenário lindo, personagens fortes e profundos, trilha tocante, roteiro fluído e uma excelente mensagem que tocará tanto as crianças quanto aos adultos.

A direção é assinada pelos já conhecidos John Musker e Ron Clements. Para quem não está ligando os nomes, eles são responsáveis de alguns sucessos como: A Pequena Sereia, Aladdin, Hércules e A Princesa e o Sapo. Eles relatam em algumas entrevistas que a animação sofreu várias intervenções no roteiro, depois de eles conhecerem as ilhas e um pouco mais sobre sua cultura. Então além do toque mágico da Disney temos um roteiro construído em cima de uma cultura pouco explorada pelo ocidente.

Ter feitos as viagens impactou diretamente nos cenários que são lindos. E com a animação gráfica encantadora teremos planos de fundo e personagens que nos deixam estasiados.

Não tem como eu falar da trilha separada da história. Ela impacta diretamente e mostra que a Disney ainda sabe acertar a mão para um bom musical. Do início ao fim o ponto auge da nossa personagem principal será rodeada por elas.

Deixarei de levantar os pontos principais de nossos personagens coadjuvantes e da nossa personagem principal, para ter o gostinho da surpresa. Mas posso dizer que ela vem findar uma nova políticas de princesas da Disney, que vem se construindo nos últimos anos.

Em modo geral trazer uma outra cultura é muito renovador. Mesmo tendo somente pinceladas é muito legal ver a cultura maori, por exemplo, presente. A representação de valores é muito importante para entendermos que é um processo global e que temos que aprender em conjunto.

Mas antes de ir para a nota gostaria de falar um pouco das 3 mensagens principais, para já irem trabalhando em sua mente para o filme:

1 – Escolhas: ser aquilo que querem que eu seja ou ser aquilo que eu quero ser?

2 – Fogo do coração / Inquietação: é a velha discussão sigo a razão ou a emoção do meu coração. O que irá te fazer feliz?

3 – Romper barreiras: Cada dia mais vivemos dentro de um ciclo e tudo nos leva a ficar no seguro e não ousar.

Pronto para a nota? Então…

05 /05 Poltronas de Cinema

Ou seja, vale apena assistir e re-assistir, para embrenhar-se cada vez mais no sentido que essa animação tem.

A se ela tem chance de Oscar… Pelo jeito ela talvez saia com as duas na noite de gala.

Até mais.

Thiago Simão

#EuNoOscar

“O Oceano é livre, só faz aquilo que lhe convém.”

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Maratona Oscar: Lion/Paula Hermógenes

Maratona Oscar: Lion/Paula Hermógenes

lion-filmeLion – uma maravilhosa surpresa
Sabe aquele filme que a gente vai assistir porque ouviu falar muito bem e porque concorre ao premio principal do Oscar, Globo de Ouro, SAG, BAFTA, etc. mas com o qual nao se identifica realmente?  Assim foi com Lion. Ouvi muitos elogios a mais uma historia passada na india com flashbacks a la Slumdog Millionnaire. E de quebra reciclaram o mesmo ator…
Era isso que eu imaginava.  E estava enganada.
Na primeira parte do filme, acompanhamos a infancia do personagem central, Saroo (Sheru – ou Lion) interpretado magistralmente pelo pequeno Sunny Pawar.  A sequencia prende a atencao do expectador ao retratar as dificuldades e perigos enfrentados por uma crianca perdida em uma megalopole indiana.  Dada a delicadeza e o equilibrio entre drama, comedia e suspense empregados,  eh quase impossivel nao passar a torcer por Saroo.   Mas esta etapa tambem eh fundamental para entender a necessidade que o personagem tem, em sua fase adulta, de encontrar suas origens, sua primeira familia. 
A fase adulta retrata com maestria os conflitos de um jovem em seus vinte-e-poucos anos, indiano, agora vivido por Dev Patel (sim, o adolescente de slumdog millionaire) que teve a sorte de crescer num lar privilegiado e amoroso com seus pais adotivos australianos. Mas sua vida tao pouco eh um conto de fadas perfeito.  Sua mãe, vivida por Nicole Kidman, numa das cenas mais bonitas e comoventes em anos, explica que poderia ter tido filhos biológicos, mas optou por adotar Saroo e seu irmão por considerar que o mundo já tinha crianças demais precisando de um lar.  Uma mulher a frente de seu tempo, que passou a vida enfrentando dificuldades ao lidar com seu outro filho adotivo acometido por diversos transtornos.  Ao perceber finalmente que a angustia pela qual passa Saroo e que sua busca em nada afetaria seu amor, incentiva o filho a investigar seu passado.
De uma forma geral, a fotografia impressiona, o roteiro eh emocionante e todos os atores-chave estao muito be mem seus papeis.  O filme desperta emocoes fortes em quem acompanha esta verdadeira saga e historia real de amor, perseveranca e…reencontros. 
O final do filme (sem criar spoilers) é de arrepiar de tao emocionante. Só de lembrar dos personagens reais, que Sheru existe e viveu tudo aquilo, percebo o quanto devo ser grata por tudo que vivi até agora.
Lion é uma linda lição de vida.   Se não assistiram, assistam!
Maratona Oscar: Kubo e as Cordas Mágicas/Beatriz Yamada

Maratona Oscar: Kubo e as Cordas Mágicas/Beatriz Yamada

kuboO filme “Kubo e as cordas mágicas” passa-se na Terra do Sol Nascente (Japão) resgatando, assim, as lendas de origem oriental que abordam a relação do homem com o meio, uma reflexão do conceito morte e superação e a tão propalada resiliência em situações complexas.

Kubo é um menino que sofre com problemas físicos como a perda de um olho ainda jovem e uma instabilidade familiar em que a mãe sofre depressão e ainda há  a questão da morte do pai.

Para sustentar sua família Kubo passa a contar histórias nas ruas e, ainda por cima, ele possui cordas dançantes.  Essas cordas mágicas, quando tocadas, transformam folhas de papel em origamis dançantes capazes de transformar-se aos olhos dos espectadores.
Quando contraria as ordens da mãe e permanece na cidade após o pôr do sol, o malvado avô e as perversas tias o procuram para roubar seu outro olho e condená-lo à escuridão (o avô e a tia são figuras sem olhos), fazendo com que deuses e monstros o persigam.
O filme mostra para o público um menino com uma visão infantil, mas tendo que tomar atitudes de adulto, e, mesmo com suas dificuldades físicas e financeiras, ele não perde a determinação que é tanto difundida na cultura japonesa e oriental no geral.
Nota do Editor: Zootopia era o grande favorito até então a vencer o Oscar de Melhor Animação, mas nas última semanas, Kubo e as Cordas Mágicas vem ganhando corpo. Será que pinta uma zebra japonesa? A conferir!
Maratona Oscar: A Qualquer Custo/Gabriel Araújo

Maratona Oscar: A Qualquer Custo/Gabriel Araújo

Por: Gabriel Araújo (@gabriel_araujo1)

Maratona Oscar: “A Qualquer Custo”hell_or_high_water

Se alguém imaginava que o western estava morto, é bom pensar melhor. Um dos filmes de destaque de 2016 traz de volta ao mainstream o característico faroeste americano, com um bom toque de modernidade e amplificando importantes questões sociais. Cinco minutos bastam para que os sentidos sejam aguçados pelo longa de David Mackenzie, que na seguinte 1h40 mostra que mereceu suas quatro indicações ao Oscar.

O filme tem como protagonistas os irmãos Toby e Tanner Howard, interpretados por Chris Pine e Ben Foster, respectivamente. O primeiro é o “filho bom”, divorciado, dois filhos, que tem como objetivo pagar a hipoteca e os impostos de sua recém-falecida mãe. Ele se junta ao segundo, o “filho mau”, um ex-presidiário sem grandes pretensões na vida, para cumprir seu propósito com uma dose de criminalidade: roubando bancos para angariar os fundos necessários.

O mais curioso é justamente o fato de um banco, especificamente, ser o alvo principal da dupla: o banco que “sustentava” a terra da família e emprestava um dinheiro mínimo para a pobre mãe se manter no fim da vida, esperando que, após a morte da matriarca, o rancho sobrasse de ‘mão beijada’ para a companhia. São suas agências que os irmãos Howard atacam, com a ideia de pagar o que o banco cobrava… com o próprio dinheiro do banco. Segundo um advogado que os atende ensinando a lutar contra o banco e a lavar o dinheiro em casino, como se o ganhassem em apostas, “não há nada mais texano”.

Não parece, realmente, um roteiro muito mirabolante, mas as entrelinhas fazem de Hell or High Water um bom filme. A primeira imagem do longa é um muro em frente a um banco com a pichação de “mandam tropas para o Iraque, mas não refinanciam nossa hipoteca”. Um tom de uma ‘realidade americana 2016’ e do que o filme abordará — há momentos, inclusive, em que é possível quase ‘torcer’ para os anti-heróis contra o duro mundo de lucro, lucro e lucro dos bancos. Como se ‘torcia’ para um Walter White (“Breaking Bad”) da vida.

Claro que, como um bom faroeste moderno com crimes, a polícia também se envolve — e é daí que sai a melhor atuação do filme: a de Jeff Bridges, interpretando o quase aposentado policial Marcus Hamilton, que tem como sua “missão final” a caça aos irmãos Howard. Bridges, indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante pelo papel, dá à personagem o tom que um velho policial do interior texano merece. Está muito bem, e aqui surge a melhor chance de “A Qualquer Custo” na premiação da Academia.

Não desmerecendo, claro, as atuações de Chris Pine e Ben Foster, que fazem um bom papel como irmãos. A seleção de elenco foi boa ao buscá-los, mas não há grandes surpresas ou destaques nas atuações dos dois, que beiram o normal, enquanto Bridges toma conta do filme com seu estilo muito bem definido, amplificado pelos trejeitos e sotaque de Marcus Hamilton.

É interessante notar, também, como outras questões que voltaram a ser extremamente comentadas recentemente, especialmente com eleição e posse de Donald Trump como presidente dos EUA, também são abordadas em uma área bastante conservadora: o posse de arma, já que todos no filme andam com seu revólver (ou rifles, até) nas mãos; o racismo, evidenciado nas constantes piadas do detetive Hamilton com seu companheiro, Alberto (Gil Birmingam), um descendente de mexicanos e indígenas (aqui entra também a questão histórica, da terra tomada dos índios pelo exército, e agora das gerações seguintes pelos bancos e petrolíferas); e a xenofobia, em uma cena em especial: em um dos assaltos, um senhor que estava no banco (armado, claro) se surpreende e diz que “vocês (Toby e Tanner) não são nem mexicanos [para assaltarem]”; tudo se unindo, é claro, para explicitar justamente o conservadorismo ferrenho do interior sulista norte-americano, que, além de tudo isso, também rende bons espaços de filmagem e um estilo bem peculiar, principalmente na forma de falar, que o filme aborda bem.

O grande mérito do filme é justamente trabalhar com um gênero um tanto quanto esquecido unindo-o bem aos Estados Unidos dos últimos dez anos. Os problemas econômico-sociais (estes, ok, bem mais antigos) americanos ganham mais uma voz importante. É um excelente mecanismo para se inteirar de como anda o caminho dos EUA no pós-crise, de como as questões históricas ainda atormentam, o que se encontra em um West Texas e adjacentes, a que pés anda o capitalismo e no que o país parece estar pronto para mergulhar.

Outro ponto de destaque é a trilha sonora, que traz com maestria o som do faroeste às telonas. A assinatura vem com o selo “The Bad Seeds” de qualidade: o líder da banda, Nick Cave, mais uma vez se une a Warren Ellis, também membro do grupo, para explorar a música no cinema. Se saem bem.

Hell or High Water não parece pintar como um grande favorito ao Oscar. Se levar algo, deve ser justamente com Jeff Bridges como coadjuvante. Apesar de bom filme, parece que outros estão à frente na preferência da Academia. Em outras premiações, sempre surgiu como indicado, mas também não faturou muita coisa — destaque para um Satellite para Bridges. Mas não custa aguardar e conferir. O longa de David Mackenzie ainda concorre aos prêmios de melhor filme, melhor roteiro original (Taylor Sheridan) e melhor edição (Jake Roberts).

Nota: 4,5/5

Sinopse:
Dois irmãos, um ex-presidiário e um pai divorciado com dois filhos, perderam a fazenda da família em West Texas e decidem assaltar um banco como uma chance de se reestabelecerem financeiramente. Só que no caminho, a dupla se cruza com um delegado, que tudo fará para capturá-los.