Poltrona Cabine: Uma Família de Dois/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Uma Família de Dois/ Cesar Augusto Mota

Está cada vez mais comum nos depararmos com refilmagens de longas de sucesso, sejam hollywoodianos ou estrangeiros. Toni Erdmann, produção alemã indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro será refeita em Hollywood e contará com o protagonismo de Jack Nicholson, que desde 2010 não pintava nas telas.  E chega ao circuito nacional nesta semana um filme inspirado em produção mexicana. ‘Uma Familia de Dois’, filme francês dirigido por Hugo Gélin fará o espectador se lembrar um pouco de ‘Não aceitamos Devoluções’, do cineasta e ator mexicano Eugênio Derbez.

Samuel (Omar Sy) é um homem que vive na Riviera Francesa de forma despreocupada e em meio a festas regadas com muita música, bebida e mulheres bonitas à beira-mar. Após mais uma noitada, ele é surpreendido inesperadamente por Kristin (Clémence Poésy), uma jovem inglesa com quem ficara recentemente e esta lhe entrega um bebê de poucos meses de vida em suas mãos. A mãe some repentinamente e tomado pelo desespero e despreparo para cuidar de uma criança, Samuel parte para Londres em busca da mãe biológica. Sem sucesso, decide criar a pequena Glória (Gloria Colston) sozinho. Mas após 8 anos, Kristin retorna e fará de tudo para levar sua filha consigo.

A maneira como Hugo Gélin dirige e constrói a história é muito interessante, com a mistura de comédia, drama familiar e uma dose de fantasia,  tudo para fugir do óbvio. A mudança na vida de Samuel é radical, ele deixa sua terra natal e passa a trabalhar no cinema como dublê, e em vários momentos há um equilíbrio entre os personagens interpretados e a personalidade de Samuel, o homem e o ator muitas vezes se confundem e divertem o público. Além disso, a química existente entre pai e filha é de impressionar, bem como os artifícios que o pai utiliza para dizer à filha que a mãe está viajando pelo mundo e um dia voltará.

A fotografia escura e o ambiente de Londres também são destaque, bastante convidativos e atraentes, um palco capaz de ilustrar momentos de descontração e felicidade em família, seja quando Samuel está realizando filmagens ou passeando com a filha. A direção de arte é um primor, não só com belas paisagens o filme conta, como também a casa onde passa boa parte da história, construída de acordo com a criatividade de Samuel e os gostos de Gloria, com fliperamas na sala e um enorme escorregador que vai do quarto para a sala, um autêntico castelo. E o roteiro bem construído, com evoluções surpreendentes dos personagens e uma dramaticidade crescente do enredo até o desfecho.

E o aspecto atuação? Omar Sy, mesmo sem os trejeitos de um comediante, consegue passar uma veia cômica nas cenas de comédia, além de conseguir se equilibrar nos momentos que exigem uma maior dramaticidade. Não existe a caricatura, há um bom equilíbrio entre a comédia e o drama, Omar se sai muito bem e entrega seu papel com primor. Além dele, a jovem Gloria Colston mostra um ótimo entrosamento com Omar, a pequena Glória traz um brilho intenso à história, além de cativar o espectador facilmente com sua inocência e personalidade e sua ingenuidade. Já Clémence Poésy também não fica atrás, faz uma interpretação digna, melhor até que a mãe da versão mexicana.

Se você procura por um filme que seja uma comédia dramática, abastecida por qualidade artística, um roteiro coeso, equilibrado e uma direção competente, ‘Uma Família de Dois’ é o filme certo. E fique ligado, o longa francês chega ao circuito brasileiro em 29 de junho de 2017, aproveite!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Tudo e Todas as Coisas/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Tudo e Todas as Coisas/ Cesar Augusto Mota

Diz o provérbio escocês: “Aproveite bem a vida enquanto estiver vivo, pois você estará morto por muito tempo”. Esse pensamento ilustra muito bem o que acontece em ‘Tudo e todas as coisas’, novo filme da Warner Bros. baseado no best-seller escrito por Nicola Yoon e que vai fazer você enxergar a vida com outros olhos.

A história acompanha a vida de Maddy (Amanda Stenberg), uma jovem de 18 anos portadora de uma doença rara e que vive numa casa hermeticamente fechada. Ela não pode sair de seu lar para não sofrer maiores complicações, até mesmo a morte, e para passar o tempo ela lê livros, vê vídeos de gatos na Internet e faz aulas online de arquitetura. Maddy é uma garota criativa, sonhadora e com esperanças de que um dia conseguirá ter uma vida no mundo exterior, apesar da supervisão médica e da superproteção da mãe, Pauline (Anika Noni Rose).

Tudo começa a mudar quando uma nova família se muda para a casa ao lado de Maddy e o jovem Olly (Nick Robinson), ao olhar para a jovem pela janela, começa a se interessar e se encantar com ela. Uma paixão que parecia ser improvável surge, mas como poderia dar certo se ambos não poderiam se tocar? A partir desse dilema nos deparamos com uma história dotada de leveza, drama, angústia e o desespero de Maddy em querer ter sua paixão correspondida e uma vida além de quatro paredes.

O roteiro traz uma história comovente, com uma protagonista se sentindo mais entediada do que doente, um olhar atônito de Maddy em relação ao mundo em que vive e a perspectiva de estar em um novo ambiente, além de mistérios em relação a Olly. Não se sabe muito sobre sua vida, apenas que tem olhar soturno e apreciador de roupas escuras, mas seu perfil misterioso e seu carisma foram suficientes para conquistar Maddy. Para a jovem, ela ainda não teve uma vida e sequer tem certeza se está doente, e o desejo de querer sair de casa irá consumi-la ainda mais. Maddy está disposta a correr todos os riscos, arriscar-se, novas experiências, não dá para não fazer nada ou se ter medo o tempo todo, não é mesmo? Mas o último ato da história é um pouco prejudicado por conta da aceleração, dá a impressão que o desfecho foi feito às pressas.

A direção de arte e a fotografia são formidáveis, somos presenteados com cenas criativas, como a de personagens presentes nas maquetes de Maddy ampliados e interagindo no mesmo ambiente que esta e Olly, além da personificação da garota em um outro personagem, ilustrando o que ela realmente sentia, uma passageira que precisava desfrutar o máximo da vida, mesmo que se colocasse em risco.

Apesar dos altos e baixos, ‘Tudo e Todas as Coisas’ cumpre bem seu papel, de nos mostrar que a vida deve ser aproveitada a cada segundo e que podemos e devemos fazer a diferença, se quisermos viver coisas novas e inesquecíveis. Vale o ingresso.

Não perca, a estreia do filme no circuito brasileiro está marcada para 15 de junho, vá se preparando.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Mulher-Maravilha/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Mulher-Maravilha/ Cesar Augusto Mota

Após as decepções com ‘Batman vs Superman: A Origem da Justiça’ e ‘Esquadrão Suicida’, a DC Comics aposta na história de um dos mais importantes ícones dos quadrinhos para voltar a ter terreno num mercado conquistado pela rival Marvel. Após 76 anos de espera, ‘Mulher-Maravilha’ chega aos cinemas com grande potencial para ser um dos melhores filmes do ano e com sucesso de público.

A história se passa na ilha paradisíaca de Themyscira, local cuidado pelas Amazonas, cujo grupo tem a missão de transmitir amor, paz e de confrontar Ares, o Deus da Guerra. Somos brindados com uma belíssima fotografia, composta por cores fortes e vibrantes, como amarelo e laranja, em contraste com a coloração sombria escura de Londres, outro local onde se desenvolve a trama.

Antes de falar de Gal Gadot, a protagonista, vale fazer menção honrosa para Robin Wright no papel de Antíope, tia de Diana Price e general das Amazonas. A atriz apresenta uma personagem forte, consistente e de personalidade, características essências para a encarregada por treinar Diana Prince e colocá-la como líder do grupo. Destaque também para Connie Nielsen como Hipólita, mãe de Diana, que assume inicialmente um papel de mãe protetora e resistente à ideia de ver a filha ser treinada pelas Amazonas e se envolver com conflitos e um possível duelo com Ares, mas convencida de que não poderá proteger a herdeira por muito tempo e sequer impedi-la de defender seu povo.

A partir do momento da queda do avião do espião Steve Trevor (Chris Pine), Diana Prince passa a se inserir em um cenário de grandes aventuras, com toques bem humorados em vários momentos, e com incrível demonstração de coragem, força e personalidade da protagonista, mostrando que não necessita de qualquer apoio para o que quer que seja. O roteiro ilustra uma história com tom bastante impactante e empolga o público, e o trabalho com as cenas de ação em câmera lenta em alguns confrontos e os efeitos com computação gráfica trouxeram mais realismo à produção.

Chris Pine, conhecido pelo tom caricato que costuma dar a seus personagens, principalmente, em Star Trek, apresenta uma ótima química com Gal Gadot, e consegue fazer um bom contraponto com uma protagonista ingênua em relação à vida, mas de alma pura e disposta a fzer o bem ao próximo. O espião Steve Trevor é voluntarioso, mas realista e bastante cético em relação ao futuro da humanidade em meio a uma sangrenta guerra. Gal Gadot imprime uma personagem de extrema beleza, muito carismática, valente e focada em sua missão. Em dados momentos há escorregões em cenas mais tristes, mas nada que comprometa sua brilhante atuação.

E o que falar do trabalho da diretora Patty Jenkins? Extraordinário, consegue ilustrar uma visão feminina sem pieguismo, com importantes mensagens contra o machismo e racismo, e a protagonista é retratada como uma agente poderosa e protetora, e não um objeto de deleite por conta da beleza da atriz que dá vida à heroína. Uma direção precisa, cuidadosa e que valoriza o empoderamento feminino e o sentimento do amor, capaz de derrubar a indiferença, a maldade e a incompreensão humanas. Nota 10 para a cineasta.

A produção geral de ‘Mulher-Maravilha’ é excelente, poderiam os vilões da trama terem sido mais bem aprofundados, além de uma trilha sonora de peso, e um filme DC também pede músicas de qualidade, não é mesmo? Quem for ver o filme vai perceber que a produção foi fiel ao HQ e que é possível agradar a todos os gostos. Não perca, ‘Mulher-Maravilha’ chega aos cinemas brasileiros em 1 de junho, corra e garanta seu ingresso!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Inseparáveis/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Inseparáveis/ Cesar Augusto Mota

Imagine uma história com um pouco de drama, comédia, sensibilidade e amor. O filme argentino “Inseparáveis”, um remake do sucesso francês “Intocáveis”, possui potencial para cativar e emocionar o público, além de proporcionar muitas gargalhadas durante a sessão.

A trama acompanha a vida de Felipe (Oscar Martinez), um rico empresário que sofre um terrível acidente após cair de um cavalo e fica tetraplégico. Ele está na busca por um assistente terapêutico e realiza entrevistas com candidatos bem qualificados, mas resolve contratar Tito (Rodrigo De la Serna), assistente de seu jardineiro e sem habilidades para a função.

Muita gente vai imaginar um filme com roteiro simples, diálogos melosos e desfecho previsível. Mas “Inseparáveis” não possui nenhum desses elementos, trata-se de uma obra que reúne vários ingredientes, como alegria, tristeza, reflexão e ansiedade. Logo nas primeiras cenas você se depara com uma corrida frenética de carro envolvendo Tito e Felipe e daí nasce a curiosidade de saber como nasceu aquela situação, se é meramente uma diversão ou se ambos estavam perseguindo ou fugindo de alguém. E outros questionamentos vão surgir durante a trama, uma surpresa a cada cena e resultados imprevisíveis.

A narrativa é incrível, capaz de arrancar risos por conta dos trejeitos e vocabulário recheado de piadas e palavrões de Tito, além de sua personalidade destemida e serelepe. Ele demonstra sempre ter uma resposta para tudo, não tem medo de enfrentar as mais difíceis situações e disposto a dar a cara à tapa. Sua evolução durante o filme é impressionante, lógico que demonstra dificuldades para cuidar de uma pessoa portadora de deficiência no início, mas com seu jeito peculiar e muita persistência vai derrubando barreiras, inclusive de motivar seu chefe e fazê-lo despertar para uma nova fase da vida, tendo em vista o abalo não só por conta do acidente, mas pela perda recente da esposa.

O roteiro é muito bem construído, a história não fica restrita a Tito e Felipe, os demais personagens que residem na mansão do empresário possuem participações importantes e que vão transformar a vida dos protagonistas, além de personagens secundários de Monica Raiola e Javier Niklison, mãe e irmão de Tito, respectivamente. Cada ato é bem dividido e a passagem para o próximo deixa a história ainda mais curiosa, provocando ansiedade pelos próximos acontecimentos.

Falei anteriormente que o filme também possui momentos tristes, realmente sim, é bastante complicado para Tito em dados momentos conseguir arrancar sorrisos de Felipe, mas para isso ele usa todas as suas armas, e resolve inclusive participar de maneira mais efetiva da vida pessoal de seu chefe, ajudando-o também a conseguir um encontro com uma mulher com quem se corresponde há seis meses, mas não faz ideia sequer de como seja seu rosto. Na medida em que o tempo vai passando, Tito vai se envolvendo cada vez mais na vida de todos e acaba por se tornar um membro da família, digamos assim. A parte final surpreende, e você vai torcer muito por Tite, além de desejar que Felipe reencontre o amor e a alegria de viver.

“Inseparáveis” é um filme emotivo, vai mostrar que a vida deve ser vivida intensamente e sem perda de tempo, além de ilustrar que as melhores coisas podem estar debaixo de nossos olhos. Vale a pena, o longa terá a distribuição da Paris Filmes e estreia no circuito nacional em 1 de junho de 2017.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Piratas do Caribe-A Vingança de Salazar/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Piratas do Caribe-A Vingança de Salazar/ Cesar Augusto Mota

Jack Sparrow, personagem clássico da franquia ‘Piratas do Caribe’ e vivido por Johnny Depp, está de volta em uma nova aventura que promete deixar o espectador ainda mais frenético e ansioso por novas trapalhadas do excêntrico pirata capitão do navio Pérola Negra. Trata-se de ‘Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar’, a nova produção da Disney Studios que chega aos cinemas brasileiros em 25 de maio.

Se os ventos já sopravam contra Sparrow, agora ele terá que encarar um desafio ainda maior: o Capitão Salazar (Javier Bardem), um poderoso capitão da marinha espanhola, morto em batalha contra Sparrow, consegue escapar do Triângulo do Diabo junto de um grupo mortal de marinheiros fantasmas dispostos a se vingar e matar todos os piratas do mar, incluindo Jack Sparrow. O protagonista da história, se quiser sair vivo dessa batalha que promete ser sangrenta e fatal, terá que encontrar o Tridente de Poseidon, objeto importante que dá ao possuidor o controle sobre todos os sete mares, mas lógico, a busca pelo artefato não será fácil.

A narrativa apresenta inicialmente duas histórias que se entrelaçam e que serão importantes e decisivas para as pretensões de Jack Sparrow, como a de Henry Turner (Brenton Thwaites) e de Carina Smyth (Kaya Scodelario). O primeiro é um jovem pirata que tenta se reconectar com seu pai, mas o perde e precisa quebrar uma maldição para que possa se unir novamente a ele, já a segunda é uma astrônoma, mas é acusada injustamente de ser uma feiticeira e é perseguida para que seja aprisionada e morta. Os dois parecem no início ser água e óleo, não se misturam de jeito nenhum, mas com a evolução da história e o aumento de tensão na medida e que o exército do Capitão Salazar se aproxima faz com que ambos fiquem mais unidos e juntem suas forças para salvarem suas peles e de Jack Sparrow, principal alvo de Salazar.

A história traz um roteiro bem estruturado, com uma evolução harmônica e que contribui para a sequência de ações que desencadeiam as batalhas entre o grupo de Jack Sparrow e os marinheiros fantasmas. O clímax, momento que mostra o confronto épico entre o personagem principal e o vilão na luta pelo Tridente, é de tirar o fôlego. O trabalho dos diretores Joachim Rønning, Espen Sandberg é excepcional, ambos souberam aliar ação e adrenalina , além dos dois terem conseguido extrair o melhor de cada ator.

Não poderia deixar de destacar também o uso de efeitos especiais, trata-se de um CGI de grande resolução e que trouxe mais dinamismo às cenas, além do grau de excelência de atuação do elenco. Impressionante o entrosamento entre todos e como a atuação de cada um funciona na trama. Johnny Depp continua ótimo como Sparrow, Javier Bardem impressiona como vilão e transmite veracidade em todas as cenas, um personagem que não foi fácil de interpretar, e Bardem aliou competência e experiência para interpretá-lo. O casal da história, composto por Brenton Thwaites e Kaya Scodelario, também brilha, ambos interpretam personagens que são peças-chave não só para ajudar Sparrow na busca pelo Tridente, como também ajudam a desvendar segredos que surgem no início da narrativa. Não falarei mais para não entregar e estragar as surpresas, certo?

Ansioso para a estreia? Não perca “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”, e não saia da sala ao fim, há uma cena pós-créditos, não vá perder, ok? Nota 10 para essa superprodução da Disney, e que sejam lançadas futuramente mais produções com grandes e emocionantes aventuras quanto esta.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Rei Arthur e a Lenda da Espada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Rei Arthur e a Lenda da Espada/ Cesar Augusto Mota

Apreciadores de histórias medievais, preparem-se. Está chegando ao circuito nacional mais uma adaptação da épica história do rei Arthur, um lendário líder britânico que, segundo os romances de cavalaria, comandou a Inglaterra contra as invasões dos saxões no fim do século V e início do século VI. Já tivemos filmes como “Os Cavaleiros da Távola Redonda (1953),“O Príncipe Valente” (1954), “Excalibur” (1981), “Rei Arthur” (2004) e “Arthur e Merlin” (2015), agora vamos ter a chance de apreciar mais um longa inspirado nas histórias folclóricas do corajoso, sábio e bondoso cavaleiro que viria a se tornar rei: “Rei Arthur e a Lenda da Espada”.

A nova produção, com direção de Guy Ritchie, apresenta inicialmente um jovem Arthur (Charlie Hunnam) criado em meio às ruas da cidade de Londonium e líder de sua gangue. Nem passa por sua cabeça quem realmente seja e o que o espera, até que encontre a simbólica espada Excalibur, a agarre com suas duas mãos e mude completamente o rumo de sua vida. Mas antes, é apresentado um enredo diretamente ligado a Arthur, como a relação conturbada entre seu pai, Uther Pendragon (Eric Bana), e o irmão, Vortigern (Jude Law), o confronto entre ambos que resulta na usurpação do trono por Vortigern e a morte de Uther, e os desdobramentos que levam ao estágio atual, com Arthur confuso e se redescobrindo.

O que se vê é uma história cuidadosamente construída e sem deixar escapar os momentos épicos retratados nas lendas arthurianas, como as perseguições e lutas entre a Resistência, liderada por Arthur, e o Exército comandado pelo rei Vortigern; o aprendizado de Arthur com a Excalibur; as escolhas difíceis que o bravo cavaleiro terá que fazer para ajudar seu povo a se libertar e derrotar o rei tirano; além da importância da Excalibur para cada um que a detém e as consequências acarretadas para quem possivelmente rejeitá-la.

A montagem é primordial, bem como os efeitos especiais utilizados, com CGI, e o uso de slow motion em algumas cenas para destacar explosões e grandes impactos nas lutas, além da precisa sincronia entre cenas do passado e do presente, contribuindo para a coerência e evolução da história, até seu momento mais agudo. Muitas cenas contaram com técnicas atuais nas filmagens, como a câmera na mão para retratar bem de perto e conferir mais realismo às perseguições, tornando a trama mais emocionante com cenas de ação e aumentando a carga de dramaticidade.

O grupo escolhido de atores para o filme conta com grandes nomes, como Charlie Hunnam, da série Sons of Anarchy, o consagrado Jude Law, além de Djimon Hounsou, de “Constantine” e “Desejo de Vingança” e Astrid Bergès-Frisbey, famosa por “Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas”, entre outros. Uma boa história não funcionaria sem boas atuações, e todos se destacam, Jude Law convence como o rei Vortingern, passa confiança, firmeza e autenticidade, Charlie Hunnam ilustra bem tudo o que viveu o rei Arthur, além de mostrar resistência e superação nos momentos mais difíceis, sem falar de Astrid. A jovem atriz espanhola faz um papel importante para a trama, uma maga, que inicialmente parecia ser meramente figurativa, ela é decisiva para a trajetória do personagem Arthur e ensina-o muito sobre a Excalibur e como lidar com seus demônios internos, é uma peça importante no quebra cabeça que leva Arthur ao confronto com o rei Vortingern.

O diretor Guy Ritchie teve a intenção de ressuscitar uma lendária e importante história, e acrescentou a ela elementos contemporâneos, com mais dinamismo em suas cenas, novas técnicas de efeitos especiais, além das filmagens mais próximas aos personagens, dando a impressão ao espectador de que ele está em meio a luta entre Resistência e Exército do rei Vortingern. Pode um filme épico aliado a técnicas modernas desagradar a alguns, há espectadores mais saudosistas e adeptos das representações mais tradicionais e antigas, mas existe também a questão da modernidade e da valorização do legado, o que pode atrair outras pessoas. Uma produção que chega e pode ganhar sequências, já pensou?

Não percam, “Rei Arthur e a Lenda da Espada” terá a distribuição da Warner Bros. Pictures e estreia nos cinemas brasileiros em 18 de maio de 2017. Divirtam-se!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: O Dia do Atentado/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: O Dia do Atentado/ Cesar Augusto Mota

Bombas, sangue, desespero e muita dor. Quem for assistir a “O Dia do Atentado”, do diretor Peter Berg, vai perceber que se trata de uma produção que quer muito mais que ilustrar o segundo maior atentado terrorista que abalou os Estados Unidos pós 11 de setembro de 2001. A tragédia que ocorreu na Maratona de Boston, em 15 de abril de 2013, deixou 3 mortos e 264 feridos, muitas famílias dilaceradas e profundas marcas em Massachussets. Um acontecimento triste e fielmente retratado nesta produção, que analisaremos a seguir.

Tudo parecia que seria mais um dia alegre e de celebração do Dia do Patriota nos Estados Unidos, com muitas famílias próximas ao percurso, outras em bares e restaurantes para conferir tudo pela televisão, e muitas crianças curtindo com seus pais um grande acontecimento do esporte e da cidade. Mas, em questões de segundos, um bonito cenário se transformou em tragédia, provocada pelos irmãos Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev, dois terroristas e devotos da causa islâmica que fabricaram bombas caseiras com o auxílio de panelas de pressão. Os bastidores da busca pelo paradeiro dos dois, bem como o atendimento aos feridos são apresentados de uma forma impactante e também sensível, além do ambiente familiar do policial Tommy Saunders (Mark Wahlberg), responsável por patrulhar a área VIP da maratona.

A forma como Peter Berg escolheu para retratar a história é precisa e acertada, não apenas o atentado ocorrido em Boston é o foco da narrativa, são também apresentados os bastidores de preparação do evento, as famílias antes da maratona acontecer, bem como a rotina dos terroristas, a preparação das bombas, e a comunicação com outros parceiros e familiares antes do dia D. Após a tragédia, o drama de cada vítima e família são ilustrados com o posicionamento da câmera em modo vertical e bem próximos aos rostos, trazendo mais dramaticidade e comoção.

Nota-se um roteiro bem estruturado e uma história harmônica, com o uso de tomadas aéreas e caracteres na tela com data e número de horas após o atentado, tudo para situar o espectador e prepará-lo para as próximas cenas. A fotografia é excepcional, capaz de apresentar momentos eletrizantes, tristes, agoniantes e de muita tensão. O drama se arrasta por vários dias até que os autores do atentado, Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev, sejam capturados, e os recursos utilizados contribuem para que o filme não se torne monótono e arrastado.

A atuação do elenco é outro ponto alto de “O Dia do Atentado”, as ações do policial Tommy Saunders, que conhece todos os pontos de Boston com a palma da mão, são decisivas para o rumo da história e para a chegada até os criminosos, bem como o trabalho cirúrgico, preciso e frio do agente do FBI Richard Deslauries (Kevin Bacon), além da coragem e destreza do Sargento Jeffrey Pugliese (J.K. Simmons).

O longa, que estreia no circuito nacional em 11 de maio, vem não só para relembrar um triste acontecimento que abalou os Estados Unidos e o mundo, como também para destacar o sentimento nacionalista do povo americano, o título em inglês já mostra isso (Patriots Day), além da tragédia ter ocorrido em meio a uma celebração, o Dia do Patriota. O sentimento de compaixão, paciência e solidariedade que tomou conta das pessoas em meio a destroços, centenas de feridos e três mortos também são destacados, o filme valoriza o amor ao próximo, além da luta do amor contra o ódio. Em meio a tantas tragédias, ainda existem pessoas que se esforçam para amenizar e melhorar o cotidiano de outras, e isso é muito bem ilustrado. Vale a pena conferir.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota