Poltrona Cabine/ Perfeita é a mãe 2/ Por: Vitor Arouca

Poltrona Cabine/ Perfeita é a mãe 2/ Por: Vitor Arouca

4089905.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxxO primeiro filme mostra as três amigas Amy, Kiki e Carla se estressarem demais com a rotina do dia-a-dia e decidem largar tudo para viverem as suas vidas como adolescentes e acabam esquecendo-se de suas famílias.

O Perfeita é a mãe 2 começa com a Amy pensando nas burradas que ela fez na véspera de Natal (Cena passa no final também).

Depois do esquecimento geral familiar, Carla, Kiki e Amy  voltam a ficar sobrecarregadas desta vez pela festa de Natal que elas tem que preparar. Carla trabalha no SPA e não cuida do seu filho direito, Kiki fica louca cuidando dos seus filhos, enquanto o seu marido está no trabalho e Amy trata bem os seus rebentos e tenta fazer um Natal diferente para a sua família, pois será o  primeiro sem o pai, devido à separação.

Faltando seis dias para o Natal, as mães das três amigas chegam de surpresa para passar a festividade com elas. Durante estes dias, cada amiga e sua mãe têm uma briga diferente. Carla e sua mãe são duas largadas e trambiqueiras, a mãe de Kiki acha que a filha é uma criança e tudo que ela faz a mãe quer ficar por perto, já Amy só recebe criticas de sua mamãe.

As amigas vão para um shopping de Chicago e decidem fazer o Natal do jeito delas. Isso aumenta o número de brigas, confusões, mas deixa uma esperança de que o espírito natalino prevaleça dentro dos lares familiares no dia 25 de dezembro.

Um bom filme para se divertir devido às confusões e falas engraçadas dos personagens, mas a história acaba sendo um verdadeiro clichê e não será indicado para nenhuma categoria do Oscar.

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Poltrona Cabine: Apenas um Garoto em Nova York/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Apenas um Garoto em Nova York/ Cesar Augusto Mota

O que acha de assistir a uma comédia dramática (ou dramédia, se preferir), com uma história que inicialmente não promete nada, mas na medida em que se desenvolve desfaz todos os nós e proporciona um desfecho impressionante? Com a direção de Marc Webb (500 dias com Ela), ‘Apenas um Garoto em Nova York’ possui todos esses contornos, além de um time de estrelas em seu elenco.

Callum Turner (Assassins Creed) é Thomas Webb, um jovem recém-formado, mas sem grandes expectativas e que acaba de passar por uma desilusão amorosa com Mimi Paston (Kiersey Clemmons, de Além da Morte). Apesar da decepção, ambos continuam bons amigos, e em uma das festas que costuma frequentar acaba descobrindo que o pai, interpretado por Pierce Brosnan (Invasão de Privacidade), está tendo um caso extraconjugal com a bela e sedutora freelancer Johanna, vivenciada por Kate Beckinsale (Anjos da Noite). Disposto a acabar com o relacionamento, Thomas tenta se aproximar da amante, mas antes que tome atitudes mais extremistas, aceita os conselhos de um estranho e excêntrico vizinho, W.F. Gerald, interpretado por Jeff Bridges (A Qualquer Custo). Thomas não se dará conta de que vai se lançar em uma cadeia de eventos que mudará tudo o que ele acha que sabe sobre si e sua família após se envolver com Johanna, será um caminho sem volta.

O roteiro apresenta uma história inicialmente apática e com ritmo apressado, mas que depois encontra seu equilíbrio e ajuda a desvendar alguns segredos embutidos, como todos os passos deixados por Johanna e os locais nos quais ela se encontra com o pai de Thomas, bem como quem é o misterioso W.F. Gerald, qual profissão possui e todo o seu passado, além de particularidades que não se conhecia do protagonista. Um perfeito jogo de xadrez cujas peças ao serem movimentadas oferecem novas possibilidades e a chance de novas surpresas.

Algumas atuações são de destaque, outras, nem tanto. A começar pelo ator principal, Callum Turner, ele oferece um personagem inicialmente amargurado, com sede de vingança e disposto a proteger a mãe, Judith (Cyntia Nixon), mas que aos poucos se perde na trama após envolvimento com a amante do pai. Turner, em dados momentos, deixa o espectador confuso, não se sabe a cada encontro que Thomas tem com Johanna se ele planeja algo contra o pai ou se ele quer se engraçar ainda mais para o lado da bela amante. É um personagem ambíguo, de difícil leitura e com pouca empatia.

E por falar em falta de empatia, Kiersey Clemmons também não consegue justificar a presença de Mimi na trama, de tão passiva que acaba desaparecen do no terço final a história. Mas Kate Beckinsale e Pierce Brosnan são as gratas surpresas da trama, os dois conseguem sustentar uma história para lá de irregular e com contornos estranhos para um desfecho surpreendente e de impressionar a todos. E sem esquecer de Jeff Bridges, destaque nos filmes de ação e que se mostra consistente em produções mais dramáticas. Seu personagem, modesto e aparentemente figurativo no começo, cresce e ganha importância vital para a solução do conflito instaurado, além de uma importante revelação sobre W.F. Gerald. E Cyntia Nixon, sempre arrasadora em cena, interpretando uma mãe mergulhada em crise, melancólica e que consegue se transformar na trama, numa enorme reviravolta, digna de aplausos.

Se apresenta um grande time de atores, ‘Apenas um Garoto em Nova York’ oferece um enredo com altos e baixos e com problemas de roteiro, mas com boas doses de drama e diversão. Quem gosta de um filme com surpresas e que não ofereça o óbvio para o espectador, essa produção dirigida por Marc Webb, é uma boa sugestão. Mas não vá com tanta sede ao pote.

Avaliação: 3/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Altas Expectativas/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Altas Expectativas/ Cesar Augusto Mota

Que a comédia é o gênero mais explorado no cinema brasileiro, não resta a menor dúvida, mas o que você acharia de uma comédia romântica com direito a várias cenas de stand-up comedy e abordagem sobre inclusão social? ‘Altas Expectativas’, dirigido por Pedro Antônio (Um Tio Quase Perfeito) e Álvaro Campos (Os Buchas), nos traz uma história de amor platônico que envolve um treinador de turfe e portador de nanismo e uma bela jovem de expressão melancólica que assume a administração de um Café no Jockey Clube Brasileiro. Será que a história funciona?

Baseado em fatos reais, o enredo conta com o humorista Leonardo Reis (O Concurso), o Gigante Léo, que interpreta Décio, um homem bastante tímido e que se encanta com Lena (Camila Márdila, de ‘Que Horas ela Volta?’), uma jovem de expressão triste, que quase não sorri e que está enfrentando dificuldades em administrar o café que herdou da família. Apaixonado e sem ter iniciativa, Décio tenta de todas as formas se aproximar da moça, vive espiando da janela do escritório e encontra no humor uma forma mais fácil de conquistar sua confiança, enviando bilhetes com diversas piadas baseadas no cotidiano. Além da timidez, Décio tem que enfrentar sua insegurança por conta de sua deficiência f&iac ute;sica e terá que dividir a atenção de Lena com Flávio (Milhem Cortaz, de ‘A Terra Prometida’), um playboy que inicialmente é rejeitado e depois consegue fisgar a moça. Complicado, não é mesmo?

O roteiro traz uma proposta interessante, de abordar o dia a dia de quem sofre preconceitos por conta do nanismo, com diversas piadas maldosas, perguntas inconvenientes, expressões de susto, além da questão da acessibilidade, que de forma inexplicável é abandonada no segundo ato da história. As interações são interrompidas por diversas vezes para ilustrar a performance do Gigante Léo em seu show de comédia, uma tentativa frustrada de fazer conexões com a história, o que não faz sentido para os espectadores. Uma ferramenta utilizada na tentativa de se arrancar risadas do público e trazer alívio cômico em um filme que aborda uma questão séria, a discriminação, e também a paixão de um homem deficiente por uma mulher e sem coragem de se declarar, mas que se mostra inconsistente e com pouca coerência.

O elenco conta com as atuações cômicas do próprio Leonardo Reis, além de Maria Eduarda de Carvalho (Lia) e Felipe Abib (Tassius). A primeira, como melhor amiga de Décio e uma joqueta que tenta a todo custo vencer um grande prêmio no Jockey Club, e o segundo, um excêntrico humorista e dono de bar, que inferniza inicialmente a vida do protagonista, mas depois é uma figura importante para ajudá-lo a aflorar seu lado comediante. E menção honrosa também para o garoto Pedro Sol, intérprete de Théo, irmão de Lena, um cadeirante que funciona como espécie de cupido e que logo de cara ganha o carinho e confiança de Décio. Todas as participações são sólidas e convincentes, mas são prejudicadas pelo inconsistente roteiro, que não consegue explorar o romance e resolve apostar nas piadas com deficientes, algumas exageradas, e outras, para lá de constrangedoras.

A interpretação de Camila Márdila é abaixo das expectativas, sua personagem tem pouca voz, apresenta um gelo difícil de ser quebrado e em vários momentos entrega situações que poderiam ser ainda mais exploradas e que acabam incompletas, como em alguns encontros que Lena tem com Décio e a chance que tem para dizer a Flávio o que sente, mas que de forma inexplicável não ocorre e já é cortada para uma próxima cena. Uma enorme lacuna deixada e que afeta diretamente o resultado final a produção.

Mesmo com a intenção de trazer uma abordagem didática, com mensagens importantes a serem transmitidas a um máximo possível de pessoas e com o cunho de proporcionar boas risadas, ‘Altas Expectativas’ derrapa no tocante ao romance que tentou apresentar ao público. Uma trama incompleta e que não entrega tudo o que poderia e deveria, não crie altas expectativas, como diz o título, de filme bem cotado vai para uma grande decepção, lamentavelmente.

Avaliação: 2,5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Extraordinário/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Extraordinário/ Cesar Augusto Mota

Quer um filme que possua uma linda história, excelentes atores e belas mensagens transmitidas? ‘Extraordinário’, dirigido por Stephen Chbosky (‘As Vantagens de ser Invisível’) e baseado no livro homônimo de R.J. Palacio, contém tudo isso e utiliza poucos, porém precisos recursos visuais que sensibilizam a todos e fazem transbordar emoções e causar sentimentos nos espectadores.

Jacob Tremblay (O Quarto de Jack) é Auggie Pullman, um garoto que nasceu com uma doença congênita que provocou deformações em seu rosto, tendo realizado 27 cirurgias estéticas. O menino tem sua rotina alterada e vai pela primeira vez frequentar a escola, contando com o apoio da mãe, Isabel (Julia Roberts), do pai, Nate (Owen Wilson), e da irmã, Via (Izabela Vidovic). Uma jornada que não será nem um pouco fácil para o pequeno Auggie, pois ele enfrentará os olhares curiosos e provocações de seus colegas no novo ambiente.

O roteiro nos traz um tema polêmico, mas necessário de ser debatido na sociedade, a prática do bullying. O protagonista da história não só enfrenta esse mal, como também aborda a forma como enxerga o mundo à sua volta e a maneira que lida com o problema. Com recursos visuais suaves e criativos, como os adereços de um astronauta, além de menções e aparições especiais de personagens da franquia Star Wars, Auggie não só traz um panorama de sua vida, como também emociona e sensibiliza a todos.

O enredo não só apresenta o ponto de vista de Auggie, como também de outros personagens, como Via, a irmã mais velha, da mãe, Isabel, e de Jack Will (Noah Jupe), seu melhor amigo. A primeira conta como o nascimento do irmão mudou sua vida, além da mudança provocada no relacionamento com seus pais, que se transformou drasticamente e passou a ser deixada de lado. Isabel, a mãe, revela o choque que sentiu ao descobrir a doença do filho e apontou as principais mudanças em seu dia a dia, tendo inclusive abandonado sua carreira para dar todo o apoio ao filho. Já Jack Will, em um depoimento sincero, destacou qual foi sua impressão inicial ao conhecer Auggie e como nasceu uma saudável e sincera amizade entre eles. Todas as perspectivas apresentadas são bem conectadas à jornada de Auggie, e o espectador não só é tocado no coração, como também se importa com os intérpretes, que entregam atuações sensíveis, coesas e bastante emotivas.

Por falar em atuações, destaques para Julia Roberts e Jacob Tremblay. Os dois, como mãe e filho, não só demonstram uma química impressionante, como também oferecem diálogos incisivos e que tocam o coração dos espectadores. Roberts ilustra uma mãe que tem a perfeita percepção de como será a vida do filho e os problemas que enfrentará, e ela luta ao lado dele contra as adversidades. Tremblay nos entrega um protagonista que sofre, mas que graças ao apoio de todas as pessoas que o amam, consegue tirar de letra todas as hostilidades, além de ilustrar um garoto de bom coração.

A direção de Stephen Chbosky é digna de aplausos, não só traz sentimentos dos personagens que são capazes de atingir o público, como também sabe fazer o perfeito equilíbrio entre humor e drama, com cenas divertidas nos momentos certos e cenas mais sérias, quando necessárias. Uma forma diferente de abordar o bullying foi feita, além de mostrar que certas coisas não podemos mudar, mas a forma que enxergamos o mundo e as pessoas em volta. Uma linda mensagem que, certamente, tocou nos corações de todos e provocou fortes emoções durante a película e no fim da sessão.

‘Extraordinário’ tem de tudo um pouco, diversão, emoção e reflexão. O filme faz jus ao título, é de fato extraordinário, e você não pode deixar de ver. Uma experiência tocante e inesquecível para quem for assistir, e, quem já viu certamente vai querer repetir a dose.

Avaliação: 5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Jogos Mortais-Jigsaw/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Jogos Mortais-Jigsaw/ Cesar Augusto Mota

Franquia de sucesso com pouco mais de US$ 900 milhões arrecadados e apontada pelo Guinness Book como a saga de terror mas rentável de todos os tempos, ‘Jogos Mortais’ está de volta. Após sete anos e sete filmes, todos os fãs do gênero vão ser brindados com um novo longa, e depois de dez anos da morte de John Kramer (Tobin Bell), terrível assassino que prega peças e grandes armadilhas em todos os que se comportam mal. Mas será que ‘Jogos Mortais: Jigsaw’ é tão bom e fará valer a pena o retorno do enredo, que parecia ter sido encerrado?

Logo de cara nos deparamos com uma cena chocante no início da história, com as vítimas acorrentadas e com baldes na cabeça, e para escaparem precisarão pagar uma dívida de sangue. E quem não se cortasse, seria automaticamente morto, algo de arrepiar e para cair para trás da poltrona. Não só essa, mas outras armadilhas surgiam e deixavam os participantes cada vez mais encurralados, e teria que fazer de tudo para não serem espatifados e salvar a vida de todos os envolvidos.

Com direção dos irmãos Michael e Peter Spierig (2019: O Ano da Extinção e O Predestinado) e roteiro escrito por Pete Goldfinger e Josh Stolberg, ‘Jogos Mortais: Jigsaw’ não traz as mortes como foco principal, mas as investigações e quem poderia ter cometido todos os crimes. Nos deparamos como médico legista Logan Nelson (Matt Passmore), torturado durante a guerra e que já havia trabalhado no caso John Kramer, e a assistente Eleanor Bonneville (Hannah Emily Anderson), obsessiva por Jigsaw. Os dois iniciam uma investigação com a ajuda dos detetives Halloran (Callum Keith Rennie) e Keith Hunt (Clé Bennet) para descobrir a autoria dos assassinatos.

Os cenários retratados, bem como as armadilhas são semelhantes aos do terceiro filme, mas a diferença está no ritmo, bastante intenso, que não permite ao espectador se envolver emocionalmente com os personagens, ele se torna um mero observador. Além disso, algumas perguntas vem à mente, como “John Kramer está vivo mesmo?, ‘Trata-se de um mero imitador?’ e ‘Quem está por trás de todas as mortes’?

Quem já viu os filmes anteriores vai achar que se trata mais do mesmo, mas quem não acompanhou vai se surpreender com a história, com uma grande reviravolta e importantes revelações no desfecho. E quem já conhece, dirá ‘É isso mesmo?’ Cenas durante o dia poderão ser vistas, novidade da produção, além da ausência dos tons sombrios dos longas anteriores.

‘Jogos Mortais: Jigsaw’ apresenta um filme com diversas cenas fortes, uma impactante tragédia como pano de fundo, protagonistas com passados obscuros e segredos sombrios a serem revelados. E o apreciador do gênero terror vai gostar das armadilhas apresentadas, que trarão o desespero e angústia dos três primeiros filmes. Sustos e diversão estão garantidas.

Avaliação: 3,5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Assassinato no Expresso do Oriente/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Assassinato no Expresso do Oriente/ Cesar Augusto Mota

Está chegando ao circuito nacional mais um filme baseado em livro, cujo foco é a resolução de um crime, com diversas pistas, vários suspeitos e um detetive com muita astúcia, excentricidade e perfeccionismo. De quebra, uma representação elegante dos anos 1930 e um elenco de peso, estou falando de Assassinato no Expresso do Oriente, inspirado na obra homônima de Agatha Christie e dirigida por um cineasta cometente e responsável pelo sucesso de franquias como Thor e Cinderela.

Logo de cara já somos apresentados ao personagem principal da história, que começa a resolver um caso de roubo de um importante artefato em Jerusalém, com três suspeitos postos lado a lado em frente ao Muro das Lamentações. Com seu jeito peculiar, Hercule Poirot, interpretado por Kenneth Branagh, que também dirige o longa, nos surpreende por seus procedimentos precisos e nada convencionais e convence o público com seu jeito sério, sedento por perfeição e com boas doses de humor. Quem acompanha já compra seus métodos e vê tudo isso posto à prova após o detetive viajar no Expresso do Oriente na esperança de ter três dias de folga e chegar ao seu destino, mas se deparar com o assassinato a facadas do mafioso Edward Ratchett (Johnny Deep), que já possuía um passado para lá de tenebroso.

O elenco é composto de grandes nomes, como Josh Gad (A Bela e a Fera), Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona), Michelle Pfeiffer (Mãe!), Willem Dafoe (A Culpa é das Estrelas) e Daisy Ridley (Star Wars: O Despertar da Força), mas os arcos dramáticos dos personagens interpretados por eles não são tão explorados como o do detetive Poirot, que até demonstra uma mudança drástica de postura, sem justificativa aparente. E eles ficam tanto tempo sumidos da tela que em dados momentos nos esquecemos que os atores estão na trama, tão complexa e de complicada resolução.

O enredo apresenta uma história envolvente, com ótimos ingredientes, atuações excepcionais e uma profundidade inimaginável, não dá para perder nenhum detalhe e tampouco descartar qualquer suspeito pelo assassinato de Ratchett. Na medida em que o detetive Poirot vai encontrando mais pistas e interrogando os acusados, mais difícil fica a resolução do caso, cada personagem carrega um segredo que pode fazer o jogo mudar, mas sempre que achamos que a solução vai aparecer, algo novo surge e ficamos ainda mais tensos. A aposta numa história complexa e cheia de percalços foi quase certeira, o ritmo cai muito do meio para o fim e o desfecho deixa a desejar, com a sensação de que o filme não está completo, além de uma sensação de leve desconforto.

Como pontos positivos, além da atuação de Branagh, temos uma excelente fotografia, bem como uma eficiente direção de arte, que remonta muito bem a década de 1930, com um Expresso do Oriente suntuoso e ambientes bens construídos, como as cabines dos passageiros, além de corredores estrondosos e uma vibrante trilha sonora. Um filme que apresenta elegância, vibração e o mistério como bom fio condutor, mas que perde na reta final da trama. Uma viagem boa que o espectador faz, com uma conclusão decepcionante e com algumas lacunas.

Fãs de literatura e de um bom filme de mistério, não vá com tanta sede ao pote, ‘Assassinato no Expresso do Oriente’ é um bom filme, mas não entrega tudo o que poderia ao seu espectador. Vamos aguardar pela sequência, ‘Morte no Nilo’, que deverá explorar muito mais as características e as virtudes do detetive Hercule Poirot e trazer um enredo ainda mais dramático e situações cômicas e com maior profundidade. Aguardar e conferir.

Avaliação: 3/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Liga da Justiça/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Liga da Justiça/ Cesar Augusto Mota

Os fãs de quadrinhos e apreciadores dos filmes da DC estão prestes a matar a ansiedade para ver uma das produções mais aguardadas do ano: ‘Liga da Justiça’, em live action, sob a direção de Zack Snyder e com um timaço de super-heróis que se reúne para combater uma nova ameaça. Promessa de uma história eletrizante, com muitas cenas de ação empolgantes e possantes efeitos especiais.

A narrativa nos traz Bruce Wayne (Ben Affleck), que reavalia seus métodos e espírito altruísta após a morte de Clark Kent (Henry Cavill) e se mostra disposto a formar uma equipe de combatentes do crime para defender a Terra de novos perigos. Ao lado de Diana Prince (Gal Gadot), Batman e Mulher-Maravilha encontram Victor Stone (Ray Fisher), o Ciborgue; o guerreiro de Atlantis Arthur Curry (Jason Momoa), o Aquaman; além do velocista Barry Allen (Ezra Miller), o The Flash. Juntos, eles precisam deter o terrível Lobo da Estepe (Ciaran Hinds), comandante de um exército de insetos humanóides, os parademônios, e disposto a recuperar as 3 caixas maternas, espécies de computadores vivos e dotado s de consciência própria que vivem em função de seus donos. As caixas concedem poderes como manipulação de energia e teletransporte, mas se autodestroem com a morte de seu possuidor.

Diferente de Esquadrão Suicida, a apresentação de todos os personagens se dá de maneira direta, sem rodeios e dispensando caracteres como animações e letreiros. A maneira como as histórias se entrelaçam e o encontro entre os heróis ocorrem de maneira impactante e com momentos hilários, principalmente de The Flash, o alívio cômico do grupo, com piadas infames e de duplo sentido, além dos diálogos engraçados entre Batman e Aquaman e o jeito destoante do Ciborgue, sempre sério, mas bastante solícito. A Mulher Maravilha não fica atrás e com seu jeito elétrico, carismático e de personalidade, vai conseguir motivar toda a equipe, além de se mostrar uma forte líder.

Foi possível perceber durante os 120 minutos de projeção que ‘Liga da Justiça’ deixou um pouco de lado o tom sombrio e sério presente em Batman vs Superman e incorporou uma veia mais cômica, presente nas produções da Marvel. Mas as doses de humor são aplicadas na medida certa, sem comprometer a essência do filme, e o recurso faz o espectador se importar ainda mais com cada um dos heróis. Reunidos, todos conseguem formar uma equipe coesa, empática e capaz de prender a atenção do início ao fim, além de entregarem cenas com muito dinamismo e emoção. A história foca mais na aventura e não há muita preocupação com as consequências das interações do enredo, um foco mais descompromissado e focado nas lutas.

Assim como acontecem em boas produções, também existem falhas em ‘Liga da Justiça’. Um dos pontos fracos está no vilão, o Lobo da Estepe, não por ter sido feito com efeitos CGI, mas pela pouca expressão e o pouco impacto transmitidos, o espectador não se convence e tampouco é atingido pelo grande vilão do Universo estendido da DC, tamanha era a expectativa. Além dele, o Ciborgue se mostra um tanto destoante dos demais heróis e o que menos se destaca, ao contrário de Mulher Maravilha, The Flash e o Aquaman, os três muito bem em cena e protagonistas das melhores sequências. Batman não compromete, mas não há grandes novidades do Homem-Morcego na tela, e o Superman é uma grata surpresa.

Além dos efeitos especiais e das empolgantes cenas de ação, o roteiro oferece uma grande reviravolta e surpreende o espectador no segundo terço do filme, grandes surpresas surgem e a narrativa ganha ainda mais emoção. As imperfeições demonstradas pelos heróis fazem que uns complementem os outros e juntos se tornem mais fortes contra o Lobo da Estepe, vilão tido como praticamente imbatível, mas no momento certo vamos descobrir seus pontos fracos. O desfecho é um pouco decepcionante, mas as ações e as piadas conseguem encobrir as imperfeições e empolgar o espectador, além de importantes mensagens sobre luz e esperança simbolizadas pelo grande time de heróis de ‘Liga da Justiça’.

O resultado de ‘Liga da Justiça’, roteirizado por Joss Whedon e dirigido por Zack Snyder, é muito positivo, você terá dificuldade em escolher seu super-herói favorito e vai torcer por todos eles na história, além de testemunhar uma aventura pulsante e cheia de surpresas. E fique até o fim, hein!? Há duas cenas pós-créditos, você vai se divertir muito!

Avaliação: 4/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota