Poltrona Cabine: Eu Só Posso Imaginar/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Eu Só Posso Imaginar/ Cesar Augusto Mota

Você curte drama e que fale sobre o valor do perdão? E que tal um que é baseado em uma história real e que serviu de inspiração para a composição da canção cristã mais popular de todos os tempos dos Estados Unidos? Dirigido pelos irmãos Andrew e Jon Erwin (Mamãe: Operação Balada), ‘Eu só posso Imaginar’ (I Can Only Imagine), longa-metragem com título homônimo da música do cantor e compositor Bart Millard, vocalista da banda norte-americana MercyMe chega aos cinemas não só para surpreender o público como também para transmitir importantes valores da vida, como o amor, a compreensão e a superação.

Somos apresentados à emocionante e difícil jornada de Bart Millard, vivido por J. Michael Finley, um jovem que teve uma infância difícil e conturbada e sofreu maus-tratos de seu pai, interpretado por Dennis Quaid (Quadro Vidas de um Cachorro), um homem violento e que nunca compreendeu a paixão do filho pela música. O filho se distancia cada vez mais do pai e passa a correr atrás de seu sonho, mas para isso vai encontrar muitos percalços e acabará por se surpreender com alguns ensinamentos de fé que não só transformarão sua vida como também o ajudarão a mudar para sempre a do patriarca.

Esse filme não é aquele típico dramalhão presente nas novelas mexicanas e tampouco uma produção de Sessão da Tarde, com clichês e muitas risadas. Trata-se de um longa com premissas bem definidas e que mostra a que veio, com mensagens importantes em momentos precisos e dramaticidade quando as ocasiões pedem. O roteiro soube trabalhar bem esses dois elementos, além de nos apresentar uma perfeita sincronia da narração off do protagonista com os momentos épicos e tortuosos pelos quais passou, sem esquecer da perfeita montagem utilizada para inserir o espectador e mantê-lo conectado com a história do protagonista. Os diálogos são poderosos, e mensagens como ‘Sonhos não pagam contas e eles s&oacute ; servem para deixar você distante do mundo real’ são recorrentes e necessários, sem ser piegas e muito menos enfadonho.

Outro ponto alto está nas atuações do elenco, proporcionando as mais diversas sensações e também criando fortes laços com o público, cada vez mais envolvido com a história e torcendo para o sucesso de Bart em sua jornada. J. Michael Finley consegue entregar um protagonista carismático e inseguro, mas que soube reconhecer seus defeitos e aos poucos se libertando de seus medos e fantasmas do passado, que o impediam de avançar e chegar com força ao seu objetivo. Dennis Quaid, o principal antagonista da trama, convence como pai violento de Bart e apresenta uma transformação impressionante que vai ser responsável por uma importante virada do filho na reta final da trama. E menções honrosas também para dois atores secundários que exercem papel importante e são os dinâmicos da história, como Madeline Carrol (O Reencontro) e Trace Adkins (O Poder e a Lei), a namorada e o empresário da banda MercyMe, respectivamente. Ambos mostram ao personagem central o quanto ele era forte e o que ainda faltava para alcançar seu sonho. Havia lacunas que precisavam ser preenchidas, e eles conseguem ajudar Bart Millard a fazer isso com coragem, mestria e muita perseverança, pontos que são valorizados no filme e mostrados com um perfeito enfoque e que valorizam ainda mais a trajetória de Bart e da banda MercyMe, famosa até hoje e com forte influência nas vidas dos norte-americanos.

Uma história edificante, motivacional e de forte apelo, ‘Eu só Posso Imaginar’ sem dúvida vai atingir os corações do público e mostrar o que está por atrás de uma canção tão cultuada e que já inspirou milhões de pessoas. E antes de sair da sala, você terá uma bela surpresa, não perca!

Cotação: 5/5 poltronas.

 

Por: Cesar Augusto Mota

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Poltrona Cabine: Deadpool 2/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Deadpool 2/ Cesar Augusto Mota

O anti-herói mais popular do cinema está de volta. Após um primeiro filme que arrecadou US$ 763 milhões e com um protagonista que quebrou a quarta parede e todos os protocolos, a Fox Filmes dá sinal verde para a chegada de uma continuação de Deadpool, que muitos odeiam amar e outros adoram odiar. Mas será que ‘Deadpool 2’ vai conseguir repetir o sucesso do seu antecessor e arrancar mais risadas do público?

A sinopse do novo longa, dirigido por David Leitch (Atômica) é um tanto confusa, assim como sua história. Após os acontecimentos do filme original, Wade Wilson (Ryan Reynolds) vai confrontar criminosos pelo mundo, ao mesmo tempo em que busca conciliar sua vida amorosa com Vanessa (Morena Baccarin). Quando sua amada fica novamente em perigo por conta de suas ações, Deadpool atende aos apelos de Colossus (Stefan Kapicic) e tenta participar das ações dos X-Men. Daí ele entra na rota de Cable (Josh Brolin), um mutante que veio do futuro para eliminar o jovem Russell (Julian Dennison), que é um perigo potencial. Nosso controverso protagonista então resolve montar sua própria equipe para salvar o garoto da morte certa.

Porém, em se tratando de Deadpool, nada fica claro mesmo, a controvérsia e a confusão predominam. O roteiro prima em colocar o mercenário tagarela nos holofotes e apresentar piadas regadas com muito sarcasmo e humor negro, com sangue jorrando e membros decepados e regenerados rapidamente. Mas esses recursos são utilizados repetidamente, cansando o espectador, e os personagens secundários não ganham a profundidade que deveriam e merecem, como os integrantes do X-Force, que ajudam o personagem central a deter Cable, o vilão, na busca por Russell.

Dentre todos os personagens de apoio, Dominó, vivida por Zazie Beetz, é a que mais ganha espaço na tela e mais chama a tenção do público, por seu carisma, personalidade ácida, habilidade e também por contar com a sorte em momentos-chave. O vilão só existe para ser o principal contraponto de Deadpool e não mostra a que veio, e os outros integrantes da X-Force são apresentados rapidamente e logo esquecidos, uma baita bola fora dos roteiristas.

Se faltam história e profundidade nos personagens, ganhamos com o carisma e o jeito bem humorado do protagonista, Ryan Reynolds, que está perfeito como Deadpool e não perde a força do primeiro filme, com suas perfeitas tiradas, sejam com os personagens do Universo Marvel, como também as sátiras que faz com os heróis da DC. Ele brinca com todos, consigo mesmo, dialoga com o público e também transmite importantes mensagens, sobre a importância de ser herói, da família e dos amigos, mesmo que para alcançar tudo isso tenha de jogar sujo. O filme não possui apenas uma veia cômica, ele também consegue ser sério e nos momentos precisos, quando o bem está quase perdendo para o mal e o protagonista vivendo seus momentos mais vulneráveis.

‘Deadpool 2’ passa no teste, que é o de fazer o público cair na risada e se divertir com as piadas do mercenário tagarela, mas poderia ter entregado muito mais, além de ter apresentado uma história mais consistente e que não recorresse tanto ao humor negro, uma das muletas utilizadas pelo roteiro. E não saia rapidamente, você será agraciado com duas hilárias cenas pós-crédito surpreendentes e que beiram à insanidade. Fique até o fim. E vamos torcer para uma parte 3, Deadpool tem potencial, e isso comprovamos muito bem.

Cotação: 3,5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Vingança/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Vingança/ Cesar Augusto Mota

Em meio a uma enorme onda de escândalos envolvendo abusos e assédio sexual, está prestes a ser lançado um filme que toca nesses pontos e outros importantes e cada vez mais debatidos na nossa sociedade, como o empoderamento feminino e a violência contra a mulher. De quebra, elementos como muita nudez, violência e conteúdo gore, contido no subgênero terror, como muito sangue e vísceras humanas à mostra. Da estreante diretora Coralie Fargeat, ‘Vingança’ (Revenge) produção francesa filmada no Marrocos, traz Matilda Lutz (O Chamado 3) como protagonista em uma narrativa envolvente e ao mesmo tempo perturbadora para os espectadores.

A trama nos mostra Jen (Lutz) , uma jovem bela e sedutora que está aproveitando uma viagem romântica com Richard (Kevin Janssens,) que é interrompida subitamente pelos amigos de caça dele, Stan (Vincent Colombe) e Dimitri (Guillaume Bouchède), que chegam à casa, situada no meio do deserto, mas sem serem convidados. Após uma festa que virou o dia, com muita dança e bebida, Jen acaba por ser violentada por Stan e com a concordância de Dimitri, que nada fez para evitar o ato violento, e de quebra, Jen teve que enfrentar a ira de Richard, seu amante, resultando em um enorme ato de fúria, empurrando-a abaixo de um precipício. Mas, para o azar deles, Jen sobrevive e volta mais forte do que nunca, com sangue nos olhos e disposta a fazer vingança contra seus agressores.

O roteiro toca em assuntos pertinentes, citados no início do texto, além de quebrar um forte paradigma, de que a vítima foi culpada pelo ocorrido e que ela mereceu sofrer todo o tipo de violência e assédio. Jen, que gosta de usar roupas curtas e provocantes, em nossa sociedade seria tachada de diversos adjetivos pejorativos, mas na verdade, se tratava de uma jovem que queria apenas se divertir. Pode sua dança e seu jeito provocante terem dado a entender que ela queria seduzir e ter algo mais sério com Stan, amigo de Richard, mas não são justificativas para que a protagonista sofresse toda a violência vista durante a trama. É um filme que vem em um bom momento, após a explosão de movimentos como o ‘MeToo’ e o ‘Times Up’, voltados contra a cultura sexual e a diferença de gênero em Hollywood e advindos após a era Harvey Weinstein para fazer o homem repensar seus atos em relação a mulher.

O enredo mostra uma protagonista que inicialmente não está bem definida, mas que vai sendo construída durante a história e que sofre grandes transformações, e um elemento importante fará ela encontrar seu ponto mais alto e a trará mais energia na luta contra seus opositores. Os antagonistas, todos eles possuem uma clara postura machista, perceptível desde o início da trama e que vai se acentuar quando se derem conta que Jen sobreviveu e quando vão em sua caçada. Uma história bem estruturada, com poucos personagens, e com personalidades e desejos bem definidos, que fazem o espectador se envolver e acompanhar com toda atenção e ao mesmo tempo com angústia, pois não se sabe o que pode acontecer a cada sequência e tendo em vista a atmosfera violenta criada desde o início. As atuações são convincentes e que beiram ao verossímil.

Além do roteiro e das atuações, outros pontos altos são a fotografia e a montagem, que contribuem para o clima gore da história, com uma perfeita textura de sangue e do corte da pele, trazendo mais realismo às cenas mais violentas e uma atmosfera subversiva. O filme vai num ritmo cadenciado e sem pressa, construindo a trama e seus personagens, mas se intensifica do meio para o fim da história com muitos rastros de sangue, perseguições e planos-sequência que instigam o espectador a ficar ainda mais tenso e horrorizado com o que vê. Filmes sobre estupro e assédio contra a mulher já foram feitos por homens, e agora um novo é produzido sob uma perspectiva diferente, por uma mulher, que quebra velhos dogmas e mostra que as mulhere s estão cada vez mais fortes, são mais ouvidas e que devem ser levadas mais a sério, diferente do apresentado em filmes como ‘A última casa à esquerda ( Wes Craven), ‘Doce vingança’ (Meir Zarchi), ‘Sob o domínio do medo’ (Sam Peckinpah) e ‘Millennium: Os homens que não amavam as mulheres’ (Niels Arden Oplev).

Um filme forte, alucinante, necessário e instigante, ‘Vingança’ vem para colocar o dedo na ferida de fortes males ainda enraizados no meio social e para refletirmos sobre como podemos combatê-lo e até mesmo evitá-lo. Quem gosta de filmes com temáticas sérias e ainda curte muito sangue e cenas violentas, esse é um prato cheio, recomendo fortemente.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: A Noite do Jogo/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: A Noite do Jogo/ Cesar Augusto Mota

O gênero comédia sempre divide opiniões, há os que curtem e os que rejeitam. No entanto, existem algumas formas de se apresentar histórias bem-humoradas, sejam elas politicamente incorretas, as que apelam para o humor negro e as tradicionais comédias-pastelões. E o que você acharia de um filme que trouxesse muita ação, uma premissa bizarra e um grande elenco? Pois se prepare, ‘A Noite do Jogo (Game Night), dirigido por John Francis Daley (Férias Frustradas) e Jonathan Goldstein (Quero Matar Meu Chefe) e distribuído por Warner Bros. e New Line traz uma história incrivelmente engraçada e que vai arrancar risadas do público com muita facilidade.

Somos apresentados a Max e Annie, vividos por Jason Bateman (A Última Ressaca do Ano) e Rachel McAdams (Spotlight: Segredos Revelados), um casal muito divertido e que adora fazer jogatinas em casa com os amigos, principalmente com jogos de tabuleiro e que envolvam adivinhações. Porém, o policial Gary, interpretado por Jesse Plemons (The Post: A Guerra Secreta) deixa o grupo após ter se separado da esposa e logo em seguida chega Brooks, o irmão de Max, representado por Kyle Chandler (Argo), que propõe um jogo bem inovador, que não envolve tabuleiros ou peças, mas a resolução de um enigma acerca de um membro do grupo que vai sumir repentinamente e que deverá ser encontrado em seguida. Mas o plano dá errado quando sequestradores verdadeiros invadem a casa de Brooks e o levam, sem ter tempo de avisar ao pessoal que aquela situação era real e não brincadeira. A partir daí, os seis personagens passam a se envolver em diversas situações bizarras e de risco e deve rão fazer tudo para a resolução do caso, o resgate de Brooks.

A premissa do filme é muito interessante e se torna ainda mais atrativa na medida em que a trama se desenrola e o espectador fica confuso com as situações que lhe são apresentadas, proporcionando dificuldade em adivinhar se cada evento é verdadeiro ou falso. E sem contar das bizarrices às quais os participantes do jogo se envolvem, desde a coleta de pistas até os obstáculos que encontram pelo caminho. O público fica de boca aberta com o que aprecia em cada cena, ao mesmo tempo que ri e não crê naquilo com o que está se deparando.

O anti-clímax apresentado consegue sustentar a história até o fim, além de podermos ver a construção e o desenvolvimento completo de todos os personagens. Temos também uma grande variedade de cenários que possibilitam que novas piadas sejam construídas e que estimulem os jogadores a saírem da zona de conforto e a encontrarem formas de salvar uns aos outros e a resgatar Brooks. Há momentos que sugerem que o perigo não mais existe, mas trata-se de um aquecimento para a sequência e para evitar que a história fique enfadonha e beire a mesmice. Logo, o espectador não se sente entediado e fica preso à tela até o momento derradeiro, do resgate (ou não) de Brooks.

E não poderia esquecer das atuações do casal protagonista, Jason Bateman e Rachel McAdams, ambos demonstraram ter uma química incrível, com muita versatilidade e um ótimo timing para as situações cômicas. E dentre os atores secundários, Jesse Plemons, apesar de pouco tempo em tela, consegue ter participação decisiva na história, além de conseguir arrancar mais risadas do público com seu personagem atrapalhado e de olhar sombrio.

‘A Noite do Jogo’ teve uma repercussão altamente positiva nos Estados Unidos e vem com uma ótima proposta, de uma trama com humor bizarro e num ritmo frenético, cheio de reviravoltas e com atuações acima da média do elenco. Um filme que começa despretensioso, mas que posteriormente ganha forma e faz o público abraçar sua ideia, de que é preciso coragem, ousadia e muita habilidade para sair vencedor, seja de um jogo de tabuleiro ou do jogo da vida. É diversão garantida para todos!

Cotação: 4/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Quase Memória/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Quase Memória/ Cesar Augusto Mota

Baseado no livro homônimo de Carlos Heitor Cony, ‘Quase Memória’, do diretor Ruy Guerra (Os Fuzis) faz um tributo às lembranças, com uma linguagem que oscila entre a crônica, o romance, o real e o imaginário e com um diálogo poderoso entre passado e futuro. Um filme sentimental, saudosista e filosófico, considerado um grande exercício e divertimento para o espectador.

O roteiro da trama traz a sensação de que é possível brincar com as memórias pessoais, os ganhos e as perdas, amores e dissabores, além de grandes lembranças e diversos amores. São as reflexões de um cineasta pautadas num carrossel desenfreado de emoções e num misto de imagens impactantes e frenéticas. Ruy Guerra traz não só um deleite para seus olhos como uma verdadeira obra-prima.

Em cena vemos Carlos Campos (Tony Ramos), desolado e perdido em seus vazios, que acaba por encontrar seu outro eu mais jovem (Charles Fricks) em sua própria casa. O Carlos jovial se lembra de fantásticas histórias de seu pai, Ernesto (João Miguel), um jornalista sonhador, aventureiro e desengonçado. Com o auxílio da construção do personagem Ernesto, é traçado um paralelo entre o real e o fictício, as memórias afetivas e as improváveis e o abismo entre a pouca memória do Carlos mais velho e as memórias exuberantes do Carlos mais novo.  O que pode soar como fantasioso para alguns, pode ser verídico para outros e num tempo esculpido com delicadeza e para afagar o especta dor.

Além da bela fotografia, assinada por Pablo Baião (Um Filme de Cinema) e com boas alternâncias entre luzes e sombras, somos agraciados com um conjunto de quadros que mais lembravam uma peça de teatro e temos atuações destacadas e espetaculares. Tony Ramos, numa interpretação dramática e transparecendo de maneira eficiente a angústia e a solidão de Carlos, é um dos pilares do longa. João Miguel, com seu personagem caricato e Charles Fricks faz um ótimo contraponto ao outro Carlos, com lapso de memória e Mariana Ximenes empresta uma atuação honrosa para a mãe do protagonista, tanto nos momentos hilários como nos mais dramáticos do filho.

Um dos grandes nomes do Cinema Novo, o moçambicano Ruy Guerra marca seu retorno triunfal com um longa que faz uma reflexão cômica sobre a memória, belas surpresas e com uma sensação de que relembrar pode ser melhor que descobrir. Vale o ingresso e seu tempo.

Avaliação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Rampage-Destruição Total/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Rampage-Destruição Total/ Cesar Augusto Mota

Há menos de um mês, a Warner Bros. nos brindou com um filme baseado em um game, ‘Tomb Raider: A Origem’, produção não muito bem recebida pelo público. Agora, estamos prestes a ver mais um longa que segue esse caminho, desta vez adaptado de um jogo clássico de arcade, Rampage (1986), lançado para o arcade. ‘Rampage: Destruição Total’, com direção de Brad Peyton (‘Terremoto: A Falha de San Andreas’) traz Dwayne Johnson (Jumanji) como protagonista e vem com o intuito o de manter congruência com os elementos visuais e com a premissa do jogo original, mas será que o filme conseguiu?

A história traz o primatologista Davis Okoye (Johnson), um homem solitário e avesso às pessoas que compartilha de um vínculo inabalável com George, um gorila albino extremamente inteligente e que está sob seus cuidados desde o nascimento. Porém, um experimento genético desonesto e mal feito transforma este macaco gentil em um monstro de tamanho desproporcional e com uma força descomunal. Para piorar, descobre-se que existem outros predadores alfa similarmente alterados, como um lobo e um crocodilo.  Enquanto estes monstros destroem a América do Norte, destruindo tudo em seu caminho, Okoye se junta a Kate Caldwell (Naomie Harris), uma geneticista desacreditada, para conseguir um antídoto, lutando em um campo de batalha em constantes mudanças para poder salvar o mundo e também recuperar George, que já foi seu amigo.

O roteiro, de Carlton Cuse, Ryan J. Condal e Adam Sztyzel, apresenta o básico do jogo, com monstros gigantes e imponentes, além de enormes prédios destruídos, mas as semelhanças param por aí. Enquanto no game as criaturas tiveram inicialmente formas humanas, no filme elas já eram animais e acabam por sofrer mutações após o mal-sucedido experimento por uma organização em busca de formações genéticas raras para serem comercializadas. Repetir a premissa do jogo na tela grande não faria sentido, sem falar que prejudicaria na sequência de ações do filme e a história não ficaria próxima do verossímil.

Apesar desse detalhe, o longa nos oferece boas subtramas, como os planos dos irmãos Claire (Malin Âkerman) e Brett Wyden (Jake Lacy), os dois líderes do poderoso laboratório que fez o experimento e que farão de tudo para saírem por cima e sem levar suspeitas. Além dessa, não podemos esquecer da relação entre Davis e Nelson (P.J Byrne), seu companheiro e amigo, além da amizade do protagonista e George, reforçada por sequências de boas risadas enquanto se comunicam por sinais, bem como da participação decisiva do agente Russel (Jeffrey Dean Morgan) para chegar no encalço e desmascarar os dois vilões. Todas essas sequências não se perdem ao longo da trama e que ficam bem amarradas com a principal, proporcionando dinamismo ao filme e um grande envolvimento da plateia com o que está acontecendo.

Se temos uma boa história reforçada por atuações convincentes, em especial de Dwayne Johnson e Naomie Harris, temos também monstros construídos com CGI de altíssima qualidade, proporcionando uma grande e inesquecível experiência para os espectadores, além de várias cenas regadas por muitas explosões, sangue e fuga. Não que o filme seja violento, Brad Peyton teve o intuito de proporcionar uma grandiosa aventura regada com alguns momentos tensos e também hilários, numa atmosfera frenética e perseguições no estilo Indiana Jones.

Um filme com uma narrativa simples, mas alimentada por um elenco qualificado, belos efeitos especiais e momentos épicos e eletrizantes para o espectador. Vá ao cinema sem medo, você vivenciará diversas situações, de medo, de tensão e também se divertirá muito com ‘Rampage: Destruição Total’. Um bom divertimento!

Avaliação: 4/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: O Homem das Cavernas/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: O Homem das Cavernas/ Cesar Augusto Mota

Já fomos brindados nesse início de ano com duas belas animações, como ‘Viva-A Vida é uma Festa’ e ‘O Touro Ferdinando’, com ambas indicadas ao Oscar da categoria e estatueta para a primeira. E sem esquecer que teremos ainda na primeira metade do ano ‘Os Incríveis 2’, da Disney, produção há algum tempo aguardada. Mas antes, a Paris Filmes nos traz ‘O Homem das Cavernas’ (Early Man), de Nick Park, o mesmo de ‘A Fuga das Galinhas’ e ‘Wallace & Gromit: A Batalha dos Vegetais’. A animação possui um estilo diferente, com o recurso do stop motion, filmagens de bonecos quadro a quadro e cenários bem trabalhados, como a das duas anteriores. Mas será que esse formato funciona e o público se empolga?

A história nos apresenta a Dug, um homem das cavernas que vive em meio a um vale, devastado após a queda de um meteorito, decretando o fim dos dinossauros. Um dos grandes orgulhos do protagonista é que seus ancestrais foram os criadores do futebol, com registros devidamente feitos por pinturas feitas nas cavernas. Apesar da paixão, Dug e seus amigos não possuem bola e campo para jogar, e encontram em uma fortaleza vizinha a chance de apanhar equipamentos e realizar treinamentos, mas eles acabam por serem apanhados pelos Homens da era de Bronze, que propõem uma partida entre eles e os homem da Idade da Pedra. Se vencerem, Dug e seu povo podem retornar para o vale, caso percam, terão que trabalhar como mineradores e se submeterem à escravidão. Começa a& iacute; uma rotina forte de treinos e com sangue nos olhos de todos em busca do objetivo.

O roteiro traz uma premissa simples, o ritmo é um tanto acelerado e a ganância dos antagonistas se apresentam em forma de alegorias. Uma história que tinha tudo para ser interessante, com o futebol, um esporte idolatrado por todo o planeta, como combustível da trama, mas que não oferece grandes desafios ao personagem central e aos secundários. Além disso, temos diversos clichês e situações bastante previsíveis, mas com uma interessante mensagem.

A representação visual é um dos trunfos da animação, com quadros que ilustram muito bem a idade da pedra e com situações bem cômicas, principalmente no que tange à era dos dinossauros e o campo no qual foi disputado a grande partida entre Idade da Pedra e Idade do Bronze, e os replays dos gols, com hilariantes marionetes. Os cenários agradam, já os personagens, nem tanto, parecem mais robôs que animações, não conseguimos nos empolgar tanto com eles, e sim com o clima criado para o jogo e a atmosfera das arquibancadas.

Apesar da proposta, de entreter jovens e adultos, ‘O Homem das Cavernas’ é uma animação genérica, com personagens robóticos e uma trama rasa. Tinha tudo para dar certo, mas não foi desta vez.

Avaliação: 2/5 poltronas.

 

Por: Cesar Augusto Mota