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Maratona Oscar: The Wife / Luis Fernando Salles

O longa “The Wife”, traz a marcante história de Joan Archer, interpretada pela candidata ao Oscar Glenn Close, no papel da esposa de um famoso e narcisista escritor, que acabara de saber que receberá o Prêmio Nobel de Literatura. 

A partir desse momento, o filme dirigido por Björn Runge narra a trajetória dos dois até a Suécia, local da cerimônia, mostrando a relação do casal, com foco na vida de Joan, que teve que abrir mão de sua carreira como escritora para ajudar o marido e “segurar as pontas” enquanto ele continuava produzindo suas obras.

Thw wife - Imagem
Divulgação Internet

No decorrer da história, o filme nos traz uma grande revelação. Tão impactante quanto a atuação de Glenn Close, uma das favoritas para levar a estatueta da academia. A atriz já faturou os prêmios do Globo de Ouro de 2019, na categoria de Melhor Atriz em Filme Dramático e foi nomeada ao Critics’ Choice Movie de Melhor Atriz.

Além da atriz, as atuações de Jonathan Pricy no papel do marido egoísta e de Max Irons, como filho do casal e buscando a aprovação do pai, também são destacáveis. 

Por fim, “The Wife” é um filme de grande qualidade e que nos passa a mensagem sobre a dificuldade que as mulheres podem ter em uma sociedade controlada majoritariamente por homens, que ignoram muitas vezes seus talentos em prol do preconceito.

 

Poltrona Resenha: Mogli – Entre Dois Mundos

Poltrona Resenha: Mogli – Entre Dois Mundos

Por Luis Fernando Salles

            Muitas pessoas podem ter estranhado o lançamento do novo live-action de Mogli – Entre Dois Mundos, tendo em vista que há apenas dois anos, os estúdios Disney haviam feito a filmagem do lendário clássico animado de 1968, denominado de Mogli – O Menino Lobo.

          Dessa vez, produzido pela Warner Bros. e lançado pela Netflix, a nova versão da história prometia trazer uma diferente imagem do menino perdido na selva ainda quando bebê e dado aos cuidados das criaturas que nela habitavam. O conto infantil, cheio de músicas, danças e descontrações dão espaço para uma história pesada, madura e a qual procura trazer uma versão mais sinistra para a fábula, que convenhamos,  é de fato inquietante. Afinal, ter seus pais mortos ainda quando criança, ser criado por criaturas ferozes como lobos, ter como amigos um urso gigante e uma pantera negra, e ainda ser perseguido por um sanguinário tigre, é algo longe de ser simpático.

          Além do aspecto mais soturno, Mogli – Entre Dois Mundos, traz como diretor umas das mais queridas e inovadoras figuras do cinema moderno. Trata-se de Andy Serkins, ator e diretor britânico, conhecido por interpretar criaturas de computação gráfica, onde os movimentos de seu corpo servem de molde e são transferidos para o personagem. Dentre o mais famoso deles, lembramos do inesquecível Smeagol, da franquia de O Senhor dos Anéis, e mais recentemente, do imponente King Kong, além de o chimpanzé Ceasar, de O Planeta dos Macacos e do Supremo Líder Snoke, vilão de Star Wars: The Force Awakens.

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Divulgação Internet

          Além das diferenças já ditas aqui sobre o roteiro e aspectos gerais da atual obra e de outras tradicionais exibições de “Mogli”, Serkins procura impactar seu público ao equiparar a selvageria animal e humana. Se por um lado os animais, que detêm racionalidade na fábula, mantêm suas raízes selvagens, do outro, o ser humano dotado de toda sua inteligência pode ser até pior. Tal imagem é representada na figura do caçador, um personagem novo da atual versão.

          Fora isso, o filme vale a pena ser assistido. Mesmo com notórias falhas na computação gráfica (que prometia ser extraordinária, mas deixou a desejar) e a transição da fantasia infantil para a realidade obscura da vida, Mogli – Entre Dois Mundos pode ser uma boa diversão para o fim de semana em família.

Poltrona Resenha: 22 Milhas/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: 22 Milhas/ Cesar Augusto Mota

Mais uma vez é firmada uma parceria entre o diretor Peter Berg e o ator Mark Wahlberg. Antes os dois trabalharam juntos em ‘O Grande Herói’ (2013), ‘Horizonte Profundo – Desastre no Golfo’ (2016), ‘O Dia do Atentado’ (2016) e agora em 22 Milhas. Os dois filmes tiveram uma boa repercussão e resultados positivos, o penúltimo, nem tanto. Será que o novo longa, que também se baseia em uma história real, convence e vai atingir boa parte do público ou será mais uma decepção?

A narrativa apresenta um grupo paramilitar que precisa encontrar o paradeiro de uma carga de césio que pode ser utilizada por russos para produzir uma bomba atômica mais poderosa que as lançadas pelos EUA em Hiroshima e Nagasaki. Neste contexto surge o misterioso policial tailandês Li Noor, (Iko Uwais), que se entrega na embaixada americana e diz saber o segredo sobre o paradeiro do césio guardado em um HD encriptado. Caso consiga asilo nos Estados Unidos, Noor revela a senha do dispositivo. O grupo é liderado por James Silva (Wahlberg), que conta com o auxílio de Alice (Lauren Cohan), que vive um dilema, de continuar na equipe ou voltar para casa para cuidar da filha. Há no elenco também a presença de Ronda Rousey, grande estrela do MMA, que tem a oportunidade de mostrar suas habilidades mano a mano nos grandes combates.

Se a premissa é interessante, vemos também uma autêntica guerrilha, com grandes explosões e fortes rajadas de metralhadoras em avenidas movimentadas. Mas os movimentos não são devidamente mostrados, nem valorizados, a câmera está muito próxima dos atores e há uma quantidade enorme de cortes, formando uma colcha de retalhos, algo desinteressante para os olhos do público. A agilidade é um trunfo, mas a execução é falha. E o que era para ser um filme de ação se torna um grande melodrama, principalmente nas cenas de Alice, que protege crianças indefesas ou nas que ela parece estar sem saída e precisa da ajuda de seus companheiros homens para ser salva.

As atuações são díspares, boa parte das ações está concentrada no personagem de Wahlberg, que dá todas as cartas, coordenadas, dá bronca, esbraveja e com emoções pouco exploradas. Os demais personagens são pouco explorados e também não faze os espectadores se envolverem e se importarem com suas ações e consequências na trama. Um dos poucos que se sobressai é Iko Uwais, que movimenta a história e é um verdadeiro contraponto para o grupo liderado por  James Silva, destaque para a cena de Li Noor algemado a uma cama na enfermagem da sede da CIA do fictício país asiático da narrativa.

Mesmo sendo um coprodução chinesa, ’22 Milhas’ deixa a desejar, com montagem imprecisa, personagens pouco desenvolvidos e cortes abruptos, prejudicando a ação e evolução da história. Um autêntico negócio da China.

Cotação: 2/5 poltronas.

Poltrona Resenha: Missão Impossível-Efeito Fallout/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Missão Impossível-Efeito Fallout/ Cesar Augusto Mota

A indústria do cinema é composta por franquias de sucesso, principalmente no gênero ação. Uma saga de êxito é Missão Impossível, desde a série homônima de Bruce Geller, nos anos 60, com posterior lançamento de seu primeiro filme, em 1996, sob a direção do consagrado Brian de Palma. Agora temos a sexta aventura do agente secreto mais carismático, ágil e tresloucado da sétima arte, que promete ser a mais intensa e emocionante de toda a saga. Será que tem potencial para ser o melhor filme da série?

‘Missão Impossível-Efeito Fallout’, dirigido por Christopher McQuarrie, traz um plano diabólico arquitetado por membros do Sindicato, intitulados Apóstolos, cujo antigo líder é o terrorista Solomon Lane (Sean Harris). Ex-agentes, sob o comando do antigo mestre, roubam três núcleos de plutônio que poderiam encampar na construção de ogivas e, consequentemente, provocar um desastre nuclear. Para evitar uma possível catástrofe, o agente Ethan Hunt (Tom Cruise) retorna e se reúne com sua equipe, composta por Benji (Simon Pegg), Luther (Ving Rhanes) e a enigmática Ilsa Faust (Rebecca Ferguson). Porém, o grupo passa a contar com a participação de August Walker (Henry Cavill), um agente da CIA, enviado para vigiá-los.  Hunt e sua turma deverão fazer de tudo para evitar uma possível catástrofe, mas enfrentarão mais novos desafios e perigos para saírem ilesos.

O roteiro mantém a essência da franquia, com muita ação, sequências de perseguições em grandes cenários, perfeitos enquadramentos e Tom Cruise realizando coisas mirabolantes, como também dá continuidade aos  eventos do filme anterior, com Hunt sendo assombrado pelo passado, por não ter conseguido derrotar Sean Lane, o que vai por em risco também à vida de sua amada, Julia (Michelle Monaghan). A cena do casamento entre Hunt e Julia no início da história já dá o tom do que virá pela frente.

O trabalho de Christopher McQuirre  mostra que sua experiência nos filmes anteriores lhe deu aprimoramento para entregar uma obra digna de um verdadeiro filme de ação, com a inserção de todos os elementos típicos de um longa do gênero, como uma premissa sólida, uma narrativa bem encaixada, eficiente montagem com cenários imponente e boa angulação de câmeras que valorize os movimentos e as expressões corporais do elenco. Não se trata de um filme que traga mais do mesmo, mas um autêntico thriller de espionagem, com trama envolvente, empolgante e um protagonista humanizado, com motivações claras e capaz de despertar empatia no público.

As atuações são acima da média, principalmente do protagonista. Tom Cruise, mesmo após interpretar o mesmo personagem seis vezes, mostra que não perdeu a mão.  Ele não só consegue manter o carisma e conexão com o público, como também o realismo das ações de Ethan Hunt, boa parte delas feitas em ótimos planos-sequência, principalmente nas cenas mais fortes, como a do helicóptero, quando precisa pilotá-lo para capturar Walker e jogar a carga pendurada no veículo em cima do helicóptero pilotado pelo rival, Henry Cavill teve uma participação eficiente, apresenta um personagem sólido e sem ser canastrão, como muitos esperavam. No núcleo feminino, Rebecca Ferguson é o maior destaque, pois apresenta uma performance superior ao filme anterior, com sua personagem ganhando mais desenvolvimento e se tornando uma peça-chave no sucesso da missão que parecia ser impossível (perdoe esse trocadilho ridículo), principalmente na reta final da história.

Apesar do uso desnecessário do 3D, que pouco ou quase nada acrescenta, e do uso de alguns clichês, como a busca por plutônio, algo que parece bem batido, ‘Missão Impossível-Efeito Fallout’ entrega uma trama bem realista, com personagens capazes de atingir o público e tirar o fôlego, com coreografias bem elaboradas, uma trilha sonora vibrante e uma história com incríveis reviravoltas. Uma aventura épica que vale ser acompanhada, palmas para Tom Cruise, elenco e Christopher McQuarrie, um cineasta que mostra ter tato para o gênero ação!

Avaliação: 4,5/5 poltronas.

Poltrona Resenha: Vingadores-Guerra Infinita/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Vingadores-Guerra Infinita/ Cesar Augusto Mota

Dentre todos os filmes lançados até hoje pela Marvel, sem dúvida ‘Vingadores: Guerra Infinita’ é o mais aguardado. Com toda a expectativa e dramatização criados em torno do universo Marvel e seus personagens e a junção de todos eles, chegamos preparados para um filme que promete não só novas emoções como também ambientes mais sombrios e um vilão carismático e carregado de motivações fortes.  Mas será que esse longa dirigido pelos irmãos Anthony e Joseph V. Russoconsegue manter a essência de todos os personagens dos quadrinhos e encerrar o primeiro arco dos Vingadores com excelência?

Desta vez o Homem de Ferro, Hulk, Thor e companhia vão se deparar com Thanos (Josh Brolin), o ser mais poderoso do universo e que vem ávido para capturar todas as Joias do Infinito, para buscar o equilíbrio e favor da vida, mesmo que tenha que dizimar milhões de inocentes. Não há espaço para deslizes, qualquer falha pode ser fatal e a junção de todos os Vingadores será crucial para salvar a humanidade e deter um vilão que aparentemente é imbatível.

A figura de Thanos é construída como uma figura imponente, humanizada e de sentimentos que passam longe da pieguice. Ele impõe medo, transmite ameaça o tempo todo e envolve o espectador, além de se utilizar da sinceridade e do carisma para tornar válidos todos os seus atos. O inimigo é bem traçado e estabelecido na trama, além da devida conciliação de tantos heróis em uma mesma trama, com a distribuição deles nos momentos certos e impactados de alguma maneira, ninguém é mero figurante. O núcleo do Homem de Ferro (Robert Downey Jr), composto por Homem-Aranha (Tom Holland) e Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch), no qual boa parte das ações se concentram, é um dos grandes destaques, com muita pancadaria, impressionantes efeitos especiais e um ótimo entrosamento dos personagens.

A ambientação das ações e os efeitos CGI também são pontos fortes do filme, com representações fortes da Ordem Negra e composições da Corvus Glaive (Michael James Shaw) e Próxima Meia-Noite (Carrie Coon), com excelentes cenas de ação contra os Vingadores. Não só protagonistas carismáticos e expressivos física e psicologicamente que vemos, mas também palcos que possibilitam que percebamos detalhadamente as interpretações de cada herói, além de suas virtudes e fragilidades. A essência dos ícones do Universo Marvel é devidamente respeitada, além de surpreender positivamente os fãs com uma história envolvente, com batalhas ép icas e momentos imprevisíveis.

A Marvel, portanto, consegue entregar ao espectador tudo o que prometeu, com um longa eletrizante, que foge da estrutura clássica de início, meio e fim e com um grande ponto de virada, perceptível após a exibição da cena pós-crédito. Não saia correndo, fique até o fim, vale a pena!

Avaliação: 5/5 estrelas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Tomb Raider: A Origem/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Tomb Raider: A Origem/ Cesar Augusto Mota

Se tornaram cada vez mais comuns lançamentos de filmes baseados em games, como ‘Need for Speed’, ‘Resident Evil’, ‘Terror em Silent Hill’, ‘Hitman: Assassino 47’ e ‘Lara Croft: Tomb Raider’. Boa parte deles teve boa aceitação, principalmente Tom Raider, com Angelina Jolie fazendo uma perfeita combinação entre seu talento, habilidades físicas e sua beleza. Agora surge um reboot da franquia, baseado nos jogos Tomb Raider (2013) e Rise of Tomb Raider (2015), com Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa) no papel principal e Roar Uthaug (A Onda) na direção. Será que a versão 2018 será um deleite para os olhos dos fãs ou uma decepção?

Diferente da primeira versão, na qual Lara Croft era arqueóloga e caçadora de tesouros, ‘Tomb Raider: A Origem’ nos traz uma protagonista com uma vida bem simples, de entregadora de lanches em Londres e disposta a encontrar seu lugar ao sol. O pai, Richard, vivido por Dominic West (The Square-A Arte da Discórdia), está desaparecido há sete anos, desde que partiu para uma viagem no Oceano Pacífico, mas ela acredita que ele ainda esteja vivo e renega sua herança. Após receber uma pista do possível paradeiro de Richard Croft, Lara parte em uma eletrizante aventura pela ilha de Yamatai e vai se deparar com os mistérios em torno do arquipélago e da rainha Himiko, que deixou registros históricos recheados de rastros de terro r e destruição.

O roteiro claramente pega emprestado alguns elementos presentes no game de 2013, como a lenda de Himiko e alguns enigmas a serem resolvidos, como abrir um portal que dá acesso à câmara dos mortos e as armadilhas mortais presentes para quem tentar ter acesso ao local. Porém, a narrativa não funciona, enquanto no jogo Lara Croft é uma super-heroína, forte e resistente física e psicologicamente e motivada pelo pai e os amigos a sobreviver e cumprir seus objetivos, no longa nos deparamos com uma personagem movida pela lembrança afetiva do pai e nem tanto empolgada na jornada na qual se dispôs a trilhar. O único problema de Lara na trama é a relação com o pai, interrompida com a nova missão e posterior sumiço, n&atil de;o há uma evolução da personagem central. A melancolia de Lara e sua constante apreensão são demasiadamente exploradas e outras camadas que poderiam ser mais bem trabalhadas são esquecidas.

Em relação ao quesito atuação, falta carisma, empolgação e, principalmente, vibração nas ações da personagem de Alicia Vikander. A atriz não se mostra confortável na pele da personagem, além de apresentar problemas nas expressões faciais em cenas mais tensas. Os personagens secundários ainda dão uma certa sustentação à história, como Lu Ren e Mathias Vogel, interpretados por Daniel Wu (Warcraft – O Primeiro Encontro de Dois Mundos) e Walton Goggins (Maze Runner: A Cura Mortal), respectivamente. Enquanto o primeiro é uma espécie de braço direito de Lara, o segundo é um vilão diferente, que não quer conflitos corporais e disposto a atingir seu s ideais. Mesmo que soe estranho, há uma novidade na trama, o antagonista, e nada mais, Dominic West tem uma interpretação razoável como pai de Lara, mas não consegue promover grandes reviravoltas na história com seu personagem e interferir no rumo de Lara de uma forma mais contundente.

Se o roteiro e as atuações não são tão empolgantes, os efeitos especiais e a montagem são pontos fora da curva, os espectadores conseguem se empolgar com as sequências de ação que surgem na tela, além dos cenários interessantes retratados, próximos aos constantes nos games. São elementos compensadores em uma trama que carece de consistência, com abuso de clichês na construção da personagem central e excesso de diálogos para explicar a ida de Lara à ilha de Yamatai, recurso que poderia ser suprimido.

Um filme vazio, sem expectativas e carecedor de grandes reviravoltas. ‘Tomb Raider: A Origem’, tentou pegar carona no sucesso de uma franquia rentável no mundo dos jogos eletrônicos e que tentou alavancar a franquia com a imagem de uma atriz consagrada e vencedora do Oscar. Parece uma combinação certeira, mas que acaba não dando muito certo, lamentavelmente.

Avaliação: 3/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Cinquenta Tons de Liberdade/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Cinquenta Tons de Liberdade/ Cesar Augusto Mota

Enfim termina a sequência de filmes baseada nos best sellers de E.L. James, que criou o universo ‘Cinquenta Tons de Cinza’. Após o primeiro e o segundo longa, sucessos de bilheteria, mas não tanto de crítica, chega aos cinemas ‘Cinquenta Tons de Liberdade’, com o intuito de fechar o ciclo com chave de ouro, ou pelo menos de uma maneira honrosa. Será que é mais uma bomba vindo aí ou enfim o público vai se surpreender com uma boa história e um arco dramático convincente?

Anastasia Steele (Dakota Johnson) e Christian Gray (Jamie Dornan) chegam ao último capítulo da trilogia em um momento que parecia significar a redenção de Gray e a plena realização de Ana, com os dois subindo ao altar e trocando alianças. Um momento grandioso e inesquecível para os noivos, mas as sombras do passado continuam por assombrar o casal, com o retorno de Jack Hyde (Eric Johnson), ex-chefe de Ana e disposto a acabar com a vida de Christian, pessoa quem teria arruinado sua vida, segundo ele. E de quebra, os desentendimentos e conflitos entre Christian e Ana ficam ainda mais intensos com a descoberta de uma gravidez inesperada. Ana se mostra empolgada, mas Christian não se sente preparado e teme perder a atenção de sua amada com a chegada da criança.

Sempre que nos deparamos com uma adaptação de livro para o cinema criamos uma enorme expectativa, e não poderia ser diferente com a franquia ‘Cinquenta Tons’, afinal foram pouco mais de US$ 500 mi arrecadados em bilheteria e esperávamos por um grand finale. Mas o roteiro do longa, assinado por Niall Leonard (responsável também por Cinquenta Tons Mais Escuros), apresenta uma série de sequências sem conexão e um ritmo demasiadamente acelerado, prejudicando a evolução da história, seria como se o botão de piloto automático tivesse sido acionado e esquecido de ser desligado.  Em comparação aos anteriores, o filme possui a menor duração, de 100 minutos, outros momentos poderiam ter sido mais bem desenvolvidos para mobilizar o público, que pareceu cada vez mais entediado com as mesmas cenas e recursos utilizados nos dois primeiros filmes, com as famosas cenas quentes e os joguinhos sexuais promovidos por Christian no quarto vermelho, seja para aliviar a tensão após uma grande discussão com Ana ou como forma de punição por ela ter prometido algo e não cumprido.

E como falei antes, o público esperava por um grande arco dramático e viradas surpreendentes na história, mas não houve muito o que desenvolver, as duas primeiras partes da trama não empolgam muito a plateia e trazem praticamente as mesmas sequências, com discussões do casal, viagens para acalmar os ânimos, uma cena ou outra de Ana saindo com os amigos e as cenas quentes entre ela e o marido nos mesmos lugares de sempre. Tudo se dá de forma repetitiva e morna, e apenas no terço final que temos algo novo e que pode mudar o curso da história, com um incidente envolvendo Mia(Rita Ora), a irmã de Christian, que vai envolver  o casal, mas cada um resolvendo do seu jeito, antes que os dois se reencontrem.

As atuações são díspares, Dakota Johnson seguiu esbanjando sensualidade e espontaneidade em algumas cenas, com sua personagem submissa em boa parte do tempo e em outros na busca por mais autonomia, seja saindo mais com os amigos ou dedicando horas de seu tempo em sua editora de livros. Jamie Dornan não conseguiu se livrar daquele Christian Gray robótico do primeiro filme, sádico e machista e compulsivo por sexo, mas com sérias dificuldades de transmitir emoções. Quem mais se destaca é justamente Eric Johnson, apesar de pouco tempo em tela consegue quebrar o gelo da trama e com intervenções importantes, mas seu personagem poderia ter tido um arco melhor desenvolvido e mais bem aproveitado, o mesmo valendo para o elenco de apoio, vemos poucas novidades sobre os amigos de Anastasia, mas muitos não mostram a que vieram.

A franquia ‘Cinquenta Tons’ se despede do público trazendo em seu desfecho um pouco mais do mesmo, muito burburinho, cenas quentes e poucos conflitos desenvolvidos em uma história que permite muito mais. Que surjam novas sagas para os espectadores e que sejam empolgantes, pois esta não deverá deixar saudades.

Avaliação: 2,5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota