Poltrona Resenha: Perdidos em Paris/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Perdidos em Paris/ Cesar Augusto Mota

Uma história sensível, poética e recheada de momentos cômicos. Assim é ‘Perdidos em Paris’, longa dirigido por Dominique Abel e Fiona Gordon, que chega ao circuito nacional esta semana e marca a despedida de Emmanuelle Riva das telas, falecida em janeiro, aos 89 anos. A trama se passa em Paris e conta com o protagonismo de Abel e Gordon em meio a trapalhadas na Cidade Luz.

Tudo começa quando Fiona (Gordon), uma bibliotecária canadense, recebe uma carta de sua tia Martha (Riva), uma senhora idosa de 88 anos, que vive sozinha em seu apartamento e está com medo de ser levada para um asilo, pois é vista por seus vizinhos como incapaz de cuidar de si mesma. Ao saber da história, Fiona embarca no primeiro avião para a capital francesa, mas ao chegar à cidade descobre que sua tia desapareceu e se mete em situações inusitadas e tragicômicas, perdendo seu dinheiro e pertences.

A situação fica ainda mais hilária quando Dom (Abel), um sedutor e sem-teto muito egoísta, entra na trama e não vai largar do pé de Fiona na incessante busca pelo paradeiro de sua tia. Começa desde então uma relação de cumplicidade e companheirismo improvável entre os dois, além de cenas divertidas, sensíveis e regadas de muitas técnicas de ‘clown’, presentes em filmes de Charles Chaplin e que fazem o espectador rir sem a necessidade de palavras, as ditas piadas visuais, com alguns passos de dança. As cenas ficaram ainda mais graciosas com essas técnicas, e percebemos que, na medida em que a história vai evoluindo, a confiança e o respeito entre Fiona e Dom, inexistentes no começo da trama, aumentam, e as condutas que ambos tomam vão ser decisivas para o desfecho, algo surpreendente.

O roteiro é muito bem construído, com 3 histórias que se entrelaçam e ajudam a explicar várias sequências, principalmente os encontros isolados entre os protagonistas e como pode se dar a possível descoberta do paradeiro de Martha, que tenta encontrar a sobrinha ao mesmo tempo em que foge para não ser mandada para um asilo. A montagem também é eficaz, com sincronia entre as músicas e a sensação de se estar dentro de uma poesia, uma autêntica obra-prima.

E a fotografia? Falei muito em 3 personagens, mas pode-se dizer também que existe um quarto personagem no enredo, a cidade de Paris. O espectador passa a ter um outro olhar ao se deparar com o Rio Sena, a Torre Eiffel, o Cemitério Père Lachaise e a Estátua da Liberdade (sim, há uma na França, numa pequena ilha no Sena). Além disso, esses cenários são importantes na construção da história e trazem uma atmosfera engraçada e uma sensibilidade ainda maior, principalmente nas cenas de Martha, que recorre à suas técnicas de dança, muito utilizadas na juventude, sem se entregar à ideia de que o tempo passou e sem se sentir descartável.

Das atuações, não preciso falar muito, foram excepcionais, com a arte do improviso de Dominique e Fiona muito bem apuradas, bem como a habilidade para o humor nos momentos certos, assim como para o drama em cenas mais fortes. E Emmanuelle Riva entrega uma personagem capaz de sensibilizar a todos, seja por sua esperteza, agilidade, inteligência e experiência, e Martha podemos dizer, se confunde com a vida e personalidade da atriz, que nos deixa um grande legado e ótimos trabalhos. É uma ótima oportunidade para vê-la pela última vez e uma despedida em alto nível.

O que está esperando? Não perca ‘Perdidos em Paris’, que estreia em 06 de julho em todo o Brasil, com a distribuição da Pandora Filmes. Não perca!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

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Poltrona Resenha: War Machine/ Luis Fernando Salles

A nova tendência de Hollywood se encontra bastante clara nesta bem produzida sátira da Netflix, dirigida por David Michôd e estrelada por Brad Pitt. De tempos para cá, podemos perceber que a terra do cinema vem sendo bastante crítica quando o assunto é a política externa norte-americana. Nesta história verídica, o general Glen McMahon (Pitt), no auge de sua carreira após seu sucesso no Iraque, é deslocado para comandar a ofensiva norte-americana no Afeganistão, na guerra que ficou conhecida como “A Guerra Impossível”. Após chegar ao local, Glen e sua equipe iniciam o trabalho com a missão de achar e exterminar grupos terroristas adeptos do Jihadismo. Porém, eles não são fáceis de serem achados. Não é uma guerra comum aonde você enfrenta um exército com soldados, sargentos, generais, navios, aviões e tanques. Caçar um grupo terrorista, nesse cenário, é a mesma coisa que tentar pegar fumaça. Você não consegue. Entretanto, mesmo esbarrando em diversas dificuldades, o vaidoso general não dá o braço a torcer e usa de toda sua influência para conseguir meios de vencer esse arrastado conflito.

Voltando a falar sobre a postura de Hollywood, ela deixa clara sua opinião sobre o método usado pelos norte-americanos na abordagem a países invadidos. Resumindo: os militares ocupam a região, causam um certo caos e medo, colocam em risco a vida e a segurança da população local no decorrer dos inúmeros confrontos contra rebeldes, porém, usam do discurso que estão lá apenas para ajudar, instaurando a democracia no país e libertando seu povo das mãos de tiranos. Nós sabemos que a situação não é bem essa. Esse cenário cria a chamada guerra de contra insurgência, que acontece quando o objetivo da força invasora é não deixar que os civis da região (logo, os mais prejudicados) se revoltem com a situação e insurjam, pegando em armas para lutar, criando um cenário infernal e imbatível. Não dá certo. Nunca deu. Nunca vai dar. E essa é a principal mensagem que o filme tenta passar. A de um general vaidoso que é chamado para vencer uma guerra invencível, mas esbarra no próprio orgulho e a arrogância do sistema.

Para quem gosta desse tipo de discussão, esse filme é uma ótima maneira de vermos  essa guerra com olhares diferentes. Por ser uma sátira, conta com uma atuação propositalmente forçada do excelente Brad Pitt, e um caminhão de críticas de seus produtores sobre a, na época, insustentável situação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poltrona Resenha: Sonata de Outono/Tom Machado

Poltrona Resenha: Sonata de Outono/Tom Machado

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Se existe um tema que sempre gera grandes filmes, é ele: relações complexas entre seres humanos. Qualquer um já teve a oportunidade de assistir à um bom drama sobre um casal, amigos ou mesmo um romance entre desconhecidos. Mas quem assiste “Sonata de Outono”, dirigido por ninguém menos que Ingmar Bergman, com certeza nunca viu nada parecido.

A história do filme é a seguinte: a pianista Charlotte (Ingrid Bergman) vai visitar a filha Eva (Liv Ulmann), no interior da Noruega. Enquanto a mãe é um artista de renome internacional, a filha é tímida e deprimida. Esse encontro tenso, marcado por lembranças do passado, revela uma relação repleta de rancor, ressentimentos e cobranças.

Eu posso dizer: o filme me deixou de queixo caído. Conforme foi se desenrolando, consegui experimentar de uma maneira bem crua como é o desgaste emocional de Eva, parecendo viver eternamente com um vazio no seu peito, consequências de sua infância com a mãe narcisista. A direção de Ingmar Bergman parece sempre nos deixar anestesiados.

Como se para Charlotte já não fosse fácil lidar com seu acerto de contas com Eva, na história ainda está presente Helena (Lena Nyman), uma outra filha sua que ela abandonara numa instituição para doentes mentais. Helena vive com Eva e seu marido Viktor (Halvar Björk), e a mãe só toma conhecimento disso na visita. Imaginem o choque para a personagem.

Se por um lado, compreendemos como é ser rejeitado, entendemos também como é duro rejeitar. Com seus próprios abismos
interiores, vemos o lado da mãe, que por um descuido da natureza, parece não ter vindo preparada para ser boa o suficiente. Ingrid Bergman dá um verdadeiro show e na minha opinião, essa é uma de suas melhores performances no cinema. Liv Ulmann não deixa a desejar no papel da filha incompreendida e que quer ser amada. Uma verdadeira obra de arte essa sonata.

Confesso que quando o filme acabou, senti um certo conforto por nunca ter vivido isso e ter tido uma mãe completamente oposta à pianista. Com certeza não deve ser fácil assistir para quem já passou por isso, mas acho que esse grande trabalho de ambos os Bergman merece a atenção de todos. Lindo filme que ficará para sempre em minha memória.

Por Tom Machado

 

Poltrona Resenha: Um Instante de Amor/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Um Instante de Amor/ Cesar Augusto Mota

Sempre que entra em cartaz um filme baseado em livro, a curiosidade e a expectativa aumentam, não é mesmo? E o que dizer de uma história que se passa na década de 1950 e que explora o drama, a razão, a loucura e a doença utilizada como algo metafórico? ‘Um Instante de Amor’, dirigido por Nicole Garcia e baseado na obra de Milena Agus é a grande estreia da semana no circuito nacional, distribuído pelas Mares Filmes. O longa terá as participações de Mario Cotillard e Louis Garrel, além de Alex Brendemühl.

A história acompanha Gabrielle (Cotillard), uma jovem que enfrentou um trauma por conta de uma desilusão amorosa e que foi obrigada a se casar com um operário, e sem hesitar. Pressionada por conta da idade e da necessidade de contrair matrimônio, a moça se vê num dilema e começa a sofrer de surtos, além de problemas renais. Sem alternativas, a família resolve interná-la e na clínica de recuperação ela conhece André Sauvage (Garrel), um militar em estado terminal por quem nutre uma ardente e obsessiva paixão.

O que chama a atenção é a atuação de Marion Cotillard, que demonstra uma personagem com personalidade forte, impulsiva e bem avançada para a época, com sedento desejo pelo amor e gênio indomável, algo inimaginável para as mulheres dos anos 1950. E as dores que Gabrielle sente, as complicações renais, são fruto de seus sentimentos, medo e necessidade de autocontrole, daí a metáfora empregada na obra. O filme merece destaque nesse ponto, por fugir de coisas óbvias, por trazer originalidade e a essência do feminino, como as fragilidades, a personalidade e o empoderamento, muito bem retratados e com solidez de Cotillard.

O marido de Gabrielle, José, interpretado por Alex Brendemühl, também impressiona pelo seu lado passivo e humano. Apesar de perceber que sua esposa não o ama e que o casamento não tem futuro, ele deseja que Gabrielle viva bem e se reencontre na vida, diante do seu quadro de desespero, confusão e loucura. Você não consegue ficar contra José, acaba torcendo também por ele e fica ainda mais impressionado com sua evolução até o fim da história, no momento em que Gabrielle recebe alta e pode ir para casa.

Outros pontos fortes do filme são a trilha sonora e a fotografia, com cenários bonitos e a música Barcarola de Tchaikovsky, com muita elegância e charme para a obra. O espectador fica convencido que ele está em Provence, uma das cidades onde se passa a história, além de se deixar envolver pela música e atuação do elenco, com elegância, sensualidade e muita honestidade. Você vai se deparar com a honestidade masculina e o empoderamento e delicadeza feminina e irá fazer contrapontos, uma trama muito bem construída.

A diretora Simone Garcia realiza um trabalho digno, com um enredo que explora o romantismo, a sensibilidade, a razão e também abre espaço para o inesperado, que surge da metade da trama e vai até o desfecho, segurando a atenção e despertando a curiosidade do público. Um filme que sabe equilibrar razão e emoção e equilibrar os universos feminino e masculino, vale a pena conferir.

‘Um Instante de Amor’, destaque no Festival Varilux de Cinema Francês 2017, chega ao circuito nacional em 29 de junho. Não perca!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha/ Baywatch/ Por: Vitor Arouca

Poltrona Resenha/ Baywatch/ Por: Vitor Arouca

maxresdefault.jpg Mitch Buchannon (Dwayne Johnson), Stephanie Holden (IIfenesh Hadera) e C. J. Parker (Kelly Rohrbach) são os principais salva- vidas da Baía de Baywatch e todo ano eles fazem um concurso para recrutar um novo profissional.

O chefe de Mitch manda a ordem de colocar em sua equipe, o campeão olímpico de natação, porém problemático Matt Brody (Zac Efron).  Mitch não aceita a ordem de primeira e tenta fazer Brody participar do processo seletivo para guarda- vidas.

Apenas uma pessoa entrava para a equipe por ano, mas desta vez três vagas foram abertas para o trabalho na praia de Baywatch e Matt Brody, Summer Quinn (Alexandra Daddario) e Ronnie Greenbaum (Jon Bass) são aprovados no teste.

Brody sofre para se adequar aos treinamentos de Mitch e sua falta de responsabilidade no trabalho acaba atrapalhando o entrosamento do grupo, mas tudo se resolve com uma segunda chance para Brody.

Mitch desconfia de que o tráfico de drogas quer se espalhar pela Baía e começa a investigar com a sua equipe de salva-vidas se existe realmente uma tentativa do tráfico ficar em Baywatch.

Uma bom filme para rir. Uma boa atuação da dupla Dwayne Johnson e Zac Efron.

Nota: 3,5/5

 

Poltrona Resenha: O Círculo/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: O Círculo/ Cesar Augusto Mota

Com a popularização da Internet e dos reality shows, ficamos cada vez mais expostos e, por que não dizer, mais vigiados? As redes sociais estão bombando cada vez mais, a necessidade de ser e depois parecer está mais latente, bem como a espetacularização da imagem e da vida privada se tornaram predominantes. Tudo isso representa o momento atual em que vivemos e também faz parte do enredo do próximo filme que chega aos cinemas brasileiros esta semana, o longa “O Círculo”.

Sob a direção de James Ponsoldt e com as participações de Emma Watson, Tom Hanks e John Boyega, “O Círculo” ilustra a rotina de Mae Holland (Watson), uma jovem que possui um emprego temporário de atendimento a clientes e que precisa de dinheiro urgente para tratar da saúde do pai, que sofre com a esclerose múltipla. A garota vê sua vida mudar após a amiga Annie (Karen Gillan) conseguir para ela uma entrevista na maior empresa de ramo tecnológico do planeta, com uma vasta base de dados composta por informações pessoais e criptografadas obtidas de alguma forma e cadastradas no Círculo.

Após entrar no Círculo, Mae se envolve com uma série de atividades que a fazem ganhar mais pontos e subir numa escala de popularidade, o que nos faz lembrar do primeiro episódio da terceira temporada de Black Mirror, no qual ser popular é o mais importante e se ganha vantagens. Com sua rápida ascensão, ambição e espírito de liderança, Mae começa a chamar a atenção de Eamon Bailey (Hanks), e vê nela a oportunidade de implementar seus ideais, o de abolir o anonimato digital e fazer as pessoas saberem de tudo o que acontece ao redor, sem restrições.

O roteiro do filme é bem criativo, explora os contextos da alienação; gerada pelo constante uso das redes sociais, além das ideias de privacidade; rompida com os métodos aplicados pelo círculo na sociedade norte-americana, e da transparência; tão cobrada pelos cidadãos às autoridades que nos controlam. Além disso, muitas perguntas surgem na nossa mente e servem para reflexão e debate. O ser humano é mais transparente e se comporta melhor se for vigiado 24 horas por dia? A privacidade vai acabar com a popularização e uso maçante das tecnologias? Por que as pessoas se preocupam tanto com a popularidade? O monitoramento das relações humanas resolve problemas que por muitos séculos nos aflige, como a violência e a corrupção?

Com o transcorrer da história, vamos martelando esses questionamentos na cabeça, além de nos depararmos com uma verdadeira transformação no perfil de Mae, que cai em várias cascas de banana por se envolver demais com a tecnologia, até chegar ao ponto de esfriar a relação com seus pais e colocar outras pessoas em risco. Todos os nossos atos geram consequências e devemos estar atentos para com nossos princípios e a maneira que os colocamos em prática nos círculos sociais, o que é bem transmitido no filme.

Sobre as atuações, elas agradam, mas o longa peca em centralizar a história mais nas atitudes da personagem de Emma Watson e deixar Tom Hanks e John Boyega em segundo plano. Este aparece em poucas cenas, sua participação poderia ter sido mais bem trabalhada e mais decisiva na trama, mas ele retorna em um momento crucial, o que acaba salvando o trabalho de Boyega. Já Tom Hanks tem uma atuação segura, mas um pouco abaixo de outros trabalhos feitos e que o consagraram na sétima arte.

O desfecho do filme deixa a desejar, ele não entrega ao espectador tudo o que poderia, mas nos mostra que o uso da Internet e das redes sociais podem se tornar um instrumento poderoso, seja para o bem ou mal, a depender do seu manuseio. “O Círculo” é um ótimo convite para quem gosta do assunto tecnologia e está interessado em refletir sobre as consequências de seu bom ou mau uso, veja e tire suas conclusões.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Neve Negra/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Neve Negra/ Cesar Augusto Mota

Uma tragédia ocorrida no seio familiar cujo trauma perdura até os dias atuais. “Neve Negra”, filme de Martin Hodara, parece tratar de terror por conta do título, mas é um drama psicológico que vai mexer com você. A produção argentina estreou no circuito nacional na semana passada e já está dividindo opiniões.

A história acompanha a vida de Salvador (Ricardo Darín), um homem introvertido que mora na Patagônia e acusado de assassinar o irmão na adolescência. Marcos (Leonardo Sbaraglia), seu outro irmão, e a cunhada Laura (Laia Costa), visitam-no e tentam convencê-lo a vender as terras que ficaram para a família após a morte do pai. A partir daí, a narrativa utilizada serve para prender a atenção e revelar segredos há tanto tempo ocultos.

O recurso do flashback, mesmo não sendo uma coisa inovadora, ajuda a tornar a trama mais instigante, além de aumentar gradativamente o drama e a tensão acerca do assassinato de Juan (Iván Luengo). Com o auxílio de uma fotografia apagada e um ambiente claustrofóbico, a narrativa causa arrepio no espectador, com um bom efeito psicológico e as peças se encaixando aos poucos para desvendar o mistério que há tanto tempo atormenta a família.

No tocante ao elenco, as atuações são surpreendentes, principalmente de Ricardo Darín e da espanhola Laia Costa. O primeiro surge com uma aparência grotesca e um semblante de amargura, e a impressão que temos é que uma iminente agressão entre Salvador e Marcos vai acontecer, um papel que é difícil de fazer e Darín faz com todas as honras. Já a personagem de Laia, Laura, é a mola mestra da história, pois é ela que se antecipa aos perigos, consegue estabelecer uma forte ligação com Sabrina (Dolores Fonzi), outra irmã de Marcos e Salvador, e com suas habilidades impressionantes ajuda a esclarecer uma série de dúvidas, até o desfecho da história.

Se o filme não é um primor, traz uma atmosfera forte bastante reflexiva para o espectador, com uma excelente direção de arte, fotografia e atuação eficiente dos atores, além de uma direção competente de Martin Hodara, E no fim da sessão você certamente irá se perguntar: até que ponto as relações humanas podem ser tão complexas e perversas? Um convite que vale a pena ser aceito, veja “Neve Negra” e comprove, você não se arrependerá.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota