Poltrona Resenha: Roda Gigante/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Roda Gigante/ Cesar Augusto Mota

Quem não se lembra de ‘Blue Jasmine’, filme de Woody Allen que rendeu para Cate Blanchett o Oscar de melhor atriz, em 2014? Após tropeços nos últimos anos, o aclamado cineasta resolve voltar a investir em um filme que possui uma mulher mais velha no centro da narrativa e cheia de conflitos para resolver. ‘Roda Gigante’, exibido recentemente no Festival de Nova York e na sessão de gala do último sábado (14/10) do Festival do Rio, chega para voltar a cativar os fãs de Allen e conquistar novos públicos.

A história se passa em Coney Island, Nova York, nos anos 1950, e somos apresentados inicialmente a Ginny (Kate Winslet), uma ex-atriz que é abandonada pelo primeiro marido após este ter descoberto sua infidelidade. Para manter a casa e o filho Richie (Jack Gore), um garoto de comportamento doentio e com mania de atear fogo nas coisas, Ginny passa a trabalhar como garçonete e posteriormente conhece Humpty (Jim Belushi), um mecânico de roda gigantes. Um apoia o outro nas adversidades e Ginny se casa com Humpty, mais por gratidão do que por amor. Infeliz no casamento, ela conhece Mickey(Justin Timberlake), salva-vidas do posto 7 da praia de Coney Island e universitário apaixonado por artes cênicas e literatura, com quem passa a ter um romance. Mas a vida de Ginny começa a mudar quando Carolina (Juno Temple), filha de Humpty, chega para pedir socorro e abrigo após seu casamento com um gângster chegar ao fim e ser jurada de morte pelos comparsas dele.

Dá para notar a presença de uma série de subtramas e vários abacaxis a serem descascados, e a expectativa que há é que Woody Allen tenha cartas na manga e vai trazer soluções mirabolantes para todas elas, mas será que ele realmente faz isso? O que é possível notar é a presença de diálogos sem profundidade, que se repetem em boa parte da história e sem tanto alarde, o uso da quebra da quarta parede, ou seja, o popular diálogo de um intérprete com a plateia e olhando para a câmera, feita pelo personagem de Timberlake, e o popular alter-ego do diretor, representado pelo personagem principal da história, caso de Winslet. Todos esses elementos já vimos antes, nada de inovador, e alguns desses entreveros não ganham grandes contornos durante a história, caso do comportamento controverso de Richie, e outros sem um desfecho claro. Muita coisa fica confusa aos olhos de quem acompanha e fica um gosto de quero mais. Há a presença de uma leve reviravolta na história, mas que não invalida a qualidade da obra.

A fotografia, assinada por Vittorio Storaro, três vezes vencedor do Oscar, traz uma belíssima reconstrução da cidade de Nova York dos anos 1950, com cores vivas, vibrantes, bonitas paisagens, mas também com tons de melancolia. Além disso, o jogo de luzes utilizado retrata o estado de espírito dos personagens. A iluminação muda na medida em que os diálogos se aprofundam, e nota-se nas cenas quem que Ginny conversa com Mickey abaixo de um píer na praia e quando Ginny e Carolina dialogam no quarto, no dia do aniversário de 40 anos da personagem de Kate Winslet. O humor desta se altera a ponto de vermos a cena com um tom mais acinzentado, visto que ela pensa que há algum relacionamento entre Carolina e Mickey, tamanho era o seu ciúme.

A escolha dos atores foi acertada e as atuações são grandiosas. Justin Timberlake não decepciona como Mickey, e também não é tão exigido, Juno Temple ilustra uma jovem inicialmente empolgada, mas que apresenta posteriormente um grande amadurecimento, o jovem Jack Gore rouba a cena em vários momentos e demonstra um personagem que outras crianças interpretariam. Jim Belushi agarra seu papel com unhas e dentes e demonstra muita força para voltar a fazer grandes trabalhos e Kate Winslet é a alma do filme, ela consegue ilustrar uma personagem carregada de culpa e situações mal resolvidas no passado, passa muita coragem, segurança e transparece uma verdadeira transformação para atingir o patamar que conseguiu na história. De encher os olhos.

Apesar dos altos e baixos, ‘Roda Gigante’ mostra a força ainda existente de Woody Allen, na capacidade de construir histórias com grandes arcos dramáticos, escalação de atores eficientes e a possibilidade de nos apresentar belos planos estéticos. Marcas registradas de um nova iorquino vencedor de quatro Oscars e ainda com muita lenha para queimar, longevidade ao mestre!

Avaliação: 4/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

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Poltrona Resenha: Blade Runner 2049/ Pablo Bazarello

Poltrona Resenha: Blade Runner 2049/ Pablo Bazarello

Villeneuve, para, que tá chato!

Por Pablo Bazarello

Quando Blade Runner – O Caçador de Androides foi lançado nos cinemas em 1982, sua recepção foi no mínimo fria por parte do público e também dos críticos, que não entenderam na época sua importância e influência para o gênero. De fato, Blade Runner ainda hoje surge como caso de estudo, mostrando o quão importantes são as bem vindas revisões de obras cinematográficas, para filmes em questão e também para os próprios avaliadores. É o olhar fora de seu tempo.

Blade Runner então era redescoberto alguns anos depois de seu lançamento, como se todos tivessem perdido o trem e deixado passar uma pérola de forma despercebida. Este era apenas o terceiro trabalho como diretor para o cinema de Ridley Scott, que meio por acaso escrevia seu nome na história como representante de um gênero que mudava com os novos tempos: a ficção científica. O trabalho anterior do cineasta havia sido Alien – O Oitavo Passageiro (1979), ao lado de Blade Runner formando uma dobradinha de duas das ficções mais significativas e ditadoras de tendência da história do cinema.

Pulamos para 2017, num tempo em que os blockbusters são produções enlatadas, vendidas para as massas através de uma fórmula da qual dificilmente querem se ver livre. Numa época em que muito já foi tentado – pensem só, são mais 35 anos de centenas de filmes lançados por ano – e pouquíssimo nos surpreende como novidade, seja narrativa, seja de roteiro ou estética (o visual). Neste cenário, chega a aguardadíssima sequência de um longa que justamente ajudou a revolucionar a forma como histórias são contadas no cinema – já imaginaram um noir de detetives, passado no futuro, com narração em off, robôs, carros voadores, e a maior das questões de todos os tempos: o que é ser humano? Sim, pois é.

É claro, Blade Runner é baseado no conto do papa da ficção científica Philip K. Dick, com roteiro adaptado por Hampton Fancher e David Webb Peoples (Os 12 Macacos). Para esta continuação, apenas Fancher retorna com um novo argumento e assinando o roteiro, que teve parceria do novato Michael Green (Logan). Para a dificílima tarefa de voltar ao universo da Los Angeles futurística – que se tornou sinônimo de direção de arte inovadora – de replicantes e seus caçadores, entra em cena um dos contadores de histórias mais talentosos da atualidade, o franco-canadense Denis Villeneuve. O diretor é daqueles que gosta de desafios, criando obras bem diferentes uma da outra e passeando por variados gêneros nos quais imprime sua pegada. Não poderia haver escolha mais satisfatória para não deixar Blade Runner se tornar uma obra fácil e de consumo rápido.

Da equipe original, além do roteirista Fancher, apenas Ridley Scott na produção e alguns rostos bem conhecidos no elenco. A direção de arte de Lawrence G. Paull, por exemplo, foi substituída pela de Dennis Gassner, que cria uma Los Angeles ainda mais sombria, igualmente chuvosa, mas demonstra que nesses quase 40 anos, a Terra, como era de se esperar, sofre de superpopulação. Percebemos através de algumas tomadas que uma grande área da cidade se tornou uma gigantesca favela, com um amontoado de pequenas casas, todas no mesmo plano. Até a residência do protagonista, o agente K (Ryan Gosling), é similar a um conjunto habitacional, onde os vizinhos não são os mais amistosos.

A fotografia de Jordan Cronenweth, falecido em 1996, dá lugar para a de Roger Deakins, considerado um dos melhores fotógrafos do cinema atualmente e dono de 13 indicações (incluindo Sicario: Terra de Ninguém), mas que ainda, injustamente, não possui uma estatueta do Oscar em casa. Quem sabe Blade Runner 2049 faça jus a este profissional. Basta dizer que o trabalho de Deakins no longa é bom neste nível. São inúmeras sequências de tirar o fôlego, que só não sobressaem ao filme em si, pela mão forte na condução de Villeneuve. Já a inesquecível trilha de Vangelis no filme original é homenageada na medida certa pela dupla Hans Zimmer (que não esquece seus esporros histriônicos) e Benjamin Wallfisch.

Na trama, Ryan Gosling interpreta o agente K. Ele é um Blade Runner, oficial designado a encontrar e eliminar replicantes infratores, ou seja, seres artificiais que não possuem autorização para fazer ou viver da forma que estão. Logo na cena de abertura, o oficial irá confrontar o personagem do grandalhão Dave Bautista, o Drax de Guardiões da Galáxia. Nesta única cena em que aparece, Bautista será essencial e dará o primeiro passo do grande enigma a ser desvendado ao longo de quase 3 horas de projeção (o original tinha 2 horas) – sim, você leu certo!

A esta altura é válido dizer que Blade Runner 2049 não é um blockbuster comum, não é puro escapismo, não é puro entretenimento. Se sua intenção for se distrair, não ter muito em que pensar e quiser apenas esquecer os problemas num filme pipoca de rápido consumo e descarte, procure em outras bandas, o novo Blade Runner não é o filme para você. Esta é uma obra contemplativa, de ritmo deliberadamente lento, que não faz uso de nenhuma grande cena memorável de ação. Blade Runner segue sendo um filme de questões, de mais perguntas do que respostas e de imersão, na qual nos pegaremos pensando dias após o término da exibição.

Existe muito a ser descortinado ainda, mesmo depois da primeira visita. Humildemente, reconheço que precisarei pensar bastante no que assisti hoje para tentar fazer jus, este texto com certeza não fará. Ao mesmo tempo, já posso adiantar que há muito não assistia a uma superprodução tão minuciosa e, por que não, sofisticada quanto o novo Blade Runner. As comparações com Mad Max: Estrada da Fúria (2015) são justas, no sentido de que ambas são blockbusters fora de seu tempo, presos a uma época em que cinema era arte bem cuidada e o entretenimento vinha depois. Hoje é o inverso, e filmes como estes causam estranheza, e o pior, comparações e desmerecimento com superproduções ordinárias.

A verdade é que eu poderia falar o dia todo sobre o novo Blade Runner, mas preciso ir direto ao ponto. Ryan Gosling se sai bem como o protagonista, no entanto, não é dono do melhor personagem ou cria empatia suficiente. Ao contrário do Deckard de Harrison Ford no filme original, o K de Gosling nos faz assistir a esta trama de fora. Sim, Harrison entra em cena, mas aos, digamos, 30 minutos do segundo tempo, dando uma guinada inclusive no estilo de filme e em seu teor, algo mais caloroso e emocional, em contraponto com a atmosfera quase gelada que era apresentada.

Jared Leto vive o enigmático criador dos seres sintéticos, aparece somente em duas cenas, e assim como o próprio ator / músico seu personagem não faz muito sentido. Quem rouba muito dos momentos são as fortes personagens femininas da trama. A cubana Ana de Armas é Joi, um ser mais artificial ainda que os replicantes, criando uma dinâmica triangular interessantíssima sobre níveis de realismo e virtualidade. A graciosa Mackenzie Davis (de San Junipero, o melhor episódio da fantástica Black Mirror) tem menos tempo em cena do que gostaríamos, mas entrega um dos momentos mais criativos e inovadores em uma ficção científica recheada deles. Por fim, o verdadeiro achado do novo Blade Runner, a holandesa Sylvia Hoeks, que vive Luv, a personagem mais interessante adicionada na nova história – dona de inúmeros subtextos e questões a serem adereçadas – e que surge como subversão de Rachael, a personagem de Sean Young no filme de 1982, parte intrínseca do novo igualmente.

Blade Runner 2049 pode ser chamado de um filme com uma trama simples e linear, mas lembrando que o original resumia-se ao oficial Deckard (Ford) encontrar e eliminar replicantes renegados, que tinham Roy Batty (Rutger Hauer) como líder. Seu diferencial estava nas entrelinhas, no forte teor filosófico e existencialista nos quais suas cenas eram criadas. O mesmo ocorre na nova versão, que vai além e apresenta um mistério que é um verdadeiro “tiro” no quesito “apresentar algo nunca anteriormente visto”. E para quem reclama do cinema Hollywoodiano explicado e mastigado para o público, quero ver saber lidar com 2049, e seu enigma não solucionado. Durma com esse barulho e muito cuidado com o que desejam.

 

Fonte: CinePOP

Poltrona Resenha: Chocante/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Chocante/ Cesar Augusto Mota

Que tal um filme nostálgico, para matar as saudades das boy bands dos anos 80 e 90, mas em forma de sátira, com o antes e depois de celebridades até então instantâneas e que precisaram seguir rumos opostos em decorrência das circunstâncias da vida? Com tudo isso exposto, parece que ‘Chocante’, da Imagem Filmes, é um filme com roteiro rico, atores em sintonia e uma história com muitas risadas. A última parte sim, mas o restante, não é o que parece.

A trama acompanha a trajetória de Tim (Lúcio Mauro Filho), Clay (Marcus Majella), Téo (Bruno Mazzeo) e Tony (Bruno Garcia), quatro amigos que já estão na faixa dos quarenta anos e há duas décadas formaram um conjunto que fez sucesso por cerca de oito meses e no estilo Dominó e Menudos: Chocante, que intitula o filme. O quinto integrante, Tarcísio, falece, e todos se reúnem em seu funeral para relembrar os tempos de fama e resolvem voltar e fazer um show, como nos velhos tempos. Mas antes de um possível reencontro com o público, ficamos a par da vida de cada um deles, e a sensação de que todos eles lamentam muito terem uma trajetória de um relativo sucesso interrompido.

As pequenas subtramas que são apresentadas, com Clay sendo promoter em um supermercado; Téo como cinegrafista de filmes independentes, Tim vivendo em Macaé e trabalhando como médico do Detran e Tony como motorista; de Uber em um momento e de táxi em outro, todas parecem soltas, sem nenhuma ligação. Há pouco aprofundamento e personagens são um tanto apáticos. Quem traz um pouco de entusiasmo na história é a fã apaixonada e ensandecida Quézia (Débora Lamm), a encarregada por reunir o grupo e cuidar das lembranças do passado, como fotos, vídeos, produtos que levaram o nome do grupo. Quézia é quem se prontifica a dar um ânimo a todos, que mais se lamentam pelo passado perdido e o present e decepcionante, do que relembrar com alegria e saudosismo de uma época em que foram felizes e fizeram pessoas se divertirem e sorrirem.

E onde está o conflito na história? Parece que não existe, a narrativa não apresenta muita emoção, e os personagens secundários, como o empresário Lessa (Tony Ramos) e Dora (Klara Castanho), filha de Téo, ambos com pouco espaço na tela. Mas apesar da mínima exposição, eles possuem importância e nos brindam com momentos muito divertidos. As locações e figurino são de ótima qualidade, nos fazem relembrar a década de 80 e 90 e fazemos uma viagem no tempo, e a música do grupo, Choque de Amor, além de ter uma letra que lembre sucessos do Menudo e do Dominó, tem um refrão chiclete e de fácil memorização, o público gosta e rapidamente se empolga.

Cada ator se destaca de um jeito diferente, Marcus Majella pelo personagem divertido e espalhafatoso, seja no Chocante ou no supermercado, com venda de peixes, Bruno Garcia com sua exposição caricata, Lúcio Mauro Filho e Bruno Mazzeo são um pouco mais dramáticos e focam mais na emoção, eles nos mostram dois irmãos com suas diferenças e mágoas, porém unidos. E menção honrosa para Pedro Neschling, que interpreta Rod, uma espécie de quinto elemento do grupo Chocante, que irá fazer uma forte crítica ao mundo das celebridades com seu personagem. Um elenco de primeira linha, que ainda terá participações para lá de especiais.

Se ‘Chocante’ não nos traz um grande enredo, consegue cativar o público mais saudosista e nos diverte bastante. Mesmo com uma música um tanto cafona, é difícil ficar parado.

Avaliação: 3,5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Malasartes e o Duelo com a Morte

Poltrona Resenha: Malasartes e o Duelo com a Morte

A morte vai enganar o homem mais esperto ou o homem esperto vai ter que usar todas as artimanhas para enganar a morte? Essas perguntas curiosas se farão presentes durante ‘Malasartes e o duelo com a Morte’, nova produção da O2 Filmes, que traz de volta um personagem da nossa literatura para encantar as futuras gerações.

Pedro Malasartes (Jesuíta Barbosa) é um malandro que sobrevive praticando um golpe aqui e outro ali e que vive se engraçando com muitas mulheres lindas. O coração do protagonista bate muito forte por Áurea (Ísis Valverde), que possui um irmão ciumento, Próspero (Milhem Cortaz), que não quer vê-lo passar nem na porta de casa. E no encalço de Malasartes está também a Morte (Júlio Andrade), cansada de tirar vidas por toda a eternidade e disposta a encontrar um substituto para então poder se aposentar.

Já deu para imaginar o clima de guerra e sombrio que Malasartes vai enfrentar, tanto para driblar Próspero e ficar com sua amada Áurea, como também para tentar fugir da Morte, que promete não perdê-lo de vista.

O uso da computação gráfica para a divisão da trama em realidade e fantasia proporciona um belíssimo espetáculo visual, com efeitos precisos e muita diversão e o envolvimentos dos personagens entre eles e com o público. O roteiro, porém, é um pouco prejudicado pelo uso excessivo dos efeitos especiais, a história em dados momentos é um pouco esquecida, mas o espectador se encanta e se convence daqueles dois mundos ali representados na tela, até risadas da Morte acontecem em dados momentos.

E o elenco? As atuações, juntamente dos efeitos visuais, são o ponto alto do filme, e notamos interpretações convincentes, além do carisma dos protagonistas, vividos por Ísis e Jesuíta, além de um vilão no estilo caricato e com interações sólidas. Acostumado com produções mais dramáticas, Júlio Andrade surpreende e consegue transmitir uma veia cômica a um personagem que normalmente inspiraria medo, Jesuíta e Ísis conseguem mostrar um casal com brilho e sem pieguismo, além de uma forte ligação com o público. Os personagens secundários, como Candinho (Augusto Madeira), amigo de Malasartes, bem como Leandro Hassum, como Esculápio, e Vera Holtz, como Cortadeira, enriquecem o enredo.

O trabalho do diretor Paulo Morelli em resgatar um personagem do folclore brasileiro e português e eternizado no cinema por Mazaroppi não só valorizam nossa cultura como também fortalecem o cinema nacional, há sim boas produções e engana-se quem diz que não somos dignos de filmes com qualidade.

Precisamos também dar valor ao que é nosso, e ‘Malasartes e o Duelo com a Morte’ é mais uma produção de destaque que merece o incentivo e nossa audiência. Vale muito a pena.

Avaliação: 4/5 Poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: O Filme da Minha Vida/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: O Filme da Minha Vida/ Cesar Augusto Mota

Muitas coisas já foram ditas sobre o cinema brasileiro, que os filmes carecem de qualidade, são muito restritos à violência, não sabemos fazer comédia e ficção científica e não há bons contadores de história no Brasil. Não é verdade, existem longas de qualidade e o que está prestes a entrar em cartaz, ‘O Filme da Minha Vida’, nos mostra que os filmes brasileiros podem sim arrancar aplausos dos espectadores e se equipararem às produções europeias.

Dono de uma carreira de sucesso e diretor de filmes como ‘Feliz Natal’ e ‘O Palhaço’, o ator Selton Mello dirige seu terceiro longa e faz uma pequena participação na trama, com um trabalho que funciona como tributo. Se em ‘O Palhaço’, havia a exaltação à profissão de ator, em ‘O Filme da Minha Vida’ é feito um culto ao cinema, um meio capaz de nos ilustrar situações reais regadas de muita beleza, fantasia e nostalgia. Com todos esses ingredientes, Selton procura valorizar o cinema ao mesmo tempo em que tenta inserir o público na história a qual se propôs a contar.

A narrativa acompanha Tony (Johnny Massaro), um jovem que deixa sua terra natal, Remanso, na Serra Gaúcha, para estudar. Ao retornar, descobre que o pai Nicolas (Vincent Cassel), voltou para a França, seu país de origem, sem deixar notícias. Tony agora terá que lidar com um grande trauma e uma situação não resolvida aliado à inexperiência e a recém-chegada à vida adulta. Em um ritmo cadenciado tudo é apresentado ao espectador, a cidade, as locações, os personagens, todos possuem o devido timing de apresentação para que o espectador se envolva e mergulhe nas emoções transmitidas, bem como incorpore à mente todas as mensagens apresentadas.

A fotografia, de Walter Carvalho, é belíssima, com tons pastéis e planos abertos que destacam as locações da Serra Gaúcha nos anos 1960 e algumas tomadas com plano mais fechado, destacando o olhar e as expressões faciais dos personagens. Tudo foi feito na medida e com todo o cuidado, para fazer o espectador se transportar para o passado e valorizar cada momento representado e depois voltar ao presente.

O roteiro, escrito por Selton Mello e Marcelo Vindicatto, toca em temas como nostalgia, belezas da vida, a importância das pequenas coisas e, principalmente, o tempo. O tempo é constante, não para e devemos ter jogo de cintura para resolver situações que a vida nos oferece. A forma como aproveitamos o tempo vai dizer a posição que alcançaremos, e sem resolver alguma situação pendente, não se avança. Uma metáfora é feita com a situação, com viagens de trem em várias cenas, e nossa vida costuma ser assim mesmo, constantes idas e vindas e pouco tempo para resolver várias coisas. Tony atravessa um momento de dor, e essa dor é um tanto profunda por conta da forte ligação que ele tinha com o pai, e ele precisava se libertar do trauma. A maneira como Tony lida com isso e como ele se relaciona com os outros personagens são muito bem abordadas, Johnny Massaro consegue entregar um personagem que realmente se transforma, que amadurece, um menino que se torna um homem.

Os demais atores do filme também tiveram atuações excepcionais. Bruna Linzmeyer, como Luna, par romântico de Tony, impressiona por suas expressões corporais e seu olhar, e sem dizer nada já ficamos sabendo o que virá em seguida. Bia Arantes, no papel de Petra, irmã de Luna, também não fica atrás. Vincent Cassel, apesar de estar em poucas cenas, funciona muito bem na trama e Selton Mello, como Paco, amigo do pai de Tony, traz uma veia cômica e muita sabedoria, com analogias interessantes entre o homem e o porco e o cinema e a vida. Palavras que realmente tocam e ficam na mente.

Uma frase célebre de Selton Mello dita no filme encerra essa análise de hoje, siga-a e vá além: ”Antes eu só via o início e o fim dos filmes. O início, para conhecer a história, e o fim…eu não posso contar”. Uma verdadeira alegoria, um filme em forma de poesia, não perca!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha/ Homem-Aranha: De Volta Ao Lar

Poltrona Resenha/ Homem-Aranha: De Volta Ao Lar

DAlHTG_XkAIdEDGPeter Parker atuou com os Vingadores, mas é hora de voltar para casa e ao seu cotidiano escolar.

Parker está no segundo ano do Ensino Médio, faz estágio na empresa, Stark, é apaixonado pela Liz, do terceiro ano escolar, adora se aventurar no laboratório de química com o seu melhor amigo, Ned e repreende alguns pequenos delitos em Nova Iorque, além de realizar boas ações com a vizinhança.

Liz gosta de dar festas em sua casa, desta vez ela chama Parker para ir e ele aceita o convite. Peter não consegue ficar muito tempo na festa, pois observou pela janela uma explosão suspeita e foi até o lugar descobrir o que estava acontecendo.  No local, Peter observa uma negociação de armas magnéticas e tenta impedir a venda.

No dia seguinte, Ned aparece na casa de Peter e não acredita quando olha o seu amigo grudado na parede e assim descobre que ele é o Homem-Aranha. Os dois mantém segredo e Ned fica eufórico com a sua descoberta.

Parker fica intrigado com a transição das armas e começa a investigar quem está por trás desta maldade que afeta a população dos Estados Unidos, mesmo não sendo autorizado pelo seu superior, Tony Stark.

Nota: 3,5/5

Por: Vitor Arouca

Poltrona Resenha: Em Ritmo de Fuga/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Em Ritmo de Fuga/ Cesar Augusto Mota

A música e o cinema representam uma combinação perfeita, não é mesmo? E o que você acharia de um filme que trouxesse uma trilha sonora para cada cena e de acordo com as situações e estado de espírito dos personagens? Assim é ‘Em Ritmo de Fuga’, o novo filme do diretor Edgard Wright (Scott Pilgrim Contra o Mundo) com um contexto composto por perseguições policiais, intrigas, romance e muitas reviravoltas.

Baby (Ansel Elgort) é um jovem que perdeu os pais muito cedo num acidente e que sofre de problemas auditivos. Muito por conta dessa deficiência, ele passou a se conectar ainda mais com a música e seu passatempo predileto é ainda mais acentuado quando está ao volante. A partir do momento em que se envolve com uma organização criminosa chefiada por Doc (Kevin Spacey), Baby se torna o piloto de fuga e participa de assaltos intensos e loucas perseguições.

Apontado pelo chefe como talismã, Baby vê sua responsabilidade aumentar ainda mais diante das missões, assim como cresce a confiança entre ele e Doc. Além dele, se destacam no grupo o casal Buddy (Jon Hamm) e Darling (Elza Gonzalez), Griff (Jon Bernthal) e Bats (Jammie Foxx), que desconfia bastante das habilidades de Baby e das atitudes do garoto durante a história.

Com o passar do tempo, nota-se que Baby não está tão eufórico com sua nova rotina e pensa em largar o trabalho, e quando se envolve com Débora (Lily James), uma jovem que trabalha como garçonete e também apaixonada por música, a vida de Baby dá um giro de 180º e sua vontade de deixar o mundo do crime parece que vai se consumar, mas o envolvimento com a organização de Doc e uma nova missão, a de roubar uma agência dos Correios, torna tudo ainda mais difícil. Baby se vê numa enorme cilada, e um grande dilema surge para ele: como largar tudo e ficar com Debbie?

Do meio para o fim da narrativa, muitas surpresas surgem, várias reviravoltas acontecem e as músicas que são executadas trazem mais emoção, até o desfecho. A sinergia entre cada canção e a cena que está se desenrolando é de impressionar, isso promove uma capacidade maior de envolvimento do espectador com a narrativa, além das emoções que os personagens transmitem. Como dito antes, a trilha sonora é o ponto alto, mas também o roteiro e a direção de arte, ambas de impressionar. O que parece ser mais um filme de perseguição e tiroteio traz muito além de tudo isso, e tem de tudo um pouco, humor, ação, amor e um final para deixar todos de queixo caído. E as batidas e explosões que acontecem foram cirúrgicas e muito bem produzidas, tudo muito alucinante e eletrizante.

As atuações de todo o elenco também são ingredientes para o sucesso do filme, principalmente de Lily James e Ansel Elgort, a sincronia e parceria que os dois demonstraram durante a trama é para se aplaudir de pé, e mesmo sendo um personagem criminoso, você torce para que Baby e Debbie fiquem juntos, você não olha para os dois com reprovação, apesar de ser um relacionamento que teoricamente não daria certo. E o desdobramento das ações de Buddy e Bats também foram primordiais para que a produção tivesse esse rumo, um filme de ação envolvente e com muitas peripécias. Parabéns também para Jon Hamm e Jammie Foxx.

O diretor Edgard Wright fez um excelente trabalho, que muito mais aventuras como essa surjam no futuro e que sejamos agraciados com mais filmes criativos, emocionantes e cenas alucinantes. ‘Em Ritmo de Fuga’ chegará aos cinemas brasileiros em 27 de julho, com distribuição da Sony Pictures. Imperdível!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota