Poltrona Séries: The Crown-2ª temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: The Crown-2ª temporada/ Cesar Augusto Mota

A história da Família Real Britânica está de volta. Após uma primeira temporada que teve a apresentação de todos os seus personagens, a saída de cena de George VI e a chegada de uma Elisabeth II que começou de forma titubeante, mas posteriormente satisfatória sua trajetória, agora temos uma segunda temporada ainda mais ampla. A inserção do espectador será ainda maior, e a beleza e glamour da Coroa serão ainda mais colocadas à prova, tendo em vista a responsabilidade que a rainha carrega, bem como os conflitos sociais e familiares que ela terá que lidar.

A estrutura episódica da atual temporada é consistente, com a apresentação dos fatos no momento presente e o uso de flashbacks para detalhar outros acontecimentos, coo a viagem do Duque de Edimburgo (Matt Smith), marido da rainha (Claire Foy), para as mais remotas colônias britânicas por um período de cinco meses. Outros personagens, como o próprio Duque, além da princesa Margareth (Vanessa Kirby), irmã de Elisabeth II, ganham mais espaço, com episódios centrados em suas figuras, explorando seus lados mais vulneráveis. E vulnerabilidade é vista em larga escala, inclusive da chefe de Estado, que terá que lidar não só com os escândalos familiares, como os dilemas institucionais, afinal, tudo o que afeta a Coroa, também interfere em sua pessoa.

The Crown não é feita apenas de intrigas e polêmicas, a linha do tempo com os fatos que marcaram a história da monarquia é feita com maestria, além do ótimo trabalho de montagem, trilha sonora, figurinos e cenografia, com a impressão que estamos ambientados na década de 05, além das belezas das instalações e das joias da realeza. Sentimos que conhecemos de perto e a fundo todos os personagens, e somos convidados também a entrar no debate concernente aos princípios no que tangem à moral e à ética, revelando, consequentemente, o caráter dos personagens.

Se o trabalho de Peter Morgan é excelente, as atuações são acima da média, principalmente da protagonista. Claire Foy, com sua expressão corporal e facial, numa verdadeira postura de líder, além de lembrar a verdadeira rainha Elisabeth, com seus trejeitos e seu carisma característicos. Matt Smith, na pele do marido da rainha, o duque de Edimburgo, mostra que não é meramente uma peça decorativa na realeza. Seu personagem nos proporciona um interessante debate sobre a posição do homem e da mulher na sociedade. Se antes víamos os homens tomarem as rédeas e as mulheres à sombra, agora vemos um cenário invertido. Isso é abordado de maneira didática no começo, e volta a ser ilustrado no décimo episódio, encerrando a temporada de forma satisfatória.

Gostou? Se você já havia curtido a primeira temporada, não perca, mas se você não viu e aprecia séries de época, não perca a oportunidade de assistir à ‘The Crown’, uma produção que mostrou a que veio e que, sem dúvida, virá mais forte na terceira temporada. Bom divertimento a todos!

Cotação: 5/5 poltronas.

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Poltrona Séries: Samantha!-1ª temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Samantha!-1ª temporada/ Cesar Augusto Mota

A Netflix no Brasil está a cada dia se notabilizando, não só pelo número de assinantes do serviço de streaming, como também pelas produções do país que estão sendo produzidas e oferecidas a seus consumidores. Após ‘3%’ e ‘O Mecanismo’, foi lançada a primeira série de comédia nacional, ‘Samantha!’, protagonizada pela estrela Emanuelle Araújo. É mais uma obra que traz a nostalgia dos anos 1980 e importantes discussões, como novas maneiras de se consumidor conteúdos, o culto à imagem e as diferentes formas de se tornar uma celebridade em um mundo mais exigente e cheio de padrões sociais e estéticos.

Samantha (Araújo) era o principal nome de um popular grupo infantil, a Turminha Plimplon, em um programa no estilo Balão Mágico, e auxiliada por um mascote bem peculiar, o Zé Cigarrinho (Ary França). A década de 80 era bem característica, pois existia muitas situações politicamente incorretas, com crianças fazendo comerciais para adultos e anunciando cigarros e bebidas alcoólicas, e produtos que chegaram a ser polêmicos, como cigarros de chocolate. Mas o tempo passa e Samantha não consegue manter o sucesso, e ela está disposta a tudo para voltar aos holofotes. Nesse meio tempo, ela faz um ensaio para uma revista masculina e se casa com um ex-jogador de futebol, Dodói (Douglas Silva), que fica preso por doze anos e retorna para bagunçar a vida dela e dos dois filhos.

Durante os sete episódios da série, com média de 30 minutos cada um, o espectador vai se deparar com uma porção de dilemas de Samantha, como as tentativas de emplacar o sucesso, como ser jurada em um programa de tv, gravar um comercial de cerveja ao lado do ex-marido e até um reality show no qual se relaciona com um ricaço e simula um casamento com o magnata. Além disso, pessoas do passado e que fizeram parte de sua vida voltarão para uma espécie de acerto de contas com a protagonista, além da chegada da digital influencer Laila (Lorena Comparato), que vai dar um choque de realidade em Samantha, avessa a novas tecnologias. Laila mostrará para ela a importância das redes sociais e maneiras de conquistar milhões de seguidores, o que será bastante complicado para a personagem central.

‘Samantha!’ não trata apenas de revisitar a cultura pop oitentista, mas também visa debater questões de comportamento, se vale a pena tudo pelo sucesso, além de mostrar os conflitos entre o analógico e o digital e a necessidade de adequação ao mercado, que possui nichos pré-estabelecidos e a necessidade de o artista se renovar sempre, principal dificuldade de Samantha. Além disso, a narrativa vai abordar as questões familiares, a maneira como a protagonista lida e os rumos que a convivência com Dodói vão levar na trama. Em termos de narrativa, a história é muito bem conduzida, além de uma boa sinergia entre atores e do perfeito equilíbrio entre as situações de humor e as mais dramáticas.

Na questão de atuação, tanto Emanuelle Araújo e Douglas Silva surpreendem positivamente, a primeira por mostrar desenvoltura e facilidade para o humor, o segundo por encarar o lado dramático e se transformar na trama, mostrando um lado cômico, não característico em personagens antes interpretador, como em Cidade de Deus e Cidade dos Homens. O núcleo secundário também dá retorno, como Daniel Furlan, o agente desonesto de Samantha, Marcinho, bem como Rodrigo Pandolfo, o Tico, ex-companheiro dos Plimplons. E não poderia esquecer do núcleo infantil, composto por Sabrina Nonato (Cindy) e Cauã Gonçalves (Brandon), que dão o ar da graça e conseguem se sustentar na história, mesmo que fiquem um tempo sem interagir com os adultos.

No quesito humor e nostalgia, ‘Samantha!’ cumpre muito bem seu papel, além de servir de campo discursivo entre a antiga e a nova geração e promover um choque de culturas, com uma realidade atual mais atrelada ao politicamente correto e que dá margens à intolerância em comparação ao passado, com um mundo mais liberal.  A série também transmite importantes mensagens, principalmente uma que Samantha repete em vários episódios, ‘é preciso sempre acreditar’, e outra que toca o coração de todos, como ‘é preciso crescer, o passado é importante lembrar, mas deve-se andar para a frente’. Uma ótima sugestão para quem aprecia uma boa comédia e quer matar a saudade de uma das melhores épocas da televisão, e para quem não vivenciou os anos 80, vale conhecer.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: The Rain/ 1ª temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: The Rain/ 1ª temporada/ Cesar Augusto Mota

Você curte séries que abordem ficção científica e possuam uma veia apocalíptica? A Netflix já nos presenteou com produções como ‘The Stranger Things’, ‘Perdidos no Espaço’ e ‘Altered Carbon’, já analisadas aqui no Poltrona de Cinema. Agora temos outra obra que vai impressionar e mexer com os nervos dos fãs do gênero. ‘The Rain’, série dinamarquesa de sucesso, a primeira do serviço de streaming, vai abordar os benefícios e riscos da tecnologia e um vírus que pode se tornar uma arma e causar a dizimação da raça humana.

Durante oito episódios, vamos acompanhar a trajetória de dois irmãos, Simone (Alba August) e Rasmus (Lucas Lynggaard Tønnesen), dois jovens que são tirados pela família de sua vida normal em decorrência da chegada de uma chuva que possui um vírus letal. Todos são abrigados em um bunker, espécie de abrigo construído pela empresa Apollon, onde o pai, Frederik (Lars Simonsen), trabalha. O chefe da família parte em uma missão para tentar salvar o mundo, e os dois protagonistas ficam no local por seis anos, na esperança de um reencontro. Após o término dos suprimentos, ambos saem do abrigo e se deparam com um mundo inteiramente destruído e com sobreviventes psicologicamente alterados. Rasmus e Simone partem com esse grupo em uma grande jornada em busca de sobrevivência e na esperança de reencontrar o pai.

Temos uma premissa interessante, apesar de a história contar com alguns clichês, como irmã mais velha que protege o irmão menor e vai até as últimas consequências por ele e o pai será o salvador do mundo e deixa seus filhos sob uma fortaleza. Simone, uma das personagens principais, possui grande empatia com o público e é capaz de levar todos os espectadores e os personagens secundários juntos com ela para descobrir tudo o que aconteceu com o mundo e o que está por trás da atmosfera sombria e assustadora que tomou conta de todos. O elenco de apoio é bem definido e com características chamativas, com um líder frio e endurecido pelo apocalipse, um jovem inteligente e ingênuo, uma corajosa e descolada, um egocêntrico e inconsequente e uma moça bela, bondosa e namorada do líder. Todos eles passam por transformações impressionantes, com participação direta de Simone na vida de cada um deles.

A ambientação, conforme foi dito no início do texto, faz lembrar mesmo o fim do mundo, com cores frias, que variam do cinza ao azul marinho, a depender da situação. E tomadas feitas em meio a florestas, com muitas árvores mortas e pessoas com roupas de proteção e máscaras de gás protetoras reforçam o clima tenso e de desespero que a trama pede, de personagens buscando a verdade e formas de sobreviver diante de um quadro caótico. E a tensão se acentua com a trilha sonora, com músicas diegéticas e outras famosas, mas é melhor não revelar para não estragar a surpresa.

Com claras referências a outras séries de apocalipse e de curta duração, ‘The Rain’ é uma obra que vale a pensa ser acompanhada, com episódios que deixam detalhes em aberto, mas que serão revelados mais adiante, e com um roteiro que apresenta um enredo bem ritmado, apesar de não demonstrar muita originalidade. Os fãs da ficção científica vão curtir bastante essa série, e de quebra, vai aguardar ansiosamente pela próxima temporada, já confirmada pela Netflix para 2019. Bom divertimento!

Cotação: 5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries Especial: Le Chalet/Anna Barros

Poltrona Séries Especial: Le Chalet/Anna Barros

A série é francesa, da Netflix. Minha irmã Renata foi quem descobriu, O gênero é suspense/terror.

Era para ser uma reunião de verão em um chalé afastado. Mas estes amigos caíram em uma cilada mortal que vai revelar um segredo obscuro do passado. Demoramos a descobrir quem está matando as pessoas reunidas no chalé. Só sabemos que o perigo está lá fora. Elas só ficam protegidas dentro do chalé. O roteiro é bem amarrado, intrigante e mescla com situações em flashback. Há um retorno no tempo de 20 anos. A família de um escritor Jean-Louis decide se mudar para um chalé num vilarejo aos pés dos Alpes Franceses para que ele recupere a inspiração perdida, já que o lugar é demasiadamente calmo, um tédio. Ele conhece a dona de um bar, Muriel, que acaba virando sua amante. Eles prometem um ao outro que se um deles ganhar na loteria leva o outro para uma viagem em redor do mundo. Muriel faz o bilhete e este acaba premiado. Christine, a segunda mulher de Philippe, irmão de Muriel, acaba descobrindo o que aconteceu e ela junto com Etienne e Philippe decidem matar Jean-Louis e ua família.  Convencem Muriel, que está magoada porque Jean termina o caso com ela dizendo ainda amar a esposa. Eles invadem a casa sorrateiramente e antes do massacre, Muriel, ao ver que Jean escreve o livro cujo título é o nome dela, muda de ideia, mas é tarde demais. O casal é assassinado. Mas os filhos Julien e Amelie fogem.

Vinte anos depois com o propósito de celebrar o casamento de Laurent, filho de Philippe, os amigos do vilarejo se encontram, sem nem imaginar quem está promovendo a matança. Um a um, todos acabam morrendo de forma cruel, e no final restam poucos.  Sebastién, que nutre uma paixão obsessiva por Alice, a mocinha da história, acaba levando a culpa de tudo por um esquema de vingança. Tem que ver a série para descobrir de quem. Ele acaba numa clínica psiquiátrica porque a sua história acaba sendo bem diferente do que a polícia francesa acaba  descobrindo.

Não falarei quem engendra e executa o crimes para não estragar. A série te envolve do início ao fim com uma excelente trama, boas interpretações e um visual de tirar o fôlego. Até a musiquinha da abertura é macabra.

São seis episódios de um baita thriller psicológico. Para ver e rever! Super recomendo!

Cotação: 4,5 poltronas/5 poltronas

Poltrona Séries: Perdidos no Espaço-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Perdidos no Espaço-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Você é fã do gênero ficção científica? Certamente os mais velhos se lembram da série ‘Perdidos no Espaço’, dos anos 1960, produção de grande sucesso e uma das mais influentes na televisão, popularizando o universo das histórias no espaço sideral e se tornando inspiração para grandes filmes com viagens espaciais. Está chegando na Netflix o remake da série e com o mesmo nome, para a alegria de uns e desconfiança de outros, afinal, nem sempre uma nova versão fica melhor que a original. Mas será que o novo ‘Perdidos no Espaço’ vai agradar ao público saudosista e conquistar novos fãs?

Ao longo dos 10 episódios da série, nos deparamos com as aventuras da família Robinson a bordo da nave Jupiter 2, sendo despachados em seguida pela cápsula de evacuação e caindo em um planeta próximo. Dá para perceber muita cumplicidade, carisma dos personagens e dinâmica nos episódios, com muito a se explorar e a complexidade nas mais diferentes personalidades dos personagens, sendo possível perceber bem suas intenções e para onde a narrativa vai ser conduzida.

O elenco é composto por uma mãe cientista, um pai militar e três filhos que vão se deparar com um robô muito estranho. Além deles, veremos Don West (Ignaccio Serricchio), um dos trabalhadores da expedição e Doc Smith, vivido por Parker Posey. Será uma jornada de descobertas, aprendizados e de luta a todo custo por sobrevivência. Veremos flashbacks com momentos marcantes e reveladores da família e também a forma como eles chegaram ao espaço. Pode esse recurso ser desnecessário e cansativo para alguns, mas se faz necessário para a contextualização da história e inserir o espectador na trama, que a cada episódio apresenta um novo desdobramento e aumenta ainda mais a curiosidade sobre o destino de todos e se conseguirão voltar são e salvos para casa.

A fotografia é outro ponto alto, com cores muito vivas e imagens próximas ao real, além de efeitos especiais que complementam a paleta de cores. O novo planeta é rico em detalhes, fazendo o público se confundir com uma nova Terra, um belo palco para as mais diversas interações e explorações dos personagens. Já as atuações são acima da média, com atores cativantes e eu motivam o espectador a viajar por um universo estranho e cheio de mistérios e ir em busca de curiosidades e possíveis novas formas de vida em um planeta obscuro.

Apesar de ser uma produção mais dramática do que de suspense e terror, ‘Perdidos no Espaço’ chega como uma boa opção para os sedentos por séries e os que buscam por remakes que não percam sua essência e também ofereçam novidades. Vale a pena!

Avaliação: 4/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries Especial: La Casa de Papel parte 2/Anna Barros

Poltrona Séries Especial: La Casa de Papel parte 2/Anna Barros

A série é apaixonante e eu, como a cantora Sandy, resolvi esperar. E vi na Netflix no domingo dia 8 e na segunda, 9.  Não consegui parar de ver, apesar da primeira parte ter sido mais eletrizante.  Essa segunda parte tem nove episódios e continua a saga dos ladrões de bancos com nomes de cidades internacionais. Há mais drama e romance. Visto que a inspetora Murillo se envolve com o Professor e eles acabam se apaixonando. Há na gente uma sensação de que ela vai descobrir a qualquer momento que ele foi o autor do plano perfeito. Que só não foi perfeito, porque houve uma fissura, nas palavras dele, a paixão por ela.

Além do Río, que é namorado de Tóquio, gosto muito de Moscou, que acaba morrendo num dos episódios após o retorno de Tóquio à Casa de Moeda. A relação dele com o filho Denver é muito sublime, sensível e bonita. Toca realmente.

Há perdas, ameaças, acusações, a recuperação de Ángel, mas o final é simplesmente surpreendente. Confesso que Berlim me incomoda muito. Estuprou uma das reféns, é ditador no seu papel de chefe, faz pressão psicológica, mas seu desfecho é também bonito, digno, por cima.

A simpatia que acabamos tendo pelos ldr]oes lembra muito o mesmo sentimento que acabamos tendo, no livro Areias do Tempo, de Sidney Sheldon, quando ele fala de terrorista do ETA. O Professor é de San Sebastián, do País Basco e insconcientemente eu fiz essa relação. Não sei se os ótimos roteiristas pensaram isso.

Acho Nairóbi a mais corajosa de todos e amei quando ela ao depor Berlim disse que ali começava o matriarcado. Ela a  sensível com os companheiros e parece nada temer.

Torci muito para a inspetora ficar com o Professor, mas para saber disso, você terá que ver a série. Gostaria que fossem mostrados os desfechos pós-um ano de roubo dos outros personagens, De repente, é um mote para a terceira temporada.

A questão é que não se esperava todo esse sucesso. A série cativa, encanta e prende, mesmo estando num cenário estático como a Casa da Moeda o tempo todo e tem muitas coisas de Medicina que são muito interessantes no treinamento dos ladrões. O Professor parecia ter pensado em tudo. Também achei que a inspetora Murilo demorou muito a descobrir que ele era o mentor e isso se arrastou um pouco.

Bem, pare de ler e corra para ver, disponível na NETFLIX. É sensacional! Sentirei falta de Río, Berlim, Helsinque, Oslo, Nairóbi, Tóquio, Moscou, Denver e o Professor. Jamais esquecerei esses personagens!

Cotação: 4/5 poltronas

Poltrona Séries: O Mecanismo-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: O Mecanismo-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Utilizar como pano de fundo grandes acontecimentos, principalmente os concernentes à sociedade e à política nacional e adaptá-los em suas obras é uma das principais características do cineasta brasileiro José Padilha, conhecido por filmes como Tropa de Elite 1 e 2, Cidade de Deus e Ônibus 174. Agora, Padilha lança uma série para a Netflix, inspirada no livro “Lava Jato: O juiz Sergio Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil”, de Vladmir Netto, produção que conta com 8 episódios. Certamente esta é uma das obras mais comentadas da atualidade, seja por quem é ou não assinante do serviço de streaming, mas também uma das mais polêmicas.

A história possui como protagonista o agente da Polícia Federal, Marco Ruffo, vivido por Selton Mello (O Filme da Minha Vida), que investiga um esquema de lavagem de dinheiro com um doleiro envolvido, Roberto Ibrahim, mas o faz de forma independente. Porém, sua investigação não vai adiante por conta de um esquema de revés político manipulado por Ibrahim (Enrique Diaz), deixando Ruffo fora de na por um tempo. Mas Ibrahim volta a ser investigado e se torna o principal alvo da Operação Lava Jato, que revelou o maior esquema de corrupção e propina envolvendo empreiteiras, donos de estatais e políticos do alto escalão. Com essa premissa, Padilha procurou desenvolver uma história para mostrar que um fio foi puxando o outro até chegar nas fases mais agudas da operação, além de fazer uma análise crítica, apontando que a corrupção é um mal existente por todos os lados e independente de partidos, sejam de situação ou oposição.

Além de Marco Ruffo, também se destaca a policial federal Verena Cardoni, interpretada por Carol Abras. A trama se mostra envolvente e o espectador não se perde, pois ele evidencia todas as fases e todos os procedimentos, m verdadeiro thriller investigativo e com o selo Padilha de qualidade, com tomadas aéreas e suas narrativas em off. Mas a batalha é muito maior do que se pensa, pois há o envolvimento do Ministério Público e de um juiz extremamente vaidoso e sagaz, mostrando que o buraco é muito mais abaixo.

A fotografia, o ritmo que a história possui e as atuações do elenco são os pontos fortes da série, além de ter o mérito de não atacar a direita ou a esquerda, mas há em dados momentos problemas com o áudio, que sai estrondoso e grave em narrações off dos policiais protagonistas, prejudicando o entendimento da narrativa e prejudicando a finalização de algumas cenas.

A meu ver, a obra é baseada em tudo o que aconteceu no país e também com ares de ficção, e este recurso serve para que a trama funcione e faça o espectador repensar um pouco a situação do país e refletir sobre o futuro, acerca dos próximos passos e o que cada um quer para as próximas gerações. Uma série que ainda rende muitas histórias, com gancho para mais temporadas e muitos debates, sem dúvida vale a pena.

Exibida em mais de 190 países, “O Mecanismo” é uma série para quem gosta de produções baseadas em fatos reais e com algumas situações fictícias, e que também faça o público refletir e ficar atento à realidade atual e cada vez mais maculada por corrupção, ganância e outros males sociais, longe de serem extirpados. Sem dúvida um entretenimento e um exercício aos fãs de produção audiovisuais e sedentos por política. Um prato cheio.

Avaliação: 3,5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota