Poltrona Séries: Coisa Mais Linda-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Coisa Mais Linda-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

É possível notar que as produções brasileiras estão ganhando mais espaço e visibilidade na Netflix, tanto no Brasil, como no exterior. Após a boa recepção de 3% e da polêmica envolvendo mecanismo acerca dos personagens envolvidos e de semelhanças com a Operação Lava-Jato, chega ao serviço de streaming uma obra que busca revisitar a romântica cidade do Rio de Janeiro dos anos 50 e um gênero musical de sucesso, a Bossa Nova, com quatro histórias paralelas de mulheres que tentam se descolar de suas realidades com seus próprios estilos. ‘Coisa Mais Linda’ é assim, uma série brasileira de sete episódios, produção brasileira com roupagem americana, vale a pena?

A primeira temporada mostra de início a trajetória de Maria Luiza (Maria Casadevall), uma jovem paulistana que vive em meio ao luxo, mas sofre após ser abandonada pelo marido, que foge com uma amante e a cheia de dívidas no Rio de Janeiro.  Enfeitiçada pela capital fluminense, ela tenta engrenar um clube de música ao vivo que toca Bossa Nova todas as noites. Lígia (Fernanda Vasconcellos), melhor amiga de Maria Luiza, vive uma vida aparentemente, é casada, rica, mas vive apanhando do marido. Seu sonho sempre foi cantar e se apresentar para grandes platéias, mas seu cônjuge não aceita que ela trabalhe fora de casa, situação que era considerada comum naquela época. Theresa (Mel Lisboa) trabalha como editora e acabou de voltar de Paris, onde aprendeu acerca da revolução feminista na Europa. Para fechar o quarteto, Adélia (Pathy DeJesus) é é uma mulher negra que vive no morro em uma casinha modesta e trabalha como emprega doméstica para sustentar a filha.

As histórias são bem acessíveis, as personagens-centrais são cativantes e suas trajetórias mobilizam o público, afinal, o foco está no dia a dia e na luta dessas mulheres, e não na Bossa Nova e a cultura carioca, que são apenas pano de fundo na obra. Os desafios e os preconceitos enfrentados por elas, o machismo e o racismo exacerbado, que perduram até hoje em menor escala, e a cumplicidade entre elas é o segredo do bom resultado da série em sua primeira temporada. As atuações não são grandiosas, mas a sinceridade e a disposição de todas em cena chamam a atenção, não é fácil mesclar o bom humor e o entusiasmo das noites de Bossa Nova e saber separar dos dramas pessoais que elas vivem, a série acerta em cheio nesses pontos.

A fotografia é um perfeito retrato do Rio de Janeiro doa anos 50, os figurinos são fiéis às roupas da época, e a montagem, aliada à trilha sonora com grandes sucessos da época remetem a um Brasil em ascensão, época de JK, dos 50 anos em 5. Os costumes apresentados também estão alinhados, porém sofrem leves críticas e impulsionam as personagens- centrais, o empoderamento e os ideais feministas passam a ter espaço. Uma produção de época, mas com características que existem na atualidade, outro atrativo da série.

Porém, há pontos negativos na produção, como o aspecto americano que a série apresenta de início, com diálogos forçados e plásticos, além da canção ‘Garota de Ipanema’ cantada em inglês. Esses detalhes podem não fazer diferença, mas para os brasileiros sim, não fica a imagem de ‘produção brasileira’, mas uma série para estrangeiro ver. Além disso, o ritmo na reta final é prejudicado, o último episódio parece ter sido feito às pressas, faltou aprofundamento, e o espírito de brasilidade foi deixado um pouco de lado. O drama de novela ganhou muito espaço, estilo ‘Sessão da Tarde’, e a série se perde em sua proposta, em dados momentos os dramas das protagonistas ficam para escanteio, o que não poderia acontecer. Mas o saldo acaba por ser positivo, com novas propostas, uma série de época e um elenco que se mantém coeso boa parte do tempo.

‘Coisa Mais Linda’ é uma série que apresenta coisas grandiosas, mas que perdeu a mão ao longo dos episódios. Vamos torcer para que uma nova temporada seja lançada e uma história mais aprofundada e ousada seja oferecida aos espectadores. A produção brasileira tem vocação e força para isso, agora é aguardar e torcer.

Cotação: 3/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: The Umbrella Academy-1ª temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: The Umbrella Academy-1ª temporada/ Cesar Augusto Mota

O serviço de streaming Netflix tem olhado com bons olhos o sucesso de HQs com histórias que retratam os mais diversos super-heróis e suas principais virtudes. E não poderia deixar passar a oportunidade de adaptar para as telas ‘The Umbrella Academy’, de Gerard Way e ilustrações do brasileiro Gabriel Bá, com elementos atrativos, que vão de viagens no tempo a previsões apocalípticas. Tudo isso em 10 episódios em sua primeira temporada.

O elenco é caracterizado por sua diversidade, composto por crianças especiais adotadas ao redor do mundo por um alienígena disfarçado de cientista e rico empreendedor e que testemunhou o nascimento de quarenta e três crianças em mulheres aleatórias e desconectadas, sir Reginald Hargreaves (Colm Feore). Cada um possui uma habilidade: Luther (Tom Hopper), o líder do grupo, é dotado de uma força colossal; Diego (David Castañeda) possui habilidade com facas; Allison (Emmy Raver-Lampman) influencia pessoas; Klaus (Robert Sheehan) conversa com os mortos; e Cinco (Aindan Gillen) é um homem de quase 60 anos preso no corpo de um menino, consegue viajar no tempo e no espaço. Já Vanya (Ellen Page) é violinista e não tem poderes sobrenaturais. Juntos, eles precisam descobrir uma maneira de conter o iminente fim do mundo e escapar de uma dupla de assassinos mascarados, Hazel (Cameron Britton) e Cha-Cha (Mary J. Blige).

A apresentação do elenco não se dá da maneira tradicional, com todos reunidos em família. Eles passam a se reunir somente após o anúncio da morte do pai via imprensa, e antes que possam fazer coisa qualquer coisa, eles precisam tratar de assuntos mal resolvidos do passado e superar alguns ressentimentos. Além disso, novos conflitos surgem durante o luto, dando espaço a muitos traumas emocionais num curto espaço de tempo. O público primeiro se envolve com os conflitos internos de cada super-herói antes de embarcar na aventura de todo o grupo, de salvar o mundo de dois malfeitores que prometem não dar moleza e tampouco perdê-los de vista.

Ao longo dos episódios, há grandes saltos no tempo, muitos flashbacks e os dramas pessoais de cada um dos herdeiros explorados à exaustão, mas sem perder o foco na trama principal, o que faz a série funcionar bem. Além disso, a variação dos personagens proporciona a chance de espectadores diversos se identificarem e gostarem de um ou outro personagem. E a questão da imprevisibilidade em relação aos vilões e os planos a serem postos em prática fazem o público manter o interesse e ficar ansioso pelo que pode vir ela frente.

O ponto baixo da produção está nos conflitos entre os irmãos, alguns com desfecho até previsíveis, mas o sentimento de unidade entre eles e que o império criado pelo pai deveria ser mantido e não quebrado são as principais razões para que a produção tenha alcançado o sucesso em sua primeira temporada. A cumplicidade se sobrepõe as diferenças, e as habilidades demonstradas por todos, com exceção de Vanya, fazem o público lembrar do Quarteto Fantástico e do célebre filme de Tim Burton, ‘O Lar das Crianças Peculiares’, cada um com seu grau de importância, não há um que se saliente em relação aos demais, não há uma, mas sete estrelas.

Uma família com boa química, agradáveis aventuras e grandes sobressaltos, ‘The Umbrella Academy’ oferece um conteúdo variado e voltado para diversos públicos, sem dúvida vai entreter e agradar a quem for assistir. Uma boa sugestão.

Cotação: 4/5 poltronas.

Poltrona Séries: Mindhunter-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Mindhunter-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Se você é fã de drama policial e gosta de acompanhar investigações sobre os mais bárbaros crimes, essa série da Netflix, sucesso de público e crítica nos Estados Unidos, é uma ótima opção. ‘Mindhunter-Caçador de Mentes’ faz uma espécie de estudo do comportamento dos serial killers, bem como mostra a ligação construída entre os investigadores e investigados, de certo modo íntima. Uma obra diferenciada em comparação ao que o serviço se streaming já trouxe até hoje para o público.

Dirigida por Joe Penhall e com produção de Charlize Theron e David Fincher, a série é inspirada no livro ‘Mindhunter: o primeiro caçador de serial killers americano’, que aborda a história real dos ex-agentes do FBI John Douglas e Robert Ressler, também autores do livro. Juntamente da doutora Ann Burgess, eles lançam um projeto de pesquisa sobre as mentes dos assassinos, criando posteriormente o termo serial killer, popular nos dias atuais. Os três realizam uma série de entrevistas com os criminosos para fazer a polícia americana e a sociedade compreenderem os reais motivos para os condenados praticarem delitos, sejam eles dos mais ou menos brutais. A série aborda não só a interação dos dois policiais, como constrói as identidades dos assassinos e todos os passos dados por eles em seus crimes são reconstituídos.

O roteiro prioriza os diálogos nos 10 episódios exibidos em detrimento da ação, com simples interrogatórios no início e com os policiais assumindo o lugar dos criminosos. O ritmo da narrativa é cadenciado e o impacto está nas palavras, seja na descrição dos crimes e nos depoimentos dos assassinos, revelando todas as atrocidades e sofrimento das vítimas. O psicológico dá o tom, gerando várias interpretações e provocando muitas dúvidas nas mentes dos espectadores. Não só um entretenimento ocorre ao longo dessa primeira temporada, mas constantes debates e estudos e o motivo para condenados serem tratados até mesmo como celebridades, algo que ocorre nos Estados Unidos e em alguns casos no Brasil também.

O plano visual também chama a atenção, com imagens em tons pastéis e ausência de sangue nas cenas. Quem esperava muita violência se depara um clima bem mórbido, tudo é retratado de maneira bem delicada, sem exageros e nada é jogado na tela. O trabalho de Fincher é bem apurado, e a câmera em close nas entrevistas também contribui para um maior interesse do público, que vai prestar atenção não só nas palavras como nos semblantes dos assassinos.

Apesar da lentidão das interações e dos episódios com longa duração, alguns com 1 hora, “Mindhunter” representa uma novidade e uma experiência diferente das séries policiais que já foram apresentadas. Quem curte o gênero certamente vai curtir, e quem não está acostumado, vale conferir. E esse é um aquecimento, pois a segunda temporada está prevista para maio de 2019, vamos aguardar.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

Camilla Parker Bowles entra na Terceira Temporada de The Crown

Camilla Parker Bowles entra na Terceira Temporada de The Crown

O site Digital Spy divulgou nesta segunda-feira (28), a primeira foto de Camilla Parker Bowles na 3ª temporada de The Crown. A polêmica atual esposa do Príncipe Charles será interpretada, em sua juventude, por Emerald Fennell(Anna Karenina).

A 3ª temporada da série deve mostrar o início do relacionamento entre a Duquesa de Cornwall e o Príncipe, anos antes do monarca conhecer Diana.

O novo elenco da terceira temporada de The Crown trará Olivia Colman como Rainha Elizabeth, Tobias Menzies (Outlander, Game of Thrones) como o Príncipe Phillip, Erin Doherty (Call The Midwife) como a Princesa Anne, filha da Rainha Elizabeth e do Príncipe Philip, Josh O’Connor (Cinderela) como o Príncipe Charles na adolescência, Helena Bonham Carter (Harry Potter) como a Princesa Margaret, irmã da Rainha Elizabeth II e Ben Daniels (House of Cards) como o Lorde Snowden, fotógrafo britânico que se apaixonou por Margaret.

O seriado criado por Peter Morgan já tem um plano definido até o seu final. The Crown deve durar seis temporadas, cobrindo seis décadas da vida de Elizabeth e Philip. O novo elenco deve atuar na 3ª e 4ª temporadas.

The Crown retorna com sua terceira temporada na Netflix em 2019.

Poltrona Séries: Você-1ª Temporada/Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Você-1ª Temporada/Cesar Augusto Mota

O amor mexe com a mente e os sentimentos de muita gente, ainda mais quando se tem a certeza de ter encontrado a pessoa amada. Até onde o amor, ou melhor, a obsessão por alguém, pode levar um indivíduo completamente fixado por outrem e antenado em seus passos 24h por dia? Baseado no livro ‘You’, de Caroline Kepnes, a série ‘Você’, lançada recentemente pela Netflix, vem com um drama bem envolvente, para fisgar o espectador logo de início e inseri-lo em uma trama que promete muitas surpresas, intrigas e muitas situações inusitadas e perigosas. Vale a pena?

O público é apresentado a Joe Goldberg, vivido por Penn Badgley (Gossip Girl), um gerente de livraria que logo se vê encantado com a presença de Beck, interpretada por Elizabeth Lail (Once Upon a Time), uma bela jovem aspirante a escritora. A primeira sensação que ele tem é a de que ela é a mulher perfeita para ele e logo começa a seguir seus passos, seja seguindo-a e depois olhando pela janela de sua casa, à distância e do outro lado da rua, ou até mesmo vasculhando suas redes sociais, descobrindo suas tendências, círculos de amizade e potenciais chances de trabalho. Obcecado, Joe está disposto a tudo para conquistar Beck, e não medirá consequências para tirar de seu caminho pessoas que ele veja como pedra no sapato.

A forma de contar a história impressiona logo de cara, é feita sob a perspectiva de Joe, em boa parte das cenas fazendo narração off, em outros momentos com a famosa quebra da quarta parede, e a inserção dele em alguns cenários e sem ser visto. O espectador pode se assustar inicialmente, mas depois compreende que tudo o que Joe faz é por sua amada e tenta realizar tudo da melhor forma possível, mesmo que por métodos dos mais questionáveis e reprováveis. E não só a paixão e a obsessão são temas tratados ao longo dos dez episódios da primeira temporada, como também a sociopatia e os famosos stalkers, no caso, os perseguidores de pessoas em redes sociais.

Na narrativa temos Peach, muito bem desenvolvida por Shay Mitchell (Pretty Little Liers), grande amiga de Beck e ao mesmo tempo obcecada por ela, em todos os sentidos. Não se sabe de começo se ela tem um amor reprimido por ela ou se apenas quer ser como a amiga, mas tudo isso é explicado ao longo dos episódios. Sem dúvida Peach é a melhor personagem secundária da história, além de tantos outros que se apresentam, e o estilo de narrativa utilizado é o mais certeiro para chamar a atenção do público e prender a atenção até o desfecho, que é surpreendente e as histórias são cheias de reviravoltas e com dicas falsas para confundir todos.

Sem dúvida a proposta da série agrada muito, pois nem sempre é fácil controlar os sentimentos, além de estarmos cada vez mais expostos após o advento da internet, dos celulares e das redes sociais. O que pode ser uma simples postagem, pode dizer muita coisa sobre a pessoa e levá-la a um caminho não antes imaginado. Estamos a cada dia sendo mais observados e toda a ideia e atividade divulgada deve ser feita com mais atenção, afinal, vivemos em um autêntico Big Brother, não estamos mais sozinhos. Se você gostou da proposta, assista a ‘Você’, uma série original Netflix e que conquistou a atenção de muitos espectadores no Brasil e no exterior. Uma boa sugestão.

Cotação: 5/5 poltronas.

Poltrona Séries: Atypical-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Atypical-2ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Uma das séries mais bem recebidas pelo público está de volta. Atypical’, produção do serviço de streaming Netflix, vem com sua segunda temporada novamente com a jornada de Sam (Keir Gilchrist), os conflitos vividos por ele e sua família, mas com algumas novidades. Novos personagens e outros dilemas vão sensibilizar o espectador e provocar reflexões ainda maiores sobre o mundo enfrentado por portadores de autismo e como as outras pessoas lidam com a deficiência dessas pessoas.

Quem viu a primeira temporada se impressionou, o personagem principal conseguiu convencer e ganhar o público com sua história e seu carisma, mas quem não viu, sem dúvida vai se se apaixonar. Nessa nova jornada, Sam está mais independente e indo para a faculdade. Sua irmã Casey (Brigette Lundy-Paine) vai viver novos desafios em sua nova escola, com novos amigos, novas responsabilidades, além de administrar um namoro com altos e baixos. Já seus pais, Elsa (Jennifer Jason Leigh) e Doug (Michael Rapaport) estão em crise, ainda mais após uma grave revelação feita no fim da temporada passada. Já deu para ter uma noção de como será a continuação de ‘Atypical’, cheia de emoções.

O trunfo dessa sequência é a de aprofundar os conflitos vividos pelos personagens, sendo mais intensos, além de novos cenários. Os episódios não ficam restritos somente ao dia a dia e aos desafios de Sam, o personagem central vai se deparar com outras pessoas que vivem a sua realidade e vai interagir com elas. Isso mesmo, se antes os episódios contavam com a narração off de Sam falando sobre os obstáculos que ele enfrentava, bem como seus medos e perspectivas, o espectador vai agora ver um universo mais amplo, as trajetórias de outras pessoas portadoras de autismo, com suas histórias contadas pelo olhar do protagonista.

É possível também notar um ótimo equilíbrio entre a comédia e o drama, piadas feitas com homens e animais provocam risadas na medida certa, e momentos em que Sam precisa de ajuda requerem um pouco mais de empatia, paciência e até comoção, afinal, pedir ajuda de vez em quando não é feio, não é verdade? E outras ocasiões, como aquelas que envolvem amor, amizade e companheirismo são muito bem tratadas na narrativa, com muita seriedade, delicadeza e outras de maneira bem descontraída. Quem acompanha os dez episódios se sente confortável, apegado aos personagens e na expectativa por grandes acontecimentos para cada um deles, inclusive para Sam, que desde a temporada passada vem aquecendo corações e ensinando bastantes coisas para quem o acompanha.

As atuações são positivas, com os personagens mantendo relações fortes e honestas entre si, há momentos grandiosos e cheios de felicidade compartilhados, e outros mais sérios, com certos medos e dúvidas, que são bem compreendidos e até aceitos pelo espectador. Tudo acontece de maneira espontânea, não há nada mecânico e com forçação de barra, quem vê a história se convence da realidade que aqueles personagens enfrentam e torce por eles. Uma segunda temporada diferente, sobre independência e com novas histórias, instigantes e motivadoras.

Se você curtiu a primeira temporada, não deixe de ver ‘Atypical’, mas, se não viu, corra, é uma ótima oportunidade para você conhecer a história de Sam e de quem enfrenta uma deficiência ainda não tão compreendida, mas aos poucos aceita pela sociedade. Vale a pena.

Cotação: 5/5 poltronas.

Poltrona Séries: Elite-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Elite-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Após um enorme sucesso da série ‘La Casa de Papel’, é lançada mais uma produção espanhola para o serviço de streaming Netflix. ‘Elite’ traz suspense, drama, libido e muita violência. Será que a produção tem potencial de fazer sucesso no Brasil, apesar das comparações com a novela Rebelde, por focar nos jovens e os uniformes escolares serem similares?

A narrativa nos apresenta a três estudantes que recebem como forma de indenização de uma construtora uma bolsa para estudar em ums escola de elite após a antiga ter desabado sobre suas cabeças. Samuel (Itzan Escamilla), um garçom cujo irmão deixou a prisão recentemente; Christian (Miguel Herrán), o típico malandro que luta a todo custo pelo que quer; e Nadia (Mina El Hammani), uma jovem filha de palestinos que tenta manter as tradições de sua cultura e religião. Os três amigos se surpreendem com as regras rígidas da instituição e são recebidos de uma forma muito hostil pelos demais colegas.  Porém, a aproximação entre Samuel e Marina (Maria Pedraza), filha do responsável pelo desabamento da antiga escola, começa a mudar os rumos de todos os alunos.

O enredo gira em torno do assassinato de um estudante da escola para Classe Alta, Las Encinas na festa de fim de período. Cada depoimento dado pelos alunos vai alimentando mais o mistério acerca dos motivos de o jovem ter sido assassinado, mais suspeitos e pistas vão surgindo a cada episódio, e, logicamente, as dúvidas e as aflições vão crescendo. A forma como os jovens lidam com a discriminação por serem alunos de baixa renda e os colegas serem de famílias ricas tornam a trama bem interessante, tamanha a maturidade e leveza que demonstram. Outros temas, como HIV, diferenças étnico-religiosas e homossexualidade também são abordados, o que é muito importante, serve para desmistificar preconceitos.

As críticas sociais feitas, principalmente em relação às pessoas de posses, de que comandam e são capazes até de alterar a verdade dos fatos, são feitas de forma incisiva, válido para todos os tipos de debates. A representatividade está em alta na série e as minorias conseguem se ver devidamente retratadas e valorizadas, o que faltava em algumas produções nos serviços de streaming, de privilegiar determinados grupos e esquecer de outros.

Os personagens são bem construídos e alguns chamam a atenção, como o casal homossexual Omar (Omar Ayuso) e Ander, que se apaixonam apesar do preconceito dos pais conservadores de Omar. Outro que ganha holofotes é o irmão de Samuel, Nano (Jaime Lorente), que retrata sua vida após sair da prisão além das dificuldades e consequências das escolhas feitas dentro do cárcere.

Didático, intrigante e com excelente trilha sonora, ‘Elite’ é uma ótima opção para você que curte uma trama infanto-juvenil e gosta de debater sobre diversos temas que envolvam a todos, dos jovens até os idosos. Uma série que vale a pena ver.

Cotação: 4/5 poltronas.