Festival do Rio 2017: Conheça a relação de todos os vencedores da 19ª edição do evento

Festival do Rio 2017: Conheça a relação de todos os vencedores da 19ª edição do evento

A 19ª edição do Festival do Rio chegou ao fim neste domingo(15), com a cerimônia de premiação realizada no Cine Odeon, na Cinelândia, Centro do Rio. O longa de terror “As Boas maneiras”, com direção de Juliana Rojas e Marco Dutra, foi o grande vencedor, tendo vencido cinco categorias da mostra – Melhor longa metragem de ficção pelo júri oficial, Melhor atriz coadjuvante, Prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema, Melhor fotografia, Melhor longa de ficção do Prêmio Félix.

O filme foi acompanhado de perto por “Aos Teus olhos”, de Carolina Jabor, que faturou quatro premiações – Melhor ator coadjuvante, Melhor roteiro, Melhor longa de ficção pelo voto popular, Melhor ator.

Confira abaixo a relação completa com todos os premiados do evento.

VENCEDORES DA PREMIÈRE BRASIL, OUTROS PRÊMIOS e Público

Première Brasil – ficção e documentário / longa e curta

JÚRI
presidido por Antônio Saura e composto por Caio Gullane, Heloísa Passos, Leandra Leal e Paz Encina

MELHOR LONGA-METRAGEM DE FICÇÃO – As Boas Maneiras, de Juliana Rojas, Marco Dutra. produzidopor Sara Silveira, Maria Ionescu, Clément Duboin e Frédéric Corvez

MELHOR LONGA-METRAGEM DE DOC – Piripkura, de Mariana Oliva, Renata Terra, Bruno Jorge. produzido por Mariana Oliva

MELHOR CURTA-METRAGEM – Borá, de Angelo Defanti. produzido por Sara Silveira, Bárbara Defanti e Cristina Alves

Menção Honrosa curta-metragem Roberta Gretchen Coppola, por Vaca Profana

MELHOR DIREÇÃO DE FICÇÃO – Lúcia Murat, por Praça Paris

MELHOR DIREÇÃO DE DOC – Tatiana Lohmann e Roberta Estrela D’Alva, por Slam: Voz de Levante

MELHOR ATRIZ – Grasse Passô, por Praça Paris

MELHOR ATOR – Daniel de Oliveira, por Aos Teus Olhos e Murilo Benício por O Animal Cordial

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE – Marjorie Estiano, por As Boas Maneiras

MELHOR ATOR COADJUVANTE – Marco Rica, por Aos Teus Olhos

MELHOR FOTOGRAFIA – Rui Poças, por As Boas Maneiras

MELHOR MONTAGEM – Caroline Leone, por Alguma Coisa Assim

MELHOR ROTEIRO – Lucas Paraizo, por Aos Teus Olhos

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI – Slam: Voz de Levante

NOVOS RUMOS
Júri composto por Allan Ribeiro, Bruna Linzmeyer e Bruno Safadi

MELHOR FILME – A parte do mundo que me pertence de Marcos Pimentel. produzido por Luana Melgaço

MELHOR CURTA – Atrito, de Diego Lima

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI – Vende-se Esta Moto, de Marcus Faustini

VOTO POPULAR:

MELHOR LONGA FICÇÃO: Aos Teus Olhos, de Carolina Jabor. produzido por Carolina Jabor e Leonardo Monteiro de Barros


MELHOR LONGA DOCUMENTÁRIO: Dedo na Ferida, de Silvio Tendler. Produzido por SILVIO TENDLER

MELHOR CURTA: Vaca Profana, de René Guerra. produzido por Juliana Vicente

PRÊMIO DA CRÍTICA FIPRESCI

Júri composto por – Ana Rodrigues, Chico Fireman, Francisco Russo

Para : As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra

PRÊMIO FELIX

Júri composto por – Eduardo Graça, Isabel Penoni, João do Corujão

Melhor Longa Ficção: As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra. , produzido por Sara Silveira, Maria Ionescu, Clément Duboin e Frédéric Corvez

Melhor Longa Doc: Queercore: How to Punk a Revolution, de Yony Leyser. produzido por Thomas Janze

Melhor Curta: Sandra Chamando, de João Cândido Zacharias. produzido por Tatiana Leite

Por: Cesar Augusto Mota

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Poltrona Resenha: Roda Gigante/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Roda Gigante/ Cesar Augusto Mota

Quem não se lembra de ‘Blue Jasmine’, filme de Woody Allen que rendeu para Cate Blanchett o Oscar de melhor atriz, em 2014? Após tropeços nos últimos anos, o aclamado cineasta resolve voltar a investir em um filme que possui uma mulher mais velha no centro da narrativa e cheia de conflitos para resolver. ‘Roda Gigante’, exibido recentemente no Festival de Nova York e na sessão de gala do último sábado (14/10) do Festival do Rio, chega para voltar a cativar os fãs de Allen e conquistar novos públicos.

A história se passa em Coney Island, Nova York, nos anos 1950, e somos apresentados inicialmente a Ginny (Kate Winslet), uma ex-atriz que é abandonada pelo primeiro marido após este ter descoberto sua infidelidade. Para manter a casa e o filho Richie (Jack Gore), um garoto de comportamento doentio e com mania de atear fogo nas coisas, Ginny passa a trabalhar como garçonete e posteriormente conhece Humpty (Jim Belushi), um mecânico de roda gigantes. Um apoia o outro nas adversidades e Ginny se casa com Humpty, mais por gratidão do que por amor. Infeliz no casamento, ela conhece Mickey(Justin Timberlake), salva-vidas do posto 7 da praia de Coney Island e universitário apaixonado por artes cênicas e literatura, com quem passa a ter um romance. Mas a vida de Ginny começa a mudar quando Carolina (Juno Temple), filha de Humpty, chega para pedir socorro e abrigo após seu casamento com um gângster chegar ao fim e ser jurada de morte pelos comparsas dele.

Dá para notar a presença de uma série de subtramas e vários abacaxis a serem descascados, e a expectativa que há é que Woody Allen tenha cartas na manga e vai trazer soluções mirabolantes para todas elas, mas será que ele realmente faz isso? O que é possível notar é a presença de diálogos sem profundidade, que se repetem em boa parte da história e sem tanto alarde, o uso da quebra da quarta parede, ou seja, o popular diálogo de um intérprete com a plateia e olhando para a câmera, feita pelo personagem de Timberlake, e o popular alter-ego do diretor, representado pelo personagem principal da história, caso de Winslet. Todos esses elementos já vimos antes, nada de inovador, e alguns desses entreveros não ganham grandes contornos durante a história, caso do comportamento controverso de Richie, e outros sem um desfecho claro. Muita coisa fica confusa aos olhos de quem acompanha e fica um gosto de quero mais. Há a presença de uma leve reviravolta na história, mas que não invalida a qualidade da obra.

A fotografia, assinada por Vittorio Storaro, três vezes vencedor do Oscar, traz uma belíssima reconstrução da cidade de Nova York dos anos 1950, com cores vivas, vibrantes, bonitas paisagens, mas também com tons de melancolia. Além disso, o jogo de luzes utilizado retrata o estado de espírito dos personagens. A iluminação muda na medida em que os diálogos se aprofundam, e nota-se nas cenas quem que Ginny conversa com Mickey abaixo de um píer na praia e quando Ginny e Carolina dialogam no quarto, no dia do aniversário de 40 anos da personagem de Kate Winslet. O humor desta se altera a ponto de vermos a cena com um tom mais acinzentado, visto que ela pensa que há algum relacionamento entre Carolina e Mickey, tamanho era o seu ciúme.

A escolha dos atores foi acertada e as atuações são grandiosas. Justin Timberlake não decepciona como Mickey, e também não é tão exigido, Juno Temple ilustra uma jovem inicialmente empolgada, mas que apresenta posteriormente um grande amadurecimento, o jovem Jack Gore rouba a cena em vários momentos e demonstra um personagem que outras crianças interpretariam. Jim Belushi agarra seu papel com unhas e dentes e demonstra muita força para voltar a fazer grandes trabalhos e Kate Winslet é a alma do filme, ela consegue ilustrar uma personagem carregada de culpa e situações mal resolvidas no passado, passa muita coragem, segurança e transparece uma verdadeira transformação para atingir o patamar que conseguiu na história. De encher os olhos.

Apesar dos altos e baixos, ‘Roda Gigante’ mostra a força ainda existente de Woody Allen, na capacidade de construir histórias com grandes arcos dramáticos, escalação de atores eficientes e a possibilidade de nos apresentar belos planos estéticos. Marcas registradas de um nova iorquino vencedor de quatro Oscars e ainda com muita lenha para queimar, longevidade ao mestre!

Avaliação: 4/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Scorpion/Luis Fernando Salles

Poltrona Séries: Scorpion/Luis Fernando Salles

Scorpion é uma série de televisão norte-americana criada em 22 de setembro de 2014 e transmitida pela CBS. No Brasil, o seriado pode ser assistido no canal AXN.

Inspirada em uma história real, conta as aventuras do excêntrico gênio, Walter O’Brien, e de sua equipe composta por um comportamentalista (Behaviorismo), Toby, uma calculadora humana, Sylvester, e uma prodígio da mecânica, Happy. Ambos são pessoas ótimas de espírito, mas que não conseguem se socializar com a maioria das pessoas e por isso recebem a ajuda de uma ex-atendente de lanchonete chamada Paige que tem um filho gênio, Ralph.

Quando um problema sério surge no espaço aéreo americano, o agente Cabe Gallo resolve recrutar a equipe de gênios, já que nenhuma outra pessoa é capaz de resolver o problema. A partir daí, e agora com o apoio do governo, eles se tornam oficialmente a equipe Scorpion e tornam-se a última linha de defesa contra ameaças complexas ao redor do mundo.

A série se encontra na 4º temporada, porém corre risco de não ser renovada pelo baixo desempenho na TV americana.

Liga da Justiça: Joss Whedon não será creditado como diretor do filme, diz Warner

Liga da Justiça: Joss Whedon não será creditado como diretor do filme, diz Warner

Após ‘Liga da Justiça’ ter recebido classificação indicativa para maiores de 13 anos, outra notícia causou susto nos fãs. Zack Snyder constará nos créditos como o único diretor do filme.

A Warner Bros., distribuidora do filme, considerou o projeto de autoria única de Snyder, apesar de não subestimar Joss Whedon, que o substituiu recentemente após a trágica notícia do suicídio da filha Autumn, em março.

Dentro do elenco, há uma contradição em relação aos créditos de quem seja o diretor. Para Gal Gadot, a Mulher Maravilha, “Whedon só fez alguns reshoots”, já Bem Affleck, o Batman, diz que Liga da Justiça se trata de “um grande trabalho de dois diretores”.

Enquanto a polêmica não é desfeita, vamos aguardar a estreia de ‘Liga da Justiça’, que chega ao circuito nacional em 16 de novembro de 2017.

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Fuller House-3ª temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Fuller House-3ª temporada/ Cesar Augusto Mota

Parece que foi ontem, a série Full House (Três é Demais, no Brasil), completou 30 anos de existência esse ano, para a felicidade dos fãs. Para celebrar a data, a Netflix liberou há poucas semanas os episódios da terceira temporada de Fuller House, série derivada da original, trazendo de volta os personagens do grande sucesso veiculado na TV por assinatura e na aberta, pelo SBT. O que era para ser nostálgico e de muito sucesso, acabou com uma pontinha de decepção.

Nos 9 episódios disponibilizados pelo serviço de streaming, os personagens Danny Tanner, Joey e Jesse, interpretados respectivamente por Bob Saget, Dave Coulier e John Stamos aparecem esporadicamente, um episódio para cada um. Os três atores tiveram grande importância no sucesso de 8 anos em que Full House ficou no ar, mas colocar Coulier, Stamos e Saget com participação reduzida deu um gostinho de quero mais, afinal, todos eles brilharam em cena e em dados momentos bastava uma simples aparição para o público sorrir e aplaudir.

Tirando a participação abreviada dos três atores, a terceira temporada está ótima, com uma excelente química entre o elenco consagrado e os novos atores recrutados. Vamos constatar temáticas muito interessantes na medida em que os episódios forem passando, como família, responsabilidade no trabalho, fertilidade, dramas amorosos e dilemas na adolescência. Tudo é muito bem conduzido pelas atrizes Candace Cameron, a DJ, Jodie Sweetin, a Sthephanie e Andrea Barber, a Kimmy. As três retornam e com uma irmandade ainda mais forte, mas as personagens terão que mostrar mais força e jogo de cintura, tendo em vista que DJ e Kimmy já são mães e tem maiores responsabilidades com os filhos, e Steph vive dilemas, como dificuldade em arranjar trabalho e tem o desejo de ser mãe e tenta todos os tipos de tratamento. Tudo é devidamente contornado e as três amigas tiram de letra todas as pedras colocadas no caminho, e com direito a vários micos.

Outro ponto forte é o desempenho do núcleo infantojuvenil, com ótimas tiradas de Elias Harger, o Max Tanner, segundo filho de DJ. Ele nos brinda com uma linda cena no começo do primeiro episódio, com a canção ‘Best Summer Ever’, na qual todo o elenco participa. Apesar da pouca idade, o garoto mostra que a vida não está às mil maravilhas e nos dá importantes lições. Michael Champion, o Jackson, filho mais velho de DJ, é o típico adolescente que enfrenta os problemas mais comuns, como dificuldades com os estudos e a descoberta do primeiro amor. Jackson nos diverte muito nas cenas em que divide o quarto com Max, os dois só faltam se matar. E a jovem Ramona (Soni Nicole Bringas) não fica atrás, ela demonstra muita cumplicidade na relação que tem com a mãe, Kimmy, além de passar por perrengues que todo adolescente enfrenta.

Se você ainda não viu, corra para ver Fuller House, a série é muito divertida, para toda a família, com muita diversão, risos e muitas mensagens importantes. Vale a pena!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Batalhas Íntimas traz universo de violência contra mulher

Batalhas Íntimas traz universo de violência contra mulher

O documentário mexicano “Batalhas Íntimas” teve a sua primeira exibição no Festival do Rio na última segunda (09) no Estação Net Botafogo com a presença da diretora Lucia Gaja. No filme cinco mulheres de várias partes do mundo contam os casos de violência doméstica dos quais foram vítimas, e deixam evidente que o problema independe de classe social.
Essa foi a primeira exibição de “Batalhas Íntimas” fora do México e, apesar de estar um pouco ansiosa, Lucia conversou conosco sobre o processo de produção do documentário e sobre as expectativas de impacto do mesmo sobre os públicos feminino e masculino.

Quais são as razões para você ter escolhido fazer um filme apenas com relatos de violência contra a mulher e sem imagens que reproduzam esta violência?

Desde que comecei a pensar em como fazer o filme não queria que a violência fosse mostrada graficamente. Me interessava fazê-lo através dos relatos e denúncias porque uma das coisas mais difíceis para uma mulher que vive ou viveu violência doméstica é acreditarem na sua palavra. Muitas vezes se as mulheres não chegam com alguma marca física da violência para denunciar o que vivem as pessoas duvidam delas. Preferem acreditar que a violência sofrida não é suficientemente grave a ponto de deterem ou prenderem o cônjuge, ou que o mesmo seja impedido de se aproximar de sua casa. Mas junto com os depoimentos eu quis retratar as suas próprias realidades e os seus países para fazer um filme bonito a partir das paisagens e dos contextos das cidades, partindo de uma normalidade de alguma forma. Não essa normalidade em relação à violência doméstica, porque nos últimos anos estamos nos dando conta do quão presente e grave é esta situação em muitos países, e não só na América Latina. E é justamente por isso que o filme se passa em outros continentes. Foi algo que não sabíamos se teríamos êxito, pois a questão era como fazer um filme bonito com um tema tão forte e tão doloroso. Mas até agora em todos os lugares em que o documentário foi exibido parece que fomos bem sucedidos. Acho que funcionou também muito para que o espectador interiorize o tema.

Quais são as suas expectativas sobre os impactos e mudanças que o filme pode causar tanto na vida das mulheres quanto na dos homens?

A princípio me preocupei em não fazer um filme que fosse contra os homens ou contra as relações entre casais e o casamento. Muito pelo contrário. Eu quis fazer algo que causasse reflexão tanto nos homens quanto nas mulheres para mudar essa situação que temos vivido há tanto tempo. Porque somente com ambos trabalhando juntos é que vamos mudar isso. Não é um trabalho apenas de mulheres ou apenas de homens. Por isso pensei em um filme em que os homens também pudessem refletir sobre a sua conduta. Talvez não de si próprios, mas sobre a sua conduta de gênero. Sobre os homens que perpetuam o seu poder através da violência e dos seus privilégios.

E com as mulheres pensei em ajuda-las a chegar a uma reflexão de que existem mulheres como as retratadas no documentário que conseguiram sair dessa situação e reconstruir suas vidas. O que é algo muito importante porque não é fácil. O próprio filme não diz que é fácil se livrar desta situação ou falar sobre isto. Ou que haja facilidade em conseguir ajuda ou refazer a vida econômica, profissional ou familiar. Mas se está falando de um caminho da vida e não de sobrevivência. Porque desgraçadamente há muitas mulheres que morrem ao tentarem sair de suas casas ou como vítimas de todo esse processo de violência que vai se agravando.

Mas estou muito feliz a princípio porque cheguei a me preocupar um pouco sobre como os homens receberiam o filme. Até agora estivemos em vários festivais no México e tivemos respostas muito interessantes. Muito jovens refletiram sobre a sua própria conduta com as suas companheiras, homens que cresceram em um ambiente de violência no qual o pai agredia a mãe e que sabem que não querem ser o mesmo, homens que convidam outros homens a refletirem e a repensarem a sua masculinidade e ajudarem que esta situação mude.

Sinopse:

Cinco mulheres vítimas de violência doméstica relatam suas histórias e lutas por sobrevivência. Vindas de diferentes partes do mundo, elas são bastante distintas entre si. Este documentário estabelece um painel feminino ao investigar a fundo um problema que ultrapassa limites geográficos e transcende diferenças sociais ou formação acadêmica. Gravado durante oito anos, o filme revela os impactos, sequelas e traumas físicos e emocionais causados pela violação do lugar que deveria ser o mais seguro e amoroso entre todos: o nosso próprio lar.​

por Fernando Flack

Fonte: Site do Festival do Rio

Poltrona Cabine: 120 Batimentos por Minuto/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: 120 Batimentos por Minuto/ Cesar Augusto Mota

Você que curte filmes alternativos e sempre quis ficar por dentro do cotidiano de grupos ativistas, suas constantes lutas e principais ideologias defendidas, agora irá se deparar com uma obra didática, institucional e de grande valor humanitário. ‘120 Batimentos por Minuto’, produção francesa dirigida por Robin Campillo, chega para alertar e abrir os olhos de muita gente.

A história apresenta o grupo ACT UP, fundado na França em 1989, que luta pelos direitos dos portadores do vírus HIV e defende iniciativas por melhorias no tratamento e prevenção em relação à doença. Não só o cenário da época é retratado, como também são traçados os devidos contornos, como tensões, medos dos pacientes, os preconceitos vividos por eles e os prazeres deles em seu cotidiano, apesar do terrível diagnóstico que tiveram. Tudo é mostrado de forma honesta, com muita abrangência e veracidade.

Na medida em que o filme transcorre, vamos conhecendo cada integrante do movimento, as ideologias defendidas, bem como o dia a dia de muitos deles, seus deleites, diversões e também seus amores. Tudo mostrado de uma maneira suave e que não dê margem a julgamentos, até chegar na questão central, de mobilizar as indústrias farmacêuticas e o poder público por tratamentos e medicamentos mais eficientes no prolongamento da vida dos pacientes, bem como mostrar as falhas cometidas nas redes de saúde e também no fabrico dos medicamentos. Alguns lemas são apresentados ao espectador: é preciso exigir melhora, e também é necessário prevenção contra doenças venéreas e, mais do que tudo, sobreviver.

O roteiro, como já dito, mostra uma trama regada por muitas ações encadeadas, em torno de objetos uniformes, mas em dados momentos ocorrem exageros, uso de meios ardis e agressivos, mas justificados, no caso a necessidade dos manifestantes serem ouvidos e na tentativa de acabar com preconceitos em relação à grupos de minorias e ainda enraizados na sociedade contemporânea. Apesar de alguns momentos fugirem ao controle, a intenção do diretor em levar para as telas e mostrar ao público o universo do movimento ativista e tudo o que o cerca, com simpatizantes e opositores, é bastante válido, retrata também o que a sociedade brasileira atualmente vivencia.

As atuações do elenco são harmônicas, muito coesas e conseguem imprimir sinceridade para o espectador. A fotografia, com alguns jogos de luzes em cenas noturnas, nos trazem um certo deleite e alívio, pois trata-se de uma história com muita vibração, barulho e que dá uma boa chacoalhada em quem acompanha. A montagem é precisa, e é o principal elemento para nos mostrar com eficiência as principais propostas da história, que funcionam muito bem.

Ficou curioso? Não deixe de ver ‘120 Batimentos por Minuto’, seu coração vai pulsar forte e você terá outra visão de mundo, é preciso ampliar estar alerta, mas também ampliar os horizontes.

Avaliação: 4/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota