Poltrona Cabine: Star Trek Sem Fronteiras/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Star Trek Sem Fronteiras/Cesar Augusto Mota

startreksemfronteiras_6-750x380A franquia “Star Trek” chega aos 50 anos com estilo, encantando espectadores mundo afora e disposta a estabelecer relações com novos públicos. Muitos já se divertiram com o clássico “Jornada nas Estrelas”, dos anos 1960, e também com a nova essência de “Star Trek”, com filmes em 2009 e 2013, do diretor J.J Abrams. Agora está prestes a chegar aos cinemas brasileiros a terceira aventura da nova leva, “Star Trek Sem Fronteiras”, com Justin Lin (Velozes e Furiosos ) na direção, e a nova produção promete resgatar o espírito de diversão e aventura presentes na série de TV que marcou gerações.

Em “Star Trek Sem Fronteiras”, a tripulação da nave espacial Enterprise irá se encontrar no terceiro ano de uma missão prevista para durar cinco anos, conforme dito no último filme, em 2013. Os tripulantes estão na busca por novos povos, mas o capitão Kirk (Chris Pine), cansado das últimas jornadas, se encontra bastante desmotivado, até que ocorre um ataque à Enterprise, de autoria do vilão Krall (Idris Elba), interessado em um artefato recentemente descoberto e na posse do líder da tripulação. Em uma sequência de excelentes efeitos especiais e de muita ação, a nave é destruída, o que causa a queda de todos os tripulantes da Enterprise em um planeta desconhecido.

O incidente provoca a divisão do grupo em duplas na busca por uma saída do planeta misterioso, até que surge Jaylah (Sofia Boutella), uma guerreira que habita uma nave antiga de propriedade da própria Enterprise disposta a ajudar todos a encontrar uma solução e também a confrontar e derrotar Krall, responsável pela morte de várias pessoas, inclusive a família de Jaylah. O entrosamento entre a tripulação da Enterprise com a nova integrante se mostra consistente, e a dose cômica que o filme traz em alguns momentos também funciona.

No plano visual, os gráficos apresentados são de um enorme primor, tornando as cenas mais dinâmicas e emocionantes, principalmente com o uso de hologramas e do teletransporte, mecanismo essencial na luta contra Krall. Destaque também para os belos e destruidores ataques alienígenas, dentro e fora da nave.

O roteiro nos proporciona um enredo bem desenvolvido, com ótima ligação da primeira parte, quando a Enterprise é destruída, com a segunda parte, da união dos tripulantes em pequenos grupos e a entrada de Jaylah até o confronto final com Krall, sem perder o fio da meada. Tudo isso ocorre de forma natural, e ocorre principalmente em decorrência da atuação de todo o elenco.

“Star Trek Sem Fronteiras” sem dúvida tem tudo para agradar aos antigos fãs da franquia, bem como conquistar os corações de novos espectadores, e não se esquece também de fazer homenagens póstumas para Leonard Nimoy (o eterno Spock), e Anthon Yelchin, Checkov, morto recentemente em acidente automobilístico. As homenagens? Bem, melhor não contar para não estragar a surpresa.

A impressão que temos com esse novo filme é a de que temos uma sensação retrô quando o assistimos, e também uma reverência ao passado no presente. “Star Trek Sem Fronteiras” é mais do que isso, é uma homenagem à franquia, bem como uma mostra de evolução, com belos efeitos visuais, um elenco entrosado e uma ótima equipe por trás das câmeras e com potencial para continuar a cativar os antigos fãs e também aqueles que ainda não conhecem as famosas aventuras intergalácticas da Enterprise. O filme de Justin Lin se sai bem em sua proposta e mostra o que se espera dele.

Poltrona Cabine: Olympia 2016/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Olympia 2016/Cesar Augusto Mota

filmes_11533_olim1O Rio de Janeiro está prestes a receber os Jogos Olímpicos, mas o planejamento da cidade para as competições, os milhões de reais gastos, as obras superfaturadas, bem como os diversos problemas não resolvidos e que impactam a cidade e o país nos fazem voltar a discutir um problema cada vez mais habitual e que infesta a sociedade brasileira: a corrupção.

“Olympia 2016”, misto de documentário e ficção, traz um debate inteligente sobre o assunto, e o pano de fundo é a cidade fictícia de Olympia, escolhida em 2009 para ser sede de uma edição das Olimpíadas. O início da discussão sobre corrupção se deu com a construção de um campo de golfe numa reserva ambiental, mas sem um projeto que envolvesse licitação, estudo sobre impactos ambientais, tampouco audiências públicas sobre a viabilidade do projeto.

A narrativa é dividida em três partes: a primeira trará a origem do fenômeno da corrupção, seja no Brasil e no restante do mundo, a evolução, bem como seus efeitos e consequências para as gerações futuras.

A segunda parte ilustra Olympia como um cenário maravilhoso para a realização dos Jogos Olímpicos, capaz de proporcionar felicidade para seus moradores por conta do recebimento de milhares de atletas e grande quantidade de empregos criados com a realização dos jogos, mas com bastidores obscuros, onde predomina a arbitrariedade, o uso do poder e o desvio de verbas.

Já a última parte levanta uma breve discussão acerca do tema e o papel de cada indivíduo na sociedade e os deveres no combate a um dos maiores males protagonizados pelo homem. A corrupção pode ter várias faces, mas não só em um setor ele está situado, como pode estar também no Poder Judiciário e até nas mais diversas camadas sociais, como traz o documentário.

Além de depoimentos de advogados, filósofos, de Juca Kfouri, Vladimir Safatle, Bernardo Toro, há importantes relatos dos moradores da Vila Autódromo, destruída em boa parte por conta da construção do Parque Olímpico. Essas opiniões dos habitantes da comunidade enriquecem o debate sobre a corrupção e trazem suas percepções do atual cenário político do país, de como era o Brasil na época da Ditadura, bem como reiteram o desejo de lutar até as últimas consequências pelo espaço que lhes pertencem, sem ceder a quaisquer pressões e sem esquecer do papel de cidadão que cada um possui.

Se você quer refletir sobre a corrupção e fazer um estudo mais aprofundado do tema, bem como saber se um país como o Brasil e que possui um mal tão enraizado ainda tem jeito, não deixe de acompanhar “Olympia 2016”, um projeto que contou com financiamento coletivo de 534 pessoas. A direção é de Rodrigo Mac Niven, com distribuição da Fênix Filmes, possui pré-estreia prevista para 30 de julho e lançamento em 08 de setembro de 2016 para todo o Brasil.

Poltrona Cabine: A Lenda de Tarzan/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: A Lenda de Tarzan/Cesar Augusto Mota

maxresdefaultCertamente muitos conhecem a história de Tarzan, um garoto adotado e criado por macacos na floresta, que aprende a interagir com os outros animais e conhece Jane, se casando com ela posteriormente. Pois bem, “A Lenda de Tarzan” traz uma nova abordagem, com atenção voltada para cenas de ação, efeitos visuais e o foco num dos momentos mais tristes e enfrentados por nossa civilização: a escravidão.

A história começa com Tarzan(Alexander Skarsgård) já ambientado a uma nova vida fora das selvas, em Londres, como John Clayton III, o Lorde Greystoke, e ao lado de sua amada esposa(Margot Robbie). Mas a Rainha Vitória faz um convite para que John Clayton retorne ao Congo para investigar uma série de abusos sofridos pelos habitantes da colônia. Lá descobre que o povo africano é dominado e escravizado pelo capitão belga Leon Rom(Christoph Waltz), homem frio, ganancioso e disposto a capturar o Rei das Selvas e trocá-lo por diamantes.

As cenas de flashback que ilustram a origem de Tarzan, bem como o início e aperfeiçoamento de suas habilidades podem parecer dispensáveis ou até clichês para alguns, mas se fizeram necessárias e importantes para a história, pois tudo o que o protagonista aprendeu se tornou imprescindível não só para sua sobrevivência, bem como para ajudar na libertação da população congolesa da escravidão, como também para salvar Jane, acorrentada e usada como isca pelo capitão Rom na tentativa de captura do protagonista da história.

O enredo, além de contar com Waltz na pele do capitão Rom, traz também a participação de Samuel L. Jackson, estrela de “Os Oito Odiados”, como George Washington Willians, um americano que participou da Guerra Civil nos Estados Unidos e um dos responsáveis pelo massacre de centenas de índios nativos da terra do Tio Sam. Willians surge na trama não só com a chance de se redimir do ocorrido em seu país natal, como também vem para auxiliar Tarzan nessa intensa perseguição e batalha travadas por Rom, que busca poder e dominação.

O filme apresenta um ótimo plano visual, com priorização aos tons de cinza e azul, tornando as cenas mais sombrias, e uma valorização das cenas que envolvem ação e explosões, mas notam-se problemas em tomadas frontais e aéreas na floresta, podendo-se notar falhas nos cenários. O foco no físico do Tarzan é demasiadamente exagerado, e notamos uma África bem representada visualmente, com savanas, montanhas, cataratas e rios, palco ideal para embates entre colonizadores e colonizados.

Quanto às atuações, Alexander Skarsgård e Margot Robbie cumprem muito bem os papéis de protagonistas, com a relação amorosa do casal sempre fortalecida e nunca estremecida, mesmo com o passado agitado e sempre recorrente do personagem John Clayton III. Além disso, Robbie, com sua brilhante interpretação, consegue quebrar a imagem de donzela e moça frágil que Jane aparentava ter, o que é determinante para o desfecho da história, que promote envolver o espectador do início ao fim. Christoph Waltz e Samuel L. Jackson não comprometem, mas poderiam seus personagens terem sido melhor explorados na história.

“A Lenda de Tarzan” foi adaptado da série de livros de Edgar Rice Burroughs, com roteiro de Adam Cozad e Craig Brewer e direção de David Yates, responsável pelos quatro últimos filmes da saga “Harry Potter “, além de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”. O filme será distribuído pela Warner Bros. Pictures e Village Roadshow Pictures, com estreia prevista para 21 de julho nos cinemas brasileiros.

Poltrona Cabine: Caça-Fantasmas/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Caça-Fantasmas/Cesar Augusto Mota

Caça-Fantasmas

 

Cinema-Ghostbusters-2016-imagensApós o sucesso de Os Caça-Fantasmas, de 1984, de sua continuação (1989) e da realização de duas séries animadas, a franquia ressurge em 2016 com uma nova roupagem e com o desafio de ampliar seu legado e conquistar uma nova geração.

As primeiras impressões foram negativas, pois o trailer do filme em inglês bateu recorde de negativações no Youtube, muito por conta de a maioria dos espectadores não aceitarem a refilmagem com protagonistas femininas e pela ausência do elenco original. Mas a Columbia Pictures apresentou um projeto ousado e disposto a passar por cima de diversos preconceitos, como a intolerância na Internet e o sexismo presente em Hollywood, com poucas mulheres se destacando nas produções cinematográficas, sejam como diretoras, roteiristas ou personagens principais.

A nova trama traz Erin Gilbert (Kristen Wiig), conceituada professora da Universidade de Columbia, que escreve um livro juntamente com Abby Yates (Melissa McCarthy) sobre a existência de fantasmas. Prestes a receber uma promoção no meio acadêmico, Gilbert descobre que o livro fora publicado na Internet e procura sua parceira para tentar tirá-lo de circulação, mas sem sucesso, e acaba, consequentemente,  virando motivo de chacota e perde seu emprego.

Fenômenos estranhos e sobrenaturais passaram a ocorrer em uma mansão e no subterrâneo de Nova York, e tudo isso faz com que Gilbert, Yates, a assistente Jillian Holtzmann (Kate McKinnon) e  Patty Tolan (Leslie Jones), funcionária do metro de Nova York, se juntem, formem a agência Caça-Fantasmas e se mobilizem para salvar o mundo. A elas também se junta Kevin(Chris Hemsworth), um secretário de boa aparência, mas desprovido de inteligência, e que acaba roubando a cena em várias ocasiões.

Pode-se perceber um excelente entrosamento entre as protagonistas, com momentos que proporcionaram muitas risadas e a chance de cada uma poder mostrar suas habilidades, além do show de cores, efeitos especiais, um roteiro bem estruturado, além de fantasmas bem construídos com a atual computação gráfica, um excelente nível.

Paul Feig, diretor de Caça-Fantasmas, já dirigiu produções com protagonistas femininas, como “Missão Madrinha de Casamento” , “As Bem Armadas” e “A Espiã Que Sabia de Menos” e foi o responsável por escalar Melissa McCarthy e Kristen Wiig, duas das protagonistas e que já trabalharam com o cineasta. O resultado é extraordinário, com humor inteligente, cenas de ação e o espectador consegue se inserir na história junto ao elenco.

Quem sentiu nostalgia ao ver o título do filme no início, vai se surpreender com as participações especiais de ícones da produção original, além de ter várias surpresas, inclusive com cenas pós-créditos. Será que vai ter continuação?

“Caça-Fantasmas” marca o reinício de um fenômeno cultural dos anos 1980, que, sem dúvida, vai cativar novos espectadores e mostrar que mulheres podem ser protagonistas de diversos gêneros, da ficção à comédia. Vale a pena conferir.

Poltrona Cabine:O Botão de Pérola/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine:O Botão de Pérola/Cesar Augusto Mota

O Botão de Pérola: história nostálgica e didatismo do diretor

 

1882Esta obra do roteirista e diretor Patricio Guzmán começa a retratar a água, um dos principais elementos da Natureza, e esta não só é exaltada como composto essencial da vida, mas também capaz de traçar os caminhos do Homem ou até mesmo ser caracterizada como local que abrigou milhares de corpos jogados durante a ditadura do ditador Augusto Pinochet.

O filme faz um belo trabalho no quesito História, pois se remete às riquezas presentes no solo do Deserto do Atacama, o passado colonial, com exploração, estupro e morte de milhares de índios, e torturas no regime político dos anos 1970, no Chile.

A narração feita durante toda a produção é do próprio diretor, que tece comentários carregados de cunho filosófico e político, e tudo isso enriquece a película, pois proporciona ao espectador a capacidade de refletir sobre o papel do homem na sociedade, repensar suas ações e práticas no seio social e também questionar sobre a questão da impunidade, ainda recorrente na atualidade e que revolta a coletividade.

Quanto ao título, o que seria esse botão de pérola? Fronteira mais extensa do Chile, a água oculta, o segredo de dois botões misteriosos que estão no fundo do mar. Não adiantarei sobre o que são esses botões, mas ilustram o processo violento da colonização das Américas, dotada de exploração das terras indígenas, a violação da liberdade coletiva e a política e repressiva predominante nos anos de chumbo do Chile.

Premiado como filme de Melhor Roteiro no Festival de Berlim (2015), “O Botão de Pérola” estreia em 14 de julho nos cinemas. Se você gosta de uma abordagem lírica, metafórica e didática sobre a colonização chilena, as belezas naturais do país e uma síntese que complete sobre a ditadura de Pinochet, esse é o filme certo.