Poltrona Cabine: Piratas do Caribe-A Vingança de Salazar/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Piratas do Caribe-A Vingança de Salazar/ Cesar Augusto Mota

Jack Sparrow, personagem clássico da franquia ‘Piratas do Caribe’ e vivido por Johnny Depp, está de volta em uma nova aventura que promete deixar o espectador ainda mais frenético e ansioso por novas trapalhadas do excêntrico pirata capitão do navio Pérola Negra. Trata-se de ‘Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar’, a nova produção da Disney Studios que chega aos cinemas brasileiros em 25 de maio.

Se os ventos já sopravam contra Sparrow, agora ele terá que encarar um desafio ainda maior: o Capitão Salazar (Javier Bardem), um poderoso capitão da marinha espanhola, morto em batalha contra Sparrow, consegue escapar do Triângulo do Diabo junto de um grupo mortal de marinheiros fantasmas dispostos a se vingar e matar todos os piratas do mar, incluindo Jack Sparrow. O protagonista da história, se quiser sair vivo dessa batalha que promete ser sangrenta e fatal, terá que encontrar o Tridente de Poseidon, objeto importante que dá ao possuidor o controle sobre todos os sete mares, mas lógico, a busca pelo artefato não será fácil.

A narrativa apresenta inicialmente duas histórias que se entrelaçam e que serão importantes e decisivas para as pretensões de Jack Sparrow, como a de Henry Turner (Brenton Thwaites) e de Carina Smyth (Kaya Scodelario). O primeiro é um jovem pirata que tenta se reconectar com seu pai, mas o perde e precisa quebrar uma maldição para que possa se unir novamente a ele, já a segunda é uma astrônoma, mas é acusada injustamente de ser uma feiticeira e é perseguida para que seja aprisionada e morta. Os dois parecem no início ser água e óleo, não se misturam de jeito nenhum, mas com a evolução da história e o aumento de tensão na medida e que o exército do Capitão Salazar se aproxima faz com que ambos fiquem mais unidos e juntem suas forças para salvarem suas peles e de Jack Sparrow, principal alvo de Salazar.

A história traz um roteiro bem estruturado, com uma evolução harmônica e que contribui para a sequência de ações que desencadeiam as batalhas entre o grupo de Jack Sparrow e os marinheiros fantasmas. O clímax, momento que mostra o confronto épico entre o personagem principal e o vilão na luta pelo Tridente, é de tirar o fôlego. O trabalho dos diretores Joachim Rønning, Espen Sandberg é excepcional, ambos souberam aliar ação e adrenalina , além dos dois terem conseguido extrair o melhor de cada ator.

Não poderia deixar de destacar também o uso de efeitos especiais, trata-se de um CGI de grande resolução e que trouxe mais dinamismo às cenas, além do grau de excelência de atuação do elenco. Impressionante o entrosamento entre todos e como a atuação de cada um funciona na trama. Johnny Depp continua ótimo como Sparrow, Javier Bardem impressiona como vilão e transmite veracidade em todas as cenas, um personagem que não foi fácil de interpretar, e Bardem aliou competência e experiência para interpretá-lo. O casal da história, composto por Brenton Thwaites e Kaya Scodelario, também brilha, ambos interpretam personagens que são peças-chave não só para ajudar Sparrow na busca pelo Tridente, como também ajudam a desvendar segredos que surgem no início da narrativa. Não falarei mais para não entregar e estragar as surpresas, certo?

Ansioso para a estreia? Não perca “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”, e não saia da sala ao fim, há uma cena pós-créditos, não vá perder, ok? Nota 10 para essa superprodução da Disney, e que sejam lançadas futuramente mais produções com grandes e emocionantes aventuras quanto esta.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Rei Arthur e a Lenda da Espada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Rei Arthur e a Lenda da Espada/ Cesar Augusto Mota

Apreciadores de histórias medievais, preparem-se. Está chegando ao circuito nacional mais uma adaptação da épica história do rei Arthur, um lendário líder britânico que, segundo os romances de cavalaria, comandou a Inglaterra contra as invasões dos saxões no fim do século V e início do século VI. Já tivemos filmes como “Os Cavaleiros da Távola Redonda (1953),“O Príncipe Valente” (1954), “Excalibur” (1981), “Rei Arthur” (2004) e “Arthur e Merlin” (2015), agora vamos ter a chance de apreciar mais um longa inspirado nas histórias folclóricas do corajoso, sábio e bondoso cavaleiro que viria a se tornar rei: “Rei Arthur e a Lenda da Espada”.

A nova produção, com direção de Guy Ritchie, apresenta inicialmente um jovem Arthur (Charlie Hunnam) criado em meio às ruas da cidade de Londonium e líder de sua gangue. Nem passa por sua cabeça quem realmente seja e o que o espera, até que encontre a simbólica espada Excalibur, a agarre com suas duas mãos e mude completamente o rumo de sua vida. Mas antes, é apresentado um enredo diretamente ligado a Arthur, como a relação conturbada entre seu pai, Uther Pendragon (Eric Bana), e o irmão, Vortigern (Jude Law), o confronto entre ambos que resulta na usurpação do trono por Vortigern e a morte de Uther, e os desdobramentos que levam ao estágio atual, com Arthur confuso e se redescobrindo.

O que se vê é uma história cuidadosamente construída e sem deixar escapar os momentos épicos retratados nas lendas arthurianas, como as perseguições e lutas entre a Resistência, liderada por Arthur, e o Exército comandado pelo rei Vortigern; o aprendizado de Arthur com a Excalibur; as escolhas difíceis que o bravo cavaleiro terá que fazer para ajudar seu povo a se libertar e derrotar o rei tirano; além da importância da Excalibur para cada um que a detém e as consequências acarretadas para quem possivelmente rejeitá-la.

A montagem é primordial, bem como os efeitos especiais utilizados, com CGI, e o uso de slow motion em algumas cenas para destacar explosões e grandes impactos nas lutas, além da precisa sincronia entre cenas do passado e do presente, contribuindo para a coerência e evolução da história, até seu momento mais agudo. Muitas cenas contaram com técnicas atuais nas filmagens, como a câmera na mão para retratar bem de perto e conferir mais realismo às perseguições, tornando a trama mais emocionante com cenas de ação e aumentando a carga de dramaticidade.

O grupo escolhido de atores para o filme conta com grandes nomes, como Charlie Hunnam, da série Sons of Anarchy, o consagrado Jude Law, além de Djimon Hounsou, de “Constantine” e “Desejo de Vingança” e Astrid Bergès-Frisbey, famosa por “Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas”, entre outros. Uma boa história não funcionaria sem boas atuações, e todos se destacam, Jude Law convence como o rei Vortingern, passa confiança, firmeza e autenticidade, Charlie Hunnam ilustra bem tudo o que viveu o rei Arthur, além de mostrar resistência e superação nos momentos mais difíceis, sem falar de Astrid. A jovem atriz espanhola faz um papel importante para a trama, uma maga, que inicialmente parecia ser meramente figurativa, ela é decisiva para a trajetória do personagem Arthur e ensina-o muito sobre a Excalibur e como lidar com seus demônios internos, é uma peça importante no quebra cabeça que leva Arthur ao confronto com o rei Vortingern.

O diretor Guy Ritchie teve a intenção de ressuscitar uma lendária e importante história, e acrescentou a ela elementos contemporâneos, com mais dinamismo em suas cenas, novas técnicas de efeitos especiais, além das filmagens mais próximas aos personagens, dando a impressão ao espectador de que ele está em meio a luta entre Resistência e Exército do rei Vortingern. Pode um filme épico aliado a técnicas modernas desagradar a alguns, há espectadores mais saudosistas e adeptos das representações mais tradicionais e antigas, mas existe também a questão da modernidade e da valorização do legado, o que pode atrair outras pessoas. Uma produção que chega e pode ganhar sequências, já pensou?

Não percam, “Rei Arthur e a Lenda da Espada” terá a distribuição da Warner Bros. Pictures e estreia nos cinemas brasileiros em 18 de maio de 2017. Divirtam-se!

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: O Dia do Atentado/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: O Dia do Atentado/ Cesar Augusto Mota

Bombas, sangue, desespero e muita dor. Quem for assistir a “O Dia do Atentado”, do diretor Peter Berg, vai perceber que se trata de uma produção que quer muito mais que ilustrar o segundo maior atentado terrorista que abalou os Estados Unidos pós 11 de setembro de 2001. A tragédia que ocorreu na Maratona de Boston, em 15 de abril de 2013, deixou 3 mortos e 264 feridos, muitas famílias dilaceradas e profundas marcas em Massachussets. Um acontecimento triste e fielmente retratado nesta produção, que analisaremos a seguir.

Tudo parecia que seria mais um dia alegre e de celebração do Dia do Patriota nos Estados Unidos, com muitas famílias próximas ao percurso, outras em bares e restaurantes para conferir tudo pela televisão, e muitas crianças curtindo com seus pais um grande acontecimento do esporte e da cidade. Mas, em questões de segundos, um bonito cenário se transformou em tragédia, provocada pelos irmãos Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev, dois terroristas e devotos da causa islâmica que fabricaram bombas caseiras com o auxílio de panelas de pressão. Os bastidores da busca pelo paradeiro dos dois, bem como o atendimento aos feridos são apresentados de uma forma impactante e também sensível, além do ambiente familiar do policial Tommy Saunders (Mark Wahlberg), responsável por patrulhar a área VIP da maratona.

A forma como Peter Berg escolheu para retratar a história é precisa e acertada, não apenas o atentado ocorrido em Boston é o foco da narrativa, são também apresentados os bastidores de preparação do evento, as famílias antes da maratona acontecer, bem como a rotina dos terroristas, a preparação das bombas, e a comunicação com outros parceiros e familiares antes do dia D. Após a tragédia, o drama de cada vítima e família são ilustrados com o posicionamento da câmera em modo vertical e bem próximos aos rostos, trazendo mais dramaticidade e comoção.

Nota-se um roteiro bem estruturado e uma história harmônica, com o uso de tomadas aéreas e caracteres na tela com data e número de horas após o atentado, tudo para situar o espectador e prepará-lo para as próximas cenas. A fotografia é excepcional, capaz de apresentar momentos eletrizantes, tristes, agoniantes e de muita tensão. O drama se arrasta por vários dias até que os autores do atentado, Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev, sejam capturados, e os recursos utilizados contribuem para que o filme não se torne monótono e arrastado.

A atuação do elenco é outro ponto alto de “O Dia do Atentado”, as ações do policial Tommy Saunders, que conhece todos os pontos de Boston com a palma da mão, são decisivas para o rumo da história e para a chegada até os criminosos, bem como o trabalho cirúrgico, preciso e frio do agente do FBI Richard Deslauries (Kevin Bacon), além da coragem e destreza do Sargento Jeffrey Pugliese (J.K. Simmons).

O longa, que estreia no circuito nacional em 11 de maio, vem não só para relembrar um triste acontecimento que abalou os Estados Unidos e o mundo, como também para destacar o sentimento nacionalista do povo americano, o título em inglês já mostra isso (Patriots Day), além da tragédia ter ocorrido em meio a uma celebração, o Dia do Patriota. O sentimento de compaixão, paciência e solidariedade que tomou conta das pessoas em meio a destroços, centenas de feridos e três mortos também são destacados, o filme valoriza o amor ao próximo, além da luta do amor contra o ódio. Em meio a tantas tragédias, ainda existem pessoas que se esforçam para amenizar e melhorar o cotidiano de outras, e isso é muito bem ilustrado. Vale a pena conferir.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Star Trek Sem Fronteiras/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Star Trek Sem Fronteiras/Cesar Augusto Mota

startreksemfronteiras_6-750x380A franquia “Star Trek” chega aos 50 anos com estilo, encantando espectadores mundo afora e disposta a estabelecer relações com novos públicos. Muitos já se divertiram com o clássico “Jornada nas Estrelas”, dos anos 1960, e também com a nova essência de “Star Trek”, com filmes em 2009 e 2013, do diretor J.J Abrams. Agora está prestes a chegar aos cinemas brasileiros a terceira aventura da nova leva, “Star Trek Sem Fronteiras”, com Justin Lin (Velozes e Furiosos ) na direção, e a nova produção promete resgatar o espírito de diversão e aventura presentes na série de TV que marcou gerações.

Em “Star Trek Sem Fronteiras”, a tripulação da nave espacial Enterprise irá se encontrar no terceiro ano de uma missão prevista para durar cinco anos, conforme dito no último filme, em 2013. Os tripulantes estão na busca por novos povos, mas o capitão Kirk (Chris Pine), cansado das últimas jornadas, se encontra bastante desmotivado, até que ocorre um ataque à Enterprise, de autoria do vilão Krall (Idris Elba), interessado em um artefato recentemente descoberto e na posse do líder da tripulação. Em uma sequência de excelentes efeitos especiais e de muita ação, a nave é destruída, o que causa a queda de todos os tripulantes da Enterprise em um planeta desconhecido.

O incidente provoca a divisão do grupo em duplas na busca por uma saída do planeta misterioso, até que surge Jaylah (Sofia Boutella), uma guerreira que habita uma nave antiga de propriedade da própria Enterprise disposta a ajudar todos a encontrar uma solução e também a confrontar e derrotar Krall, responsável pela morte de várias pessoas, inclusive a família de Jaylah. O entrosamento entre a tripulação da Enterprise com a nova integrante se mostra consistente, e a dose cômica que o filme traz em alguns momentos também funciona.

No plano visual, os gráficos apresentados são de um enorme primor, tornando as cenas mais dinâmicas e emocionantes, principalmente com o uso de hologramas e do teletransporte, mecanismo essencial na luta contra Krall. Destaque também para os belos e destruidores ataques alienígenas, dentro e fora da nave.

O roteiro nos proporciona um enredo bem desenvolvido, com ótima ligação da primeira parte, quando a Enterprise é destruída, com a segunda parte, da união dos tripulantes em pequenos grupos e a entrada de Jaylah até o confronto final com Krall, sem perder o fio da meada. Tudo isso ocorre de forma natural, e ocorre principalmente em decorrência da atuação de todo o elenco.

“Star Trek Sem Fronteiras” sem dúvida tem tudo para agradar aos antigos fãs da franquia, bem como conquistar os corações de novos espectadores, e não se esquece também de fazer homenagens póstumas para Leonard Nimoy (o eterno Spock), e Anthon Yelchin, Checkov, morto recentemente em acidente automobilístico. As homenagens? Bem, melhor não contar para não estragar a surpresa.

A impressão que temos com esse novo filme é a de que temos uma sensação retrô quando o assistimos, e também uma reverência ao passado no presente. “Star Trek Sem Fronteiras” é mais do que isso, é uma homenagem à franquia, bem como uma mostra de evolução, com belos efeitos visuais, um elenco entrosado e uma ótima equipe por trás das câmeras e com potencial para continuar a cativar os antigos fãs e também aqueles que ainda não conhecem as famosas aventuras intergalácticas da Enterprise. O filme de Justin Lin se sai bem em sua proposta e mostra o que se espera dele.

Poltrona Cabine: Olympia 2016/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Olympia 2016/Cesar Augusto Mota

filmes_11533_olim1O Rio de Janeiro está prestes a receber os Jogos Olímpicos, mas o planejamento da cidade para as competições, os milhões de reais gastos, as obras superfaturadas, bem como os diversos problemas não resolvidos e que impactam a cidade e o país nos fazem voltar a discutir um problema cada vez mais habitual e que infesta a sociedade brasileira: a corrupção.

“Olympia 2016”, misto de documentário e ficção, traz um debate inteligente sobre o assunto, e o pano de fundo é a cidade fictícia de Olympia, escolhida em 2009 para ser sede de uma edição das Olimpíadas. O início da discussão sobre corrupção se deu com a construção de um campo de golfe numa reserva ambiental, mas sem um projeto que envolvesse licitação, estudo sobre impactos ambientais, tampouco audiências públicas sobre a viabilidade do projeto.

A narrativa é dividida em três partes: a primeira trará a origem do fenômeno da corrupção, seja no Brasil e no restante do mundo, a evolução, bem como seus efeitos e consequências para as gerações futuras.

A segunda parte ilustra Olympia como um cenário maravilhoso para a realização dos Jogos Olímpicos, capaz de proporcionar felicidade para seus moradores por conta do recebimento de milhares de atletas e grande quantidade de empregos criados com a realização dos jogos, mas com bastidores obscuros, onde predomina a arbitrariedade, o uso do poder e o desvio de verbas.

Já a última parte levanta uma breve discussão acerca do tema e o papel de cada indivíduo na sociedade e os deveres no combate a um dos maiores males protagonizados pelo homem. A corrupção pode ter várias faces, mas não só em um setor ele está situado, como pode estar também no Poder Judiciário e até nas mais diversas camadas sociais, como traz o documentário.

Além de depoimentos de advogados, filósofos, de Juca Kfouri, Vladimir Safatle, Bernardo Toro, há importantes relatos dos moradores da Vila Autódromo, destruída em boa parte por conta da construção do Parque Olímpico. Essas opiniões dos habitantes da comunidade enriquecem o debate sobre a corrupção e trazem suas percepções do atual cenário político do país, de como era o Brasil na época da Ditadura, bem como reiteram o desejo de lutar até as últimas consequências pelo espaço que lhes pertencem, sem ceder a quaisquer pressões e sem esquecer do papel de cidadão que cada um possui.

Se você quer refletir sobre a corrupção e fazer um estudo mais aprofundado do tema, bem como saber se um país como o Brasil e que possui um mal tão enraizado ainda tem jeito, não deixe de acompanhar “Olympia 2016”, um projeto que contou com financiamento coletivo de 534 pessoas. A direção é de Rodrigo Mac Niven, com distribuição da Fênix Filmes, possui pré-estreia prevista para 30 de julho e lançamento em 08 de setembro de 2016 para todo o Brasil.

Poltrona Cabine: A Lenda de Tarzan/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: A Lenda de Tarzan/Cesar Augusto Mota

maxresdefaultCertamente muitos conhecem a história de Tarzan, um garoto adotado e criado por macacos na floresta, que aprende a interagir com os outros animais e conhece Jane, se casando com ela posteriormente. Pois bem, “A Lenda de Tarzan” traz uma nova abordagem, com atenção voltada para cenas de ação, efeitos visuais e o foco num dos momentos mais tristes e enfrentados por nossa civilização: a escravidão.

A história começa com Tarzan(Alexander Skarsgård) já ambientado a uma nova vida fora das selvas, em Londres, como John Clayton III, o Lorde Greystoke, e ao lado de sua amada esposa(Margot Robbie). Mas a Rainha Vitória faz um convite para que John Clayton retorne ao Congo para investigar uma série de abusos sofridos pelos habitantes da colônia. Lá descobre que o povo africano é dominado e escravizado pelo capitão belga Leon Rom(Christoph Waltz), homem frio, ganancioso e disposto a capturar o Rei das Selvas e trocá-lo por diamantes.

As cenas de flashback que ilustram a origem de Tarzan, bem como o início e aperfeiçoamento de suas habilidades podem parecer dispensáveis ou até clichês para alguns, mas se fizeram necessárias e importantes para a história, pois tudo o que o protagonista aprendeu se tornou imprescindível não só para sua sobrevivência, bem como para ajudar na libertação da população congolesa da escravidão, como também para salvar Jane, acorrentada e usada como isca pelo capitão Rom na tentativa de captura do protagonista da história.

O enredo, além de contar com Waltz na pele do capitão Rom, traz também a participação de Samuel L. Jackson, estrela de “Os Oito Odiados”, como George Washington Willians, um americano que participou da Guerra Civil nos Estados Unidos e um dos responsáveis pelo massacre de centenas de índios nativos da terra do Tio Sam. Willians surge na trama não só com a chance de se redimir do ocorrido em seu país natal, como também vem para auxiliar Tarzan nessa intensa perseguição e batalha travadas por Rom, que busca poder e dominação.

O filme apresenta um ótimo plano visual, com priorização aos tons de cinza e azul, tornando as cenas mais sombrias, e uma valorização das cenas que envolvem ação e explosões, mas notam-se problemas em tomadas frontais e aéreas na floresta, podendo-se notar falhas nos cenários. O foco no físico do Tarzan é demasiadamente exagerado, e notamos uma África bem representada visualmente, com savanas, montanhas, cataratas e rios, palco ideal para embates entre colonizadores e colonizados.

Quanto às atuações, Alexander Skarsgård e Margot Robbie cumprem muito bem os papéis de protagonistas, com a relação amorosa do casal sempre fortalecida e nunca estremecida, mesmo com o passado agitado e sempre recorrente do personagem John Clayton III. Além disso, Robbie, com sua brilhante interpretação, consegue quebrar a imagem de donzela e moça frágil que Jane aparentava ter, o que é determinante para o desfecho da história, que promote envolver o espectador do início ao fim. Christoph Waltz e Samuel L. Jackson não comprometem, mas poderiam seus personagens terem sido melhor explorados na história.

“A Lenda de Tarzan” foi adaptado da série de livros de Edgar Rice Burroughs, com roteiro de Adam Cozad e Craig Brewer e direção de David Yates, responsável pelos quatro últimos filmes da saga “Harry Potter “, além de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”. O filme será distribuído pela Warner Bros. Pictures e Village Roadshow Pictures, com estreia prevista para 21 de julho nos cinemas brasileiros.

Poltrona Cabine: Caça-Fantasmas/Cesar Augusto Mota

Poltrona Cabine: Caça-Fantasmas/Cesar Augusto Mota

Caça-Fantasmas

 

Cinema-Ghostbusters-2016-imagensApós o sucesso de Os Caça-Fantasmas, de 1984, de sua continuação (1989) e da realização de duas séries animadas, a franquia ressurge em 2016 com uma nova roupagem e com o desafio de ampliar seu legado e conquistar uma nova geração.

As primeiras impressões foram negativas, pois o trailer do filme em inglês bateu recorde de negativações no Youtube, muito por conta de a maioria dos espectadores não aceitarem a refilmagem com protagonistas femininas e pela ausência do elenco original. Mas a Columbia Pictures apresentou um projeto ousado e disposto a passar por cima de diversos preconceitos, como a intolerância na Internet e o sexismo presente em Hollywood, com poucas mulheres se destacando nas produções cinematográficas, sejam como diretoras, roteiristas ou personagens principais.

A nova trama traz Erin Gilbert (Kristen Wiig), conceituada professora da Universidade de Columbia, que escreve um livro juntamente com Abby Yates (Melissa McCarthy) sobre a existência de fantasmas. Prestes a receber uma promoção no meio acadêmico, Gilbert descobre que o livro fora publicado na Internet e procura sua parceira para tentar tirá-lo de circulação, mas sem sucesso, e acaba, consequentemente,  virando motivo de chacota e perde seu emprego.

Fenômenos estranhos e sobrenaturais passaram a ocorrer em uma mansão e no subterrâneo de Nova York, e tudo isso faz com que Gilbert, Yates, a assistente Jillian Holtzmann (Kate McKinnon) e  Patty Tolan (Leslie Jones), funcionária do metro de Nova York, se juntem, formem a agência Caça-Fantasmas e se mobilizem para salvar o mundo. A elas também se junta Kevin(Chris Hemsworth), um secretário de boa aparência, mas desprovido de inteligência, e que acaba roubando a cena em várias ocasiões.

Pode-se perceber um excelente entrosamento entre as protagonistas, com momentos que proporcionaram muitas risadas e a chance de cada uma poder mostrar suas habilidades, além do show de cores, efeitos especiais, um roteiro bem estruturado, além de fantasmas bem construídos com a atual computação gráfica, um excelente nível.

Paul Feig, diretor de Caça-Fantasmas, já dirigiu produções com protagonistas femininas, como “Missão Madrinha de Casamento” , “As Bem Armadas” e “A Espiã Que Sabia de Menos” e foi o responsável por escalar Melissa McCarthy e Kristen Wiig, duas das protagonistas e que já trabalharam com o cineasta. O resultado é extraordinário, com humor inteligente, cenas de ação e o espectador consegue se inserir na história junto ao elenco.

Quem sentiu nostalgia ao ver o título do filme no início, vai se surpreender com as participações especiais de ícones da produção original, além de ter várias surpresas, inclusive com cenas pós-créditos. Será que vai ter continuação?

“Caça-Fantasmas” marca o reinício de um fenômeno cultural dos anos 1980, que, sem dúvida, vai cativar novos espectadores e mostrar que mulheres podem ser protagonistas de diversos gêneros, da ficção à comédia. Vale a pena conferir.