Poltrona Séries: Samantha!-1ª temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Samantha!-1ª temporada/ Cesar Augusto Mota

A Netflix no Brasil está a cada dia se notabilizando, não só pelo número de assinantes do serviço de streaming, como também pelas produções do país que estão sendo produzidas e oferecidas a seus consumidores. Após ‘3%’ e ‘O Mecanismo’, foi lançada a primeira série de comédia nacional, ‘Samantha!’, protagonizada pela estrela Emanuelle Araújo. É mais uma obra que traz a nostalgia dos anos 1980 e importantes discussões, como novas maneiras de se consumidor conteúdos, o culto à imagem e as diferentes formas de se tornar uma celebridade em um mundo mais exigente e cheio de padrões sociais e estéticos.

Samantha (Araújo) era o principal nome de um popular grupo infantil, a Turminha Plimplon, em um programa no estilo Balão Mágico, e auxiliada por um mascote bem peculiar, o Zé Cigarrinho (Ary França). A década de 80 era bem característica, pois existia muitas situações politicamente incorretas, com crianças fazendo comerciais para adultos e anunciando cigarros e bebidas alcoólicas, e produtos que chegaram a ser polêmicos, como cigarros de chocolate. Mas o tempo passa e Samantha não consegue manter o sucesso, e ela está disposta a tudo para voltar aos holofotes. Nesse meio tempo, ela faz um ensaio para uma revista masculina e se casa com um ex-jogador de futebol, Dodói (Douglas Silva), que fica preso por doze anos e retorna para bagunçar a vida dela e dos dois filhos.

Durante os sete episódios da série, com média de 30 minutos cada um, o espectador vai se deparar com uma porção de dilemas de Samantha, como as tentativas de emplacar o sucesso, como ser jurada em um programa de tv, gravar um comercial de cerveja ao lado do ex-marido e até um reality show no qual se relaciona com um ricaço e simula um casamento com o magnata. Além disso, pessoas do passado e que fizeram parte de sua vida voltarão para uma espécie de acerto de contas com a protagonista, além da chegada da digital influencer Laila (Lorena Comparato), que vai dar um choque de realidade em Samantha, avessa a novas tecnologias. Laila mostrará para ela a importância das redes sociais e maneiras de conquistar milhões de seguidores, o que será bastante complicado para a personagem central.

‘Samantha!’ não trata apenas de revisitar a cultura pop oitentista, mas também visa debater questões de comportamento, se vale a pena tudo pelo sucesso, além de mostrar os conflitos entre o analógico e o digital e a necessidade de adequação ao mercado, que possui nichos pré-estabelecidos e a necessidade de o artista se renovar sempre, principal dificuldade de Samantha. Além disso, a narrativa vai abordar as questões familiares, a maneira como a protagonista lida e os rumos que a convivência com Dodói vão levar na trama. Em termos de narrativa, a história é muito bem conduzida, além de uma boa sinergia entre atores e do perfeito equilíbrio entre as situações de humor e as mais dramáticas.

Na questão de atuação, tanto Emanuelle Araújo e Douglas Silva surpreendem positivamente, a primeira por mostrar desenvoltura e facilidade para o humor, o segundo por encarar o lado dramático e se transformar na trama, mostrando um lado cômico, não característico em personagens antes interpretador, como em Cidade de Deus e Cidade dos Homens. O núcleo secundário também dá retorno, como Daniel Furlan, o agente desonesto de Samantha, Marcinho, bem como Rodrigo Pandolfo, o Tico, ex-companheiro dos Plimplons. E não poderia esquecer do núcleo infantil, composto por Sabrina Nonato (Cindy) e Cauã Gonçalves (Brandon), que dão o ar da graça e conseguem se sustentar na história, mesmo que fiquem um tempo sem interagir com os adultos.

No quesito humor e nostalgia, ‘Samantha!’ cumpre muito bem seu papel, além de servir de campo discursivo entre a antiga e a nova geração e promover um choque de culturas, com uma realidade atual mais atrelada ao politicamente correto e que dá margens à intolerância em comparação ao passado, com um mundo mais liberal.  A série também transmite importantes mensagens, principalmente uma que Samantha repete em vários episódios, ‘é preciso sempre acreditar’, e outra que toca o coração de todos, como ‘é preciso crescer, o passado é importante lembrar, mas deve-se andar para a frente’. Uma ótima sugestão para quem aprecia uma boa comédia e quer matar a saudade de uma das melhores épocas da televisão, e para quem não vivenciou os anos 80, vale conhecer.

Cotação: 4/5 poltronas.

Por: Cesar Augusto Mota

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Poltrona Séries: The Rain/ 1ª temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: The Rain/ 1ª temporada/ Cesar Augusto Mota

Você curte séries que abordem ficção científica e possuam uma veia apocalíptica? A Netflix já nos presenteou com produções como ‘The Stranger Things’, ‘Perdidos no Espaço’ e ‘Altered Carbon’, já analisadas aqui no Poltrona de Cinema. Agora temos outra obra que vai impressionar e mexer com os nervos dos fãs do gênero. ‘The Rain’, série dinamarquesa de sucesso, a primeira do serviço de streaming, vai abordar os benefícios e riscos da tecnologia e um vírus que pode se tornar uma arma e causar a dizimação da raça humana.

Durante oito episódios, vamos acompanhar a trajetória de dois irmãos, Simone (Alba August) e Rasmus (Lucas Lynggaard Tønnesen), dois jovens que são tirados pela família de sua vida normal em decorrência da chegada de uma chuva que possui um vírus letal. Todos são abrigados em um bunker, espécie de abrigo construído pela empresa Apollon, onde o pai, Frederik (Lars Simonsen), trabalha. O chefe da família parte em uma missão para tentar salvar o mundo, e os dois protagonistas ficam no local por seis anos, na esperança de um reencontro. Após o término dos suprimentos, ambos saem do abrigo e se deparam com um mundo inteiramente destruído e com sobreviventes psicologicamente alterados. Rasmus e Simone partem com esse grupo em uma grande jornada em busca de sobrevivência e na esperança de reencontrar o pai.

Temos uma premissa interessante, apesar de a história contar com alguns clichês, como irmã mais velha que protege o irmão menor e vai até as últimas consequências por ele e o pai será o salvador do mundo e deixa seus filhos sob uma fortaleza. Simone, uma das personagens principais, possui grande empatia com o público e é capaz de levar todos os espectadores e os personagens secundários juntos com ela para descobrir tudo o que aconteceu com o mundo e o que está por trás da atmosfera sombria e assustadora que tomou conta de todos. O elenco de apoio é bem definido e com características chamativas, com um líder frio e endurecido pelo apocalipse, um jovem inteligente e ingênuo, uma corajosa e descolada, um egocêntrico e inconsequente e uma moça bela, bondosa e namorada do líder. Todos eles passam por transformações impressionantes, com participação direta de Simone na vida de cada um deles.

A ambientação, conforme foi dito no início do texto, faz lembrar mesmo o fim do mundo, com cores frias, que variam do cinza ao azul marinho, a depender da situação. E tomadas feitas em meio a florestas, com muitas árvores mortas e pessoas com roupas de proteção e máscaras de gás protetoras reforçam o clima tenso e de desespero que a trama pede, de personagens buscando a verdade e formas de sobreviver diante de um quadro caótico. E a tensão se acentua com a trilha sonora, com músicas diegéticas e outras famosas, mas é melhor não revelar para não estragar a surpresa.

Com claras referências a outras séries de apocalipse e de curta duração, ‘The Rain’ é uma obra que vale a pensa ser acompanhada, com episódios que deixam detalhes em aberto, mas que serão revelados mais adiante, e com um roteiro que apresenta um enredo bem ritmado, apesar de não demonstrar muita originalidade. Os fãs da ficção científica vão curtir bastante essa série, e de quebra, vai aguardar ansiosamente pela próxima temporada, já confirmada pela Netflix para 2019. Bom divertimento!

Cotação: 5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: O Mecanismo-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: O Mecanismo-1ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Utilizar como pano de fundo grandes acontecimentos, principalmente os concernentes à sociedade e à política nacional e adaptá-los em suas obras é uma das principais características do cineasta brasileiro José Padilha, conhecido por filmes como Tropa de Elite 1 e 2, Cidade de Deus e Ônibus 174. Agora, Padilha lança uma série para a Netflix, inspirada no livro “Lava Jato: O juiz Sergio Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil”, de Vladmir Netto, produção que conta com 8 episódios. Certamente esta é uma das obras mais comentadas da atualidade, seja por quem é ou não assinante do serviço de streaming, mas também uma das mais polêmicas.

A história possui como protagonista o agente da Polícia Federal, Marco Ruffo, vivido por Selton Mello (O Filme da Minha Vida), que investiga um esquema de lavagem de dinheiro com um doleiro envolvido, Roberto Ibrahim, mas o faz de forma independente. Porém, sua investigação não vai adiante por conta de um esquema de revés político manipulado por Ibrahim (Enrique Diaz), deixando Ruffo fora de na por um tempo. Mas Ibrahim volta a ser investigado e se torna o principal alvo da Operação Lava Jato, que revelou o maior esquema de corrupção e propina envolvendo empreiteiras, donos de estatais e políticos do alto escalão. Com essa premissa, Padilha procurou desenvolver uma história para mostrar que um fio foi puxando o outro até chegar nas fases mais agudas da operação, além de fazer uma análise crítica, apontando que a corrupção é um mal existente por todos os lados e independente de partidos, sejam de situação ou oposição.

Além de Marco Ruffo, também se destaca a policial federal Verena Cardoni, interpretada por Carol Abras. A trama se mostra envolvente e o espectador não se perde, pois ele evidencia todas as fases e todos os procedimentos, m verdadeiro thriller investigativo e com o selo Padilha de qualidade, com tomadas aéreas e suas narrativas em off. Mas a batalha é muito maior do que se pensa, pois há o envolvimento do Ministério Público e de um juiz extremamente vaidoso e sagaz, mostrando que o buraco é muito mais abaixo.

A fotografia, o ritmo que a história possui e as atuações do elenco são os pontos fortes da série, além de ter o mérito de não atacar a direita ou a esquerda, mas há em dados momentos problemas com o áudio, que sai estrondoso e grave em narrações off dos policiais protagonistas, prejudicando o entendimento da narrativa e prejudicando a finalização de algumas cenas.

A meu ver, a obra é baseada em tudo o que aconteceu no país e também com ares de ficção, e este recurso serve para que a trama funcione e faça o espectador repensar um pouco a situação do país e refletir sobre o futuro, acerca dos próximos passos e o que cada um quer para as próximas gerações. Uma série que ainda rende muitas histórias, com gancho para mais temporadas e muitos debates, sem dúvida vale a pena.

Exibida em mais de 190 países, “O Mecanismo” é uma série para quem gosta de produções baseadas em fatos reais e com algumas situações fictícias, e que também faça o público refletir e ficar atento à realidade atual e cada vez mais maculada por corrupção, ganância e outros males sociais, longe de serem extirpados. Sem dúvida um entretenimento e um exercício aos fãs de produção audiovisuais e sedentos por política. Um prato cheio.

Avaliação: 3,5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Altered Carbon-1ª temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Altered Carbon-1ª temporada/ Cesar Augusto Mota

O que você acharia se se deparasse com um mundo futurista, no qual seres humanos pudessem ter suas consciências armazenadas em pequenos implantes e sendo transferidos de um corpo para outro, podendo prolongar a existência humana por séculos? É justamente nesse contexto que Altered Carbon, nova série da Netflix e baseada na adaptação da obra de Richard K. Morgan, que a história é ambientada.

A trama nos apresenta inicialmente a Takeshi Kovacs (Will Yun Lee), um rebelde que ressurge em outro corpo (Joel Kinnaman) após 250 anos congelado e é convocado para investigar o assassinato de Laurens Bancroft (James Purefoy), tido como um milionário imortal. Kovacs fica fascinado por Quell (Renée Elise Goldsberry), uma mulher um tanto deslumbrante que provoca grandes conflitos na história e principal peça que ajudará a revelar vários segredos do passado de Kovacs. Destaque para a tenente Kristin Ortega, uma policial mexicana que se envolve com o protagonista de uma forma que jamais imaginava e que vai ter suas motivações aos poucos reveladas na medida em que os episódios vão sendo construídos.

O mérito da produção está na abordagem sobre a crise do Estado, com suas mazelas e sujeiras, com a criminalidade como mote. As diferenças econômicas e sociais são latentes, e com o passar dos episódios e das subtramas notamos uma sociedade corrompida e longe de se livrar de seus males, mesmo que dotada de alta tecnologia, com carros voadores e de grupos da alta elite. Outros conceitos, como Realidade Virtual e Inteligência Artificial, serão ampliados e esclarecidos aos espectadores, num ritmo que permita cada um acompanhar tudo de maneira atenta e também com diversão. E sem esquecer de temas como a ética e a imortalidade, polêmicos e muito longe de um consenso na comunidade científica.

Além do roteiro, com propostas interessantes e personagens com camadas bem construídas, temos um belo visual da cidade retratada, que nos faz lembrar do filme Blade Runner 2049, com letreiro em neon e céu cinza, aliados à melancolia das pessoas, descrentes com possíveis dias melhores e em cenários cada vez mais opressores nos episódios que vão sendo apresentados.

Se são poucas as novidades, com diálogos um tanto insossos, para não dizer com clichês, Altered Carbon é um prato cheio para quem quer se divertir com uma série que tem vários ingredientes e gosta de se inserir em um contexto de polêmicas e intensos debates sobre a ciência, a tecnologia e a ética na sociedade, essa série é ideal para você. Corra para a Netflix e não deixe de assistir!

Avaliação: 4/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: La Casa de Papel-1ª parte/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: La Casa de Papel-1ª parte/ Cesar Augusto Mota

Você que é fã de séries, principalmente as que envolvem tramas policiais, reféns, planos bem arquitetados e atos imprevisíveis, não pode perder ‘La Casa de Papel’, produção espanhola da Netflix que chegou com sua 1ª parte, com 13 episódios. Sem dúvida você não vai querer tirar os olhos da tela e fará questão de fazer maratona dessa empolgante história, recheada de adrenalina e ação.

Professor (Álvaro Morte) recruta um grupo de oito pessoas com grandes habilidades para um objetivo: assaltar a Casa da Moeda Espanhola, num feito que promete ser o maior da história. E para que cada participante saia incógnito e o plano dê certo, cada um terá que adotar um nome de uma cidade para encobrirem suas identidades e quanto mais ficarem distantes e menos souberem uns dos outros, a chance de sucesso aumenta. Os perfis e as histórias de cada um dos integrantes serão contadas, com grandes segredos revelados e motivações diversas ficarão em evidência, deixando os espectadores ainda mais empolgados e ansiosos pelo sucesso do plano elaborado por Professor.

A série conta com a narração em off de Tókio (Úrsula Corberó), uma das integrantes, que detalha todos os passos traçados para o assalto, com posteriores flashbacks mostrando como se deu o planejamento e a relação de cada membro durante a ação. O curioso é que o grupo opta por ocupar a Casa da Moeda e produzir seu próprio dinheiro para, dessa forma, não tirar nada de ninguém. A partir daí nasce uma discussão moral sobre essa e outras atitudes dos assaltantes, além dos arcos dramáticos de suas histórias aos poucos se desenvolverem, com espaço para negociadores do sequestro, como Raquel Murillo (Itziar Ituño), uma mulher que precisa se impor e mostrar sua força após passar por um drama pessoal, ter sido vítima de violência doméstica do ex-marido e o fato de ter que aturar o machismo de seus colegas de trabalho. Quem acompanha não torce apenas para que o plano dos bandidos dê certo, o carisma e a personalidade forte de Raquel também cativa o público e você espera com ansiedade o desenrolar dos acontecimentos e como tudo vai terminar, com êxito na fuga ou todos presos e rendidos. E sem esquecer dos reféns, que também ganham atenção na série.

As cenas de ação e suspense são os grandes chamarizes presentes nos episódios, e para que elas funcionem bem nada como um ótimo jogo de câmeras e efeitos precisos para uma perfeita inserção do espectador na trama, com slow motion no suspense e movimentação frenética nas ações mais abruptas. A fotografia também é outro elemento importante, assim como a montagem, que sabe inserir flashbacks no momento certo e construir sequências que deem fôlego ao enredo e também aos interpretes, evitando uma história arrastada e deixando o público mais interessado, cada um a sua maneira, uns torcendo pelos vilões, e outros pelos mocinhos.

Uma série diferente, com grandes reviravoltas e uma história que vai ganhar novos contornos em sua segunda parte, com possibilidade de uma segunda temporada. Se você curte uma produção com esses contornos, não deixe de assistir ‘La Casa de Papel’, com entretenimento e diversão garantidas, e com possibilidade para você que gosta de língua espanhola treinar um pouquinho e aprender o idioma. Vale a pena!

Avaliação: 5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Black Mirror-4ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Black Mirror-4ª Temporada/ Cesar Augusto Mota

Uma mescla de suspense com ficção científica e que conquistou milhões de fãs pelo mundo. A cada história contada, uma perturbação no subconsciente, uma reflexão profunda sobre como a tecnologia pode causar impacto e estar cada vez mais presente no nosso cotidiano. Black Mirror, série da Netflix, está de volta e em sua 4ª temporada, com seis novos episódios. Após um enorme sucesso com a 3ª temporada, será que Black Mirror conseguiu impressionar e mostrar aos espectadores que o futuro da tecnologia pode ser mais sombrio e sem muitas saídas para seus usuários? Será que os seis episódios fizeram sucesso?

A primeira impressão é a de que o criador da série, Charlie Brooker, não se aprofundou em boa parte das histórias e resolveu aproveitar ideias de episódios anteriores, como a digitalização das lembranças e a captação de imagens da consciência, algo visto no episódio San Junipero, da temporada anterior e ilustrado em “Arkangel” e “Crocodile”, da atual temporada. Faltou um pouco mais de ousadia, de novidade, e não mais do mesmo, como foi percebido nessa atual sequência de seis episódios.

Outra característica importante de Black Mirror e que não foi tão intensa na atual temporada é a de despertar no espectador o que ele tem de melhor e pior em decorrência do uso da tecnologia, que pode ser usada para o bem ou para o mal, uma crítica à sociedade atual, cada vez mais refém de novos aparelhos e suas interações cada vez mais vigiadas e debatidas em grupo. Esse tipo de abordagem não se deu de maneira emergencial e sem tanto alarde com as seis novas histórias, a preocupação foi mais de entreter do que fazer um alerta e transmitir mensagens impactantes e urgentes.

Mas para não dizer que houve somente problemas, a 4ª temporada de Black Mirror apresentou histórias interessantes, como em “USS Callister”, uma divertida paródia de Star Trek com um grau de imersão impressionante, não só os personagens, mas os espectadores poderiam se sentir dentro de uma espaçonave rumo à galáxia e com diversos desafios, de asteroides aos mais possantes monstros, e com um roteiro que dá um enorme salto e traz um desfecho impressionante para todos. Sem dúvida um dos melhores episódios da temporada, ao lado de “Black Museum”, com referência a histórias narradas anteriormente na série, com três histórias em uma, e mergulhando no universo Black Mirror, do misterioso, do imprevisível, do chocante e do curioso.

Apesar de apresentar histórias com tecnologias das mais variadas e com mais mulheres em papéis de destaque, a 4ª temporada de Black Mirror não faz frente à anterior e careceu de mais ousadia e novidade nos roteiros. Esperamos uma nova temporada com mais surpresas, mais choques e, sobretudo, criatividade, e o ponto mais alto da produção. A série já é consagrada e está na boca do povo, e ela pode entregar muito mais.

Avaliação: 3,5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Stranger Things-2ª temporada/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Séries: Stranger Things-2ª temporada/ Cesar Augusto Mota

Uma série sobre o universo sobrenatural, com teorias mirabolantes e uma ode aos anos 80. ‘Stranger Things’, sucesso de audiência na Netflix, está de volta com 9 novos episódios e promete não só divertir como também mexer com a cabeça dos espectadores. Portanto, vá se reparando.

Criada pelos irmãos Matt e Ross Duffer, ‘Stranger Things’ trouxe uma primeira temporada eletrizante e com um desfecho surpreendente, como o resgate do garoto Will (Noah Schnapp) do Mundo Invertido, mas com um comportamento um tanto perturbado, vomitando uma estranha criatura e tendo uma breve visão do universo em que esteve enquanto sumido. Além dele, a garota Eleven (Millie Bobby Brown), alvo constante de diversos experimentos do governo, some repentinamente após uma forte explosão. Sua aparência, trejeitos e o dom demonstrado, de mostrar força com sua mente, nos deixaram muitas dúvidas, ela é ou não humana? Essas duas conclusões deram gancho para que uma nova temporada se desenvolvesse e deixasse os espectadores ainda mais desconfiados e ansiosos, e é o que realmente acontece.

A nova sequência começa no dia 28 de outubro de 1984, 352 após o desaparecimento de Eleven. As crianças estão crescendo e aprontando bastante na cidade de Hawkins, mas uma série de coisas estranhas começam a acontecer, como o apodrecimento misterioso de diversas plantações, além das constantes ameaças do Monstro das Sombras, que exerce forte controle sobre Will e criaturas ligadas ao Mundo Invertido. Para se livrarem desses seres pertencentes a uma realidade alternativa e conseguirem salvar Will, o grupo formado por Dustin (Gaten Matarazzo), Lucas (Caleb McLaughlin), Mike (Finn Wolfhard) vai precisar não só de agilidade e estratégia, como também de muita ousadia, não será fácil aniquilar criaturas com velocidade e força colossais, além de terem que encontrar as melhores técnicas de sobrevivência.

A série traz uma boa divisão de episódios, não só as crianças se destacam, como também os novos atores escalados. David Harbour, o xerife Hopper, constrói uma importante ligação entre as histórias paralelas, além de mostrar uma forte afeição por Eleven. Sadie Sink, a Max, é inicialmente rejeitada pelos garotos, mas sua personalidade forte e seu jeito descolado chamam a atenção, principalmente de Lucas, e aos poucos vai ganhando confiança de todos, bem como do público. Dacre Montgomery, o irmão bad boy de Max, traz um pouco mais de conflito à história, mas de maneira superficial e o personagem não é tão explorado. Sean Astin, famoso pelo filme ‘Os Goonies’, de Steven Spielberg, apesar de fazer um papel abobalhado de namorado de Joyce Byers (Winona Ryder), é um dos cérebros da história, com importantes intervenções e a peça-chave para a resolução do mistério que gira em torno de como encontrar e derrotar as criaturas do Mundo Invertido.

Os cenários apresentados são uma construção fiel dos anos 80. As músicas executadas, os objetos que estavam na moda, como vitrolas, fones de ouvido gigantes, além das roupas e penteados, tudo isso faz você viajar no tempo e se sentir nostálgico, fora as referências a filmes famosos, como ‘Caça-Fantasmas’, ‘Os Goonies’ e ‘Halloween’. Além da direção de arte, o roteiro também é um ponto forte, por apresentar histórias paralelas e saber depois amarrá-las, sem deixar buracos e apresentar coisas soltas. As cenas são desenvolvidas com um perfeito timing, e as personalidades dos personagens são devidamente trabalhadas, todos esses ingredientes funcionam e contribuem para o perfeito funcionamento da história e da série num todo. Até quem não é fã de histórias que envolvam mistérios, mundos sombrios e assombrações vai se impressionar e se interessar por Stranger Things.

No quesito atuação, Millie Bobby Brown é o maior destaque, ela retorna com uma personagem ainda mais forte e madura, além de ter uma importância abissal para a trama. Não só há um episódio solo que ajuda a desvendar os mistérios de seu passado, como nos deparamos também com um desfecho expressivo e impactante para Eleven, quem é fã da personagem não vai querer perder um minuto e não vai sair da cadeira para saber o que acontece com ela e com a cidade de Hawkins, praticamente entregue aos Demogorgons.

Uma produção que oferece sustos, diversão e muitos segredos a serem desvendados. ‘Stranger Things’ oferece muitas possibilidades e com chance de mais uma temporada, é cruzar os dedos e ver o que vem por aí.

Avaliação: 4,5/5 poltronas.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota