Poltrona Resenha: O Círculo/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: O Círculo/ Cesar Augusto Mota

Com a popularização da Internet e dos reality shows, ficamos cada vez mais expostos e, por que não dizer, mais vigiados? As redes sociais estão bombando cada vez mais, a necessidade de ser e depois parecer está mais latente, bem como a espetacularização da imagem e da vida privada se tornaram predominantes. Tudo isso representa o momento atual em que vivemos e também faz parte do enredo do próximo filme que chega aos cinemas brasileiros esta semana, o longa “O Círculo”.

Sob a direção de James Ponsoldt e com as participações de Emma Watson, Tom Hanks e John Boyega, “O Círculo” ilustra a rotina de Mae Holland (Watson), uma jovem que possui um emprego temporário de atendimento a clientes e que precisa de dinheiro urgente para tratar da saúde do pai, que sofre com a esclerose múltipla. A garota vê sua vida mudar após a amiga Annie (Karen Gillan) conseguir para ela uma entrevista na maior empresa de ramo tecnológico do planeta, com uma vasta base de dados composta por informações pessoais e criptografadas obtidas de alguma forma e cadastradas no Círculo.

Após entrar no Círculo, Mae se envolve com uma série de atividades que a fazem ganhar mais pontos e subir numa escala de popularidade, o que nos faz lembrar do primeiro episódio da terceira temporada de Black Mirror, no qual ser popular é o mais importante e se ganha vantagens. Com sua rápida ascensão, ambição e espírito de liderança, Mae começa a chamar a atenção de Eamon Bailey (Hanks), e vê nela a oportunidade de implementar seus ideais, o de abolir o anonimato digital e fazer as pessoas saberem de tudo o que acontece ao redor, sem restrições.

O roteiro do filme é bem criativo, explora os contextos da alienação; gerada pelo constante uso das redes sociais, além das ideias de privacidade; rompida com os métodos aplicados pelo círculo na sociedade norte-americana, e da transparência; tão cobrada pelos cidadãos às autoridades que nos controlam. Além disso, muitas perguntas surgem na nossa mente e servem para reflexão e debate. O ser humano é mais transparente e se comporta melhor se for vigiado 24 horas por dia? A privacidade vai acabar com a popularização e uso maçante das tecnologias? Por que as pessoas se preocupam tanto com a popularidade? O monitoramento das relações humanas resolve problemas que por muitos séculos nos aflige, como a violência e a corrupção?

Com o transcorrer da história, vamos martelando esses questionamentos na cabeça, além de nos depararmos com uma verdadeira transformação no perfil de Mae, que cai em várias cascas de banana por se envolver demais com a tecnologia, até chegar ao ponto de esfriar a relação com seus pais e colocar outras pessoas em risco. Todos os nossos atos geram consequências e devemos estar atentos para com nossos princípios e a maneira que os colocamos em prática nos círculos sociais, o que é bem transmitido no filme.

Sobre as atuações, elas agradam, mas o longa peca em centralizar a história mais nas atitudes da personagem de Emma Watson e deixar Tom Hanks e John Boyega em segundo plano. Este aparece em poucas cenas, sua participação poderia ter sido mais bem trabalhada e mais decisiva na trama, mas ele retorna em um momento crucial, o que acaba salvando o trabalho de Boyega. Já Tom Hanks tem uma atuação segura, mas um pouco abaixo de outros trabalhos feitos e que o consagraram na sétima arte.

O desfecho do filme deixa a desejar, ele não entrega ao espectador tudo o que poderia, mas nos mostra que o uso da Internet e das redes sociais podem se tornar um instrumento poderoso, seja para o bem ou mal, a depender do seu manuseio. “O Círculo” é um ótimo convite para quem gosta do assunto tecnologia e está interessado em refletir sobre as consequências de seu bom ou mau uso, veja e tire suas conclusões.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

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Poltrona Resenha: Neve Negra/ Cesar Augusto Mota

Poltrona Resenha: Neve Negra/ Cesar Augusto Mota

Uma tragédia ocorrida no seio familiar cujo trauma perdura até os dias atuais. “Neve Negra”, filme de Martin Hodara, parece tratar de terror por conta do título, mas é um drama psicológico que vai mexer com você. A produção argentina estreou no circuito nacional na semana passada e já está dividindo opiniões.

A história acompanha a vida de Salvador (Ricardo Darín), um homem introvertido que mora na Patagônia e acusado de assassinar o irmão na adolescência. Marcos (Leonardo Sbaraglia), seu outro irmão, e a cunhada Laura (Laia Costa), visitam-no e tentam convencê-lo a vender as terras que ficaram para a família após a morte do pai. A partir daí, a narrativa utilizada serve para prender a atenção e revelar segredos há tanto tempo ocultos.

O recurso do flashback, mesmo não sendo uma coisa inovadora, ajuda a tornar a trama mais instigante, além de aumentar gradativamente o drama e a tensão acerca do assassinato de Juan (Iván Luengo). Com o auxílio de uma fotografia apagada e um ambiente claustrofóbico, a narrativa causa arrepio no espectador, com um bom efeito psicológico e as peças se encaixando aos poucos para desvendar o mistério que há tanto tempo atormenta a família.

No tocante ao elenco, as atuações são surpreendentes, principalmente de Ricardo Darín e da espanhola Laia Costa. O primeiro surge com uma aparência grotesca e um semblante de amargura, e a impressão que temos é que uma iminente agressão entre Salvador e Marcos vai acontecer, um papel que é difícil de fazer e Darín faz com todas as honras. Já a personagem de Laia, Laura, é a mola mestra da história, pois é ela que se antecipa aos perigos, consegue estabelecer uma forte ligação com Sabrina (Dolores Fonzi), outra irmã de Marcos e Salvador, e com suas habilidades impressionantes ajuda a esclarecer uma série de dúvidas, até o desfecho da história.

Se o filme não é um primor, traz uma atmosfera forte bastante reflexiva para o espectador, com uma excelente direção de arte, fotografia e atuação eficiente dos atores, além de uma direção competente de Martin Hodara, E no fim da sessão você certamente irá se perguntar: até que ponto as relações humanas podem ser tão complexas e perversas? Um convite que vale a pena ser aceito, veja “Neve Negra” e comprove, você não se arrependerá.

 

 

Por: Cesar Augusto Mota

Literacine: O Sol é para todos – Harper Lee

Literacine: O Sol é para todos – Harper Lee

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Olá queridos, quero muito me desculpar pelo atraso na postagem mas precisava dividir esta leitura com vocês, um livro que, sinceramente, marcou minha vida !!

De posse de um dos maiores prêmios da  literatura, Harper Lee nos brinda com um best seller atemporal, que saiu das páginas e da mente das pessoas para ganhar  as telas do cinema na década de 60 contando com a presença de ilustres atores, entre eles  o fantástico Gregory Peck.

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Lançado em 1963 e dirigido por Robert Mulligan, o Sol é para Todos é lançado com um orçamento da época de U$ 2.000,000 de dólares. Uma emoção latente tanto na produção cinematográfica, quanto na literatura, que nos conscientiza sobre uma realidade tão atualmente velada quanto o racismo.

Jean Louise Finch (Mary Badham) recorda que em 1932, quando tinha seis anos, Macomb, no Alabama, já era um lugarejo velho. Nesta época Tom Robinson (Brock Peters), um jovem negro, foi acusado de estuprar Mayella Violet Ewell (Collin Wilcox Paxton), uma jovem branca. Seu pai, Atticus Finch (Gregory Peck), um advogado extremamente íntegro, concordou em defendê-lo e, apesar de boa parte da cidade ser contra sua posição, ele decidiu ir adiante e fazer de tudo para absolver o réu.

Fiz uma resenha  sobre livro e deixo também o link  do youtube para vocês saberem mais sobre o filme.

Boa semana